O Valor do ser Humano Rubem Alves
Uma arma eficaz para desestabilizar um ser humano e, até numa dimensão de guerra derrotar o inimigo, é a ciência de implantar, estimular ou fomentar a dúvida.
O ser humano não está preparado para a verdade, talvez por isso tenha a necessidade de inventar identidades para si. Identidades vazias e falsas.
A maioria das flores não floresce se não receber água. Para o ser humano o abraço, o aperto de mão funciona como a água para às plantas. É preciso aguar as relações.
O ser humano acredita que pode dominar a sabedoria universal, mas não pode. É ele quem é dominado por ela a todo tempo.
Não é mais sobre ter, mas, simplesmente, projetar-se. Isso é que corrompe o ser humano, a incalculável necessidade de mostrar-se muito além do que é.
Primeiro dia do ano, sonhos, construções, comprometimento e aprimoramento. Cada ser humano é um plantador de sementes, colheremos aquilo que jogamos na terra, sempre.
O direito à tristeza é fundamental para que o ser humano se reequilibre. Ninguém precisa se obrigar a ser feliz o tempo todo.
O ser humano tem sonhos, meio de nossa projeção de vida. Quando isso se conflita com a realidade, por inúmeros motivos, há uma tendência de auto violência seja ela simbólica , seja física.
Desde a antiguidade, cujo marco temporal se consagrou por meio da escrita, o ser humano começou a exercer poder de absolvição e condenação sobre tudo aquilo que aos seus olhos necessita de punição.
O ser humano não precisa de nada para ser feliz, até o ar que respiramos já é uma dádiva divina para a felicidade
Fabio Alexandre da Silva
Estudante.
Não creio na existência de político honesto. Creio no ser humano, é fato, mas político é outra espécie. Algo monstruoso que, por força de ofício, abdicou da humanidade.
É um equívoco atribuir a este ou aquele indivíduo total ausência de vaidade. O ser humano é vaidoso por natureza, embora nem sempre possa dar vazão, por motivos que incluem condições socioeconômicas, a todos os pormenores de sua vaidade.
Quem usa roupas rasgadas mesmo podendo vestir-se com apuro ou luxo, é porque vê nisso algum charme. Portanto, é vaidoso. Aliás, faz pouco tempo que a última moda eram as roupas deliberadamente rasgadas. Ainda há, com menos frequência, pessoas que usam essas roupas, bastante caras, com rasgões estilizados produzidos nas confecções. Quem não pode comprá-las, mas aprecia essa moda, produz o efeito em casa e certamente alcança o objetivo de estar em sintonia com o mundo moderno.
A vaidade está refletida nas roupas, nos carros, nas bicicletas, nos aparelhos de celular, nas casas e muito mais. Ela se configura quando aquilo que usamos ou obtemos não tem a única intenção de nos satisfazer, mas também de mostrar aos outros, de alguma forma clara ou velada, o que nos pertence. Não fosse assim, só teríamos telefone para fazer e receber chamadas. Carros e outros veículos, motorizados ou não, somente para nos locomover, sem importar os modelos. Verificaríamos quesitos como conforto, economia e desenvoltura, dentro das nossas possibilidades, mas abriríamos mão daqueles que visam muito mais impressionar o outro.
Pode-se afirmar o mesmo da ambição. Ninguém é verdadeiro quando se diz não ambicioso. Tal pessoa terá, no mínimo, a ambição de não ter ambição, com o objetivo específico (e ambicioso) de alcançar a paz espiritual, por exemplo. Há quem abra mão de qualquer conforto material, para se dedicar ao acúmulo de conhecimentos. Outros querem fazer contatos com alienígenas e tantos não querem nada, mas ainda assim, com vistas à libertação total do ser, para fugir do peso e do cansaço de uma vida vertiginosa.
Jamais afirme para si mesmo que uma pessoa é modesta e absolutamente sem apego. Trabalhar menos para dar aos filhos mais atenção e presença, já não podendo lhes dar tantos presentes, é um belo exemplo de ambição humana.
Pelo meu esforço e o dom da sobrevida foi que aprendi o essencial ao ser humano: A razão de viver é simplesmente o estar vivo e não deixar que a esperança morra. Estou aqui, tenho rumo e pretendo cumprir destino, porque nunca me deixei para trás.
FELIZ DIA NOVO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Desejo a cada ser essencialmente humano, que o dia seguinte seja pleno de alegrias, realizações e novos sonhos a serem realizados. E que o dia seguinte ao seguinte venha mais iluminado ainda, por surpresas inesquecíveis que serão superadas por outros, outros e todos os outros dias.
Nessa fila dos dias cada vez melhores o amor, a paz e a boa vontade natalizem os corações abertos aos bons presságios e sentimentos relevantes. Corações ateus e cristãos, espontâneos e contritos, porém bons. Contraditórios em seus conflitos existenciais, mas perfeitamente perdoáveis pela natureza e pelo próprio possível Criador de tudo. Criador tão supremo e superior, se de fato existe, que para Ele pouco importa ser louvado ou não. Elogiado ou não. Acreditado ou não pelos seres imperfeitos que teria criado, e certamente não os culpa se não for por maldade, má fé, arrogância, egoísmo absoluto, barbáries de qualquer natureza.
Feliz dia novo para os próximos propriamente próximos e também os próximos distantes. Os semelhantes de fato semelhantes; os nem tanto assim; os semelhantes realmente semelhantes. Para os que também me desejam bons dias, me consideram irmãos apesar das possíveis diferenças de cor, nacionalidade, classe social, filosofia e credo. Da mesma forma para os que me julgam, condenam e desejam, intimamente, que minh´alma sofra essas agonias eternas supostamente reservadas aos que não acreditam, exatamente como eles nas mesmas coisas.
Cada dia de vida seja melhor para todos. Até mesmo para os que tentam parecer melhores que todos, e dizem para si próprios, com a intenção de se convencerem, que os outros são os outros.
SER HUMANO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Para merecer o status de ser humano, o ser humano precisa... ser humano.
SER HUMANO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Que ninguém me convença das mentiras
sobre certas virtudes pessoais,
minhas mais impossíveis piedades
e a força incomum perante a vida...
Não me vistam de santo nem herói,
salvador de uma pátria, de uma rua,
porque dói na verdade flutuante
sobre a lua dos loucos como eu...
Sei andar livremente como sou,
sem a voz abismal da hipocrisia,
fantasia e legenda sem sentido...
Quero cada rabisco em meu rascunho
feito a punho e tremor por incertezas,
desencontros, fraquezas e deslizes...
