O Amor tem que ser Alimentado
Embora as raízes do perigo possam ser dispersas e confusas, queremos que nossas defesas sejam simples e prontas a serem empregadas aqui e agora.
Quando se cessa de invadir, se aceita ser invadido.
Quem não conheceu a tentação de ser o primeiro na cidade não compreenderá nada do jogo político, da vontade de submeter os outros para convertê-los em objetos, nem adivinhará os elementos de que se compõe a arte do desprezo.
Só um ser de intermissão, situado entre a besta e Deus, dotado de ignorância, mas ao mesmo tempo sabedor dessa ignorância, sente-se impelido a sair dela e vai, em dinâmico disparo, tenso, ansioso, da ignorância até a sabedoria. Esse ser intermediário é o homem.
A educação só pode ser feita a partir da realidade nua, não de uma imagem real deturpada.
O homem é definido como um ser pensante, mas suas grandes obras se realizam quando não pensa e não calcula.
O dinheiro, depois de certa quantia, parece deixar de ser estimulante sexual. Já o poder funciona como um Viagra sem limite de idade.
Ser cronista é praticar atenção plena. O material está na esquina, no vizinho, na planta teimosa que emerge do asfalto. É meditação em movimento, coleção de insignificâncias que, juntas, revelam o mosaico da vida.
É lamentável para qualquer um ter que ser si mesmo (e ainda mais, ser forçado a se vender). A cultura e a análise da cultura sãovaliosas na medida em que permitem uma fuga de nós mesmos.
No Brasil de hoje, se você é contra o PT, assume-se que necessariamente você deva ser bolsonarista. O contrário também é fato: se você é contra o bolsonarismo, você deve ser PT. Eis a pobreza de espírito em ação.
A paixão não fica menor porque não virou álbum de família. Um romance pode ser pleno, honesto, inteiro e, ainda assim, caber em pouco tempo. O que azeda não é a brevidade: é a cobrança de que toda história precise virar projeto de longo prazo, com meta, cronograma e prestação de contas para terceiros.
O Nelson Rodrigues deveria ser lido em cada lar, nas escolas, em cada enfermaria de hospital, nos cemitérios, em cada cama de casal, nas igrejas, na porta dos bares, nas confrarias de bêbados, nas escolas de freiras e nas casas das "meninas", ditas filhas da desgraça.
O ser humano não piorou. Apenas possui hoje mais espaço para expressar sua hostilidade, sua carência afetiva e sua desumanidade.
É um inferno ser pobre, isso não é segredo; é um inferno estar doente sem dinheiro, com fome sem dinheiro; é um inferno estar doente e com fome para sempre até o último dia.
O ser humano necessita da aprovação do outro, mas quando essa dependência é excessiva, torna-se patológica.
O "eu te amo" deveria continuar tendo algum risco. Carregar uma mínima vertigem. Não ser dito como hábito, ser dito com menos frequência e mais perigo.
