O Tempo e a Pressa
Espero a poesia chegar,
No tempo dela,
Sem pressa.
Horas, dias e meses
Sentado no sofá,
Na expectativa do momento certo
Para escrever
O sentimento da alma,
Que transpassa o corpo
E vai além da mente.
Escrevo qualquer coisa,
sem pressa,
no calor do dia.
Olho o relógio,
já não tenho tempo.
Sinto a brisa do vento:
é a inspiração chegando.
De longe,
teu cheiro me alcança,
e o amor se aproxima.
Com você a gente vai escrevendo a nossa história sem pressa,
linha por linha, no papel do tempo.
Tem dias que são vírgulas,
outros viram ponto final —
mas a gente insiste,
rasura o medo erecomeça
no mesmo parágrafo.
Teu riso é a frase que me prende,
teu silêncio, o espaço onde eu fico.
Se o mundo tenta apagar,
a gente escreve mais forte,
à caneta, no coração.
E se um dia faltar palavra,
a gente inventa sentimento,
porque amar você
é o único texto que
eu nunca canso de ler.
Desabroche, mas no seu tempo
Existe uma pressa no mundo que, às vezes, nos adoece sem fazer barulho. Uma pressa que olha para o relógio como quem olha para um juiz. Uma pressa que inventou a mentira de que há idade certa para começar, idade certa para vencer, idade certa para sonhar, idade certa até para ser feliz.
E então muita gente acredita.
Acredita que, depois de certo tempo, tudo fica mais difícil. Que o coração envelhece junto com o corpo. Que os sonhos criam ferrugem. Que a coragem passa a morar só na juventude. Como se a vida colocasse uma placa invisível diante de nós dizendo: “até aqui você podia; daqui para frente, apenas aceite”.
Mas a vida não fala assim.
A vida fala por estações. E cada estação tem sua beleza, seu peso, seu fruto e sua revelação. Há flores que se abrem cedo, quase ainda de madrugada. Há outras que precisam de mais sol, de mais chuva, de mais silêncio. Nem por isso são menos belas. Nem por isso erraram o tempo. Apenas obedeceram ao ritmo secreto com que Deus, o destino ou a própria existência as chamou para florescer.
Desabrochar não é correr. É amadurecer.
Há pessoas que só descobrem a própria força depois das perdas. Há quem encontre sua voz depois de anos de silêncio. Há quem só aprenda a amar de verdade depois de ter juntado os cacos do próprio peito. Há quem comece uma nova história quando todos ao redor já tinham decretado o fim do livro.
E como é bonito isso.
Porque viver não é cumprir calendário; viver é acender sentido. Não importa se alguém começou aos vinte, aos quarenta, aos sessenta ou aos oitenta. O que importa é que começou. O que importa é que ainda houve chama, ainda houve desejo, ainda houve entrega. Enquanto houver fôlego, há tempo de nascer por dentro outra vez.
Talvez o grande erro de muita gente seja confundir idade com limite. Idade não é muro; é estrada. Não é sentença; é experiência. Não é fechamento; é acúmulo de céu e de chão dentro da alma. Em muitos casos, é justamente o passar dos anos que nos devolve a coragem mais bonita: a de viver sem pedir licença ao medo.
Chega uma hora em que a gente entende que não precisa provar nada para ninguém. Precisa apenas não desistir de si. E isso muda tudo. Porque, quando alguém decide acreditar novamente em si mesmo, até os dias comuns começam a florescer de outro jeito.
Por isso, desabroche. Mas no seu tempo.
Sem se comparar com a primavera do outro. Sem invejar o jardim alheio. Sem achar que sua hora passou só porque o mundo resolveu medir a vida com réguas apressadas. O fruto que amadurece no tempo certo tem mais doçura. A flor que respeita o próprio processo tem mais raiz.
Acredite: não ficou tarde demais.
Ainda há beleza esperando sua coragem. Ainda há caminhos esperando seus passos. Ainda há instantes que a vida quer lhe entregar como quem diz baixinho: “veja, ainda não terminei com você”.
E talvez a maior sabedoria seja justamente esta: receber cada momento como uma nova oportunidade de existir com inteireza. Viver o agora com gratidão. Abraçar o que chega. Honrar o que passou. E seguir, não com pressa, mas com presença.
Porque a vida não premia quem corre mais.
A vida revela seus milagres a quem permanece.
A quem acredita.
A quem, apesar de tudo, ainda escolhe florescer.
TEMPO DE DEUS
No correr dos dias modernos,
Numa pressa sem direção,
Tem gente querendo colher
Antes mesmo da plantação.
Quer o fruto sem a semente,
Sem trabalho e dedicação.
Vivemos tempos apressados,
De ansiedade e agonia,
Onde tudo tem que ser rápido,
Da noite para o outro dia.
Mas a vida tem seus ciclos,
E Deus tem sua harmonia.
Muitos pulam os degraus
Que ensinam a caminhar,
Trocam lição por atalho,
Sem tempo de observar.
Depois sentem a fraqueza
Quando chega a hora de lutar.
O conhecimento amadurece
Como o fruto no pomar,
Precisa de sol e chuva,
De tempo para se formar.
Quem acelera o processo
Pode até se machucar.
A conquista mais bonita
É aquela construída,
Com suor, fé e coragem
Em cada etapa vivida.
Pois o valor da vitória
Está na estrada percorrida.
Esperar o Tempo de Deus
Não é ficar sem fazer nada,
Nem cruzar os braços à sombra
Vendo a vida estacionada.
É plantar todos os dias
E cuidar da caminhada.
É trabalhar com firmeza,
Ter esperança e ação,
Preparando o próprio campo
Com amor e dedicação.
Pois Deus abençoa a colheita,
Mas requer participação.
Quem confia no Senhor
Segue em frente sem parar,
Faz a parte que lhe cabe
Sem viver a reclamar.
Porque sabe que o impossível
Deus também pode realizar.
Cada fase tem seu tempo,
Cada tempo tem valor,
Há momentos de silêncio,
Há momentos de labor.
Tudo acontece na hora
Determinada pelo Criador.
Se a porta ainda não abriu,
Não entregue o coração
À tristeza ou ao desânimo,
Nem à precipitação.
Talvez Deus esteja apenas
Preparando a ocasião.
Porque aquilo que vem cedo
Nem sempre permanece,
Mas o que Deus determina
Floresce, cresce e fortalece.
Chega firme, chega certo,
E jamais enfraquece.
Por isso siga sua estrada,
Com trabalho, fé e união,
Aprendendo em cada passo,
Em cada nova lição.
Que o relógio do homem corre,
Mas o de Deus não falha, não.
O tempo da recuperação ensina aquilo que a pressa da vida costuma esconder: cada conquista possui seu próprio ritmo.
Na infância, empurramos o tempo com a pressa de crescer. Na idade adulta, perseguimos a sombra daquela mesma infância. A vida escorre rápida entre os dois, e raramente percebemos o instante em que ela nos foge. Por isso, habitemos cada momento como se fosse o único: porque o será.
A pele bonita é só um papel de presente que o tempo rasga sem pressa, mas o que vem dentro é o que fica; a vida só nos perdoa quando entendemos que um rosto lindo pode até encher os olhos, mas é o coração bonito que limpa as nossas lágrimas e nos acolhe quando o mundo nos deixa em pedaços.
No encontro das nossas metades, o tempo perde a pressa e o mundo silencia.
Não é apenas a paz de duas almas que se reconhecem, mas a febre de dois corpos que nasceram para colidir. No primeiro toque, a eletricidade acorda; na respiração dividida, o desejo se declara.
Somos o encaixe exato e voraz, onde o amor se escreve na linguagem da pele, do suor e dos suspiros. Uma entrega sem freios, um incêndio particular que queima a madrugada até desaguar na mais doce calmaria.
Quer sombra? Plante árvore.
Sombra não nasce em estação de pressa.
Ela vem do tempo, do cuidado, da constância.
Quem planta hoje, descansa amanhã, e ainda abriga outros. miriamleal
“Descanse o seu coração, pois o tempo de Deus cura a nossa pressa e a vontade d'Ele sempre supera as nossas melhores expectativas."
—By Coelhinha
O TEMPO DOS SEM TEMPO
A mente mente.
O tempo, não.
O tempo nunca teve pressa. Nunca atrasou. Nunca acelerou. Nunca parou para esperar alguém.
Sessenta segundos continuam sendo um minuto.
Sessenta minutos continuam sendo uma hora.
Vinte e quatro horas continuam sendo um dia.
O tempo não mudou.
Quem mudou fomos nós.
Não foi o relógio que enlouqueceu.
Foi o homem.
Vivemos repetindo que “o tempo voa”, quando, na verdade, somos nós que atravessamos a vida sem pousar em lugar algum.
Chamamos de falta de tempo aquilo que, muitas vezes, é excesso de dispersão.
Nunca tivemos tantas ferramentas para economizar tempo.
Nunca tivemos tão pouco tempo para viver.
Eis o paradoxo da civilização:
Quanto mais tentamos ganhar tempo, mais perdemos a própria vida.
A tecnologia prometeu aproximar pessoas.
Afastou presenças.
Prometeu conectar o mundo.
Desconectou o homem de si mesmo.
Prometeu economizar tempo.
Transformou cada segundo economizado em mais um segundo ocupado.
Hoje, sabemos o que acontece do outro lado do planeta antes de perceber o que acontece dentro de nós.
Estamos em todos os lugares.
E, estranhamente, ausentes de todos eles.
Perdemos o espaço.
Depois, perdemos o silêncio.
Agora estamos perdendo o tempo.
O curioso é que ninguém diz:
— Não tenho vida.
Todos dizem:
— Não tenho tempo.
Como se fossem coisas diferentes.
Mas tempo é vida.
Nunca foi dinheiro.
Nunca será dinheiro.
Dinheiro compra conforto.
Compra distância.
Compra velocidade.
Compra quase tudo.
Mas não compra um único segundo.
Nem todo o dinheiro do mundo é capaz de comprar mais tempo.
Porque tempo não tem preço.
Tem fim.
Talvez esse seja o maior equívoco da humanidade.
Passamos a vida inteira administrando dinheiro.
E desperdiçando aquilo que o dinheiro jamais conseguirá comprar.
Há quem viva correndo porque acredita que não tem tempo.
Há quem espere porque acredita que ainda tem muito.
Há quem deseje que o tempo passe.
Há quem implore para que ele pare.
E o tempo…
Indiferente às nossas vontades…
Continua sendo exatamente o mesmo.
O relógio nunca teve ansiedade.
Quem sofre dela somos nós.
Criamos uma geração que responde mensagens em segundos, mas leva anos para responder a si mesma.
Uma geração capaz de assistir horas de vídeos curtos e incapaz de permanecer alguns minutos em silêncio.
Quanto menor ficou nossa capacidade de permanecer, maior ficou nossa sensação de que o tempo desapareceu.
O problema nunca foi a velocidade do tempo.
Foi a superficialidade da nossa presença.
Quem nunca habita o instante sempre terá a impressão de que ele passou rápido demais.
Vivemos tão preocupados em registrar o momento que deixamos de vivê-lo.
Fotografamos o pôr do sol.
Mas esquecemos de olhar para ele.
Registramos aniversários.
Mas não percebemos o envelhecimento.
Filmamos a vida.
E perdemos o acontecimento.
Talvez o tempo nunca tenha sido contado por relógios.
Talvez ele sempre tenha sido contado por consciências.
Existe uma diferença entre durar e viver.
Uma vela dura.
Uma pedra dura.
Um edifício dura.
Mas duração nunca foi sinônimo de existência.
Há pessoas com trinta anos que jamais nasceram para si mesmas.
Há outras que viveram pouco e continuam eternas.
Porque a eternidade nunca foi uma questão de quantidade.
Sempre foi uma questão de intensidade.
Há mais vivos que andam mortos do que mortos que permanecem vivos nas lembranças.
Respiram.
Produzem.
Consomem.
Dormem.
Repetem.
Respiram outra vez.
Chamam isso de viver.
Mas rotina não é destino.
Movimento não é transformação.
Velocidade não é profundidade.
E ocupação nunca foi propósito.
A mente mente.
Convence-nos de que amanhã haverá tempo.
O tempo nunca fez essa promessa.
A única promessa do tempo é passar.
E cada vez que ele passa, não acrescenta um ano à vida.
Retira um.
Celebramos aniversários como se estivéssemos acumulando tempo.
Não estamos.
Estamos consumindo a única riqueza verdadeiramente finita.
Cada aniversário não representa um ano a mais.
Representa um ano a menos.
Talvez seja por isso que a infância pareça tão longa.
As crianças vivem o tempo.
Os adultos administram horários.
As crianças habitam o agora.
Os adultos visitam o agora apenas de passagem.
E quem nunca mora no presente transforma a própria existência em um eterno endereço provisório.
O homem moderno tornou-se um colecionador de urgências.
Corre para chegar.
Chega para correr.
E, quando finalmente alcança aquilo pelo qual tanto correu, já não é mais o mesmo que iniciou a corrida.
A maior ironia é esta:
Passamos tanto tempo tentando economizar tempo que, quando percebemos, já gastamos quase todo o tempo que tínhamos.
No fim, a vida talvez nunca nos pergunte quanto dinheiro acumulamos.
Nem quantos seguidores conquistamos.
Nem quantas metas cumprimos.
Talvez exista apenas uma pergunta.
Você viveu… ou apenas administrou o tempo que nunca lhe pertenceu?
Porque ninguém possui tempo.
Nós apenas o atravessamos.
E talvez o maior erro da humanidade tenha sido acreditar que o tempo passa.
Não.
O tempo permanece.
Nós é que passamos.
E um dia passaremos pela última vez.
Sem saber que aquela era a última conversa.
O último abraço.
O último sorriso.
O último pôr do sol.
A última oportunidade de existir antes de apenas ter existido.
Por isso, não diga que lhe falta tempo.
Pergunte-se por que lhe falta presença.
Porque o problema nunca foi o tempo dos relógios.
Sempre foi o tempo dos sem tempo.
E os sem tempo são, quase sempre, aqueles que passaram a vida inteira adiando a única coisa que realmente importava:
Viver.
Carlos EDUARDO Balcarse
23/07/2026
Na Bíblia, vemos que o Senhor não age com pressa humana. “Para tudo há um tempo determinado”. O tempo revela intenções, expõe frutos e prova corações. Aquilo que hoje está encoberto, amanhã vem à luz. O que foi construído sobre dor, orgulho e injustiça não se sustenta quando o tempo passa, porque só permanece o que foi edificado na verdade. miriamleal
Não vou esperar a humanidade evoluir pra que me aceite, isso vai levar muito tempo, eu tenho pressa de ser feliz!
Pela nossa pressa e não sabermos esperar o tempo certo, nós mesmos antecipamos as decepções em nossa vida.
"Cansei de ver as pessoas tendo pressa demais, cansei de ver gente perdendo tempo.. cansei de esperar, cansei de correr atrás, cansei de ter pressa, mas não posso mais perder meu tempo."
O tempo mais parece brincar comigo, quando dele estou perigo anda pressa sem saber.
E quando dele me vou tranquilo, mais parece o infinito de tanto não querer saber.
