O que as Pessoas Querem que a Gente Seja
Uma das coisas mais pavorosas num mundo habitado por mais de 8 bilhões de pessoas é tropeçar numa que ainda acredita ser dona da única opinião legítima.
Não pelo incômodo da discordância — essa, quando honesta, é o que ainda sustenta qualquer possibilidade de convivência minimamente civilizada —, mas pela recusa absoluta em admitir que o mundo é muito maior do que o próprio ponto de vista.
Há algo de profundamente inquietante em quem transforma convicção em dogma e experiência pessoal em medida universal.
A pluralidade humana não é um detalhe estatístico; é a condição fundamental da nossa existência coletiva.
Cada indivíduo é atravessado por histórias, dores, referências e limites que não cabem em fórmulas únicas.
Ainda assim, há quem caminhe como se tivesse decifrado o enigma completo da realidade, reduzindo o outro a erro, ignorância ou má-fé.
Esse tipo de postura não nasce apenas da arrogância — embora ela esteja quase sempre presente.
Muitas vezes, brota do medo…
O medo de reconhecer a complexidade, de lidar com a incerteza, de aceitar que talvez não haja respostas definitivas para tudo.
É mais confortável erguer certezas inabaláveis do que navegar em um mar de ambiguidades.
O problema é que, ao fazer isso, não se empobrece apenas o debate; empobrece-se a própria experiência de viver.
Porque viver, no sentido mais pleno, exige abertura.
Exige o desconforto de ouvir, a coragem de rever, a humildade de não saber.
Aquele que se crê dono da única opinião legítima não apenas fecha portas para o outro — fecha também as janelas por onde poderia enxergar novos horizontes.
E, no fim, acaba encarcerado num mundo pequeno e insignificante demais para a vastidão que insiste em negar.
Ao ver pessoas de quase 90 anos perdendo a linha nas discussões com as de quase 5, começo a desconfiar que partiremos todos desse mundo esperando o fim dele.
Talvez uma das principais ilusões da vida seja acreditar que a idade, por si só, nos entrega a serenidade.
Como se os anos fossem um depósito automático de sabedoria, paciência e compreensão.
Mas basta observar uma criança em uma birra e um idoso em uma teimosia para perceber que o tempo não apaga certas características humanas; apenas muda suas roupagens.
Há algo curiosamente semelhante entre quem está chegando e quem está se despedindo da longa estrada da existência.
Ambos enxergam o mundo a partir de suas próprias certezas.
A criança porque ainda não aprendeu que o universo não gira ao seu redor.
O idoso, porque já viu tanto que às vezes acredita não haver mais nada novo sob o sol.
Entre um e outro, surgem discussões que parecem menos sobre razão e mais sobre a dificuldade de abrir mão do próprio ponto de vista.
Talvez seja por isso que tantas gerações se encontrem na mesma reclamação: a sensação de que o mundo está acabando.
A criança sente o fim do mundo quando lhe tiram um brinquedo.
O adulto sente quando seus planos fracassam.
E o idoso sente quando os costumes que conheceu desaparecem.
Em escalas diferentes, todos experimentamos pequenas versões do apocalipse particular.
A verdade é que o mundo muito raramente acaba.
O que acaba são as versões dele que construímos dentro de nós.
Acabam as referências, os hábitos, as certezas e os cenários que aprendemos a chamar de lar.
E cada despedida dessas exige uma adaptação que nem sempre estamos dispostos a fazer.
Talvez a maturidade não esteja em deixar de esperar o fim do mundo, mas em compreender que ele termina e recomeça inúmeras vezes ao longo da vida.
E que a grande arte de viver não é impedir essas transformações, mas atravessá-las sem transformar toda divergência em batalha.
Porque, no fundo, dos quase 5 aos quase 90 anos, seguimos aprendendo a mesma lição: o mundo não precisa terminar só porque deixou de ser exatamente como gostaríamos que fosse.
Está para
existir coisa mais Chata que pessoas que não sabem ouvir
“Não”.
Porque, convenhamos, um “Não” deveria ser uma resposta completa.
Não precisa de justificativa, de debate, de insistência ou de uma segunda rodada de argumentos.
Tem gente que parece ouvir o “Não” como quem recebe um desafio.
Em vez de respeitar, tenta convencer.
Em vez de aceitar, questiona.
Em vez de compreender, insiste.
E, quando percebe que não vai conseguir o “Sim” que queria, ainda transforma a sua recusa em um problema.
Mas talvez o que incomode não seja exatamente o “Não”.
Talvez seja a incapacidade de algumas pessoas de aceitar que o outro tem limites, vontades e escolhas que não estão sob seu controle.
Aprender a ouvir “Não” também é uma forma de maturidade, sobretudo emocional.
É entender que ninguém nos deve acesso, atenção, companhia, explicações ou disponibilidade só porque desejamos isso.
É compreender que o outro pode simplesmente não querer — e isso deveria bastar.
E existe uma diferença enorme entre insistir por Carinho e insistir por Desrespeito.
A primeira pode nascer da esperança; a segunda nasce da dificuldade de aceitar que a vontade do outro também importa.
No fim, saber ouvir um “Não” é saber respeitar pessoas.
E, talvez, uma das formas mais bonitas de demonstrar consideração por alguém seja justamente não tentar transformar o seu limite em uma negociação.
Porque “Não” não é provocação.
É limite.
Não há
assuntos tão espinhosos que não possam ser debatidos;
há pessoas difíceis.
O problema, muitas vezes, não está na delicadeza do tema, mas na incapacidade de algumas pessoas de conviver com aquilo que contraria suas certezas.
Há assuntos que exigem cuidado, maturidade e até coragem para serem colocados à mesa.
Mas nenhum deles se torna realmente impossível enquanto houver disposição para ouvir, argumentar e reconhecer que o outro também pode ter razões.
O que torna uma conversa árdua não é necessariamente a controvérsia.
É o orgulho de quem transforma opinião em identidade, discordância em ofensa e questionamento em ameaça.
Para essas pessoas, debater não significa buscar entendimento; significa vencer.
E, quando a vitória se torna mais importante que a verdade, qualquer diálogo degenera em disputa.
Há quem confunda firmeza com intransigência e liberdade de expressão com licença para não escutar.
Há também quem só aceite o diálogo quando o resultado já está previamente decidido.
Nesse ambiente, até a pergunta mais honesta pode ser recebida como provocação, e a ponderação mais cuidadosa, como afronta.
Talvez por isso seja tão importante distinguir um assunto difícil de uma pessoa difícil.
O primeiro pode ser enfrentado com argumentos, conhecimento e serenidade.
A segunda exige limites.
Porque diálogo é uma via de mão dupla: pressupõe que ambos estejam dispostos não apenas a falar, mas também a serem afetados pelo que ouvem.
Não precisamos concordar para conversar.
Nem precisamos gostar da opinião alheia para respeitá-la.
E não precisamos transformar toda divergência em uma batalha moral.
Algumas conversas, quando terminam, não produzem consenso — produzem compreensão.
E isso já é o bastante.
Afinal, assuntos espinhosos podem ser desarmados pela inteligência e pela boa-fé.
Pessoas difíceis, porém, às vezes só se tornam possíveis quando aprendemos a não permitir que a dificuldade delas determine a qualidade da nossa própria postura.
A calma nos traz a paz..
É interessante observarmos que as pessoas calmas,
onde quer que estejam, criam um ambiente
de paz e harmonia à sua volta.
Por outro lado, há pessoas que aonde chegam,
causam tumulto e agitação, muitas vezes
gerando brigas e desentendimentos.
Pessoas nervosas e agitadas causam desequilíbrio
em si mesmas, e naqueles que estejam ao redor,
o que não é bom para elas nem para os outros.
Assim, busquemos agir sempre com calma e paciência
e criaremos dentro de nós e ao nosso redor um mundo
de paz e harmonia. Tudo fluirá naturalmente,
de uma forma leve e tranqüila.
A calma e a paciência devem ser constantes em nossas vidas,
pois agindo dessa maneira evitaremos muito sofrimento
desnecessário para nós e para os outros.
Com calma tudo se resolve, pois a mente fica clara
e aberta para as soluções que estão sempre
muito próximas de nós. Pensemos nisso!!!
Em lugar do medo, viva o amor; eles são polos opostos. As pessoas geralmente acham que o amor e o ódio são opostos; isso é errado, eles não são. O amor e o ódio são a mesma energia. O amor pode se tornar ódio, o ódio pode se tornar amor; eles são conversíveis. Então eles não são opostos, são complementares.
Na realidade nós amamos e nós odiamos a mesma pessoa: o amor e ódio estão sempre juntos. A oposição real é entre o amor e o medo. Eles nunca estão juntos; se você se tornar muito apegado ao medo, o amor desaparece. O medo não pode ser convertido em amor; eles não são conversíveis.
Somente o amor torna alguém rico. O medo aleija, paralisa, e quanto mais paralisado, mais medroso você se torna; então é um círculo vicioso. O amor lhe da asas, ajuda-o a relaxar na vida, lhe dá coragem para experimentar a vida de maneiras diferentes. Permite-lhe todo o espectro da vida, é multidimensional. É o arco-íris inteiro, todas as cores da vida. Então a primeira coisa: abandone o medo e beba mais e mais amor, substitua o medo por amor.
E a segunda coisa: pense no céu, na vastidão; pense na liberdade, no infinito. Não pense em coisas pequenas, triviais. O medo sempre pensa em coisas pequenas; o amor nunca pensa em coisas pequenas. O amor está pronto para sacrificar tudo; o amor pensa somente no vasto. É uma águia no vento, a procura do desconhecido.
Pessoas especiais,exercem um poder sobre as horas: momentos e pessoas especiais fazem o relógio voar e o tempo saltar. Sensação de uma enorme saudade no ar, fim do ano chegando e o início de mais um ciclo começando. Ciclo este que deve ser iniciado com uma grande mudança, devemos encerrar antigas formas de pensar,ser e estar.
Aprenda a transmutar e a manifestar aquilo que faz o seu coração acelerar. Manifeste os mais belos sentimentos por aqueles que estão próximos e por aqueles que você não tem tanta afinidade assim, isso faz uma enorme diferença, compartilhe experiências, saiba ajudar, ser ajudado e existe a hora certa para ficar calado. Saiba a hora certa de saltar, não fique muito tempo parado na mesma estação, pensamentos são semelhantes as estações as vezes é necessário a mudança de padrão, precisamos mudar de vagão, por que ficar parado também cansa. Não espere dos outros, simplesmente faça o melhor de você sempre, tenha certeza que você triunfará. Lembre-se de estar no momento certo, na estação certa, ouse saltar, as maiores mudanças vem dos maiores saltos e de vez em quando é necessário arriscar.
É possível que duas pessoas num relacionamento sejam más uma para com a outra?” Sim, isso é o que está acontecendo por todo o mundo. Ser bom é muito difícil. Você não é bom nem para si mesmo!
Como você pode ser bom para outra pessoa? Você nem mesmo ama a si próprio! Como você pode amar outra pessoa? Ame a si mesmo, seja bom para si mesmo.
Os seus assim chamados santos têm lhe ensinado a nunca amar a si mesmo, a nunca ser bom para si mesmo. Seja duro consigo mesmo! Eles têm lhe ensinado a ser delicado para com os outros e duro para consigo mesmo. Isso é um absurdo.
Eu lhe ensino que a primeira e mais importante coisa é ser amoroso para consigo mesmo. Não seja duro; seja delicado. Cuide de si mesmo. Aprenda como se perdoar, cada vez mais e novamente; sete vezes, setenta e sete vezes, setecentos e setenta e sete vezes. Aprenda como perdoar a si próprio. Não seja duro; não seja hostil consigo mesmo. Assim você irá florescer.
Nesse florescimento você atrairá alguma outra flor. Isso é natural. Pedras atraem pedras; flores atraem flores. Assim há um relacionamento que possui graça, que possui beleza, que possui uma bênção nele.
Se você puder achar um relacionamento assim, seu relacionamento crescerá para uma oração; seu amor se tornará um êxtase e através do amor você conhecerá o que é o divino.
É sempre um prazer estar em companhia de pessoas queridas como vocês, que nos motiva e nos faz sentir melhores do que somos.
Você já parou para pensar que a cada dia encontramos pessoas novas em nossos caminhos?
Se sim, como se sente sobre essas pessoas, você geralmente gosta delas ou sente que a maioria é indiferente, como um complemento do caminho que está seguindo?
Pode ser fácil seguirmos nossas vidas no piloto automático e nos acostumarmos com uma realidade em que tudo é aleatório, sem um significado especial. Dessa maneira, acreditamos que a vida simplesmente acontece e que estamos a todo momento esbarrando uns nos outros.
No entanto, se fizermos uma reflexão consciente de nossas vidas, poderemos perceber que todas as pessoas que encontramos em nossas vidas tem um propósito em nossas jornadas.
Nenhum encontro é realmente aleatório ou sem significado especial.
Algumas pessoas têm a função de resgatar velhos hábitos que abandonamos, outras de ensinar verdades essenciais para nossas jornadas, e outras de despertar memórias que precisamos saber para seguirmos em frente com sabedoria e consciência. Algumas pessoas também podem ter a função de apenas nos atrapalhar ou dificultar nosso caminho.
Apesar disso, a mesma força divina dirige as vidas de todos nós. Nós nos movemos juntos a cada passo e confiamos uns nos outros no decorrer de nossos caminhos. Quando nos alienamos e perdemos a essência de que somos parte de um total, nos tornamos pessoas frustradas e sem sincronia. Porém, quando identificamos e aceitamos nossa conectividade, a vida começa a fluir com mais facilidade e luz para nós.
Como agora eu já reconheço que não existem meras coincidências, invisto minhas energias em apreciar a imperfeição do cotidiano, aceitando que tudo está acontecendo por um determinado motivo.
Uma coisa que eu observo através dessa visão da vida é que quanto mais entendo que todos ao meu redor estão lá por um motivo, mas fácil é eu me comunicar e com essas pessoas e seguir o fluxo da vida.
Se você deseja se tornar mais conectado com sua vida, interaja com as pessoas com a sabedoria de que elas não chegaram ali por obra do acaso.
Elas existem para cumprir um papel definido, quer você enxergue ou não.
Quanto mais nós reconhecemos a função e importância de todas as pessoas em nossas vidas, mais nos interessamos e passamos a apreciar aqueles que estão ao nosso redor!
Espere perfeição de coisas, não de pessoas. Para sermos felizes, não precisamos estar perto de pessoas que nunca erram, mas de pessoas que, mesmo em seus erros, nos mostram que a vida é melhor ao seu lado.
Pessoas sábias costumam dizer que devemos viver a vida como um lobo, porque os lobos incorporam qualidades de força, lealdade e independência que muitos humanos ignoram. Um lobo caça por conta própria, nunca depende de atalhos ou esmolas. O que nos ensina o valor da autossuficiência e do trabalho árduo. Eles são criaturas disciplinadas, movem-se com propósito, em vez de buscar aplausos ou validação, um lembrete para vivermos com autenticidade, sem correr atrás da aprovação dos outros.
Ao mesmo tempo, os lobos honram os laços familiares e a comunidade como poucos no reino animal. Eles escolhem um parceiro para a vida toda, cuidam dos pais idosos e protegem sua matilha com ferocidade, mostrando a importância da lealdade, do respeito e da união. De muitas formas, os lobos combinam força com compaixão, ambição com integridade — vivendo em equilíbrio com valores que os humanos muitas vezes esquecem no caos da vida.
O poder de calar, Quanto mais você entende as pessoas, menos sente vontade de falar. Não porque você não tenha o que dizer, mas porque começa a perceber que palavras nem sempre mudam alguma coisa. Então você escolhe o silêncio. Não como fraqueza, mas como uma forma de proteger sua paz. Geralmente as pessoas já tem uma opinião formada e muitos são inflexsível e não estão querendo escutar a realidade dos fatos e sim impor o que pensam ser a sua verdade.
As pessoas dão aquilo que elas são, não aquilo que você merece.
Não espere do outro aquilo que ele ainda não sabe oferecer. Não permita que a falta de cuidado de alguém faça você esquecer o seu próprio valor.
O que você merece começa por você.
Quando você se escolhe, você se cuida.
Cuida do que sente, do que pensa, do que permite entrar na sua vida e, principalmente, da pessoa que está se tornando.
Porque se escolher não é egoísmo.
É respeito por si mesmo.
As pessoas oferecem aquilo que carregam dentro de si, não aquilo que você merece.
Por isso, escolha-se. Cuide do seu coração, da sua alma e da pessoa que você é.
Às vezes, o amor-próprio começa quando aprendemos a não esperar do outro aquilo que só nós podemos nos dar.
Eu perdi o medo de perder pessoas quando aprendi que aquilo que é verdadeiro não precisa ser segurado.
Quem realmente gosta, permanece.
Mesmo quando a distância se alonga,
mesmo quando o tempo passa,
mesmo quando a vida coloca obstáculos no caminho.
Porque quem carrega afeto de verdade
sempre encontra uma fresta por onde a presença possa entrar.
Aprendi que amor não se sustenta em cobranças,
amizade não sobrevive de insistência,
e reciprocidade não precisa ser implorada.
O que é verdadeiro flui.
Não exige esforço de um só lado,
não transforma presença em obrigação,
não faz você se sentir sozinho enquanto tenta manter alguém por perto.
Quem quer estar, encontra um jeito.
Quem se importa, demonstra.
Quem valoriza, cuida.
Quem ama, permanece — ainda que precise atravessar quilômetros, silêncios e tempestades.
Por isso, já não tenho medo das partidas.
Algumas pessoas chegam para ficar.
Outras chegam para ensinar.
E algumas simplesmente seguem outro caminho.
E tudo bem.
Porque aprendi a abrir as mãos sem amargura
e deixar partir aquilo que já não escolhe permanecer.
No fim, descobri que não precisamos correr atrás de ninguém.
O que pertence ao coração não precisa ser perseguido.
O que é verdadeiro encontra o caminho de volta.
E quem realmente deseja permanecer
não precisa de motivos para ficar —
transforma o próprio desejo em presença.
Não é a religião que define alguém
Não qualifico as pessoas pela religião que professam.
Prefiro observar a bondade que praticam, o respeito que oferecem e o bem que deixam por onde passam.
Porque mais importante do que o nome da fé que carregamos é a maneira como tratamos o próximo.
Religiões podem ter caminhos diferentes, mas a verdadeira espiritualidade se revela nas atitudes: no amor, na compaixão, no respeito e na capacidade de fazer o bem sem precisar diminuir ninguém.
No fim, não é o que você diz acreditar que mais importa… é o bem que sua presença faz no mundo.
A DEMOCRACIA NÃO MORRE APENAS QUANDO UM DITADOR TOMA O PODER. MORRE TAMBÉM QUANDO AS PESSOAS ACEITAM QUE ELE NÃO POSSA MAIS SER QUESTIONADO.
Eu aceito perder uma eleição. Aceito ser governado por alguém que considero despreparado, conviver com decisões que me revoltam e assistir a milhões de brasileiros comemorarem aquilo que considero um erro. Isso faz parte da democracia. A liberdade não me garante a vitória; garante que eu possa continuar lutando por ela.
O que não aceito é perder, junto com uma eleição, o direito de disputar a próxima.
Posso considerar meu candidato ruim e, ainda assim, escolhê-lo por entender que a alternativa representa um risco maior. Não preciso esconder seus defeitos, inventar virtudes ou transformar suas falhas em qualidades para justificar meu voto. A política não exige paixão cega. Exige discernimento.
Incompetência, demagogia, corrupção e irresponsabilidade são defeitos graves, que precisam ser denunciados, investigados e punidos. Mas existe algo ainda mais perigoso: o governante que não aceita limites, despreza as instituições e considera a derrota uma afronta pessoal. Porque um político ruim pode ser substituído. Um sistema que impede sua substituição ameaça a própria liberdade.
Quem aceita governar uma democracia precisa aceitar também a possibilidade de perder o poder. Não importa se acredita ser escolhido por Deus, se multidões o aplaudem ou se considera seus adversários indignos de governar. Nenhuma convicção pessoal, nenhuma popularidade e nenhum culto à personalidade estão acima das regras democráticas.
O presidente não é dono do Brasil. Recebe as chaves de uma casa que pertence ao povo, por um tempo determinado. Quando o mandato termina, deve devolvê-las. Não pode confundir o cargo com propriedade, a vitória com superioridade moral ou o voto com uma autorização para fazer tudo o que deseja.
E há algo que precisa ser dito com toda a clareza: a maioria tem o direito de escolher quem governa, mas não tem o direito de decidir quem merece ser livre, respeitado ou reconhecido em sua dignidade.
Não cabe ao Estado impor uma religião, determinar qual família merece ser considerada família, qual amor é digno de respeito ou negar a alguém o direito de existir com sua própria identidade. Um presidente pode entregar sua vida a Nosso Senhor Jesus Cristo, se essa for sua fé. Mas não pode entregar o Brasil em nome de uma escolha que pertence à sua consciência, e não à consciência de milhões de brasileiros.
A fé de um governante merece respeito. A liberdade de todos os cidadãos também.
É justamente por isso que o presidente não pode ser poderoso a ponto de fazer tudo o que quer. O Congresso, a Justiça, a imprensa livre e a oposição existem para estabelecer limites, fiscalizar, investigar e dizer NÃO quando o poder ultrapassa suas fronteiras. Essas instituições podem falhar, decepcionar e até envergonhar a sociedade. Precisam ser cobradas, corrigidas e aperfeiçoadas. Mas destruí-las porque contrariam o governante é abrir as portas para algo muito pior: o poder sem controle.
Não existe democracia verdadeira quando o governante só respeita as instituições que lhe obedecem.
E, quanto ao candidato em quem votei, não lhe devo submissão. Se vencer, continuarei observando, questionando e denunciando seus erros. Não vou passar quatro anos fazendo malabarismos para defender o indefensável, inventando desculpas para justificar o injustificável ou atacando quem ousar criticar aquele em quem depositei meu voto.
Afinal, que espécie de consciência é essa que reconhece os erros do adversário, mas se torna cega diante dos erros do próprio lado?
É vergonhoso transformar políticos em ídolos e eleitores em soldados de uma guerra na qual os poderosos disputam o comando, enquanto a população briga entre si. O voto não é um contrato de fidelidade. Não é uma declaração de amor. Não é uma procuração em branco.
O político trabalha para o povo. O povo não existe para servir ao político.
Quem vota não se torna devedor de quem foi eleito. É o eleito que assume a obrigação de prestar contas a quem lhe confiou o mandato.
Não tenho compromisso com a vaidade de um governante, com a conveniência de um partido ou com a necessidade de defender uma escolha passada. Tenho compromisso com a verdade, com a liberdade e com o direito de mudar de opinião quando os fatos exigirem.
Porque meu voto pode ter prazo. Minha consciência, não.
Posso perder uma eleição sem perder a dignidade. Posso aceitar uma derrota sem aplaudir aquilo em que não acredito. Posso reconhecer a vitória de quem rejeito sem abrir mão do direito de combatê-lo politicamente.
O que jamais devo aceitar é que alguém transforme a própria vitória em licença para impedir a minha próxima tentativa.
A democracia não exige que eu vença. Exige que eu possa perder sem me tornar prisioneiro de quem venceu.
E, se um dia eu tiver de escolher entre defender o político em quem votei e defender o direito de tirá-lo do poder, não terei dúvidas: ficarei com a democracia.
Porque políticos passam, governos terminam e partidos desaparecem. Mas, quando um povo entrega sua liberdade em troca da ilusão de que seu líder nunca erra, pode descobrir tarde demais que perdeu muito mais do que uma eleição.
Meu voto elege um governante. Não elege um dono. Minha derrota não me tira a liberdade. E a vitória de ninguém lhe dá o direito de roubá-la.
É assustador perceber que algumas pessoas não precisam de provas para acreditar em uma mentira, mas exigem provas infinitas para aceitar a verdade.
Não é a falta de informação que alimenta a ignorância, mas a resistência em aceitar aquilo que contraria as próprias crenças.
Quando alguém escolhe aquilo em que quer acreditar, nenhum fato parece suficiente. A mentira é acolhida porque conforta; a verdade é rejeitada porque incomoda.
O maior triunfo da mentira não é enganar quem desconhece a verdade, mas convencer alguém a rejeitá-la mesmo depois de encontrá-la.
O GRANDE ERRO DA HUMANIDADE
As pessoas nasceram para ser amadas, não usadas. As coisas foram feitas para ser usadas, não amadas.
Mas a humanidade inverteu seus valores: ama o dinheiro e usa as pessoas; valoriza o que possui e despreza quem está ao seu lado; troca sentimentos por interesses e afeto por conveniência.
Há quem sacrifique pessoas para conquistar coisas e, depois, descubra que acumulou bens, mas perdeu o que realmente tinha valor.
No fim, o verdadeiro fracasso não é morrer sem riquezas, mas perceber que, na busca por ter tudo, deixamos de valorizar quem realmente importava.
