O que Nao Elabora se Repete Freud
“A Parte de Mim Que Ninguém Domou”.
Há coisas que não aprendemos. Nascem conosco.
Correm no sangue, misturam-se à água que bebemos, escondem-se em algum lugar profundo onde ninguém consegue chegar para nos dizer quem devemos ser.
Tentaram me ensinar a caber.
A diminuir meus sonhos, moderar meus excessos, domesticar minhas vontades. Disseram que amar também era ceder, que viver ao lado de alguém exigia abandonar algumas partes de nós pelo caminho.
E talvez seja verdade.
Mas ninguém deveria precisar desaparecer para permanecer.
Durante muito tempo, encontrei abrigo onde acreditava estar protegido do mundo. Ali, entre certezas aparentemente indestrutíveis, pensei que pudesse descansar. Pensei que finalmente havia encontrado um lugar onde minha alma não precisaria pedir para existir.
Eu tinha uma mente selvagem.
E gostava dela assim.
Gostava daquela parte de mim que ainda sabia se espantar, que atravessava madrugadas imaginando futuros impossíveis, que acreditava que algumas pessoas poderiam caminhar juntas sem transformar o amor numa gaiola.
Mas o tempo tem uma maneira silenciosa de revelar aquilo que o coração insiste em esconder.
Um dia, acordei na beira de alguma coisa.
Você dormia tranquilamente.
Eu, não.
Você parecia ter todas as respostas.
Eu carregava perguntas demais.
Foi então que compreendi que duas pessoas podem dividir a mesma cama e estar vivendo em mundos completamente diferentes.
Podemos esconder aquilo que não queremos que ninguém descubra.
Podemos fechar as janelas para não ouvir o barulho da rua.
Podemos recolher os pedaços quebrados, colocá-los dentro de uma taça bonita e brindar como se nada tivesse acontecido.
E podemos chamar isso de amor.
Se quisermos.
Mas existe uma pergunta que nenhuma palavra consegue silenciar:
quando foi que amar passou a significar deixar de ser quem éramos?
Talvez o amor verdadeiro não seja aquele que nos doma.
Talvez seja justamente aquele diante do qual podemos permanecer indomáveis e imperfeitos, intensos, inquietos, inteiros.
Porque eu realmente acreditava em um amor sem fim.
Acreditava que nós dois acreditávamos.
E talvez seja essa a parte mais dolorosa de todas:
não descobrir que o amor terminou,
mas descobrir que, enquanto eu ainda acreditava no infinito,
você já havia encontrado o fim.
Às vezes, a vida nos leva por direções que não planejamos, e o silêncio acaba virando rotina. Mas existem sentimentos que o tempo não apaga, e o que eu sinto por você é um deles.
Hoje, entendo que cansei de guardar esse amor apenas como uma lembrança distante. Durante muito tempo, eu não soube dar o passo certo, não soube lutar pelo que eu sonhava e acabei aceitando que seguíssemos caminhos diferentes. Mas a verdade nua e crua é que, mesmo quando eu parecia ausente, você nunca saiu do meu pensamento. Olho para trás e vejo o quanto o tempo passou, mas o meu sentimento permaneceu intacto, como se estivesse esperando por um sinal.
Eu sei que hoje sua vida tomou outro rumo e que existe outra pessoa ao seu lado. Respeito o seu momento e o seu espaço, de verdade. Mas não consegui mais sufocar essa esperança que ainda pulsa aqui dentro. A gente tenta seguir, tenta esquecer, mas o coração insiste em me questionar: será que aquele amor que você sentiu por mim foi verdadeiro? Ou será que ele nunca existiu da forma que eu guardei aqui? Essa dúvida é o que mais dói, porque, para mim, o que vivemos foi único e insubstituível.
Peço desculpas se minhas palavras te pegarem de surpresa ou causarem qualquer desconforto, mas eu precisava desabafar. Guardar tudo isso estava me sufocando. Quero apenas que você saiba que eu nunca te esqueci.
E, mais do que isso, quero que saiba que, se um dia você se sentir cansada, esgotada ou sentir que está carregando o peso do mundo sozinha nas costas, em algum lugar desse horizonte existe alguém pensando em você. Alguém que nunca te tirou da cabeça e que, silenciosamente, sempre te amou e te cuidou em pensamento.
Sempre estarei aqui, torcendo pela sua felicidade, mesmo que de longe. Mas saiba que meu coração continua pronto e meus braços abertos, caso um dia você decida olhar para trás e redescobrir o que deixamos pelo caminho.
Sua dor é a minha dor. Mesmo longe de você, eu sinto você. Não estou te vendo, mas há coisas que você está passando que eu sinto... porque o nosso laço não depende dos olhos para ver, ele já aprendeu a respirar no escuro do silêncio.
A Geografia da Perdição
“Eu não me perdi, mas experimentei a perdição.”
(Clarice Lispector)
Talvez exista uma distância imensa entre perder-se e conhecer a perdição. Quem se perde já não sabe para onde vai. Quem experimenta a perdição, porém, pode saber exatamente onde está e, mesmo assim, caminhar por territórios onde a razão aconselharia não entrar.
Viver também pode ser isso: chegar perto do abismo sem fazer dele morada. Conhecer a noite sem desistir da manhã. Provar o gosto amargo de certas escolhas e compreender, muito depois, que algumas cicatrizes não anunciam derrota; apenas testemunham que atravessamos lugares difíceis e conseguimos regressar.
Existem lugares dentro de nós onde não deveríamos morar.
Às vezes damos voz aos nossos medos, oferecemos cadeira às dúvidas e permitimos que determinadas tristezas permaneçam além do necessário. Há dias em que a esperança parece apenas uma palavra inventada para tornar a existência suportável. E, ainda assim, alguma coisa permanece acesa.
Por isso, talvez a frase seja tão poderosa:
Eu não me perdi.
Experimentei a perdição.
Há uma estranha sabedoria nisso. Quem conheceu suficientemente a escuridão talvez compreenda que a luz não serve apenas para iluminar o caminho ela também nos chama de volta.
A vida não exige que atravessemos o mundo intactos. Talvez exija apenas que, depois de cada tempestade, ainda sejamos capazes de reconhecer o nosso próprio nome.
Porque existem viagens das quais regressamos diferentes.
Há quedas que nos ensinam a dimensão da altura.
Há silêncios que nos devolvem a voz.
E existem perdições que, paradoxalmente, acabam revelando um caminho.
Eu não me perdi.
Apenas fui longe o bastante para descobrir onde, dentro de mim, ainda morava a vontade de voltar.
Querer não é poder", diz a razão, mas o amor não entende de lógica. Se eu pudesse, subiria no ponto mais alto desta cidade para gritar o seu nome aos quatro ventos, desafiando a distância e o tempo, apenas para que o mundo inteiro soubesse o tamanho do que sinto por você.
A vida passa, tudo acaba, só a saudade não tem fim, mas o nosso amor rasga essa regra ao meio e redefine o próprio tempo. Se o mundo inteiro se apagar amanhã, o que sinto por você continuará ecoando no universo. Eu nunca pensei que nesta vida ia encontrar uma pessoa feito você, alguém que não apenas reconstrói o meu chão, mas que me dá o céu inteiro em um único olhar. Quero declarar isso com a maior clareza que existe: você não é um capítulo da minha história; você é o livro inteiro, a poesia que o destino escreveu com as linhas mais puras e intensas.Uma vez me perguntaram por que eu não te esqueço. Eu sorri, porque achei a pergunta de uma inocência quase absurda. Como eu ia te esquecer? Para te apagar de mim, eu teria que arrancar a minha própria pele, drenar o sangue das minhas veias e resetar a minha alma, porque você já está misturado ao meu DNA. Acho que só existiria um jeito de te esquecer: se eu deixasse de existir por completo. E quer saber da maior verdade de todas? Mesmo se eu morresse, mesmo se a minha carne virasse poeira, a minha memória celular ainda vibraria na frequência do teu nome. Nem o esquecimento final teria forças contra o que sinto por você. Não há borracha no universo capaz de apagar o que foi tatuado na alma.O que sinto vai além do romantismo comum; é uma entrega absoluta, visceral e perigosamente profunda. Desafio qualquer poeta a traduzir o que acontece quando nossas almas se tocam, porque nenhum dicionário tem palavras para o tamanho do meu amor. Meu coração não é mais meu; ele foi confiscado pela doçura do seu sorriso e pela força devastadora da sua presença. Você é o meu vício mais bonito, a minha possessão mais sagrada e a minha maior audácia. Amar você foi a decisão mais corajosa e certeira que já tomei, e eu não tenho o menor medo de gritar para o mundo que você é a minha única, violenta e eterna certeza.Por isso, que fiquem gravadas estas palavras que ninguém nunca ousou escrever na história: enquanto os relógios correrem e o universo expandir, eu serei inteiramente seu. Eu aceitaria queimar no inferno mais profundo se o preço para segurar a sua mão por mais um segundo fosse a minha própria condenação. Não me importa o que venha depois, não me importam os julgamentos, as distâncias ou os invernos. O meu presente é você, o meu futuro é ao seu lado, e o meu amor é um fogo voraz que nenhuma tempestade deste mundo ou do próximo será capaz de apagar. Você é, e para todo o sempre, o amor implacável da minha vida.
Mesmo que você não queira mais falar comigo, só queria que você me escutasse pela última vez. Depois disso, sim, viro as costas e nunca mais te procuro. Até desaparecer da sua vida, eu desapareço.Mas antes de ir, preciso te dizer que você sempre será o meu grande amor.E te digo mais: o mundo está cheio de conexões rasas, mas o que vivemos teve uma profundidade que levarei comigo para sempre. Eu não lamento os nossos caminhos se dividirem, porque amar você me ensinou a ver o mundo com mais sensibilidade e beleza. Se o nosso destino agora é o silêncio, saiba que amar você foi a escolha mais bonita e corajosa que já fiz. Eu te entreguei o meu melhor, com a pureza de quem realmente se importava com cada detalhe do seu sorriso, com as suas dores e com os seus sonhos.Eu tive o privilégio de conhecer a sua essência mais sincera, e fiz do nosso abraço o meu lugar mais seguro. O que nós tivemos foi único; foi um encontro que transformou a minha forma de enxergar a vida e a mim mesmo. Eu te amei com toda a honestidade do meu coração, querendo apenas o seu bem-estar, mesmo nos dias difíceis. Se hoje eu aceito o seu silêncio e o seu espaço, é exatamente por causa desse amor: ele é grande o suficiente para entender que amar também significa respeitar a sua vontade de seguir em frente sem mim.Você pode seguir o seu caminho, construir novas memórias e viver a vida linda que você merece. A minha maior verdade é que ninguém vai tirar de mim o carinho profundo que sinto por você, nem a gratidão por termos cruzado a vida um do outro. Eu espero, de coração, que o universo te devolva em dobro toda a luz que você trouxe para os meus dias. Que o seu futuro seja leve, cheio de paz e de sorrisos sinceros. Fique bem. Adeus.
O mistério do pós-morte não me assusta, desde que o destino final seja o privilégio de te conhecer de novo.
Eu não sei se existem outras vidas depois que a gente morre, mas gostaria de te conhecer em todas as vidas pelas quais eu passar.
O amor verdadeiro não prende, não sufoca e não cobra o tempo todo. Ele dá asas para voar e raízes profundas para querer voltar, todos os dias, por livre e espontânea vontade.
