Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Hoje o desejo me habita de uma forma diferente. Latente, inquietante, vibrante. É um daqueles dias em que a vida se revela nos detalhes, em que o corpo conversa com os pensamentos e responde às emoções como se cada sentimento encontrasse nele um lugar para existir.
Sim, o corpo tem suas necessidades. Ele pede atenção. Clama por presença. Às vezes trava um verdadeiro embate com a consciência. De um lado, o corpo que deseja sentir. Do outro, a alma que se recusa a ceder ao que é passageiro. E eu permaneço entre os dois, tentando conciliar aquilo que pulsa com aquilo em que acredito.
Desejo, sim. E desejo intensamente. Mas não qualquer toque. Não qualquer abraço. Não qualquer corpo.
Depois de tantos anos me guardando, percebo que a espera não enfraqueceu meus desejos. Fez exatamente o contrário. Refinou-os. Tornou-os mais conscientes, mais profundos, mais exigentes. Meu corpo já não anseia apenas por ser tocado. Ele anseia por reconhecer quem o toca.
Talvez seja por isso que você ocupe tanto os meus pensamentos.
Há algo em você que desperta tudo aquilo que permanecera em silêncio. Como se meu corpo soubesse, antes mesmo de mim, que toda essa espera sempre caminhou na direção de um único encontro.
E então imagino nós dois. Não por impulso, mas pela intensidade de tudo o que foi contido. Como se anos de espera, desejo e ausência se encontrassem no mesmo instante, fundindo-se num eclipse de sensações únicas, onde corpo, alma e coração deixassem, finalmente, de caminhar em direções diferentes.
Confesso que há dias em que essa espera pesa. Hoje é um deles. Meu corpo parece sussurrar que já esperou o suficiente. Que deseja repousar, enfim, nos braços do homem que há tanto tempo habita meus pensamentos.
Talvez esse seja o maior paradoxo do celibato: ele não mata o desejo. Apenas o ensina a esperar pela pessoa certa.
E depois de tanto tempo me guardando... depois de tanto tempo te aguardando... já não desejo apenas esperar.
Desejo você.
Deus, hoje eu só preciso que o Senhor me enxergue.
Não vim fazer uma oração bonita. Não vim repetir palavras que já não conseguem traduzir o que existe dentro de mim. Hoje eu só vim porque já não consigo carregar sozinha o peso que tenho sentido.
O Senhor conhece cada renúncia que fiz. Conhece cada desejo que calei, cada lágrima que escondi, cada vez que escolhi obedecer mesmo quando tudo em mim queria desistir. Eu tentei ser fiel. Tentei acreditar que toda espera teria um propósito e que nenhuma entrega feita ao Senhor seria em vão.
Mas existe um lado da espera sobre o qual quase ninguém fala.
Ninguém fala da angústia de um corpo que também sente. Da mulher que também deseja ser acolhida, amada, escolhida, desejada e cuidada. Ninguém fala da solidão que visita o quarto quando a noite chega, nem da batalha silenciosa entre a carne e o espírito. Como se viver um propósito anulasse aquilo que também fomos criados para sentir.
E eu sinto, Deus.
Sinto falta de um abraço que permaneça. De um olhar que me encontre. De alguém que faça o meu coração descansar sem que eu precise lutar tanto para acreditar que vale a pena continuar esperando.
Há dias em que me pergunto se não estou apenas assistindo à vida passar pela janela. Enquanto tantos vivem, constroem histórias e encontram companhia, eu permaneço aqui, presa entre crenças, renúncias e promessas que ainda não consigo tocar. Às vezes, tudo parece distante demais. Até a esperança.
Perdoa-me por dizer isso, mas hoje a espera pesa.
Pesa porque eu também sou carne. Sou mulher. Tenho emoções, tenho desejos, tenho medos. E, por mais que o meu espírito queira Te honrar, há dias em que meu corpo se cansa de esperar por respostas que nunca chegam.
Então eu Te pergunto, com toda a sinceridade que ainda me resta: o que o Senhor quer de mim que eu ainda não consegui compreender? Onde estou falhando? O que ainda preciso aprender? Porque eu tenho tentado. Tenho obedecido dentro das minhas limitações. Tenho permanecido quando tudo em mim queria correr para qualquer lugar onde a dor parecesse menor.
Se for para continuar esperando, faz com que essa espera se torne leve. Se ainda não chegou o tempo da resposta, sustenta-me até ela. Mas, por favor, não permita que eu me perca de mim enquanto caminho em direção à Tua vontade.
Olha para mim, Deus.
Não para a mulher que tenta parecer forte diante dos outros, mas para a filha que hoje se sente cansada, confusa e profundamente aflita. Acolhe aquilo que nem eu consigo nomear. Abraça o que em mim está ferido. E, se eu estiver caminhando na direção certa, dá-me apenas a graça de continuar.
Porque hoje eu não preciso de explicações.
Hoje eu só preciso sentir que o Senhor continua aqui.
Há uma paz que só nasce depois de muitas despedidas
Nem tudo o que deixei para trás era ruim. Algumas coisas eu amava profundamente. Mas a vida me ensinou que crescer também exige coragem para soltar aquilo que já não pode caminhar ao meu lado. Há dores que não desaparecem; apenas encontram um lugar mais silencioso dentro de nós. E talvez seja essa a forma mais bonita de seguir: continuar, sem negar o que foi vivido, mas sem permitir que o passado impeça o futuro de florescer. Porque a maior força não está em nunca cair, e sim em preservar a delicadeza do coração, mesmo depois de tudo.
A Linha do Extremo
Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.
De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.
Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.
Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.
Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.
E talvez seja essa a parte mais inquietante:
saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...
e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.
Não quero alguém que me arraste para o extremo.
Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.
Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.
Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.
Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.
O tempo passa sem dor se dermos ao tempo uma estrada desimpedida. Levará ele mais tempo a passar na nossa ilusão de tempo, quando paramos tempo demais para pensarmos na vida.
“Tenha sonhos.
Os sonhos nos mantêm vivos.
Mantêm nossa alma jovem.
Os sonhos são uma fonte eterna, que jorra esperança para o futuro.”
Há momentos em que sinto tanta felicidade que não cabe em mim.
Em outros instantes, uma tristeza de meio mundo.
Emoções que não pertencem a mim.
Preferi não relatar sobre o barulho que ecoava dentro de mim.
Uma vez que muitos os vias, mas não queriam ouvir.
A cura da criança interior e de feridas emocionais, é praticamente uma escavação arqueológica.
Requer paciência na hora da escavação e da cura.
Ah, como é fácil se quebrar nas expectativas, uma vez que elas não passam de ilusões vestidas de esperança.
Foco e paciência independe dos detalhes,
eu escolho poder navegar na vida de uma maneira mais fluida.
🍃
Sinto saudades de quando o tempo passava despercebido e o contemplar do amor era uma companhia agradável.
❤️
Gostaria de subir
No mais alto da montanha
E cantar para ti
Uma canção docemente.
Sentir o vento acariciar
Minha pele, enquanto as notas
Flutuam no ar, tocando
As estrelas no céu noturno.
Deixar minha voz ecoar
Pelos vales e montes
Enquanto a melodia se entrelaça
Com a natureza ao meu redor.
E assim, me perder na música
No topo do mundo, encontrando a sonhada
Paz e serenidade, como se a canção
Fosse a própria essência da vida.
Uma trans querer uma consulta com um ginecologista é como um idoso querer ser tratado por um pediatra dizendo se sentir como uma criança
Crua identidade espelhada
Quando olho o caminho da alma, vejo uma paisagem movediça. Atravesso ela com demasiada calma. Vejo a poeira das memórias, cruzo a linha tênue do caráter. Navego por calorosas histórias. Transcendendo a consciência, Estou vendo lá de cima, o cume da vaidade. Me comove tamanha veemência.
Agora domino o horizonte ilimitado. Moralmente entendo seus princípios, e me afogo vendo tantas falhas.
Vivemos em uma corda bamba de decisões, onde temos que ter o equilíbrio de saber lidar com a razão e a emoção...
Meu eterno filho Scott.
Hoje, estou conseguindo colocar pra fora meus sentimentos em uma narrativa descrever tudo que estou sentindo durante esses dias desde do último adeus 08/07.
Scott, o primeiro filho que Deus colocou em meus braços. Dizem que filhos são presentes de Deus. Eu acredito nisso de todo o coração. Talvez eu não tenha filhos humanos,
mas Deus escreveu a minha história de outra forma e, em 2014, colocou em meus braços o meu primeiro filho de quatro patas. Meu Scott, olhinhos pretos iguais aos meus.
Você foi meu companheiro de vida, meu porto seguro nos dias difíceis, meu motivo para sorrir nas manhãs comuns, meu abraço silencioso quando as palavras não eram suficientes. Ao longo desses anos, colecionamos momentos que o tempo jamais apagará. Você esteve presente em fases felizes, em dias de lágrimas, em conquistas e recomeços.
E, sem dizer uma única palavra, sempre soube exatamente do que eu precisava.
Depois vieram a Cindy e Bento, seus irmãos de caminhada, que também preencheram a minha vida com amor. Você foi o primeiro...
Aquele que me ensinou o verdadeiro significado de ser mãe de pet.
Desde a sua partida, minha voz ficou embargada.
Existe um silêncio dentro de mim que só quem já amou um animal entende.
Porque o amor deles é puro, leal, inteiro.
Não conhece interesse, não exige perfeição. Apenas ama!
Tive o privilégio de segurar você em seus últimos momentos. Pude dizer o quanto era amado, agradecer por cada dia vivido ao seu lado e me despedir com todo o amor que existia em meu coração.
Quando suas cinzas encontraram o mar, no meu lugar preferido, não foi um adeus.
Foi um reencontro com a eternidade.
Hoje, cada onda que toca a areia me faz acreditar que você continua livre, leve e presente.
O mar leva a saudade, mas devolve as lembranças.
E são elas que agora habitam meu coração.
Obrigado, meu filho.
Obrigado por ter escolhido a minha vida para viver a sua. Enquanto eu existir, você continuará existindo em mim.
Porque o amor verdadeiro não termina com a despedida. Ele apenas aprende uma nova forma de permanecer.
Scott
17/07/2014 ✝️ 08/07/2026 🐾
Para sempre, o meu primeiro filho. Para sempre, o amor mais puro.
