O que Espera de Mim

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Longe daqui, longe de tudo
Meus sonhos vão te buscar; volta pra mim; vem pro meu mundo
Eu sempre vou te esperar...

Oi, estou indo embora para sempre...
Espero que guarde de mim algumas lembranças.
Espero, ainda, não ter passado
em sua vida, sem ter deixado qualquer tipo de recordação.
Sei que muitas vezes não procedi de acordo com os seus desejos;
mas é preciso entender que a minha vontade é controlada por
um Ser Superior e é Ele quem, na verdade,
permite, ou não, que as coisas aconteçam.
Mas, cá entre nós, houve época em que você
também não ajudou muito, não é mesmo?

Agora, você há de convir que existiram muitos
momentos bons que compartilhamos juntos.
Durante esse período.
Pessoas entraram e saíram de sua vida
e, assim como eu, devem ter deixado suas marcas;
boas ou más, não importa,
desde que você saiba tirar proveito
dessa breve passagem

Sei que muitas vezes sentiu-se triste,
sentiu a dor do abandono, a mágoa da indiferença,
a impotência diante dos fatos que se sucediam sem que
você os pudesse controlar.
Sei que não durei o suficiente em sua vida
para que se concretizassem os sonhos...

Mas me lembro muito bem do seu sorriso
quando conseguia alguma vitória.
E me lembro também
que vibrei junto com você, todas às vezes em que conseguia
solucionar um problema.
Se fizer um balanço
verá que tivemos muito mais alegrias do que tristezas,
muito mais sorrisos, do que lágrimas.

O problema, é que a gente se esquece depressa
das coisas boas.

Parece que é só o negativo que deixa marcas.
O positivo passa despercebido,
como se fosse uma obrigação de Deus colocar na vida das pessoas,
apenas coisas boas.
Estou indo embora; sinto muito, muito mesmo,
se não tiver sido pra você o que esperava que eu fosse.

Adeus...
Meu irmão está chegando aí e espero, sinceramente,
que ele consiga realizar tudo o que eu não pude!
Não quero que chore por minha partida,
quero que sorria e o receba de braços abertos.

Só por hoje

Só por hoje quero desaparecer...
Quero dar um tempo de mim mesma,
Quero anular meus sentimentos,
Dar um fim em todos meus pensamentos
Quero controlar todos meus impulsos
Apagar minhas lembranças,
Deixar de sonhar e não mais existir

Quero poder fingir que não estou nem aí,
Quero o silêncio profundo
Apaziguar o barulho
estrondoso que há em mim
Fechar os olhos
e simplesmente não sonhar
Não quero memórias,
nem dores no coração
Não quero saber de ninguém,
Pois quero mesmo é ser nada

Só por hoje quero a extrema solidão
Quero esquecer tudo que já sofri,
Quero desapegar de tudo
Não quero reconhecer rostos,
Não quero saudades...
Não quero nenhuma palavra,
Não quero dúvidas e nem promessas
Não quero mais lágrimas escorrendo
por minha face,
Muito menos esse aperto no peito

Quero ter o direito de não existir
De não amar mais ninguém
Quero ser omissa
Quero a ausência de tudo
Cansei de mim...
Desisto de tentar ver tudo melhorar
Hoje quero desaparecer!
Desligar-me do mundo

E quando todos não acreditavam mais em mim,
ai então que eu renasço das cinzas.

⁠Na curva de seus olhos
existe uma
galáxia
Em
mim
reside
um
buraco negro.

Será egoísmo
querer lhe consumir
por
inteira?

Deus, tire de mim a insegurança, e afaste dele a infidelidade!

Nada é mais tacanho do que o chauvinismo ou o ódio racial. Para mim todos os seres humanos são iguais; há idiotas em toda parte e tenho o mesmo desprezo por todos. Nada de preconceitos mesquinhos!

Bastidores

Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
E me tranquei no camarim
Tomei o calmante, o excitante
E um bocado de gim
Amaldiçoei
O dia em que te conheci
Com muitos brilhos me vesti
Depois me pintei, me pintei
Me pintei, me pintei

Cantei, cantei
Como é cruel cantar assim
E num instante de ilusão
Te vi pelo salão
A caçoar de mim

Não me troquei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar

Cantei, cantei
Nem sei como eu cantava assim
Só sei que todo o cabaré
Me aplaudiu de pé
Quando cheguei ao fim

Mas não bisei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar

Cantei, cantei
Jamais cantei tão lindo assim
E os homens lá pedindo bis
Bêbados e febris
A se rasgar por mim

Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim

Oh, desgraçada de mim, que vi o que vi, vendo o que vejo!

Choro porque me sinto sozinha, choro porque fiz todo mundo se afastar de mim, choro escrevendo esse texto, choro porque meu cachorro tá meio doentinho, choro porque deveria aliviar as minhas dores, choro porque eu queria que ele me desse um feliz aniversário decente, choro porque acho a cor do meu bonito, choro porque penso que vai aliviar todas as minhas dores que possa existir, mas não alivia, só cria em mim um nó na garganta muito grande e não passa.

É madrugada e não consigo dormir, não é falta de sono, mas falta de mim.

O Que Sempre Foi Para Ser


Hoje já te quis dentro de mim mil vezes, e em cada uma delas lembrei que, de alguma forma, você já pulsa aqui dentro. Mas ainda assim te quero perto, tão perto que nossos corpos provoquem faíscas, que o calor do desejo nos envolva até dissolver qualquer distância. Quero sentir sua pele na minha, o toque que não pede licença, a respiração entrecortada pelo arrepio do encontro. Quero a explosão e a calmaria, o fogo e o silêncio que vem depois, quando já não há nada entre nós além do que sempre foi para ser.

Não espere de mim ser apunhalado pelas costas, tenho um defeito enorme, só consigo fazer algo olhando nos olhos.

Eu me importo com o que as pessoas pensam de mim. Só não vivo em função disso.

Você me magoou, meu coração se fechou, você só me usou.
O meu erro foi te amar mais que a mim.

Uns diziam que eu não poderia ir além.
Já outros confiavam em mim.
Juntei a minha fé, esperança e dedicação numa mochila e eis que cheguei aqui.

Nunca se esqueça: pareço frágil, mas em mim mora um lobo...

Eu não me importo com o que pensam, com o que falam.
Nomes e sobrenomes para mim não fazem a menor diferença. O que me importa, o que me leva a gostar das pessoas é o que elas levam de verdadeiro do lado de dentro.

⁠Já que roubou de mim meu primeiro amor, seja bom com ela.

À Margem de Mim


Está tudo aqui. Vivo. Latejante.
Eu sei o peso de cada coisa que não fiz, sei a dimensão do caos ao meu redor, sei exatamente o que precisa ser feito.
E, mesmo assim, estou parada.
Imóvel.
À margem da minha própria vida.


É agonizante estar consciente de tudo e, ao mesmo tempo, incapaz de mover um único passo.
Minha mente corre, grita, pede mudança.
Mas meu corpo não acompanha.
É como estar presa dentro de mim mesma, olhando o tempo escorrer pelas mãos que não consigo levantar.


Querer e não conseguir.
Saber e não fazer.
Viver aprisionada em um corpo exausto, sem vida ativa, sem impulso.


O desejo de mudar é real, mas a energia… desapareceu.
E isso corrói.
Corrói de um jeito que palavras mal conseguem descrever.


É um conflito que desgasta, que sufoca, que mata por dentro devagar.
Um silêncio que ecoa mais alto que qualquer grito.
Um cansaço que não é só físico — é existencial.


E a esperança … já cansou.
Já desistiu de tentar.
Não porque queira, mas porque lutar contra si mesma todos os dias também tem um limite.
E o meu, eu já encontrei.


Agora só resta esse vazio lúcido.
Essa consciência cruel de quem vê a própria vida passar, e não tem mais forças para alcançá-la.