O Amor tem que ser Alimentado
Triste quem não tem pra onde voltar
Pobre de quem foi
Caçar estrelas
Coitado de quem se iludiu
E que seguiu na direção
Do primeiro arco-íris
Que surgiu depois da tempestade
Tenho pena, muita pena
De todo aquele que não causa mais
Uma saudade apenas
Mesmo que diminuta, pequena
Me apiedo de todo coração
Que não tem paz
Depois da estrela, arco-íris
A queda
Meus olhos se enchem de aflição
Por todo aquele que vive
E que não causa nenhuma afeição
Em ninguém
Deve haver lá no céu
Uma alma plena de luz
E que tenha em mãos
Um livro, um papel, uma pena
E a dura missão de recensear
Essas sombras vagantes
Viventes de alma escura
Que não sentiram pena de ninguém
Além de si mesmo apenas
E viveram sua vida pequena
Como se ela tivesse que ser eterna
Enfermas
Sempre vencer e ganhar e ser o melhor
Custe o que custar
Esse era seu lema
Seu meio a superar quaisquer problemas
Mas o tempo corre
A vida passa
As quedas vem
Sem ninguém pra estender a mão
Que pena!
Edson Ricardo Paiva.
Uma criança me perguntou
Que será se a Lua tem alma
Eu respondi que creio que sim
Pois, enfim, não há de ser à toa
Que quase toda noite ela se aninha lá no Céu
Serena e calma
Pois eu creio que a Lua deve ter milhões de almas
Assim, como cá na Terra
Quase todos que eu conheço
Quase todos tem uma
Algumas almas tem preço
Muitas não valem vintém
Outras nem isso
Alguns tem a alma do avesso
Tem gente que só parece
Mas quase todos as tem
Assim, creia que a Lua a tenha também
Porque, se não tiver nenhuma
Ela sempre vai ter a minha
Sempre que brilhar
Bem na linha da minha janela
Pelo menos por alguns instantes
A minha alma estará lá com ela
Pois a Lua possui uma identidade
A Lua tem um caráter
Tem gênio, temperamento, tem personalidade
e até natureza
Coisas que lhe conferem uma alma
...e, no caso da Lua, também uma grande beleza
Então a criança me perguntou
Quantos anos que a Lua tinha
Então eu olhei pra Lua
A sua cara hoje, estava meio apagadinha
Quase tanto que nem a minha
Creio que tal pergunta, só queria me pôr à prova
Então eu olhei pra criança
E só respondi que a Lua era Nova.
Edson Ricardo Paiva.
Tristeza
É o nome de um lugar
Que não tem chão
Um lugar que foi criado
Pra semear-se ilusões
É um lugarejo tão distante
Que só vejo uma razão
Pra se estar lá
É ter plantado uma planta
Chamada falsa esperança
Que é algo que quem semeia
Palmilha com a planta dos pés
Planta espinhenta e tão falsa
Que se planteia descalça
E fere as palmas das mãos
Para tirá-las
Quem perdeu-se lá
Perdida a alma
Saída não tem
Se cala e fica lá
Mas não fala pra ninguém.
Edson Ricardo Paiva.
Difícil!
E tem sido a cada dia
Mais difícil vislumbrar
Vida inteligente nesta vida
Salvo parcos resquícios
De quem queira ver
E quando olhar no espelho
Iníquo
Ver-se
Tendo em vista
Ser todo sentido da vida
Avesso a qualquer conquista
Pois a lista de batalhas a vencer-se
Resume-se a si mesmo
Porque é este o motivo de estar aqui
E vivo
Porquanto é o mais duro oponente
O próprio orgulho
Que uma vez vencido
Por si mesmo
O ego
Fatalmente haverá perdido
Anular-se
Sem jamais aniquilar-se por completo
Vida, batalha perdida
Uma vez que se perdeu
Vencida
Porém
Conforme o poema discorria
Por um momento observou-se
Inócuo
A quantidade de pronomes oblíquos
Em detrimento aos do caso reto
Nem mesmo o poema
Tampouco o poeta
O dito pelo não dito
Movimento inerte
Inertes qual suas conquistas
Contemplando seus espelhos
Sem jamais serem vistos.
Edson Ricardo Paiva.
"No mundo existem dois tipos de pessoas; aquelas que mostram o seu valor, quando tem oportunidade e aquelas que demonstram a sua falta de valor o tempo todo"
Edson Ricardo Paiva
Tem coisas que fazem parte da vida da gente: Árvores, Luz do Sol, Pássaros, Nuvens, Tempo, Ar, Sonhos e Esperanças, Espelhos e Balanças.
Tem pessoas que passam pela vida da gente e são breves como as nuvens; tem as que criam raízes como árvores e são importantes como o ar, outras são belas, alegres e fugazes como os pássaros, outras são constantes como a luz do Sol, outras serão sempre presentes, apesar de invisíveis, como sonhos e esperanças. Finalmente algumas são perenes como o tempo.
O fato de sermos pessoas é que faz a diferença: somos iguais a essas coisas, mas ao mesmo tempo não somos coisas: somos pessoas...e o que tem valor na vida são as pessoas. As pessoas de quem gostamos e em cuja presença nos sentimos bem. Nos sentimos confiantes e em paz. Isso é algo que vem na alma: Tem pessoas que transmitem essa sensação por onde passam, tem o dom de cativar quando ficam e deixam saudade quando se vão.
Sejam suaves perante a vida, enquanto estão no caminho com ela. Há espelhos ao longo da estrada, mas eles nunca serão tão sinceros quanto a balança que existe lá no final.
Edson Ricardo Paiva.
Eu duvido
Quase nunca
Ninguém
Há de saber
Qual é
Devido
À fé que não se tem
Até que não se tenha
É como apanhar
Um espinho num jardim
Apanhe
Sem saber qual é
Até que assim ele te arranhe.
Edson Ricardo Paiva.
A Poesia dos Grilos.
Tem horas que a vida
Não é que ela parece
Que perdeu todo sentido
Tem horas que eu olho pro mundo
E a impressão que eu tenho
É dela nunca ter tido
Minh'alma descalça e nua
Passeia em olhares perdidos
Por breves trechos, preces leves, tão compridas
Curtos pedaços da vida, uma viagem
Pelas ruas, pelo céu, pelo passado e presente
Perdidos no correr da vida
Outro dia, talvez a gente encontre algum sentido nela
Vou buscar na lembrança dos meus olhos
Um resto de olhares felizes
Eu me vejo quando embarco numa balsa e atravesso
Um pequeno espaço... tão vasto é este universo
Valsa a atmosfera
Meu olhar espera ao menos
Ver estrelas parecer felizes
Cá da terra as sei como são falsas meretrizes
Intocadas, infelizes
Inspirando aos grilos a mais linda poesia
Profundas como as jamais ouvidas
Deste meu lado da vida
Belas como aquelas
Que eu quis fazer e não fiz
Pode ser que por amor
Pode ser de solidão
Pode ser que de cansaço
Pode ser de pés no chão
Pode ser de limitada alma de gente
Tem horas que a bela vida
Não faz sentido
Eu disse só isso, somente
Como a terra abrisse a boca e me engolisse
Sobre a gente desistir?
Não, nada disso eu disse.
Edson Ricardo Paiva.
"Tem horas que a vida
Não é que ela parece
Que perdeu todo sentido
Tem horas que eu olho pro mundo
E a impressão que eu tenho
É dela nunca ter tido''
Edson Ricardo Paiva
Depois de tudo
Há sempre alguma coisa a mais
E depois de tudo a mais que veio
Ainda tem algo esquecido lá, depois que acaba
O mundo desaba, mas ainda não é o fim
A gente é que chama assim
Pra poder dar nome às coisas
Cuja palavra não criou-se ainda
A febre insana da semana passada
O desejo que virá
Lá pelo meio do ano que vem
Um beijo na estrela que está distante
Se nem o beijo e nem a estrela, muito menos a distancia
Nunca foram de verdade
É só uma vontade boba e sem importância que a gente tem
É só uma sombra que os olhos fazem
Uma espécie de arroubo, nada importante
Um querer de quem nem quer de verdade
Mas que vem, quando se vive
E eu os tive todos
Pois a vida é feita de sentir vontades
E não de fazê-las
Só lá pelas tantas é que vê
Quanta gente vive sem saber viver
Vive a vida de querer, mas acaba louca e infeliz
Pois a vontade de saber querer
É uma das poucas que nunca quis ter.
Edson Ricardo Paiva.
Aqui na minha rua
Tem uma casa que fica
No quintal de um pé de nada
E mora debaixo da lua
Quem a vir, de olhar distante
Na hora em que brilhar de iluminada
Nem nos seus melhores sonhos
Desconfia da alegria que morava lá
Mas mudou-se, escondeu-se igual
Só que ora, distante
Sob um pé de pensamentos
Entremeado de dimensões
Mas que morreu de seco e quedou-se no próprio eco
Só que esse era mudo, era atroz qual num galope
Mas não tinha voz
Era feito de espera, era quase perfeito
Penso que quem não o conhece
Pode ser que pense que era e o compre
Pois o som não se propaga no silêncio...o rompe.
Edson Ricardo Paiva.
Se fosse apenas a vida
E se a gente tivesse só
Que olhar a chuva na janela
Mas tem dias que o ranger da porta assusta
Tem dias que o ranger da porta irrita
E tem dias em que a porta range
Custa um tempo a perceber a falta
das coisas que a chuva trazia
No silêncio a alma grita
Porém, é tão grande esse silêncio
Que nem mesmo a própria alma escuta
Mas ele é assim, tão lancinante
Que eu sei que o próprio Deus garante
A alma o sente
Não nos basta ter de volta aquele tempo
Aquela coisa corroída pela chuva
Um tempo carcomido pelo tempo
Por mais breve ele fosse
Muito ele abrange
Tem dias em que há previsão de tempestade
Se fosse então apenas
Ter que olhar o Sol pela janela
Abrir a porta ao vasto mundo
Perceber que amanhã
Também não trará nada
Nada além de outra manhã
Aquela que desfolha as flores
Ver as pétalas já mortas
Com o vento a levá-las
Todas pra bem longe
Sem cores, sem viço, sem nada
Em cada fim de tarde
O mesmo vento na janela
Aquela velha porta range
Não me assusta, nem me irrita
Me toca à duras penas
Me apenas convida a viver
Como se fosse outro dia de chuva
Sem chuva nova, sem nem mesmo a velha chuva
Apenas chove
Sem as coisas que ela trazia
Ela não trouxe nada
Eu não quero outra vida
Nem aquela de volta
Eu quero essa à distância
Olhar o mundo do espaço
Que um dia, antes da invenção do tempo
Eras antes do cansaço
Era assim que a vida prometeu que ela seria.
Edson Ricardo Paiva.
"Aqui na minha rua
Tem uma casa que fica
No quintal de um pé de nada
E mora debaixo da lua
Quem a vir, de olhar distante
Na hora em que brilhar de iluminada
Nem nos seus melhores sonhos
Desconfia da alegria que morava lá
Mas mudou-se, escondeu-se igual
Só que ora, distante."
Edson Ricardo Paiva.
"Tem dias que me acordo
Propenso a ter longas conversas
Tem dias que eu penso
Que podíamos
Apenas ler os nossos pensamentos
Saber das mais pequenas coisas
em que pensaria
No dia em que você se acordasse
e que eu não estivesse ali
Indiferente a tudo
Que se pensa e que se diz
O que conta é a presença
A companhia
Sobre o fato de a gente estar
E enquanto estiver
Sentir-se feliz
Mas não porque ninguém mandou
Feliz porque quis...e acabou!
Assim o nosso dia acaba
No instante em que a vida versa
Sobre sempre terminar igual
Indiferente às longas conversas
Apesar do sepulcral silêncio"
Edson Ricardo Paiva.
"Quem ama tem paciência!
Está escrito na Bíblia que Deus ama a Humanidade; mas nem por isso Ele deixa de mandar raios sobre a Terra o tempo todo"
Edson Ricardo Paiva.
Foi vivendo bem rapidamente
O dedo em riste e as mãos em prece
Tem coisa que existe e que nunca acontece
E quando acontece, é prá lá de distante
É chuva que chove muito além desses quintais
Nos jardins as folhas crescem, caem, se vão
Se vão pelos desvãos das mãos em prece
Nos olhos vendados, nos rincões do tempo
Parece até que no final deu tudo certo
O dedo em riste, o medo escondido
O coração deserto, perdido e ainda em segredo
Tão secreto quanto um sonho
Que, quando acontece, é pra lá de distante
Tão longe quanto o minuto passado
Vivido tão rapidamente
Quase tão desconhecido
Quanto uma vontade que passou.
Edson Ricardo Paiva.
A gente tenta entender
Tem horas que parece até
Mas a vida, essa é senhora do silêncio
Dona da verdade
Na paz dessa oportunidade de calar ou não
E de novo a gente morre
De novo e de novo e de novo
Morre dessas coisas que te vem do coração
E que te corre sem sangrar
Que te sangra sem que se perceba
Te vai numa oração que também morre
Sem subir aos céus
Oculta atrás de um véu
Na tristeza que outra vez se oculta
Na beleza das palavras por dizer
Que na verdade, elas também são ditas
No segredo da oração que não se escuta
Mortas, mas também bonitas.
Edson Ricardo Paiva.
Eu tenho um coração tão livre
Que tem horas que sinto
Apesar de não saber voar
Ainda dá tempo de aprender
Pois eu tenho a alma solta
E vem do tempo que eu sonhava
Eu tive um tempo de sonhar
Só não consigo te explicar como é se sentir assim
Saber que o tempo é breve
E eu tenho um coração tão leve
Como num circo de domingo à tarde, cujo ingresso é livre
Mas que é preciso um par de asas para entrar
Porque ele voa ao vento
Voa lento e espera uma notícia boa
Mas há momentos em que ele se fecha
Quem quiser sair, ele deixa
Quem não quer entrar, não precisa
Pois a vida é tão breve; um sopro...uma brisa
Leve como a sensação de liberdade
Que não se sabe que tem e deixa ir num medo que sonhou
Não guardo o peso de nenhum segredo
Nem medo de batalha ou de acordar mais cedo
A vida é um folguedo que passa depressa
Um fogo que se apaga
Eu tenho um coração bem livre e só
Isso é tudo que eu tive.
Edson Ricardo Paiva.
Não me lembro bem que ano era
Tem bem mais que muito tempo
Era só mais outra primavera
Mas setembro tem o dom dessa saudade
Tinha um sapo que cantava à toa
Sua voz tinha o som de piano ou de sanfona
E tinha a sapa, que valsava
E tinha uma canção, que vinha no vento
O sapo era tão vagabundo
Que esperava a balsa pra ganhar o mundo
E tinha a rã, com cheiro doce, de hortelã
Porém, a sapa era do mês de agosto
A marrafona era mulher sem rosto
E eu ainda era criança
Mas o tempo passa e sempre tem setembro
Trazendo essa saudade, essa lembrança
Uma coisa boa, uma verdade que é so minha
E não me lembro muito bem que ano que era
Nem qual idade que eu tinha.
Edson Ricardo Paiva.
