O Homem e seus Instintos
O homem possui coisas, mas jamais deveria permitir que as coisas se tornassem a medida de seu próprio ser.
O homem é uma criatura dividida entre a lucidez que lhe anuncia a morte e o desejo indomável de que sua existência não termine no silêncio.
Talvez a maior contribuição da ciência à filosofia tenha sido ensinar ao homem que sua intuição não é uma autoridade sobre a realidade.
A história muda seus cenários, seus impérios e suas bandeiras; o homem, entretanto, insiste em repetir os próprios abismos.
O homem começa a tornar-se livre quando percebe que nenhuma autoridade externa pode pensar em seu lugar.
O homem não foi lançado ao mundo apenas para contemplá-lo, mas para agir dentro dele e responder pelas consequências de seus atos.
O homem inventou deuses à sua imagem e, depois, passou séculos perseguindo aqueles que tiveram a insolência de desenhá-los de outra maneira.
O homem moderno colocou uma máquina entre si e quase tudo, mas ainda não inventou uma tecnologia capaz de separá-lo de sua própria vaidade.
O homem teme a morte, mas deveria temer também sobreviver às próprias convicções depois que os fatos já as sepultaram.
O homem civilizado aprendeu a esconder a violência sob palavras elegantes; talvez seja por isso que algumas injustiças chegam ao tribunal usando gravata.
O homem sente-se livre porque percebe suas escolhas, mas frequentemente desconhece as causas profundas que fizeram determinada escolha parecer-lhe desejável.
O homem intelectualmente lúcido não é aquele que possui todas as respostas, mas aquele que sabe exatamente onde termina o seu conhecimento.
O homem é um animal político porque sua existência não se completa no isolamento, mas na convivência, no conflito e na construção das regras que tornam possível a vida coletiva.
O caráter de um homem revela-se menos naquilo que proclama do que na distância entre suas palavras e suas ações.
O homem verdadeiramente superior não constrói sua dignidade diminuindo os outros; constrói-a pela disciplina com que governa a si mesmo.
A palavra revela intenção; a ação revela caráter. Entre ambas, a verdadeira medida do homem está quase sempre naquilo que ele faz.
O homem não é um império isolado dentro do universo; sua liberdade, seus desejos e seus conflitos obedecem às mesmas relações de causalidade que governam a natureza.
O homem verdadeiramente livre não organiza sua existência em torno do medo da morte; procura compreender a vida com intensidade suficiente para não desperdiçá-la.
O homem civilizado não é aquele que abandonou suas certezas, mas aquele que aprendeu a submetê-las à razão.
