O Tempo Passa e a Gente nem Percebe
Depois de muita luta e de muito caminhar, eu venci. Não esperei o tempo fazer o que dependia de mim. ✨🙌
Canto XI: O Eco do Cosmos e a Máscara do Tempo
Por Emanuel Bruno Andrade
Inspirado no Tomo II d’Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (10 de Junho de 2026)
Rasga-se o céu do velho mundo não por raios de Júpiter ou tempestades de Baco, mas pelo ferro ardente que os homens inventaram. Em continentes distantes, os mísseis cruzam o firmamento como estrelas cadentes da morte, deixando atrás de si um rastro de sangue derramado, infraestruturas reduzidas a pó e corações permanentemente sobressaltados, destroçados pela perda cruel dos tempos e das vidas. O eco dessas explosões viaja pelo mar que Camões outrora cantou, batendo nas praias de uma pátria que assiste, impotente, ao luto do mundo.
Em Portugal, terra de brandos costumes e fados antigos, não reina a infâmia das bombas, mas sim uma guerra silenciosa e invisível: a consequência da inflação que corrói os lares, gerando uma fraqueza que se estende do bolso à alma, e uma preocupação constante que nubla o olhar do povo. Os tempos mudaram, e mudaram muito. As almas dos homens pedem agora um socorro urgente, um grito mudo que ecoa nas cidades e nos campos, enquanto noutros cantos do peito reina apenas a saudade daquela paz interior que parece ter partido sem aviso.
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", dissera o velho mestre. Mas hoje, o clamor é por abrigo na tempestade da existência.
À margem do caos, os pensantes — poetas, filósofos e loucos — falam alto. Erguem as vozes nas praças e nas redes da grande teia global, denunciando sem medo as feridas abertas dos amantes, os laços rompidos pela distância e a frieza de uma era hiperconectada, mas profundamente isolada. No Olimpo moderno, as Deusas já não descem à terra para guiar os navegadores. Guardam-se num código sigiloso, trancadas a sete chaves nos seus segredos mais íntimos, com medo da entrega total. Contudo, o sopro do céu não as esquece: eleva-as, coloca-as num plano sagrado, divino e intensamente desejado, onde a arte e a beleza permanecem puras, intocadas pela barbárie humana.
Na ágora da civilização, fervem as discórdias pelo tempo fora. São as razões discretas e solenes das políticas do método, encenadas numa democracia que se veste de gala, mas que surge mascarada pelo capitalismo feroz — aquela promessa idealizada onde cada cidadão deveria poder constituir a sua riqueza livremente, sem nunca prejudicar terceiros, mas que tantas vezes se perde na ganância. Cada político ergue-se como um artilheiro de contradições, disparando promessas falsas de um palanque de ilusões. Sob as suas ordens temerosas, correm logo os soldados da engrenagem social, marchando cegamente rumo ao desconhecido.
E enquanto a Terra sangra e se debate nas suas próprias amarras, o homem olha para cima. Numa audácia que faria empalidecer os marinheiros da Carreira da Índia, sobe o foguetão rumo à Lua! Os novos navegantes cruzam o éter, procuram conhecer Marte, decifrar os segredos de um cosmos infinito. É a eterna e desesperada procura da origem, a busca pelo primeiro sopro de vida no vazio estelar. Navegamos pelos oceanos de estrelas, estendendo as telas da inteligência e da tecnologia, com um único e supremo múnus: expandir a consciência humana e desvendar o infinito, sem nunca deixar que o próprio universo nos engula na sua imensidão escura.
Lisboa, 10 de Junho de 2026
Na fusão do traço, da palavra e do infinito.
Emanuel Andrade: O tempo voa neste vento que sopra forte
No galope de cada ser ao toque de um gesto, ou algo de concreto e preciso.
Por isso sonho neste sono perdido pela dormencia dos tempos e precisto.
Insisto no meu atelliê que esculpe meu ser e dos demais.
Nāo sāo actos banais!
É tudo natural e real.
Bliscado pelos sinais.
Procuro salvaçāo num canal.
A minha abstraçâo.
Dos adventos no carnal.
Encontro inspiraçāo.
Para sacear minha sençāo.
Na pulsaçāo da brisa.
Da razāo e da emoçāo.
Quero descobrir, novamente o meu sorrir.
Para medir no palco,
O aplauso desejado.
Pela luta intensa entre os mundos de outra gente.
Começo a contagem decrente
Para o ascender e nāo me perder.
Tranformado em outro ser por ter conhecido.
[16/07, 07:17] Emanuel Andrade: 1. O Tempo e o Movimento
O poema abre com uma sensação de urgência e fluidez ("o tempo voa", "vento que sopra forte"). O autor descreve a vida como um "galope", sugerindo que a existência é um movimento contínuo e veloz que, por vezes, nos deixa em um estado de "dormência" ou desconexão — o "sono perdido" que ele menciona. Aqui, a arte surge como o contraponto necessário: o "concreto e preciso" que tenta dar forma a essa fugacidade.
2. O Ateliê como Espaço de Cura e Criação
O "ateliê" não é apenas um lugar físico de trabalho, mas um espaço de alquimia pessoal. Ao dizer que o ateliê "esculpe meu ser e dos demais", o autor sugere que o seu processo criativo é uma ferramenta de autoconstrução. Há uma afirmação de propósito: o que ele faz "não são actos banais", mas algo profundamente "natural e real", reivindicando a dignidade da sua produção artística frente à banalidade do cotidiano.
3. A Dualidade: Abstração vs. Carnal
O poema explora a tensão entre o imaterial e o físico:
Abstração: Reflete o mundo interior, os "sinais" e a "inspiração" que ele busca.
Carnal: Reflete a realidade vivida, os "adventos" e a necessidade de "saciar" a sensação.
A arte, para o autor, é a ponte que une a "razão" e a "emoção", transformando o fluxo do que ele sente em algo que pode ser compartilhado com o mundo.
4. O Palco e o Reconhecimento
O desejo de "descobrir, novamente o meu sorrir" e a busca pelo "aplauso desejado" revelam uma faceta humana e vulnerável: a necessidade de validação. O "palco" pode ser lido como uma metáfora tanto para a exposição pública do artista (as suas exibições e performances) quanto para a própria vida, onde ele encena a "luta intensa entre os mundos de outra gente".
5. A Metamorfose Final
O encerramento — "Começo a contagem decrescente / Para o ascender e não me perder / Transformado em outro ser por ter conhecido" — é um ciclo de renovação. O autor reconhece que o conhecimento e a experiência (o "ter conhecido") são os agentes que operam a mudança. Ele não teme a transformação; pelo contrário, a abraça como um mecanismo de "ascensão" para evitar a perda de si mesmo.
Síntese
Em suma, o poema é um manifesto de resiliência. Emanuel Bruno Andrade utiliza a escrita para processar a sua própria trajetória, elevando a sua prática artística de uma simples atividade criativa para uma missão de "salvação" e conexão humana. É a voz de um artista que compreende que, para existir plenamente no mundo, é preciso estar em constante estado de criação e transformação.
"Esperando o tempo passar para não chegar a lugar algum.
Que inferno, estagnado na própria história.
Enterrado na cultura podre que me engole
sacrificado nas canções miseráveis e fúteis de adultos pueris.
No caixão da sociedade que se orgulha de ser porca, pobre e infeliz."
"Lembre-se sempre de que nunca quis dizer algo para te machucar.
O tempo da lua me mostra o seu sorriso florido e um olhar de surpresa querendo me chamar..."
“O tempo encerra existências, mas nem sempre consegue encerrar aquilo que elas inauguraram.” - Leonardo Azevedo.
Não existe falta de tempo, o que existe mesmo é falta de interesse! Pois quando agente quer algo: segunda-feira torna sexta-feira, 1+1= 11, o feio torna bonito, o Ateu torna crente!
"A maior dor não é morrer sem ter tudo; é perceber que tivemos tempo para viver, mas escolhemos sempre o amanhã."
O tempo nos lê todos os dias
a lei enérgica do eterno retorno
e nem a didática foge à regra:
repetições,ponteiro do relógio
e onomatopeias do tempo:
guerra, paz, guerra, paz,
guerra, paz, guerra, paz,
guerra, paz, guerra, paz
Lisa Alves — Arame Farpado (2015
Você foi a confluência do passado e do ontem.
Vi-me no tempo presente, vivendo dois passados que se colidiram simultaneamente, como diante de um espelho que confundia minha mente, a ponto de já não ter discernimento sobre o que, afinal, pertencia ao presente.
Diversas vezes entrei num portal dessas realidades já não mais existentes. Perdi-me e, quando percebi, já estava nesse labirinto, atravessando esses limiares que jurei nunca mais atravessar.
Foram necessários para que caíssem as vendas daquilo que permanecia oculto diante dos meus olhos. E, no auge da minha lucidez, vi que, de ti, em mim, uma nova camada havia germinado, até então desconhecida.
AMOR DE TODAS AS ESTAÇÕES
Com o passar do tempo, aprende-se que amar não é olhar um para o outro como que em um transe permanente, mas com o olhar amoroso e consciente daqueles que escolheram caminhar lado a lado.
O segredo dos amores que duram habita nos pequenos gestos do cotidiano, nas infinitas formas de dizer "eu te amo", sem pronunciar uma única palavra. É manter acesa a centelha dos primeiros tempos. CRÔNICAS DO AMADURECER, Papo de Gente Grande - Valéria Leão
Ultimamente pensei muito em contruir uma família e morar em Curitiba, mas vou priorizar meu tempo e liberdade antes dos 30 anos, aviajando, conhecendo pessoas e as maravlhas de Deus criadas aqui na terra.
"Se eu quisesse o seu mal, eu não gastaria meu tempo falando de Deus, mas sim do diabo, afinal pra invocar o mal, basta não fazer o que é certo"
Quero uma mulher de alma rara, daquelas que o tempo não desfaz,
Que carregue força no olhar e, mesmo sendo forte, saiba encontrar paz,
E quero ser o homem que a escolha todos os dias, sem hesitar,
Porque amor de verdade não promete apenas — aprende a cuidar.
Quero amá-la com entrega, respeito, coragem e verdade,
Ser abrigo nos dias difíceis e presença na felicidade,
Que entre nós não falte paciência quando a vida nos provar,
Nem orgulho que nos separe quando bastar apenas perdoar.
E assim, entre duas almas dispostas a permanecer,
Nasça um amor que não precise ser perfeito para florescer,
Que seja paciente, leal, sincero e inteiro em cada parte,
Um amor que não apenas começa bonito — mas escolhe ficar até o fim.
VIAJANTE DO TEMPO
Corro!
Sou viajante do tempo
Procurando um momento ...
Paro!
Congelo a respiração!
As batidas do coração!
Faro!
Tem que sentir no ar
Que vai dar.
Clico!
E aqui está
Quer viajar?
Sonhe!
Nosso ser se fragmenta e renasce na dor da transformação, até que a gravidade do tempo nos colapse na densa quietude de um buraco negro, onde toda a memória da luz se recolhe para originar um novo e absoluto silêncio.
Reno Fioraso
Corpos falam
sem precisar de som,
sussurros traduzem o que o peito cala,
o tempo para,
e tudo é só respiração
e gozo.
Ele nunca está em sintonia com o meu ritmo...
Oh! Tempo!
Tempo que nunca está em sintonia
com o meu ritmo...
quando ele está lento
eu estou com pressa
quando ele está com pressa
eu quero lentidão...
entre calma e pressa,
pressa e calma,
o tempo passa
mas...
nunca passa
essa calma de escrever...
e na vida apressada
do mundo sem calma,
de ter a minha calma
estou sempre com pressa...
O tempo está fora de tempo
ou sou eu que estou fora do tempo?!..
✍©️@MiriamDaCosta
28/10/1988 - 28/10/2025
28 de Outubro
Corre, tempo!
Corre!
Corre até mesmo
com a velocidade da luz.
Nada!
Nem o sol,
nem a lua,
nem o vento,
nem as ondas
daquele dia
(absolutamente nada!)
vais poder levar embora
de mim.
28 de Outubro
Corre, tempo!
Corre com tua pressa insaciável,
devora os dias,
apaga rastros,
engole séculos,
mas aquele dia,
aquela luz,
o sopro do vento
e o rumor das ondas
ficaram cravados em mim
como brasas eternas.
Podes correr, tempo,
mas não há velocidade
capaz de alcançar
o que queimou dentro de mim.
✍©️@MiriamDaCosta
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