O Valor do ser Humano Rubem Alves
O amor-próprio nasce ao ver valor no escuro, descobrir-se na escuridão é encontrar luz interna, valor íntimo não depende de aplausos, no silêncio aprendi a me reconhecer.
A consciência de que fui resgatado a um preço tão elevado confere um valor que o mundo não pode manipular nem tirar. Que eu viva cada dia honrando esse resgate, com a dignidade de quem sabe ser incondicionalmente amado. Não mais escravo do medo, mas livre para expressar o melhor de mim, impulsionado pela Tua graça.
O seu valor não está no que você possui, mas na qualidade das suas escolhas morais em momentos de crise.
A energia gasta em tentar provar valor a um júri que já proferiu o veredito da desvalorização é a mais inútil das espoliações.
Aquele que não tem nada tem cruz pesada pra carregar, ensinando na dor o valor da resiliência e da humildade.
Às vezes, o encanto pelo "lá" precisa morrer para que a gente aprenda a dar valor ao "aqui". O contraste é o melhor professor de gratidão.
No fim das contas, um lugar mágico é apenas qualquer lugar onde você não sinta necessidade de estar em outro lugar. Quando você está disposta a largar o que não te serve, nenhuma decepção é difícil de carregar .
As promessas alheias têm pouco valor, as próprias valem por instinto. Prometer para si é firmar um tratado íntimo. Nem sempre cumpro, mas a tentativa já é território conquistado. Renegociar com gentileza é parte do acordo. E assim construo um caminho que me pertence, aos poucos.
O medo é o imposto visceral que se paga por possuir algo de valor inestimável, mas a coragem é o testamento de fogo que prova: a blindagem cedeu, mas a espinha dorsal da
luta permanece intacta.
Existem duas situações que o povo luta pela sua terra: a sobrevivência e a noção de valor. Para resgatar a noção de valor é preciso resgatar a autoestima e o olhar sobre o que é belo. A oligarquia política serviçal do colonialismo moderno sempre costuma atacar a noção de valor.
Se a Primavera fosse eterna, ela perderia seu valor de renovação, ela somente é celebrada porque o Inverno existiu.
Em pleno Verão, o Inverno chegou, naquele ano não
houve as demais valor, somente o frio, algumasflores resistentes do jardim, continuaram a florescer,na esperança da Primavera retornar, o Sol raiar e o coração voltar a aquecer. Aguardando o ciclo virar em um breve alvorecer
CLADISSA.
CAPÍTULO V
O VALOR QUE NÃO SE PESA EM TERRA.
A Úmbria do século XI permanecia sob as tensões que reverberavam desde Roma. A controvérsia das investiduras não era apenas querela entre trono e altar, mas reorganização profunda das hierarquias sociais. Desde o confronto entre Henrique IV e Gregório VII, a cristandade latina experimentava vigilância moral crescente e redefinição de vínculos entre laicato e clero.
Nesse contexto, o mosteiro onde Cladissa vivia não era simples refúgio espiritual. Era centro de irradiação simbólica. Sua biblioteca, ainda que modesta, preservava códices da Vulgata consolidada por Jerônimo, além de comentários patrísticos que sustentavam a ortodoxia local. O scriptorium tornara se espaço estratégico. Copiar textos era manter a unidade doutrinária em tempos de fragmentação política.
Foi precisamente nesse cenário que as investidas contra Cladissa adquiriram contornos mais nítidos. Não eram meros impulsos sentimentais. Eram movimentos inscritos na lógica feudal.
Primeiro fator. O capital simbólico. A alfabetização em latim, rara entre mulheres e mesmo entre muitos homens, conferia lhe estatuto singular. Ela não possuía terras, mas possuía letramento. Em uma sociedade onde contratos, cartas de concessão e registros eclesiásticos exigiam precisão textual, uma mente disciplinada era ativo valioso. Pequenos senhores locais, pressionados por tributos imperiais e obrigações eclesiásticas, necessitavam de organização. Uma esposa instruída elevava a casa não apenas socialmente, mas funcionalmente.
Segundo fator. A política de alianças. Após 1077, quando Canossa tornara se símbolo da tensão entre Império e Papado, cada vínculo com instituições religiosas ganhava peso estratégico. O mosteiro representava legitimidade espiritual. Aproximar se de Cladissa significava, ainda que indiretamente, aproximar se da autoridade moral do claustro. Em tempos de suspeita sobre simonia e corrupção clerical, a associação com uma figura reconhecida por disciplina e pureza tornava se capital político.
Terceiro fator. A projeção moral e estética. A espiritualidade medieval valorizava compostura, recato e austeridade. Cladissa incorporava esses atributos com naturalidade. Sua postura serena, o domínio do silêncio, a sobriedade no vestir, tudo isso correspondia ao ideal feminino cultivado pela ética monástica. A virtude, naquele século, era reputação tangível.
Quarto fator. A vulnerabilidade jurídica. Órfã e sem dote expressivo, ela carecia de proteção familiar robusta. No sistema feudal, tutela e casamento eram instrumentos de incorporação patrimonial. Mesmo sem bens materiais, a própria pessoa constituía valor. Integrar Cladissa a uma casa significava absorver seu potencial simbólico e sua ligação institucional.
Esses elementos convergiam silenciosamente. Enquanto ela copiava passagens do Evangelho segundo João, refletindo sobre o Verbo que se fez carne, outros avaliavam sua presença como possibilidade concreta de ascensão ou consolidação.
Certa tarde, o prior foi procurado por um representante de pequena linhagem rural que solicitava audiência. O argumento era prudente. Falava se em proteção, em estabilidade, em honra. O discurso revestia se de cortesia, mas a intenção era inequívoca.
O prior, homem atento às reformas em curso, compreendia a delicadeza da situação. O mosteiro não podia converter se em mercado matrimonial, sob pena de comprometer sua integridade. Ao mesmo tempo, não ignorava que a permanência de Cladissa ali exigia justificativa sólida diante de pressões externas.
Cladissa percebeu a mudança de atmosfera. O silêncio tornara se denso. Já não era apenas o silêncio da oração, mas o da expectativa.
Naquela noite, ao recolher se, compreendeu que sua pobreza material era apenas aparência. O século avaliava valores invisíveis. Educação, vínculo sagrado, reputação moral.
E foi então que amadureceu nela uma decisão interior. Se era vista como moeda, precisaria afirmar se como consciência. Se era objeto de cálculo, precisaria tornar se sujeito de escolha.
O século XI mediu quase tudo em terra, tributo e fidelidade. Contudo, no interior daquela jovem formada entre pergaminhos e pedras frias, começava a erguer se algo que não podia ser pesado em balanças feudais. Uma vontade lúcida, consciente de seu tempo, mas não submissa a ele.
Existem almas esculpidas em rocha,
onde a virtude é o que dita o valor.
Não buscam o palco, nem a vã glória,
são feitas de ética e de puro amor.
Admiro a elegância do seu pensamento,
essa alma que é abrigo, que é base, que é cais.
Sua postura resiste a qualquer contratempo,
é a nobreza de quem não se vende jamais.
Há um brilho em você que o olho não explica,
é o rastro de luz de quem vive no bem.
A sua presença é o que no mundo fica:
essa alma rara que ninguém mais tem.
"Reflexão de vida:
"Não abra mão do seu valor, e não se diminua pra caber na régua de ninguém.
Se o seu valor não se encaixa no padrão do outro, isso é problema dele e não seu. Quem tenta te medir pela própria régua nunca enxergou o valor que você tem.
Portanto, não se encolha pra caber no espaço de ninguém."
Muitas vezes não damos valor a quem está sempre ao nosso lado, e quando percebemos como tão grande ela foi vemos que já é tarde ela foi embora há muito tempo e nos restou só as lembranças.
Apenas outras ideias
A verdadeira moeda de troca não tem peso, não tem valor para quem não sabe usar e é adquirida ao longo da vida, apesar de alguns já nascerem com certa facilidade em enriquecer.
Para os que ainda não perceberam que estou falando do conhecimento, e para os que agora levantaram suas ideias céticas sobre o assunto, peço que acordem só um instante e depois voltem para esse grande
teatro que é a sociedade.
O ensino é elitista (Por favor, não venham com argumentos baratos, uma pessoa que passa em 8 vestibulares em diferentes partes do país sem usar o ENEM, por exemplo, não tem como ser pobre!), e acredito que não seja só no Brasil. Usei esse argumento apenas para falar do Capitalismo. Perceba a relação.
Pense na vida como um tabuleiro de Banco Imobiliário, eu acho que jogar dados, comprar ruas e apartamentos, enriquecer ao empobrecer o oponente parece ser fácil. Porém quando o oponente aprende realmente como jogar, as coisas ficam mais complicadas... Você pensa que o grande jogo que é o mercado aceita qualquer jogador? Não, e é aqui que se encontra o capitalismo, a primeira barreira “natural” que permite que só os grandes joguem. Isso implica em dizer que é necessário que a massa não tenha conhecimento, que haja novela das nove, que o estado se ausente da economia. Meu caro Addam Smith, alguns soros nunca foram tão tóxicos!
Nossa! Parecem que brasileiros estão ganhando Olimpíadas cientificas fora do Brasil. Que orgulho! E quando um ribeirinho, ou até mesmo um menino que pede dinheiro quando o semáforo fecha terão essa oportunidade? Não, o capitalismo não é cruel, a ignorância é.
O que eu estou pedindo é que entendam que o jogo do mercado não tem espaço suficiente para todos, e os que já estão jogando evitam que apareçam exímios jogadores. Como pessoas não duram para sempre, os que já estão tomando conta do tabuleiro preparam seus filhos para que assumam a “empresa da família”.
Eu poderia muito bem queimar todas as notas das diferentes moedas nacionais que o mundo não acabaria, mas agora dê conhecimento a uma pessoa para ver se ela não o destrói claro com o devido incentivo. O ser humano desvalorizou tanto sua capacidade que acaba se prostituindo por um pedaço de papel (o mais absurdo é que isso é sinônimo de riqueza).
Estamos alienados de tal forma que por algum motivo tudo isso que citei acima parece ser normal. Quando digo alienado, não me refiro apenas àqueles que são ignorantes por falta de oportunidade, incluo nesse pacote grandes mentes que embora brilhantes não percebam, ou simplesmente ignoram o que acontece.
E para terminar essa pequena ideia, modifico um dito popular para que se torne menos metafórico e mais verossímil: na nossa realidade quem percebe o que está acontecendo não é rei, mas tem a oportunidade de ser um belo jogador.
