O Amor tem que ser Alimentado
Têm casais de namorados que vivem na mesmice: se declaram sempre, se amam o tempo todo e se apoiam todos os dias. É a monotonia mais linda que existe.
É difícil de aceitar que tem alguém que te ama do outro lado do "planeta" e tu não podes fazer nada no momento por esta pessoa, nem ela por ti. Dá uma sensação de fraqueza e, ao mesmo tempo, bate aquela saudade. Saudade de um tempo que não volta mais, quando tudo era brilhante como o céu azul e fresco como o vento que bate na nossa pele ao fim do dia. Ah, velhos tempos...
Aqueles que têm muito em comum dificilmente ficam juntos, pois não buscamos alguém que seja o nosso espelho, mas sim quem nos complete.
As pessoas e os computadores têm uma característica em comum: ambos costumam ir perdendo a memória com o passar do tempo.
As mulheres acham que são mais maduras que os homens, que ditam as regras de uma casa, que têm o poder da situação e que representam a evolução da espécie humana. Eu tenho certeza.
Um relacionamento originado do medo de ambos ficarem sozinhos só tem um destino possível: o fracasso.
A magia do desconhecido
Desconhecido, sente-se, vamos conversar
Dá para ver que você tem muito para falar
Garanto que sou capaz de lhe fazer sorrir
Entendo, porém, se você optar por partir
Posso notar a sua tristeza e isso machuca
A nossa realidade é simplesmente maluca
Se você fosse mais frio não sentiria tanto
Mas mesmo de longe é nítido o seu pranto
Vamos ao brinde de uma existência futura
Sacar as fichas de uma finalidade insegura
Somos pequeníssimos e é o que conforta
Lhe digo, de fé, que isso não é uma lorota
O que lhe espera tem tudo para ser melhor
Se hoje você sofre, saiba que não é o pior
Tudo no seu tempo, marujo, irá acontecer
E a brilhante recompensa você irá receber
Não existe mais medo, estamos flutuando
Somos outras pessoas, agora, aqui voando
Toca a harpa e é de libertação o seu som
Ouça, meu amigo, está alto e bom o tom
A extracorpórea magia nos dá plenitude
Um fecho de luz desperta a real atitude
Olho para você e lhe vejo transformado
Alma conhecida, é sublime o seu estado.
Suposta preocupação
A vizinhança adora fazer fuxico
Fala com prazer da vida alheia
Se não tem história, inventa ela
De futilidade tem a cabeça cheia
Alguém perto comprou um carro
Então é impossível não comentar
Serve de alimento para a cobiça
Vira assunto no almoço e jantar
O vizinho gosta de outro homem
Que escândalo à família “de bem”
Ninguém conhece aquele sujeito
Entretanto julgam mal ele também
Grande entretenimento é fofocar
Para quem mediocremente existe
Olhando de camarote o restante
Sem ver a sua ignorância triste.
A partir do momento em que a população de uma cidade não tem mais tranquilidade para andar na rua, a criminalidade venceu.
Quase do lado de lá
Sua derrocada é brindada com espumante
Tem amigas que na verdade detestam ela
Uns chamam de má sorte, outros se calam
Quanta inveja atrai uma moça que é bela!
Antidepressivos são sua nova companhia
Flerta com a insanidade toda santa noite
Não sabe se viverá noventa dias ou anos
Um diabo imaginário a esfola com açoite
Muitos a veem como dama bem-sucedida
Possui carro importado, casa aqui e acolá
Esses compram o livro, contudo não leem
Senão saberiam como ela realmente está
O desespero tomou conta da cabeça dela
Tudo o que visualiza tem dor e escuridão
Sua voz agrega ao coro dos desgraçados
Procura no limbo alguém para dar a mão.
Semideuses
Me apresentem aos desafortunados
Alguém que tem metade dos dentes
Uma mulher que foi traída há pouco
Eu quero conhecer os descontentes
Nada contra a gente bem-resolvida
Mas vida monótona chega a minha
Faz tempo que tudo está em ordem
Preciso colher alguma erva daninha
Todo mundo é um enorme sucesso
Só convivo com homens confiantes
Todas as meninas parecem misses
Onde foram parar os seres errantes?
Amanhã o esgoto terá um bom odor
Não haverá mais sangue a derramar
Só restaurante com comida saudável
Mundo muito correto para se habitar
Não passo por nenhum ser humano
Partilho a calçada com semideuses
E somos incrivelmente semelhantes
Ainda germinam gêmeos siameses
Me olho no espelho e nada enxergo
Minha voz parece ecoar para dentro
Talvez eu esteja em outra dimensão
Porque tentei demais ficar no centro.
