Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Uma das razões pelas quais tantas pessoas culpam Deus pelo sofrimento é que elas partem da seguinte pergunta: "Se Deus é bom e poderoso, por que permite tanta dor?" Essa questão é tão antiga que existe desde os primeiros filósofos e teólogos da humanidade. Não é necessariamente uma falta de compreensão, mas uma tentativa humana de encontrar sentido para tragédias, doenças, guerras, injustiças e perdas.
Existe uma pergunta que atravessa séculos e continua ecoando dentro da mente humana: se Deus existe, por que existe tanta dor no mundo?
Mas talvez exista uma pergunta ainda mais profunda que quase ninguém tem coragem de fazer: se recebemos a liberdade de escolher, por que insistimos em entregar a culpa das nossas escolhas para Deus?
É mais fácil perguntar onde Deus estava durante uma injustiça do que perguntar onde estavam aqueles que poderiam ter impedido essa injustiça. É mais fácil culpar uma força invisível do que reconhecer a própria responsabilidade diante da vida.
Parece que o mundo tem uma obsessão pelos vilões. Os noticiários falam mais dos criminosos do que das pessoas honestas. As redes sociais promovem mais escândalos do que virtudes. O egoísmo chama mais atenção do que a bondade. O barulho sempre parece vencer o silêncio.
Mas existe uma ilusão perigosa nisso tudo.
Os vilões costumam deixar marcas profundas porque causam destruição visível. Já os heróis transformam vidas de forma discreta. Um professor que impede um aluno de desistir dos estudos dificilmente aparecerá nos livros de história. Uma mãe que sacrifica seus próprios sonhos para dar oportunidades aos filhos raramente receberá uma medalha. Um voluntário que alimenta pessoas em situação de fome quase nunca se torna manchete.
No entanto, qual dessas pessoas realmente sustenta o mundo?
Você está construindo uma vida que admira ou apenas sobrevivendo dentro de uma rotina que aprendeu a aceitar?
Você está gastando seu tempo criando uma história da qual se orgulhará no futuro ou apenas colecionando distrações para esquecer o presente?
Existe uma dor muito particular quando os nossos algozes são justamente aqueles que deveriam ter sido os nossos protetores.
Quando o sofrimento vem de estranhos, a ferida machuca. Mas quando vem daqueles que nos deram a vida, a dor atravessa camadas mais profundas da alma. Porque uma criança nasce acreditando que seus pais são um abrigo. Ela não nasce preparada para enxergá-los como ameaça.
Por isso, durante anos, muitos filhos carregam culpas que nunca foram suas. Crescem acreditando que mereceram os gritos, os castigos, a humilhação, a rejeição e a violência. Aprendem a duvidar de si mesmos antes mesmo de aprenderem a confiar em quem são.
Os verdadeiros algozes não deixam apenas marcas visíveis. Eles constroem prisões invisíveis dentro da mente. Fazem a vítima questionar o próprio valor, a própria capacidade e até mesmo o próprio direito de existir em paz.
E talvez seja essa a parte mais cruel de todas.
Porque os abusos terminam em um determinado momento, mas os ecos deles podem continuar vivendo dentro da pessoa por décadas.
Entretanto, existe algo que os algozes jamais conseguem controlar completamente: a capacidade humana de reconstrução.
Eles podem ferir uma infância, mas não conseguem determinar um destino.
Podem espalhar medo, mas não conseguem impedir o nascimento da coragem.
Podem tentar destruir a autoestima, mas não conseguem apagar para sempre a luz que existe dentro de alguém.
Chega um momento em que a vítima olha para trás e compreende uma verdade libertadora: sobreviver já foi uma vitória. Mas reconstruir-se é uma revolução.
Foi nesse instante que os algozes perderam.
Perderam quando a criança assustada se transformou em uma adulta consciente.
Perderam quando o medo deixou de comandar as decisões.
Perderam quando os ciclos de violência não foram passados adiante.
Perderam quando a pessoa escolheu a paz em vez do ódio.
Porque a maior derrota de um algoz não acontece quando sua vítima o enfrenta.
Acontece quando sua vítima deixa de pertencer ao sofrimento que ele criou.
Existem pessoas que passam a vida inteira tentando destruir outras. Mas a verdade é que ninguém consegue destruir uma alma que decidiu renascer.
E talvez a maior prova de força não seja sobreviver ao inferno que nos deram.
Talvez seja construir um lar dentro de nós mesmos depois de ter passado a vida inteira sem ter tido um.
No dia 28 de julho de 2024, vivi uma situação que jamais vou esquecer.
Eu estava em casa, muito doente, sem imaginar que meu corpo estava entrando em colapso. O que mais tarde descobri era que eu estava com septicemia, uma infecção generalizada gravíssima, que já estava levando meus órgãos à falência.
Procurei atendimento na UPA de Barra do Corda, Maranhão. Mostrei os exames que tinha em mãos, expliquei o que estava sentindo e deixei claro que havia uma suspeita séria do meu quadro. Mesmo assim, recebi uma injeção e fui mandada de volta para casa. Disseram que o que eu tinha era ansiedade.
Mas não era ansiedade.
Enquanto eu tentava sobreviver, meu organismo estava travando uma batalha silenciosa contra uma infecção que avançava rapidamente.
Voltei para casa sem a cirurgia que precisava e sem a urgência que a situação exigia. Passei aquela noite em uma condição extremamente grave, sem saber se veria o dia seguinte.
Foi então que Deus usou outras pessoas para mudar o rumo da minha história.
No dia seguinte, meu sogro entrou em ação. Através de um contato que ele possuía, conseguiu mobilizar ajuda para que eu finalmente recebesse a atenção necessária. Graças a essa intervenção, fui encaminhada para uma cirurgia de emergência.
A cirurgia aconteceu a tempo.
Os médicos constataram a gravidade do meu estado. Eu estava com septicemia e falência de órgãos. Quando penso em tudo o que aconteceu, não consigo deixar de refletir sobre o quanto estive perto da morte naquele período.
O mais impressionante é que, algum tempo depois, retornei à mesma unidade de saúde. Durante o atendimento, me perguntaram quais eram minhas alergias. Respondi normalmente e informei tudo com clareza.
Ao receber a receita médica, resolvi ler antes de sair.
E ali estava prescrito justamente um medicamento ao qual eu havia informado ser alérgica.
Naquele instante, um filme passou pela minha cabeça.
Se eu não tivesse lido a receita, o que poderia ter acontecido?
Esses acontecimentos me ensinaram que ninguém deve abrir mão de acompanhar o próprio tratamento. Ler receitas, conferir exames, fazer perguntas e buscar esclarecimentos não é desconfiança. É cuidado com a própria vida.
Hoje, olhando para trás, sinto gratidão por estar viva. Gratidão a Deus, ao meu sogro e às pessoas que cruzaram o meu caminho naquele momento tão crítico. Porque a verdade é que, sem essa ajuda, talvez eu não tivesse a oportunidade de contar esta história.
E isso é algo que nunca esquecerei.
25 de junho de 2026 14:13
Hoje finalizei uma etapa importante que vinha adiando há algum tempo: cuidar dos meus dentes. Ontem comecei o tratamento e hoje concluí tudo. Parece algo simples quando contado em poucas palavras, mas quem já passou horas em uma cadeira de dentista sabe que existe muito mais nessa experiência do que apenas abrir a boca e esperar terminar.
Faço tratamento com a mesma dentista há muitos anos. Ela é uma profissional incrível, daquelas pessoas que transmitem confiança apenas pelo jeito de falar. E talvez seja justamente essa confiança que me faz voltar sempre, porque, sinceramente, ir ao dentista é um verdadeiro teste de resistência.
Existe um momento em que a boca simplesmente começa a cansar. No início você acha que consegue ficar ali tranquilamente, mas depois de vários minutos com a boca aberta, os músculos parecem pedir socorro. Você tenta relaxar, mudar um pouco a posição, respirar fundo, mas logo percebe que ainda falta bastante tempo.
Para quem tem dentes sensíveis, como eu, a experiência ganha um nível extra de desafio. Aquele jato de ar que para muitas pessoas parece inofensivo, para mim é quase um choque elétrico atravessando o dente. É uma sensação tão rápida quanto intensa. O corpo inteiro se contrai em uma fração de segundo.
E então vem aquele instrumento que raspa os dentes. O som. Meu Deus, o som. É impressionante como um simples ruído consegue provocar tanto desconforto. Não é apenas ouvir. Parece que o barulho atravessa a cabeça inteira. A cada raspagem, eu já ficava esperando a próxima, como quem sabe que um pequeno incômodo está prestes a chegar novamente.
Enquanto estava ali, pensei em como algumas coisas importantes da vida são exatamente assim. Nem sempre são agradáveis durante o processo. Às vezes cansam. Às vezes incomodam. Às vezes fazem a gente querer que tudo termine logo. Mas o resultado compensa.
Quando me levantei da cadeira e vi tudo concluído, senti aquela satisfação silenciosa de quem enfrentou algo desconfortável e saiu melhor do outro lado. Não foi apenas sobre dentes limpos ou tratamento finalizado. Foi sobre lembrar que cuidar de nós mesmos nem sempre é prazeroso, mas quase sempre é necessário.
A vida tem muitas cadeiras de dentista. Situações que exigem paciência, resistência e confiança no processo. E talvez a verdadeira maturidade esteja justamente em entender que nem tudo que nos faz bem será confortável enquanto acontece.
Quanto mais observo a vida, mais percebo que a simplicidade é uma das maiores riquezas que existem. E, curiosamente, ela é também uma das mais incompreendidas.
Muitas pessoas confundem simplicidade com pobreza, escassez ou falta de ambição. Mas não é disso que estou falando. A simplicidade não é viver sem nada. É viver sem que as coisas possuam você.
Existem pessoas que moram em casas simples durante toda a vida. Algumas até possuem dinheiro guardado, poderiam comprar muito mais do que têm, mas não sentem necessidade. Aprenderam a encontrar felicidade em coisas que não podem ser compradas.
Vivemos em um mundo onde todos, de alguma forma, convivem com inseguranças. O rico teme perder aquilo que acumulou. O pobre teme perder aquilo que conquistou com tanto esforço. Ninguém está completamente livre das dificuldades da vida. Ninguém está totalmente protegido da maldade humana.
Mas existe algo que nenhuma pessoa consegue roubar quando é cultivado com sinceridade: a paz interior.
Com o passar do tempo, percebi que a felicidade raramente está nas grandes conquistas que imaginamos. Ela costuma morar em momentos simples que acontecem quase sem fazer barulho.
Está em ter uma cama confortável para descansar depois de um dia cansativo.
Está em sentar à mesa para compartilhar uma refeição com quem amamos.
Está em assistir a um filme juntos numa noite tranquila.
Está em preparar um café enquanto a conversa acontece sem pressa.
Está em acordar e perceber que existe alguém ao seu lado que escolhe permanecer, não por obrigação, mas por amor.
Talvez a verdadeira riqueza seja justamente essa: ter com quem dividir a caminhada.
A vida não é feita apenas de dias bons. Também existem perdas, preocupações, frustrações e momentos difíceis. Faz parte da experiência humana. Nenhuma felicidade é permanente. Mas nenhuma tristeza também é.
A vida oscila entre tempestades e dias ensolarados.
Por isso, nos momentos difíceis, gosto de pensar que as boas lembranças funcionam como pequenas luzes guardadas dentro de nós. São elas que nos ajudam a continuar quando tudo parece pesado. São elas que nos lembram que a dor não dura para sempre.
E quando olho para tudo isso, percebo como passamos tanto tempo correndo atrás de coisas que um dia ficarão para trás. Casas, carros, objetos, dinheiro. Tudo isso pode ser útil, confortável e importante. Mas nada disso nos acompanha para sempre.
O que permanece são os momentos vividos, os afetos construídos, as histórias compartilhadas e o amor que oferecemos ao longo do caminho.
Afinal, ninguém leva seus bens quando parte deste mundo. Mas leva consigo a marca de como viveu, de quem amou e de tudo aquilo que escolheu valorizar.
Talvez a felicidade não seja uma condição permanente. Talvez ela seja feita de pequenos instantes espalhados ao longo da vida. E talvez a sabedoria esteja justamente em reconhecê-los enquanto acontecem.
Porque o passado já se transformou em aprendizado. O futuro ainda não chegou. O único lugar onde a vida realmente acontece é agora.
E se a felicidade estiver muito mais perto do que imaginamos, escondida justamente nas coisas simples que costumamos deixar passar?
Vivemos em uma época em que muitas pessoas afirmam, com absoluta convicção, que não existem mais pessoas fiéis. Basta abrir a internet para encontrar alguém dizendo que todo relacionamento termina em decepção, que ninguém muda e que confiar em outra pessoa é um erro.
Mas quanto mais observo a vida, mais percebo que a realidade é muito mais complexa do que essas frases prontas que circulam por aí.
Acredito que existem pessoas que fazem escolhas ruins repetidamente sem demonstrar qualquer interesse em crescer, refletir ou assumir responsabilidade pelos próprios atos. Essas pessoas existem. Assim como existem pessoas egoístas, desonestas e indiferentes ao sofrimento que causam aos outros.
Mas também existem pessoas que erram, enfrentam as consequências dos seus erros e, a partir delas, se transformam.
Ser humano é, em parte, aprender. E nem todos aprendem as lições da vida ao mesmo tempo.
Algumas pessoas passam anos acreditando que o amor é descartável. Outras vivem presas aos próprios medos, inseguranças e imaturidades. Algumas machucam quem amam porque ainda não compreenderam o valor do que possuem. Não porque sejam incapazes de amar para sempre, mas porque ainda não aprenderam a fazê-lo da maneira correta.
O tempo tem uma forma curiosa de ensinar.
Há pessoas que, depois de perderem algo importante, começam a enxergar a vida de outra maneira. Há pessoas que amadurecem quando finalmente entendem o significado da reciprocidade. Há pessoas que mudam quando percebem que o amor verdadeiro não é apenas um sentimento, mas também uma escolha diária de respeito, lealdade e compromisso.
Por isso, não acredito que um erro define para sempre quem alguém será. O que realmente define uma pessoa é aquilo que ela faz depois de errar.
Ela assume a responsabilidade?
Ela aprende?
Ela cresce?
Ela se torna melhor do que era ontem?
Essas respostas dizem muito mais sobre o caráter humano do que o erro em si.
Também acredito que quando alguém encontra um amor genuíno, algo profundo pode acontecer dentro dela. Não porque outra pessoa tenha o poder mágico de transformá-la, mas porque o amor verdadeiro frequentemente desperta partes adormecidas da nossa consciência. Ele nos convida a sermos melhores, mais responsáveis e mais atentos ao impacto das nossas escolhas.
Ao longo da vida, observei pessoas que permaneceram exatamente iguais durante décadas. Mas também observei outras que pareciam ter se tornado uma nova versão de si mesmas. Pessoas que abandonaram comportamentos destrutivos, reconstruíram relacionamentos, fortaleceram sua fé, encontraram propósito e passaram a viver de forma completamente diferente.
Talvez seja por isso que ainda acredito na humanidade.
Não porque todos mudem.
Não porque todos aprendam.
Mas porque alguns aprendem.
Alguns crescem.
Alguns transformam a dor em sabedoria.
E enquanto existirem pessoas capazes de reconhecer seus erros, amadurecer e escolher um caminho melhor, ainda existirá esperança.
Porque o que torna o ser humano extraordinário não é a capacidade de nunca errar. É a capacidade de aprender, evoluir e não permitir que os erros do passado decidam quem ele será no futuro.
O ROCK TÊM MUITO SENTIMENTALISMO, QUE SAI DA ALMA. A PEGADA É SEMPRE UMA LETRA REFLEXIVA E MELANCÓLICA, A ENERGIA É BAIXA. EU AMO ROCK. MAS, SEI DISSO!!! SE QUISER LEVANTAR A VIBE SÓ OUVIR UMA ELETROHOUSE OU CHARLIE BROWN JUNIOR. OS ROCKS QUE COSTUMAMOS OUVIR, SÃO REALMENTE DESABAFOS DA ALMA, O QUE SEMPRE TRAZ UMA ENERGIA BAIXA E REFLEXIVA.
Sábado 25 de julho/ 10:18 da manhã
Entre cicatrizes e recomeços: a história de uma mulher que aprendeu a sobreviver
Um relato de dor, fé e resiliência diante de uma tempestade que começou em 2022
Olá, tudo bem? Sou Alinny de Mello, gosto de escrever, produzo ebooks sobre desenvolvimento pessoal para o Kindle, e hoje trouxe essa reflexão para você, leia até o final.
Às vezes eu olho para a minha própria história e parece que estou lendo o capítulo de uma vida que outra pessoa escreveu. Foram tantos acontecimentos, tantas batalhas silenciosas, tantos dias em que precisei juntar os pedaços de mim mesma para continuar caminhando.
Tudo começou em 2022, quando eu ainda não imaginava que minha vida entraria em uma fase de tantas provações. Eu carregava dores que nem sempre eram visíveis, sinais que meu corpo tentava mostrar, mas que muitas vezes eram difíceis de compreender. Eu seguia vivendo, tentando cuidar da minha casa, dos meus sonhos, dos meus projetos e das pessoas que amo, enquanto dentro de mim existia uma guerra que ninguém conseguia enxergar completamente.
Eu aprendi uma das maiores lições da vida: nem toda batalha faz barulho. Algumas acontecem dentro do nosso próprio corpo, em consultas, exames, noites mal dormidas, preocupações escondidas atrás de um sorriso e lágrimas que caem quando ninguém está olhando.
Mas o ano de 2024 foi o grande divisor de águas da minha história.
Foi o momento em que a vida me colocou diante de um dos maiores desafios que eu já enfrentei. Meu corpo chegou ao limite. Eu vivi uma septicemia, uma infecção grave que abalou completamente a minha saúde, e enfrentei um choque séptico, uma situação extremamente delicada em que eu precisei lutar pela minha própria vida.
Foi um daqueles momentos em que percebemos que somos muito mais frágeis do que imaginamos, mas também descobrimos uma força que estava escondida dentro de nós.
Eu precisei passar por uma histerectomia de urgência. Meu corpo precisou enfrentar uma cirurgia grande, uma mudança que não era esperada, uma despedida de uma parte de mim que carregava histórias, dores e também memórias. Não foi apenas uma cirurgia física. Foi um processo emocional profundo.
Existe uma diferença entre sobreviver e realmente compreender que sobrevivemos.
Depois de tudo que aconteceu, eu precisei reaprender a confiar no meu próprio corpo. Cada dor gerava medo. Cada sintoma levantava perguntas. Cada exame carregava uma mistura de esperança e ansiedade.
Quando uma pessoa passa por algo assim, ela não volta a ser exatamente quem era antes. Ela carrega marcas. Algumas aparecem na pele, como cicatrizes. Outras ficam na alma, como lembranças de momentos em que ela precisou ser mais forte do que imaginava conseguir ser.
E a minha caminhada não terminou ali.
Em 2026, meu corpo passou por mais uma batalha: uma cirurgia para corrigir hérnias, incluindo hérnias inguinais bilaterais e uma hérnia umbilical. Mais uma vez eu precisei enfrentar recuperação, limitações, dores e a paciência de esperar o corpo se reconstruir.
Enquanto muitas pessoas seguem suas rotinas sem pensar sobre o funcionamento do próprio organismo, eu aprendi a prestar atenção em cada sinal. Aprendi que saúde é um presente que muitas vezes só valorizamos quando somos obrigados a lutar para recuperá-la.
No meio dessa caminhada, também descobri outros desafios. Veio o diagnóstico de colecistite alitiásica, uma inflamação na vesícula sem a presença de pedras, trazendo dores, desconfortos e mais uma investigação para entender o que meu corpo estava tentando comunicar.
Também descobri alterações no meu ovário esquerdo, com característica policística e a presença de um cisto que ainda precisa ser acompanhado. Mais uma preocupação para uma lista que já parecia grande demais.
E como se tudo isso não fosse suficiente, continuo investigando alterações intestinais. Existem dias em que meu corpo parece uma caixa cheia de perguntas esperando respostas. Dores que aparecem e desaparecem, mudanças no funcionamento intestinal, desconfortos que me fazem observar cada detalhe da minha alimentação e da minha rotina.
Mas existe algo que todas essas dificuldades não conseguiram tirar de mim: a vontade de continuar.
Eu poderia olhar para tudo isso e enxergar apenas perdas. Poderia contar minha história apenas pelas cicatrizes, pelos diagnósticos e pelos momentos difíceis. Mas eu escolho contar também pela minha resistência.
Porque eu ainda estou aqui.
Depois de uma septicemia. Depois de um choque séptico. Depois de uma cirurgia de emergência. Depois de outra cirurgia. Depois de tantas incertezas e medos.
Eu ainda escrevo.
Eu ainda sonho.
Eu ainda acredito que existe uma nova página esperando para ser escrita.
Minha história não é apenas sobre doença. É sobre sobrevivência. É sobre uma mulher que descobriu que a fragilidade e a força podem morar no mesmo coração.
Existem dias em que eu me sinto cansada. Existem momentos em que eu questiono por que tantas coisas aconteceram comigo em tão pouco tempo. Eu sou humana. Eu sinto medo. Eu sinto tristeza. Eu sinto o peso dessa caminhada.
Mas também sinto orgulho da mulher que me tornei.
Porque a verdadeira resiliência não é nunca cair. A verdadeira resiliência é olhar para o chão depois da queda e encontrar coragem para levantar mais uma vez.
Minha vida mudou. Meu corpo mudou. Minha forma de enxergar o mundo mudou.
Hoje eu entendo que cada amanhecer é uma oportunidade. Cada pequeno avanço é uma vitória. Cada dia em que consigo fazer algo que antes parecia impossível é uma prova de que ainda existe força dentro de mim.
Eu não sei exatamente quais serão os próximos capítulos dessa história. Ainda existem exames, acompanhamentos e perguntas sem respostas. Mas existe algo que eu sei: eu não sou apenas aquilo que aconteceu comigo.
Eu sou tudo aquilo que fiz depois que aconteceu.
Sou minhas cicatrizes, mas também sou minha cura.
Sou minhas lágrimas, mas também sou minha esperança.
Sou os dias difíceis, mas também sou a mulher que continuou caminhando mesmo quando o caminho parecia pesado demais.
A minha história não terminou em 2024. Na verdade, talvez ali tenha começado uma nova versão de mim.
Uma versão mais consciente, mais forte, mais grata e mais determinada a aproveitar cada oportunidade que a vida ainda colocar diante de mim.
Porque depois de atravessar tantas tempestades, eu aprendi que algumas pessoas não sobrevivem apenas para continuar existindo. Elas sobrevivem para transformar a própria dor em mensagem, aprendizado e inspiração.
E eu sigo escrevendo minha história, um dia de cada vez.
A pergunta que fica para quem lê minha jornada é: quantas vezes a vida tentou me derrubar, e quantas vezes eu ainda escolhi levantar?
O amor só precisa de uma porta, e nós mulheres temos esse poder de abrir, no coração de qualquer homem.
O amor da sua vida pode estar a um passo das suas palavras.
Perder um blog com uma década de história, e ficar totalmente resiliente com isso, é uma forma de renascimento.
Eu encontrei o meu lugar, e estou feliz.
