O Homem e seus Instintos

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E quando a última máquina perguntar ao homem o que significa existir, talvez o homem finalmente compreenda que essa pergunta nunca pertenceu às máquinas.

Nenhum corpo encerra inteiramente aquilo que, no homem, permanece aberto ao infinito.

O homem é, em alguma medida, autor e objeto do próprio processo de formação.

Talvez nada seja mais extraordinário no homem do que possuir a capacidade de questionar a própria definição.

A natureza possui uma legalidade própria, anterior às leis que o homem formula para descrevê-la.

Nenhuma teoria sobre o homem deveria ignorar o homem concreto que existe por trás da abstração.

O homem passa a vida procurando o sentido do mundo, sem perceber que talvez seja o próprio mundo que, através dele, procura compreender a razão de existir.

O homem não habita somente o mundo que existe, mas também o mundo que sua consciência torna possível.

O homem procura a verdade como quem procura um horizonte: quanto mais avança, mais descobre que o horizonte também avançou.

Toda civilização é uma negociação inacabada entre aquilo que o homem é, aquilo que teme ser e aquilo que imagina poder tornar-se.

Uma invenção verdadeiramente grande não é aquela que torna o homem mais poderoso, mas aquela que o torna mais capaz de compreender o poder que possui.

Aquele que interroga a natureza, o homem e a sociedade com a mesma curiosidade transforma o conhecimento em uma forma de descoberta.

O homem renasce intelectualmente quando deixa de escolher entre os saberes e começa a compreender suas relações.

O homem que precisa convencer alguém de seu valor já começou a negociação em posição de dependência.

O homem que trabalha obsessivamente para parecer superior continua dependente daqueles diante de quem precisa parecer superior.

O homem que teme profundamente ser abandonado pode acabar abandonando a própria autonomia antes mesmo que alguém o abandone.

O homem que transforma sua paz em condição para qualquer relacionamento talvez tenha compreendido algo que muitos descobrem tarde demais: nenhuma companhia vale o preço da própria desintegração.

O homem que precisa constantemente provar sua masculinidade talvez ainda esteja procurando fora de si uma identidade que deveria ter construído por dentro.

O homem que conhece o valor do silêncio descobre que nem toda ausência precisa ser combatida com ruído, romance ou distração.

Um homem pode viver sozinho e ainda estar profundamente conectado ao mundo; solitude não é necessariamente isolamento, mas uma forma particular de presença.