O Passaro e a Rosa
Quem ama não enxerga os defeitos que o tempo trás...
...Más aprende a transformá-los em motivos
para amar ainda mais....
Nada que eu faça para me sentir melhor me atinge na profundidade necessária para chegar a você e pedir por obséquio que se retire do meu coração, já que sua presença nele só me faz mal.
Guarda as declarações decoradas para as menininhas que ainda acreditam em contos de fadas. Comigo, pode vir tranquilo, desarmado, sem os textos decorados desse papel que te entregaram de príncipe encantado. Eu também já me despi de todos os sonhos de relacionamentos perfeitos que a vida me trouxe pelo caminho. Aprendi, na marra, nas caras e nos corações quebrados, que vocês nunca vão funcionar como os príncipes que acordam as belas adormecidas. Depois disso, sempre me mantive bem acordada.
Eu sei seus defeitos. Sei cada um deles. Mania que tenho de observar cada mísera ação das pessoas antes até do primeiro oi. Te analisei enquanto você sorria despreocupado e deixava o sol iluminar seu cabelo castanho. Vi como os traços do seu rosto se suavizam quando sua mãe chegava por perto e descobri no brilho dos seus olhos o que é o amor incondicional. Observei a maneira como você pisca o olho incessantes vezes quando está muito nervoso. E como coça o queixo sem parar quando não sabe o que responder.
Não precisa mesmo saber o que responder. Não quero que responda minhas dúvidas da vida. Talvez, você se veja tentado a questionar o mundo comigo. Talvez você se assuste. Eu sou mesmo alguém cheio de falhas. Tenho buracos em cada partezinha do corpo. Principalmente, no coração. Foram as cicatrizes – no corpo e na alma – que os outros antes de você deixaram aqui. Mas, fica tranquilo, não te quero perfeito. Pode vir cheio de erros.
Vamos nos despir dessa obrigação de fazer o outro feliz. Deixa ali no canto do quarto essa necessidade louca de fazer tudo certo. Eu aceito errar junto. Eu aceito gritos, pratos quebrados, brigas de tirar o fôlego. Basta que você diga que está disposto a errar comigo. E, quem sabe, entre nossos erros, a gente não consiga um ou outro acerto. Mas não te cobro nada não. Meu “felizes para sempre” sou eu que construo. Tô te chamando pra minha vida não pra preencher meus buracos, mas para me dar a mão e me ajudar a tampar minhas feridas. Te ajudo a cicatrizar as suas também, se quiser. E, juntos, rimos disso tudo.
Mas não te cobro nada. Talvez, a gente consiga dar certo. Talvez, a gente acabe, mesmo com uma história bonita. Talvez, você vá embora, talvez eu não queira mais ficar. Mas eu tô aqui, agora: vida e portas abertas pra se você quiser entrar. Porque, sem te cobrar felicidade, sem te cobrar uma história bonita e sem te cobrar amor, talvez, quem sabe, a gente dê sorte e consiga se amar, ser feliz, ter uma história bonita junto. Vai que a vida, o destino, ou sei lá, resolvem dar um empurrãozinho. Quem sabe, até, a gente não se ame até o final dos dias. Até o fim.
Poema Obsessivo-Compulsivo
Me julgam por não saber escrever,
me condenam por ter assassinado a gramática,
me executam, poque minha poesia não há de deixar legados,
porém, mesmo depois de morto, minha alma continuará semeando palavras no terreno de seus entendimentos,
quer queiram, quer não.
Poema de la lengua española
Que mi lengua sea la maravilla de tus sueños,
Que mi lengua sea el placer de tus pechos desnudos,
Que mi lengua tenga la fuerza para gritar que te quiero,
Que tu lengua sea muda cuando yo entre en la puerta de tu verguenza,
porque en este momento, sólo quiero oír el sonido cálido de tu aliento.
Poema incerto
Fazer acontecer não é fácil, na verdade nada é... ou é?
Chorar é fácil, é só deixar brotar vir de dentro dos olhos e escorrer pelo rosto... ou não é?
Quem sabe?
Escrever é difícil, há pontuação, concordância até intolerância, vê se pode?
Pode ou não pode?
Ah, já não sei mais nada... e para falar a verdade nem me importo
por mim que tudo fique do avesso,
se der vontade,
escrevo, choro e aconteço.
