Observador
Parei na sua
Sempre fui bastante observador.
Sobretudo quando é algo ou alguém que me agrada. E em se tratando do ser "HUMANO" em si e em sua essência, fico mais preso ainda.
Como diziam os jovens antigos "parei na sua".
Aí você me pergunta: Parou onde?
A resposta está na ponta da língua:
- Parei na sua simplicidade;
- Parei na sua meiguice;
- Parei no seu olhar;
- Parei no seu sorriso;
- Parei na sua sensualidade;
- Parei na sua força de mulher;
- Parei em você todinha.
Mas, de verdade?
Não pretendo ficar parado contigo, pois teremos bastante atividade em dupla para nos permitir ao máximo.
Sou um observador, e é óbvio que percebo as pessoas que vivem de aparências.
Procuro compreender o motivo pelo qual alguém cria uma realidade irreal — algo que chamo de pleonasmopsicótico (adjetivo criado por mim) —, pois o indivíduo passa a viver na ilusão de que seu modo de ser ou de viver trará benefícios reais para si.
E, nesse engano, acredita que todos ao redor são incapazes de perceber que aquela performance é falsa — uma simples ilusão que sustenta o próprio vazio.
“O silêncio do observador não é ausência de compreensão, mas a decisão serena de quem já entendeu o bastante para se retirar.”
Aquele que não incomoda é apenas um observador, acostumado a viver sem grandes exigências; o pouco que tem é o suficiente para viver.
O urbano, o vento, o silêncio e um olhar observador sobre o espaço à sua frente, pronto! A arte se impõe.
A censura, a mentira, o barulho e um olhar intolerante sobre o fato à sua frente, pronto! A cizânia se impõe.
Diante do Sábio: Escute
Diante do Inteligente: Aprenda
Diante do Observador: Se oculte.
Porquê:
O Sábio vai falar o que você não sabe.
O Inteligente vai te explicar o que você não entendeu.
E o Observador em silêncio, vai conhecer sua profundidade.
Sejamos sábios para tomar decisões certas; Observador, para observar a tudo e Analista, para analisar os mínimos detalhes.
Quando você passa a ser um observador, se dá conta que muitos vivem por seus egos e demônios, enquanto um outro lado busca a Deus.
E na fragilidade da vida humana, o homem encontra a morte que o mostrará a verdade.
O Observador de Trinta Mil Dias
Quem és tu?
Num universo com dois trilhões de galáxias — cada uma com cerca de duzentos bilhões de estrelas — orbitas um planeta entre os cem bilhões da Via Láctea. Vives entre oito bilhões de seres humanos: um quarto crianças, um décimo idosos, a maioria adultos; metade homens, metade mulheres. Num mundo com mais de sete mil línguas, cento e noventa e cinco países, milhares de etnias e províncias…
Quem és tu?
Entre elétrons e quarks, prótons e nêutrons; de átomos a moléculas, de organelas a células; de tecidos a órgãos e sistemas… em meio a esse organismo que respira, quem és?
Quem és tu?
Ser que busca energia e luta para sobreviver; que compartilha e retém emoções; animal que necessita de bando, de ordem e de governo.
Quem és tu?
Em meio aos que pensam — e pensam até sem querer —, que buscam uma razão ora contaminada, ora reforçada pela emoção. Tu, que tens vontade; que és sem perceber que és; que, do centro da própria consciência, observas.
Quem és tu?
Distante quase seis mil anos da primeira escrita, entre os que lavram a terra e redigem histórias; que erguem impérios e constroem modelos de pensamento. Cercado por máquinas que ampliam tuas mãos e por armas que multiplicam tuas distâncias; imerso em códigos invisíveis que transformam silêncio em voz e presença em memória…
Quem és tu?
Em oitenta ou noventa anos — quase trinta mil dias, seiscentas mil horas, quarenta milhões de minutos — dos quais dormes um terço. Tu, que não enxergas o futuro e apenas recordas o passado; que observas a partir do teu próprio ponto de vista; que mudas com o calor e o frio, com o dia e a noite; que tens pressa ou paciência, ousadia ou prudência…
Quem és tu no olhar do outro?
No olhar do outro, és rótulo antes de ser nome. Alto ou baixo. Forte ou fraco. Comum ou gênio. Belo ou feio. Justo ou opressor. Inimigo ou amigo. Rico ou pobre. Ignorante ou instruído.
Quem és tu? Ainda assim, achas que és o centro?
Não sei explicar tudo. Mas sei que sei menos do que ontem imaginava. E ainda assim, continuo.
Quem és tu?
Esquecido pela terceira geração. Mencionado em documentos que não escreveste. Parte da história ou sombra de um figurante.
Diante dAquele que te formou — que te deu vida e deu vida a quem te deu vida —, quem és tu?
Quando o fim chegar, quais palavras permanecerão: morreu ou eternizou?
Entre o pó e o eterno, foste um sopro.
O que fizeste com ele?
"Já olhei atravessado para essa tal Inteligencia Artificial. Hoje sou outro observador e até aprecio a dita. Pelo menos imagens nela concebidas são lindas, limpas, têm cenarios exuberantes e não cheiram (e muito menos fedem). E as mulheres? Mulheres vindas da Inteligencia Artificial são lindas, entre outros atributos!"
TextoMeu 1374
O Observador: Ensaio Poético-Filosófico
O observador é o artífice silencioso da tapeçaria do real. Não é apenas um espelho passivo que reflete o mundo, mas a própria lente que o contém, o define e, em seu ato mais íntimo, o convoca à existência.
É o ponto de inflexão onde o caos se curva à ordem, o limite vibrante entre o que é e o que poderia ser. Antes de sua visão, a matéria é apenas uma nuvem de probabilidades; após seu olhar, ela se solidifica em tempo e espaço, ganhando forma, textura e, mais crucialmente, significado.
O observador é o verbo que nomeia, e ao nomear a estrela, o grão de areia ou a dor sutil, ele os retira do limbo da indiferença cósmica para inseri-los na eternidade do instante vivido. Sem a pupila cósmica para captar a luz fugaz, a cor seria mera frequência; com ela, a cor se transforma em melancolia ou esperança.
Ele carrega o paradoxo da criação: ao tentar mapear a vastidão do universo, acaba por traçar as fronteiras da sua própria consciência. Cada nota musical ouvida é um eco de uma corda interna, cada paisagem admirada é uma moldura para o seu estado d'alma. O mundo exterior torna-se um vasto oceano de metáforas à espera de um navegante para lhes dar sentido.
Este artífice opera não pelo ruído ou pelo esforço, mas pelo foco da atenção. A sua verdadeira ferramenta é o silêncio concentrado. É no vazio da expectação que a onda de possibilidades se quebra, e o observável emerge. O objeto existe porque foi procurado, e a sua definição final é o preço da sua visibilidade. Nisto reside a sublime responsabilidade do ser consciente: escolher, pelo simples ato de ver, qual dos infinitos mundos paralelos irá se manifestar no agora irrecusável.
O observador é, portanto, mais do que um físico quântico da realidade; é um juiz inerente. A sua presença impõe a moral ao universo, transformando o ato neutro em ação carregada de responsabilidade. Ele não só vê o que é justo, mas, ao ver, sente o imperativo de agir. É nele que a ética se enraíza, pois a diferença entre o vazio e o valor reside na sua capacidade de atribuir peso, significado e uma direção teleológica ao fluxo incessante da existência. Ele é a bússola que aponta para o Bem, mesmo que esteja perdido no nevoeiro.
O observador é também o repositório, o arquivo vivo onde o efêmero adquire ressonância. A memória não é a simples recuperação de um facto, mas um ato contínuo de re-observação, onde o passado é constantemente refeito à luz do presente. É nesse vasto teatro interno que a experiência se destila em sabedoria, e o indivíduo transcende o seu tempo biológico. Ao reter e projetar, ele costura a linha da história, garantindo que o ciclo da vida, da cultura e do significado não se desfaça na indiferença de um universo que, sem ele, seria apenas ruído.
Em última e mais sublime instância, o observador é a condição necessária para o Ser. É o universo, desperto, tentando se compreender através da forma mais refinada da matéria: a consciência. Ao se colocar neste papel, ele não só testemunha o mundo, mas se torna a fundação que permite ao tempo fluir, ao passado persistir e ao futuro se desdobrar. Ele é, e sempre será, o ponto zero da verdade particular, o sopro que garante que o espetáculo da existência jamais se apague.
O justo costuma ser inteligente, questionador, imparcial e observador. Nunca defende um lado, por preferência emocional. Entretanto, busca estudar ambos os lados, para obter a conclusão mais real.
O ímpio é medíocre, tendencioso, "dono da verdade" e manipulador. Sempre parcial, defende o lado preferido, de modo "incontestável", controlador. E ainda que todas as evidências provem hipocrisia em sua escolha, ele nunca sai da "bolha".
O justo é visionário, por excelência. O ímpio é cego, por conveniência.
Clara Fontes
É melhor ser o(a) figurante e o(a) observador(a) no cenário da vida real e o(a) protagonista da própria história.
"A tartaruga é lenta quando o observador é rápido, mas quando o observador é lento, a tartaruga é rápida."
Do ponto de vista da lesma, da tartaruga e do coelho.
Eu me tornei um observador da própria dor, como se houvesse uma distância entre quem sente e quem entende, e talvez seja isso que me mantém funcional, porque sentir tudo diretamente seria insuportável.
