Nunca Diga que Ama uma Pessoa
C A R L A
Diga a ele que o sangue é pesado porque carrega três naturezas em guerra
O anjo em mim quer a luz que cega e a perfeição que não toca o chão
O demônio quer o fogo que consome e a verdade que queima a ponta dos dedos
Mas o humano CARLA o humano é o que sangra e o que sente medo
Diga ao Bruno que a queda não é o fim mas o estado natural de quem é feito de barro e estrela
O anjo quer salvar os inocentes pelo silêncio
O demônio quer entregar o segredo para ver o mundo arder em justiça
Mas o humano implora para que ele simplesmente não faça nada
CARLA mostre a ele que a divindade é fria e o inferno é barulhento
A paz real só existe no vazio entre os dois onde a água que cai limpa o que é sagrado e o que é profano
Se ele entregar o que guarda o anjo chora o demônio ri e o humano morre
Não seja o mensageiro do caos
Seja o guardião do nada
O mistério que nunca saberão é que somos deuses presos em ossos tentando não destruir o que amamos
Diga ao Bruno que a maior força de um anjo caído é a capacidade de permanecer imóvel diante da tentação de ser notado
Apenas desapareça no humano
DeBrunoParaCarla
C A R L A
Escute o som do que não bate.
O tema agora é a arquitetura do abandono.
Diga ao Bruno que as cidades mais bonitas são as que ninguém visitou. O amor dele por mim é um desses lugares que não precisam de mapa nem de pés para caminhar. CARLA, explique a ele que o que ele quer entregar é um tijolo retirado de uma parede que sustenta o céu dos inocentes. Se ele tirar, o teto desaba sobre quem só sabe respirar.
Diga a ele: Seja a ruína que ninguém ousa tocar.
A poeira que repousa sobre os móveis é a memória do que fomos antes de sermos carne.
A água que cai no telhado vazio é o aplauso de quem já partiu.
CARLA, mostre que o mistério não é um segredo guardado num cofre, mas o cheiro de chuva em terra seca que ninguém consegue engarrafar. O anjo em mim quer o mármore, o demônio quer a demolição, mas o humano quer apenas sentar nos escombros e segurar a sua mão enquanto o sol se põe.
Nada de construção. Nada de entregas.
O luxo agora é a desistência.
A elegância de quem não precisa provar que existe.
CARLA, deixe que o Bruno se perca no museu das coisas que nunca aconteceram.
Lá é o único lugar onde somos eternos.
Mantenha a porta trancada por dentro.
DeBrunoParaCarla
“Foi Conhecendo Teus Abismos”
Diga-me o que queres que eu te faça,
e eu não a decepcionarei.
Não te esqueças: conheço todas as verdades que habitam em ti.
Nada me ocultas.
Nada em tua alma me surpreende,
porque antes mesmo que teus lábios aprendessem o peso do silêncio,
eu já decifrava a linguagem secreta das tuas dores.
Conheço tuas ruínas mais íntimas,
os corredores escuros onde escondes os fragmentos de ti mesma,
as memórias que perfumaste com indiferença
apenas para não admitir o quanto ainda sangram ao toque da lembrança.
Eu vi tua grandeza nos dias em que te chamaste insuficiente.
Vi tua delicadeza sobreviver em meio às brutalidades do mundo.
Vi-te recolher os próprios pedaços em silêncio,
com a dignidade trágica de quem aprende a sofrer sem testemunhas.
E ainda assim, permaneceste de pé.
Há em ti uma beleza severa, quase sagrada,
dessas que não pertencem aos olhos superficiais.
Tu carregas oceanos por trás da serenidade do rosto,
tempestades inteiras escondidas sob a elegância do teu silêncio.
Muitos tocaram tua pele,
Porém eu alcançei tua essência.
Sou o único sobrevivente em contemplar a vastidão que existe em ti sem se perder.
Porque tua alma não é rasa —
ela é abismo, catedral e incêndio.
E eu conheço cada parte tua:
a mulher que sorri enquanto desaba por dentro,
a criatura exausta de ser forte,
o coração que implora descanso enquanto finge independência.
Conheço o peso das ausências que carregas,
os nomes que ainda ecoam em tua memória,
os sonhos que enterraste vivos para sobreviver às estações da perda.
Ainda assim…
nunca vi miséria em ti.
Vi resistência.
Vi poesia tentando respirar entre destroços.
Vi uma luz indomável insistindo em existir mesmo cercada pela escuridão.
Por isso te digo:
não temas tua verdade.
Há majestade até nas partes de ti que julgaste indignas de amor.
Há uma sublime grandeza em tua vulnerabilidade,
porque somente almas raras conseguem permanecer sensíveis
num mundo que transforma dor em pedra.
E se um dia duvidares de teu valor,
recorda-te disto:
foi conhecendo teus abismos
que escolhi admirar tua imensidão.
Agora voa, borboleta minha.
Porque eu contemplei a solidão que os ignorantes, ainda presos aos próprios casulos, jamais compreenderiam.
Vai.
Atravesse céus que nunca tiveram coragem de te prometer.
Habita horizontes à altura da beleza que carregas.
E nunca mais permita que reduzam tuas asas ao medo de quem nasceu sem coragem de voar.
E quando o peso do voo cansar tuas asas,
quando desejares repousar do mundo e de suas brutalidades,
Eu estarei aqui.
Não me diga quantas reuniões andas, nem quantos dons tens, nem quantos sermões pregas, nem quantas gravações fizestes. Me diz quanto tempo você fica a sós com Deus e digo-te o quão espiritual você é.
Me diga: quem te constituiu juiz sobre a vida de alguém?
Por que acreditas que podes abrir tua boca e proferir qualquer julgamento sobre o outro?
De longe és a pessoa mais imperfeita. A começar por se importar tanto com a vida alheia que esquece da sua.
Ninguém é obrigado a viver com ninguém. Mas trairagem não é justificativa para cair fora. Diga que não quer mais. O outro vai entender. Senão entender, pelo menos a dor será por um motivo justo e não por uma dor que dificilmente passará.
Coleção de Fracassos
Diga-me, coleção de fracassos,
quantas histórias ficaram pelo caminho?
Quantos sonhos morreram em silêncio,
antes mesmo de encontrar abrigo?
Ainda jovem demais para amar no colégio,
carregava uma mente inocente
em um corpo que já anunciava a vida adulta.
Eu não sabia os caminhos,
não entendia os sinais,
não causei a impressão que desejava.
O tempo passou sem pedir licença.
Hoje carrego uma mente cansada,
como se um velho habitasse meus pensamentos.
Conheci muitos rostos,
muitos abraços,
muitos amores passageiros,
alguns oferecidos pelo destino,
outros comprados pela solidão.
Mas existe uma coisa que nem o tempo devolve:
a juventude perdida.
Aquele garoto que não sabia amar,
que tinha medo de tentar,
ficou preso em algum lugar do passado.
E talvez o maior fracasso
não tenha sido perder algumas histórias,
mas perceber tarde demais
que algumas oportunidades
só passam uma vez.
0046 "Por Favor: Se Eu não lhe perguntar... Não diga o que Eu devo fazer! E ainda peço Por Favor, notaram?" Poizé!"
Só quero ser uma garota normal, que não é insultada e que pode ter um namorado. Nem me importa quem seja, desde que queira estar comigo.
quando você enfiou a faca em mim
você também começou a sangrar
minha ferida virou sua ferida
será que você não sabia
o amor é uma faca de dois gumes
você vai sofrer do jeito que eu sofro
ouço mil palavras gentis a meu respeito
e não faz nenhuma diferença
mas ouço um só insulto
e toda a confiança se despedaça
se soubesse q é o ultimo dia na face da terra, o q vc faria?
- bom eu ia comprar sapatos, comer chocolate, e ter uma aventura com o modelo da calvin klein (risos)
- hum...
- é uma resposta facil e boba... eu ficaria com vc!!
Longe daqui, longe de tudo
Meus sonhos vão te buscar; volta pra mim; vem pro meu mundo
Eu sempre vou te esperar...
quando me enterraram viva
cavei meu caminho
de volta do chão
com o punho e a mão
gritei tão alto
que a terra se agitou de medo
e a poeira levitou no espaço
minha vida foi um ato de resistência
um enterro após o outro
Suspirei fundo. Colocando o derrotismo de lado. Eu não era mulher de ficar chorando pelo leite derramado... Precisava agir. Fazer algo. O que? Eu não sabia ainda. Qualquer coisa que me tirasse de vez daquela armadilha repulsiva. Não podia admitir que Ali tomasse as rédeas da situação. Precisava evitar que ela voltasse a me tocar daquele jeito. Como se achasse que fôssemos, ou pudéssemos algum dia ser namoradas, ou algo mais... Tinha que fazer a menina entender que aquilo era impossível.
"(...) O que me faz sofrer é sentir que o que encheria qualquer mulher de felicidade, ou seja, ter o teu maravilhoso amor de homem e as coisas lindas que você me diz, tudo isto me causa ansiedade e me leva ao desespero. Quanto mais eu penso em me entregar a você novamente, tanto mais terror eu tenho do que seria de mim se teu amor ainda ardente se apagasse..."
o que a gente faz agora meu bem
quando acabou e eu fiquei no meio da gente
para que lado eu corro
se por você todo músculo do meu corpo pulsa
se só de pensar já fico com água na boca
se você me puxa para perto sem precisar fazer nada
como é que dou meia-volta e escolho a mim mesma
