Observador

Cerca de 340 frases e pensamentos: Observador

⁠Parei na sua

Sempre fui bastante observador.
Sobretudo quando é algo ou alguém que me agrada. E em se tratando do ser "HUMANO" em si e em sua essência, fico mais preso ainda.

Como diziam os jovens antigos "parei na sua".
Aí você me pergunta: Parou onde?
A resposta está na ponta da língua:

- Parei na sua simplicidade;
- Parei na sua meiguice;
- Parei no seu olhar;
- Parei no seu sorriso;
- Parei na sua sensualidade;
- Parei na sua força de mulher;
- Parei em você todinha.

Mas, de verdade?
Não pretendo ficar parado contigo, pois teremos bastante atividade em dupla para nos permitir ao máximo.

Sou um observador, e é óbvio que percebo as pessoas que vivem de aparências.

Procuro compreender o motivo pelo qual alguém cria uma realidade irreal — algo que chamo de pleonasmopsicótico (adjetivo criado por mim) —, pois o indivíduo passa a viver na ilusão de que seu modo de ser ou de viver trará benefícios reais para si.

E, nesse engano, acredita que todos ao redor são incapazes de perceber que aquela performance é falsa — uma simples ilusão que sustenta o próprio vazio.

“O silêncio do observador não é ausência de compreensão, mas a decisão serena de quem já entendeu o bastante para se retirar.”

O observador desperto não reage, apenas compreende.

⁠Seja observador a tua própria imagem no espelho.

Aquele que não incomoda é apenas um observador, acostumado a viver sem grandes exigências; o pouco que tem é o suficiente para viver.

Não se pode ver o que se sente,
Mas ao contemplar o observador,
Torna-se residente do presente.

O urbano, o vento, o silêncio e um olhar observador sobre o espaço à sua frente, pronto! A arte se impõe.
A censura, a mentira, o barulho e um olhar intolerante sobre o fato à sua frente, pronto! A cizânia se impõe.

⁠Diante do Sábio: Escute
Diante do Inteligente: Aprenda
Diante do Observador: Se oculte.
Porquê:
O Sábio vai falar o que você não sabe.
O Inteligente vai te explicar o que você não entendeu.
E o Observador em silêncio, vai conhecer sua profundidade.

O Observador de Trinta Mil Dias


Quem és tu?
Num universo com dois trilhões de galáxias — cada uma com cerca de duzentos bilhões de estrelas — orbitas um planeta entre os cem bilhões da Via Láctea. Vives entre oito bilhões de seres humanos: um quarto crianças, um décimo idosos, a maioria adultos; metade homens, metade mulheres. Num mundo com mais de sete mil línguas, cento e noventa e cinco países, milhares de etnias e províncias…
Quem és tu?


Entre elétrons e quarks, prótons e nêutrons; de átomos a moléculas, de organelas a células; de tecidos a órgãos e sistemas… em meio a esse organismo que respira, quem és?
Quem és tu?


Ser que busca energia e luta para sobreviver; que compartilha e retém emoções; animal que necessita de bando, de ordem e de governo.
Quem és tu?


Em meio aos que pensam — e pensam até sem querer —, que buscam uma razão ora contaminada, ora reforçada pela emoção. Tu, que tens vontade; que és sem perceber que és; que, do centro da própria consciência, observas.
Quem és tu?


Distante quase seis mil anos da primeira escrita, entre os que lavram a terra e redigem histórias; que erguem impérios e constroem modelos de pensamento. Cercado por máquinas que ampliam tuas mãos e por armas que multiplicam tuas distâncias; imerso em códigos invisíveis que transformam silêncio em voz e presença em memória…
Quem és tu?


Em oitenta ou noventa anos — quase trinta mil dias, seiscentas mil horas, quarenta milhões de minutos — dos quais dormes um terço. Tu, que não enxergas o futuro e apenas recordas o passado; que observas a partir do teu próprio ponto de vista; que mudas com o calor e o frio, com o dia e a noite; que tens pressa ou paciência, ousadia ou prudência…
Quem és tu no olhar do outro?


No olhar do outro, és rótulo antes de ser nome. Alto ou baixo. Forte ou fraco. Comum ou gênio. Belo ou feio. Justo ou opressor. Inimigo ou amigo. Rico ou pobre. Ignorante ou instruído.
Quem és tu? Ainda assim, achas que és o centro?


Não sei explicar tudo. Mas sei que sei menos do que ontem imaginava. E ainda assim, continuo.
Quem és tu?


Esquecido pela terceira geração. Mencionado em documentos que não escreveste. Parte da história ou sombra de um figurante.
Diante dAquele que te formou — que te deu vida e deu vida a quem te deu vida —, quem és tu?


Quando o fim chegar, quais palavras permanecerão: morreu ou eternizou?


Entre o pó e o eterno, foste um sopro.
O que fizeste com ele?

O justo costuma ser inteligente, questionador, imparcial e observador. Nunca defende um lado, por preferência emocional. Entretanto, busca estudar ambos os lados, para obter a conclusão mais real.
O ímpio é medíocre, tendencioso, "dono da verdade" e manipulador. Sempre parcial, defende o lado preferido, de modo "incontestável", controlador. E ainda que todas as evidências provem hipocrisia em sua escolha, ele nunca sai da "bolha".
O justo é visionário, por excelência. O ímpio é cego, por conveniência.


Clara Fontes

É melhor ser o(a) figurante e o(a) observador(a) no cenário da vida real e o(a) protagonista da própria história.

Existe um ponto sutil na prática em que você começa a perceber que não é apenas o observador dos pensamentos, mas também aquilo que percebe o próprio ato de observar. Nesse momento, a dualidade entre “eu que observo” e “aquilo que é observado” começa a se dissolver, revelando uma consciência que não precisa de posição, esforço ou identidade para existir.

A realidade é criada pelo observador e não pela realidade existente. Pela realidade que lê convém.

Observador é aquele que possui a capacidade de modificar o trajeto das coisas.

Quando você passa a ser um observador, se dá conta que muitos vivem por seus egos e demônios, enquanto um outro lado busca a Deus.
E na fragilidade da vida humana, o homem encontra a morte que o mostrará a verdade.

De fora para dentro,
o observador desperta.


E quando desperta,
não se contenta mais com a superfície das coisas.
Ele começa a investigar a memória da própria autoconstrução,
questiona a base dos seus valores,
o edifício do moralismo,
as projeções de objetivo, sucesso e pertencimento.


Então o desconforto jorra,
às vezes agressivo,
às vezes brutal,
porque toda consciência que amadurece
precisa encontrar a sombra antes de encontrar a paz.


E a sombra aparece com suas facetas amedrontadoras:
medos herdados, desejos negados, culpas mal nomeadas,
ambições disfarçadas de virtude,
feridas vestidas de personalidade.


A partir daí, nasce uma cegueira ao antigo e uma sede de perguntas para a vida.


O olhar fica frio, não por falta de alma,
mas por excesso de lucidez.
A realidade perde a maquiagem.
O véu de Maya cai.
E aquilo que antes parecia destino
começa a parecer condicionamento.


Mas o observador não tenta apenas ressignificar tudo.
Ele entende que algumas ruínas não pedem reforma,
pedem demolição consciente.


Então ele cria o novo.


Não um novo aprovado pelas vitrines do todo social,
não um novo domesticado pela moral dos outros,
não um novo feito para caber no aplauso alheio.


Mas um novo mais próximo do eu real,
um eu que não foge da sombra,
dialoga com ela.


Um eu que aprende a transformar desconforto em linguagem,
queda em arquitetura,
solidão em escuta,
e criatividade em afinação profunda da existência.


Porque talvez amadurecer seja isso:
deixar de decorar a cela
e começar a desenhar a chave.

“O ego não precisa ser destruído; precisa ser colocado no lugar certo.”
Do livro O Observador Interior, de Nina Lee Magalhães de Sá.

“O sofrimento se repete quando o observador interno permanece condicionado à mesma dor.”
Do livro O Observador Interior, de Nina Lee Magalhães de Sá.

“A consciência não elimina o ego; ela o descentraliza.”
Do livro O Observador Interior, de Nina Lee Magalhães de Sá.