Oi tudo bem
Há dias em que acordo carregando o peso de tudo o que ainda não consegui me tornar, um inventário de ausências que insiste em nublar o presente. No entanto, levanto-me não por uma euforia passageira, mas por uma recusa solene em abandonar a própria história no meio do caminho. Aprendi que a continuidade não exige uma força constante e inabalável, mas sim o compromisso fidalgo de não permitir que o ponto final seja escrito por mãos que não as minhas.
- Tiago Scheimann
Há dias em que caminho como quem atravessa um inverno sem fim. Dentro de mim, tudo parece frio, pesado, quase irreconhecível. Cada passo é menos coragem do que insistência em não cair. E sigo, não porque a dor diminuiu,
mas porque me recuso a deixar que ela escreva o fim da minha história.
Existe uma parte de mim que continua acreditando. Mesmo quando tudo ao redor desmente qualquer esperança. É ela que me mantém de pé quando o resto já vacila. É ela que me empurra adiante. E, por vezes, essa pequena chama vale mais do que qualquer certeza.
Sobreviver me ensinou mais do que viver. Porque viver é leve quando tudo está em ordem. Mas sobreviver exige luz onde há escuro, fé onde já não sobra certeza, e coragem onde a alma já teria desistido.
O tempo não cura tudo. Ele apenas nos ensina a conviver com o que sobrou. Aprendemos a reorganizar os cacos, a dar novos nomes às antigas dores, e a continuar, ainda que incompletos.
Existe um ponto da dor em que as palavras deixam de servir, e tudo o que resta é o silêncio contemplando as próprias ruínas.
A melancolia é uma janela aberta por dentro, o vento entra, desarruma tudo e, ainda assim, deixa o quarto menos morto.
O vazio não é o nada, é a arquitetura invisível de tudo o que nos falta. Uma presença que nos habita pelo avesso, ocupando espaço justamente por sua recusa em terminar de partir.
O vazio não é a ausência de tudo, é a presença esmagadora daquilo que já não pode voltar, mas também nunca consegue partir completamente.
Liberdade é não ter limites para se fazer tudo o que não prejudique outras pessoas. Liberdade é ter respeito pelo espaço alheio. Liberdade é estar nos braços do meu amor, ainda que presa pelo seu abraço aconchegante. Liberdade é poder fazer o que se quer, no momento em que quiser, nos lugares e com as pessoas que se pode. Enfim, liberdade não é viver sem regras ou limites. Liberdade é saber conviver e não ser esmagado por elas…
La vie presque en rose!
Está tudo tão diferente...
Às vezes sinto saudade de mim, de quem eu era. O problema é que não me lembro mais de como eu era! Tão pouco tempo, e tantas mudanças! Não sei onde me perdi, também não sei se me encontrei! Sequer sei se foi melhor ou pior. Quando tiver essa resposta, digo-vos...
Se algum dia eu a tiver...
Mas, sabe de uma coisa?
Está tudo tão diferente...
O pior de tudo isso é ser obrigada a conviver com toda essa vergonha por ainda te amar tanto, apesar de tudo!
Incrível como tudo que me acalma me é caro. Ou me custa muito ao bolso, ou me é demais ao coração! Isso sem mencionar as vezes em que ambos me são arrancados!
A linha entre fazer tudo por uma pessoa para mantê-la sob seu controle e para realmente ajudá-la é tão tênue, que se ultrapassado o limite o remendo ficará sempre a olhos nus.
Para o sábio, tudo é fonte de sabedoria; para quem não é sábio, a própria sabedoria parece loucura.
Para o poeta, toda paisagem e toda palavra são fontes de beleza; para quem não é poeta, a própria beleza pode parecer insípida.
Abra-se à luz da sabedoria, e o sol da poesia iluminará os campos interiores da sua existência.
