O Copo Nao esta meio Cheio

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O poeta pode contar ou cantar as coisas, não como foram mas como deviam ser; e o historiador há-de escrevê-las, não como deviam ser e sim como foram, sem acrescentar ou tirar nada à verdade.

Quando se sofre, julga-se que para lá do círculo existe a felicidade; quando não se sofre, sabe-se que a felicidade não existe e sofre-se, então, por não sofrer.

A sabedoria suprema é ter sonhos bastante grandes para não se perderem de vista enquanto os perseguimos.

O homem honrado nunca jura; contenta-se com dizer: isto é ou isto não é. O seu caráter jura por ele.

Quando é preciso escolher entre liberdade e erudição, quem não dirá que prefere mil vezes a primeira?

Não há prazer mais complexo que o do pensamento.

Quem não sente amor, deve aprender a adular; caso contrário, não consegue viver.

O amor não se confunde com a vida, não é amor verdadeiro; o verdadeiro amor é hábito.

Se beberes água, não digas por tudo e por nada que bebes água.

Um saber múltiplo não ensina a sabedoria.

Creio que o homem sonha unicamente para não deixar de ver; pode acontecer que um dia jorre a luz interior em nós e nenhuma outra nos será mais necessária.

Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não tem pés.

A fé é uma visão das coisas que não se veem.

Em geral é o caráter pessoal do escritor, e não a arte do seu talento que lhe marca a importância aos olhos do público.

Não me agrada aconselhar, porque, em todos os casos, trata-se de uma responsabilidade desnecessária.

Deus criou o homem e, não o achando bastante solitário, deu-lhe uma companheira para o fazer sentir melhor a sua solidão.

Tudo é caro de mais quando não é necessário.

James Joyce
JOYCE, J., Ulisses, 1922

Não há bom raciocínio que pareça tal quando é muito longo.

É monstruoso dizer-se que o artista não serve a humanidade. Ele foi os olhos, os ouvidos, a voz da humanidade. Sempre foi o transcendentalista que passava a raios X os nossos verdadeiros estados de alma.

Nunca cometi um erro na minha vida, pelo menos um que eu próprio, mais tarde, não pudesse explicar.

Rudyard Kipling
KIPLING, R., Under the Deodars, 1888