O Valor do ser Humano Rubem Alves
Eu gosto de ver as coisas boas da vida brotar, o que estava morto reviver, o que não tinha mais vida renascer e pedra bruta lapidada virar pedra preciosa.
É assim que o amor de Jesus nos faz, a tudo transforma e cria em nós um novo ser.
No passado Jesus recomendou aos seus seguidores que procurassem em primeiro lugar o Reino de Deus e sua Justiça e tudo mais lhes seria dado de acréscimo. Hoje, ele poderia fazer a mesma recomendação usando as seguintes palavras: procurai em primeiro lugar o SER e obtereis o TER de acréscimo.
A sociedade tem cometido um erro ao longo dos tempos: no afã de suprir suas necessidades materiais tem ordinariamente lutado pelo TER, em vão. Um conquista logo é superada e a luta recomeça. Dever-se-ia inverter essa postura e passar a lutar pelo SER. Uma vez conquistado o SER, o TER surgiria naturalmente. O TER nasce do SER. É preciso primeiro SER para depois TER.
Em vão se luta pelo TER quando ainda não conseguiu o SER. Todo TER sem o SER se assemelha a algo roubado e como tal acabará sendo perdido ou roubado por outro.
Um dia a gente aprende, que não se deve mudar nosso jeito de ser passando por cima de nossos sentimentos, sem antes compreendê-los.
E de tanta coisa que eu poderia ser.
Do leque de possibilidades que a vida abriu diante de mim, escolhi ser amor.
Amar sem marcas, sem pesos, sem cobrança, sem esperar algo em troca.
A tranquilidade de poder sentir a leveza do retorno, que universo emana para aqueles que sopram sua essência ao vento.
Eu queria ser uma pessoa que demora muito pra amar, sofrer, sentir saudade, tristeza, raiva. Qualquer sentimento.
Decidi que serei feliz, não importa com quem ou pelo que eu serei. Andei pensando, não preciso ser feliz por alguém e não preciso ser feliz só quando acontece algo inacreditável, eu serei feliz por mim. Tô cansada de ter que questionar sobre a felicidade, se irei encontrá-la ou não, eu sou feliz, só que não sei identificar a felicidade. Uma hora você cansa de viver triste, cansa de depender das pessoas para sorrir, então eu decidi… Eu sou feliz.
O coração do tolo exala maldade.
Respira angustia.
E vive há lamentar.
Mas o coração do sábio inala bondade
Respira alegria.
E vive com o melhor que se pode da vida alcançar...
...Há alegria de estar bem, e nesta vida poder amar.
A Rotina Da Vida
Não se lastime pela vida rotineira que leva pois as metas as sobreporão com o sacrifício do se doar no aprender e lutar.
Os objetivos da vida no seu geral, caminham de mãos dadas com a rotina e os que nada querem as largam se abraçando com os agitos que iludem o presente espalhando as metas e usurpando a realidade.
Ser fracassado é ser inequívoco naquilo que mira, pois não são os olhos que veem, mas o cérebro que o interpreta.
Eu esperei por muito tempo pra ser feliz ao lado de alguém, e agora não vou perder essa oportunidade.
Ode à imperfeição
Ah! Aqueles cabelos... Insistiam em permanecer bagunçados, mesmo nos melhores dias.
Ou aquelas sardas que espalhavam ferrugem sobre a pele tão delicada.
Mas ele tinha aquele jeito solto de andar que dava vontade de se jogar na estrada ao seu lado.
E ela aquele sorriso de dentes brancos e presas salientes.
Quando gargalhava, o quarteirão inteiro ouvia.
Quando se movia, tudo que não estivesse fixo ia ao chão.
Aquele nariz assimétrico combinava-lhe tão bem com a assimetria do pensamento.
E a bagunça no seu quarto refletia-lhe bem os tormentos da alma.
Mentia às vezes, para ser conveniente.
Exagerava às vezes, só para parecer mais interessante.
Jogava-se sem medo, ou apesar do medo. E não se arrependia, apesar da dor.
Esquecia a cautela em casa, junto com os documentos do carro.
Chorava amargamente. Até a primeira piada.
Ria em hora errada.
Esquecia datas importantes. Mas sabia o porquê de ser importante lembrar.
A dieta sofria boicote. A vida é tão curta para se privar.
O corpo era cheio de curvas. Contra a luz, novas curvas se revelavam.
Às vezes ela se escondia, envergonhada. E disfarçava um jeitinho de apagar a luz.
Ele não sabia a hora certa de parar de brincar. Como se houvesse hora certa para parar de brincar.
Aquele estilo confuso, mas pronunciado, sempre louvava os excessos.
Ele falava demais. Significava de menos.
Ela falava de menos. Significava demais.
Tinha mil assuntos inacabados. As tarefas não chegavam ao fim.
Ele terminava. Mas não começava muito.
Apegava-se demais aos objetos alheios e não suportava deixa-los para trás.
Esmigalhava pacientemente a erva ao final do dia. Seu pequeno ritual de relaxamento.
Tinha mania de completar frases alheias. Havia tanto a ser conversado ainda.
Saia de casa em horários diversos, só para burlar a rotina.
E bebia e dançava como se amanhã não fosse outro dia.
Sentia pena de todas as estórias de amor que deixava de viver.
Escapava da lei dos homens, vez e outra, só para se sentir dono da lei.
Em meio a tantas coisas imperfeitas, quanta perfeição há!
