Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Cada dia que se inicia é uma nova chance de começar de novo. Aproveite as oportunidades que a vida lhe dá. Não economize sorrisos nesse dia e faça alguém sorrir também, encontre a paz, veja o amor, perceba a beleza interior. Saiba quando fechar os olhos e enxergar o mundo com os olhos da alma. Veja as maravilhas desse dia que se inicia. Nada está igual. O céu nunca mais será o mesmo do jeito que é nesse momento, não perca a oportunidade de contemplá-lo. Diga “Eu te amo”. Tenha fé. Conserve bons sentimentos e jogue fora tudo que for ruim e pesado. Seja feliz.
Já vivi muito… muito de muito e muito de nada…
Uma vida farta de nada e vazia de tudo… uma vida repleta de tanto na verdadeira imensidão do intenso, do abundante…
Já vivi sem ter sentido e já senti cuidando não ter vivido…
Já me apaixonei muitas vezes… Já me apaixonei por gestos, por sorrisos, por lágrimas… Já me apaixonei pelo verdadeiro, pelo inato, por âmagos não moldados…
Tudo o que é artificial, ajustado, abomino. Tudo quanto é genuíno e expressado com despretensão, apaixona-me…
Já fui tanto e tão pouco… Já fui de tudo um pouco… Já senti e vivi todos as sensações que um ser humano pode experimentar: já ri às gargalhadas até chorar de tanto rir; já chorei de pena; já chorei de morte; já chorei de alegria ao trazer um filho ao mundo…
Já sorri em vez de chorar, enganando o choro e enganando-me a mim… Já sorri pela felicidade do retorno dum sorriso…
Já sofri, sofrer de dor profunda, de dor intrínseca e enraizada… Já sofri sem saber porquê…
Já amei e amo… amor de amor, de dar sem pedir nem esperar… amor de filha, amor de irmã, amor de mãe, amor de mulher…
Já pedi, já implorei, já me humilhei… e de joelhos já supliquei…
Já corri até ficar sem fôlego e já corri em passos lentos sem sair do lugar ao sabor da vida e dos demais…
Esperar? Já esperei, desesperei… Hoje já não espero… a vida é uma espera constante e de tão constante ser, passou à certeza do certo… e o que é certo não é esperado…
Já quis ser e não fui e já fui o que não quis ser nem ambicionei… Já quis e não quis sem saber qual o querer…
Já dei pelo prazer de dar e já recebi sem esperar receber…
Já acreditei sem questionar e já questionei sem querer saber o porquê…
Já julguei sonhar acordada, mas os sonhos não existem… os proclamados de sonhos são meramente as vontades, os anseios não realizados… porque é tão mais fácil falar de uma utopia do que querer, lutar por concretizar o desejo… o sonho é o unívoco do querer e só deixará de ser sonho se houver vontade de querer e fazer…
Já olhei com olhos de ver, já julguei ver o que os olhos não viram e já olhei para o escuro e vi o que os olhos pensaram não ver…
Já fui abençoada com pessoas boas de índole pura, amantes da vida, do amor e do próximo…
Já cruzei com entes estranhos, ficcionando vidas que não são as suas ou não as podem ter, conjecturando realidades díspares das suas naturezas… perdidos sem quererem ser achados…
Já cruzei com a mentira, com a falsidade, aquela a que engana, atraiçoa, que não tem começo nem fim, que dilacera, aguilhoa com desdém, até com contornos de perversidade…
Já cruzei com a sinceridade e com aqueles que se dizem “demasiado sinceros” também… com a sinceridade que inunda a alma e me faz crer na vida e nas pessoas… àqueles que se dizem “demasiado sinceros” apelido-os de embustes do ser humano… não existe demasiado sincero, ou se é sincero ou não se é. A sinceridade só tem um peso e uma medida…
E hoje, que tenho hoje? Uma vida que me sorri e me envolve com os seus ensinamentos de todo um percurso caminhado perscrutando, observando e apreendendo todos os possíveis meandros, cantos e recantos do ser humano, em prol da felicidade… a minha felicidade e a dos meus…
Que retive da vida que passou por mim e da vida que agarrei de rédeas nas minhas mãos?
Aprendi que o amor se constrói, se edifica com o saber, com a coragem, a força, a luta diária, o acreditar, o dar e voltar a dar e se mais for necessário, novamente dar…
Que a felicidade nos pertence, que nasceu no dia em que nascemos, que é uma dádiva adquirida à nascença, que vive dentro de nós desde sempre… que emergirá e nos fará sorrir e dizer que experimentámos a felicidade, se e só se tivermos a capacidade de lutar e o querer de querer ser feliz…
Um dia perguntei a um velho sábio o que era o amor
e ele então me mostrou uma flor
e falou:esta vendo esta flor?
ela desabrocha aonde há solo fértil
ela cresce aonde há luz do sol
e ela vive se vc cuidar todos os dias dela
o amor nada mais é que uma flor no coração se vc planta-lo em seu coração fertil se ele tiver carinho esse amor irá desabrochar mas se não hover nada disso então ela nunca nascera
Pare de grunhir, não é em absoluto uma maneira apropriada de se expressar.
"O mundo é um grande reflexo, que devolve a você o que você emite, com uma diferença: potencializado!
Reflita, porém, antes de enviar suas mensagens para Ele!"
Ontem
Revirando uma gaveta de repente
Dei de cara com a saudade em minha frente
Era uma fotografia, de perfil você me olhava
Pois é
Parecia já que adivinhava
Que não mais daria certo o nosso amor
Parecia que já presentia a dor
Pois no verso uma dedicatória, tráz
Que eu lhe tenha na memória
Sempre mais
A foto amarelou
E aquele amor que o tempo engavetou
Ao lado de um sachê
Me trouxe até você
Um filme que passou
Espero que você seja feliz, como eu sou
Um filme que passou
Feliz, mas sem você
Só hoje é que eu pude entender
Que ontem
Parece que foi ontém...
Sem lhe conhecer
Senti uma vontade louca de querer você
Nem sempre se entende as loucuras de uma paixão
Tem jeito não
Olha pra mim
Faz tempo que meu coração não bate assim
Não faz assim, me diz seu nome
Não me negue a vontade de sonhar
De sonhar os meus sonhos com você
Despertando pro seu adormecer
Seria bom demais
Que bem me faz, você.
O medo é apenas uma escolha
Existe um filme chamado "Depois da Terra" Com Will Smith e seu filho Jadem Smith.
É um ótimo filme.
Gostaria de falar-lhes um pouco sobre algo que acontece no filme.
Dentro do contexto do filme existe um monstro que é chamado entre eles de
"ursa". Este monstro consegue sentir o cheiro de medo de suas vítimas e usa isso como isca. Para então conseguir novas vítimas sempre que ele mata um ser humano ele pendura o ser humano em uma árvore.
Isto serve para que o ser humano ao passar pelo local e veja o corpo exposto sinta medo e assim seja fácil para o monstro farejá-lo...
Sempre que eu vejo alguma história sendo rondada pelas mídias sociais, uma pessoa sendo julgada publicamente me vem essa cena do filme e eu me lembro de uma fato que aconteceu a cerca de dois mil anos atrás.
Uma mulher foi levada em praça pública para ser apedrejada pois teria sido pega cometendo adultério e um homem simplesmente disse "atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado" e todos soltaram as pedras, mas ainda sim indignados pois era o costume , a tradição...
Seria como se ele viesse aqui no Brasil e dissesse " vocês não podem comer pão na chapa com pingado, ou comer goiabada com queijo, feijão com arroz etc etc etc..." Nos diríamos a ele "é o costume" é a tradição!"
Foi revolucionário demais tal atitude e ainda hoje o é.
Pois bem naquele época era muito comum ver assim como no filme os corpos das mulheres apedrejas expostos em praça pública...
E assim ainda o é em determinados países, não vou expor nenhuma foto aqui mas bastar pesquisar o tema "mulher apedrejada" e vocês terão um vasto conteúdo...
Se juntarmos as peças sempre que uma pessoa é "apedrejada" existe algo por trás disso só que já estamos tao acostumados que não percebemos...
afinal é o costume...
O que esta por detrás disso é a seguinte mensagem como no filme e como na época desse Mestre que aqui passou, " Tomem cuidado vocês serão os próximos".
E como não queremos ser os próximos nós pegamos a pedra... e atiramos na mulher adúltera...pois é o costume...
é a tradição...
O que não se percebe é que ou estamos na frequência do amor ou estamos na frequência do medo...
Não se pode estar nas duas frequências ao mesmo tempo.
E você pode escolher em qual frequência quer vibrar.
O filme passa a seguinte mensagem e eu os convido a refletir sobre ela:
"O medo não é real. É um produto de ideias que você cria. Entenda bem...perigo é real, mas o medo é uma escolha"
Então quando vocês virem os "corpos expostos" nas árvores tal como no filme, quando vocês verem uma pessoa sendo difamada, sendo "apedrejada" publicamente assim como no caso da semana da mulher adúltera, lembrem-se , existe uma "ursa" rodando como no filme... a ursa quer farejar seu medo e quer que você entre na frequência dela, mas o medo não é real...
é apenas uma escolha...
17/12/2015
Leio histórias e parábolas budistas.
TALVEZ.
Uma fala de um fazendeiro que acorda e descobre que seu cavalo fugiu.
Os vizinhos vêm e dizem:
-Que pena. Que azar terrível!
O fazendeiro responde:
-Talvez.
No dia seguinte, o cavalo retorna com mais alguns cavalos. Os vizinhos dão os parabéns ao fazendeiro pela mudança na sorte.
-Talvez - diz o fazendeiro.
Quando seu filho tenta montar um dos cavalos novos, quebra a perna, e os vizinhos se condoem.
-Talvez - diz o fazendeiro.
E no dia seguinte, quando autoridades vêm alistar o filho - e não o levam por causa da perna quebrada - Todo mundo fica feliz.
-Talvez - diz o vizinho.
Já ouvi histórias assim antes. São lindas em sua simplicidade e entrega ao Universo. Imagino se eu poderia me apegar a algo de tamanho desapego. Não sei. Talvez.
Preciso de uma pausa. Breve como são algumas das pausas da vida. Mas que me baste para ver que além daqui, do que eu vejo, existe o que me completa. Não sirvo para rotina. Quero mãos abertas e palavras futuras. Coisas passadas não me sustentam.
Gostaria de voltar a ser criança – uma garotinha de seis anos que caiu da bicicleta. Gostaria de fazer cara de choro e correr aos berros para a cozinha, onde minha mãe me ergueria do chão, me daria um forte abraço e beijaria meu joelho esfolado. Eu pararia de chorar e tomaria leite com chocolate para a dor passar. Porque se tem uma coisa que é verdade, é que joelhos ralados saram mais rápido que corações partidos. Essa é uma das coisas que as pessoas não nos ensinam quando falam de crescer: como lidar com as dores que não passam com um beijo.
Parece bobagem, coisa atoa, puro drama, mas não é. Tem dias que bate uma deprê mesmo, uma vontade de ficar só, de ouvir uma música qualquer e chorar até a última lágrima. De achar que o mundo está acabando, que tudo está desabando, e dá até uma vontade de morrer. Parece loucura, e talvez seja. Sempre temos lá nossos dias loucos, não é mesmo? Mas tudo que a gente precisa mesmo é de alguém ao nosso lado dizendo que vai ficar tudo bem, mesmo sabendo que não fique. De alguém que vá chorar junto, ou seque as minhas lágrimas. De alguém que diga que vai passar, mesmo que seja impossível de passar. Alguém pra me fazer ser forte, me dizer que sou forte, me deixar forte. É disso que a gente precisa. Apenas um alguém que não vá, e sim que fique. Viver só, chorar só, ficar só é tão solitário. E uma coisa que eu aprendi com a vida é que nascemos e morremos só, mas viver só ninguém vive. Ninguém é feliz. Mas isso é só um dos meus dias ruins, vai passar. Tem que passar. Sempre passa. E quando passar, eu quero ter a certeza de que alguém esteve ao meu lado dizendo; “Viu só? Superamos juntos.” Porque é disso que a gente precisa. De apenas um alguém.
• ೋ • ✿ • E mais uma dia que se vai , as vezes o cotidiano nos surpreende , e nem sempre encerramos o dia com o sorriso nos lábios ... mas chegando a noite , onde a serenidade toca o coração , é hora de agradecer , e se fortalecer a fé e a esperança ... Deus sempre prepara maravilhas e bençãos para gente , e a cada novo amanhecer , ele nos dá a oportunidade de fazer melhor , de superar , de vencer ... é sempre uma nova possibilidade de ser feliz ! Noite linda de tranquilidade e descanso anjos ! Um carinho bem gostoso na alma ! • ೋ • ✿ •
Eu sabia que terminaríamos, eu sabia que era uma viagem sem destino, sabia desde o início e não sabia, não sabia que doeria tanto, que era tanto, que era muito mais do que se pode saber, ninguém pode saber um amor, entender um amor, tanto que terminou sem muito discurso, foi uma noite em que você quase pediu, me deixe. Ora, pra que me enganar: você realmente pediu, sem pronunciar palavra, você vinha pedindo, me deixe, olhe o jeito que te trato, repare em como não te quero mais, me deixe, e eu, de repente, naquela noite que poderia ter sido amena, me vi desistindo de um jantar e de nós dois em menos de dez minutos, a decisão mais rápida da minha vida, e a mais longa, começou a ser amadurecida desde o dia em que falei com você pela primeira vez, desde uma tarde em que ainda nem tínhamos iniciado nada e eu já amadurecia o fim, e assim foi durante os dois anos em que estivemos tão juntos e tão separados, eu em constante estado de paixão e luto, me preparando para o amor e a dor ao mesmo tempo, achando que isso era maturidade. Que idiota eu sou, o que é que amadureci?
Nada, nem a mim mesma, jamais deixei de ter 10 anos, nem quando tive 30, nem quando fiz 40. Nunca tive idade, ela de nada me serviu, ser lúcida sempre foi apenas uma maneira de parecer elegante, uma estratégia para a convivência. Você lembra como eu chorei aquela noite, lembra do fim, você não pode ter esquecido aquela cena, entramos em casa sem acender as luzes, você olhando para fora da janela enquanto eu derramava toda a minha frustração e meu desespero, como se a culpa fosse minha e não sua, ou fosse sua e não minha, como se existisse culpa para o término de um relacionamento que simplesmente não tinha mais combustível, nem mais estrada. Faz quanto tempo desde aquela cena? Eu consigo enxergá-la por vários ângulos, vejo você de costas pra mim, parecia um soldado, tão ereto, em vigília de si mesmo, querendo saltar do terceiro andar, sair sem precisar passar pela porta, sem passar pelo adeus, e eu, curvada, amparada em algum móvel, demolida, e então, na cena seguinte, nós de frente um para o outro, mas com as cabeças abaixadas, você não queria ver meu rosto, e eu estava espantada com o seu, tão sereno, aliviado, quanto tempo faz, 15 minutos, vinte minutos desde que você saiu aqui de casa? Eu ainda estava quieta agora há pouco, eu ainda estava sem pensar e sem sentir, de repente me deu uma calma, nenhuma desgraça aconteceu, você desceu pelas escadas, eu fechei a porta do apartamento e não chorei mais, eu vi pela janela o seu carro saindo da garagem e não chorei, eu fui para o banheiro escovar os dentes, acho que escovei os dentes, não lembro, e botei uma camisola e fui pra cama e não chorei, não pensei, não senti, não chorei, entendi, não entendi, não pensei, não sei, acho que dormi.
Você não ligaria no dia seguinte, era domingo, fui até a cozinha lavar a louça, mas não havia louça para lavar, o combinado era jantarmos fora na noite anterior, não jantamos, ninguém se alimentou, quanto tempo faz desde aquela noite, parece um século, foi ontem. Decidi seguir a rotina: o que eu fazia aos domingos de manhã? Eu caminhava, eu ia ao parque, então caminharei, mas falta você, coloquei o tênis, saí a pé de casa, falta você e não falta, o estrondo está diminuindo, o barulho cessou, será que eu já percebo o acidente? Dou uma volta no parque, duas voltas, três voltas, você não virá aqui me ver? Volto. Telefono pra minha mãe, não telefono pra você, conto pra ela que acabamos, meu relato é muito coerente, ela lamenta mais ou menos, já ouviu eu contar essa história antes, somos reincidentes em finais, mas agora é pra valer, quem me acredita? Eu não me acredito, mas agora não te quero mesmo, e eu já ouvi isso antes, de você, de mim, agora não tem mais volta – dei tantas voltas no parque, é tão ridículo caminhar pra lugar nenhum, para quem vou ficar magra e saudável? E voltei a dizer: não, mãe, acabou de verdade, e pela primeira vez reparei em minha voz tremida, pela primeira vez naquele domingo eu fraquejei, as palavras saíram entrecortadas, eu catava as sílabas que me fugiam, e ela do outro lado da linha fingia que não doía nela também.
Liguei o computador, escrevi, que é como organizo meu pensamento, escrevi e parecia que eu estava ditando a mim mesma um texto requentado, agora acabou, agora é comigo, sei que vou conseguir, tenho meus motivos, e me dei várias explicações, tentei me convencer, eu estava tão racional, tão genial, eu quase consegui, e não almocei, zanzei pela casa, tomei um banho, troquei de roupa, tirei suas fotos dos porta-retratos e desabei pela segunda vez, a primeira sem que você testemunhasse.
Guardei na gaveta aquela fotografia em que você estava de boné, parecia um garoto, me agarrando pela cintura. Guardei todas. Aquela outra, nós dois, eu de novo enlaçada por você. E uma de você sozinho, um flagrante, você não percebeu, bati a foto enquanto você lia o jornal, tão lindo, você era tão lindo, você ainda é o mesmo homem depois de ontem, o mesmo homem sem mim? Eu me olho no espelho e não me enxergo, não sou mais a mesma, perdi a identidade. Tirar suas fotos de vista me pareceu uma providência curativa, agora você não o verá mais, querida, vai esquecê-lo mais rápido, como somos inocentes. E eu lá quero esquecê-lo? Sua presença ainda está tão quente dentro desse apartamento, o colchão ainda está meio afundado do lado em que você dormia.
Não sei se as pessoas choram de forma diferente umas das outras, eu choro contraída, como se alguém estivesse perfurando minha alma com uma lâmina enferrujada, choro como quem implora, pare, não posso mais suportar, mas o insuportável é uma medida que nunca tem limite, eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro de quem pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que renascer e não queria, não quero, sinto que caí num vácuo, perdi a parte boa da minha história, e não quero outra, enquanto choro penso que se alguém me visse chorar dessa maneira me salvaria, prestaria socorro, chamaria uma ambulância, eu nunca vi você chorar, você alguma vez chorou por mim, você sofre a minha ausência, sente minha falta? Estar sozinha nessa aflição me condói de mim mesma, é o labirinto do inferno, não há saída, não há saída, você não está me esperando lá fora, nem hoje, nem amanhã, você não vai fazer nenhum gesto para me resgatar, e se fizesse, eu não estenderia minha mão, e é isso que me faz descrer de tudo, eu sei que acabou, eu estava infeliz ao seu lado, eu estou infeliz sem você, mentira, eu era feliz ao seu lado, e nem sei se a palavra é essa, feliz. Felicidade é um resumo fácil, uma preguiça de investigar o muito mais que nos ergue diariamente, na época era o que me bastava, eu sabia onde estava e com quem, eu não estou infeliz, eu só estou perdida e não consigo mandar nenhum S.O.S., ninguém sabe onde estou, largaram meu corpo em cima dessa cama e ninguém me procura.
Choro, choro muito, choro agora feito uma guitarra dedilhada por um bêbado, sinto uma piedade inconsolável de mim, de tanto que recordo o quanto te quis e o quanto te admirei por amares a mim, era paixão inveterada, paixão de doer, paixão de não dar certo mesmo, paixão de perder o tino, e perdi por completo, hoje tento compreender duas ou três frases e nem isso me cabe, ficou tudo sem lógica, eu que prezo tanto a lógica, não entendo mais nada, mergulhei no escuro da minha perplexidade, você era meu até bem pouco tempo, mas vou sair dessa, veja, já estou enxugando as lágrimas, procurando meu celular para fazer uma ligação qualquer, esses compromissos que a gente inventa para fingir que a vida continua. Marquei hora no cabeleireiro sem ter motivo algum pra ficar bonita.
Não consigo mais ser uma pessoa comum, dessas que conseguem ver uma novela sem se afligir e que dirigem prestando atenção apenas nos sinais de trânsito, agora eu só assisto à tevê com o controle remoto na mão para que eu possa trocar de canal a qualquer indício de que virá cena de beijo, não consigo ver um homem e uma mulher se amando, é como se fosse uma agressão pessoal, vamos massacrar essa coitada, vamos fazê-la lembrar, mas não, eu não fico lembrando de nós dois, é muito mais torturante que isso, eu fico imaginando você com outra mulher, você beijando outra mulher, e isso me dá uma náusea que quase me faz desmaiar, fico em posição fetal, eu penso que vou ficar louca, como se já não estivesse, eu não posso ver uma foto de mulher bonita que já imagino o quanto você vai se interessar por ela, e vai desejá-la, eu passei a ter ódio de todas as mulheres que cruzam seu caminho, meu caminho. E no trânsito, eu só tenho olhos para as placas dos carros que são da mesma cor e marca que o seu, e quando um se aproxima eu rogo a Deus para que não seja você, e ao mesmo tempo quero que seja, e às vezes consigo não olhar, me sinto tão valente, consigo por minutos olhar só em frente, não reparo em nenhum veículo a minha volta, é como se estivesse sozinha na avenida, e é nessas horas que corro o risco de bater, eu acelero sem perceber e depois freio muito em cima dos outros carros, eu saio da minha pista sem sinalizar, eu esqueço pra onde estou indo, eu vejo você caminhando pelas calçadas e não é você, de repente todos os homens do mundo ficaram idênticos a você, e eu ainda não me envolvi num acidente por um triz, ou talvez já esteja mais do que acidentada para ainda ter que enfrentar essa dor na carne, de verdade, sem ser apenas uma metáfora. Evito olhar os casais de namorados nas paradas de ônibus, e tem um painel publicitário em que um homem olha para uma loira com um desejo tão escancarado que me retorço e choro só de imaginar você olhando assim para outra mulher, e eu sei que você está, ninguém precisa me contar, eu sei como é que você se cura, se trata, você não chora nem lamenta, você volta pra rua, você vai atrás de todas as mulheres nuas feito um vira-lata, você está olhando nesse instante para outra mulher, está entrando nela, dizendo a ela como ela é gostosa, você está me matando dentro de você, e eu morro a quilômetros de distância, a sós comigo mesma, você transa com outra e me mata, você goza e me mata mais um pouco, você dorme e me deixa insone pra sempre, eu sei que não vai ser pra sempre, mas eu não enxergo o dia de amanhã, hoje eu só estou acordada pro eterno desse pesadelo, você era meu, droga, exclusivamente meu até dias atrás, meu como esse sofrimento.
Jardim da Felicidade
Encontrei a felicidade nos olhos de uma criança que passeava em um jardim. Onde é sempre primavera
Onde o outono não reina
Onde tudo é lindo como nos contos de fada
Onde mora a bela adormecida
Onde o burro fala
Mas quando chega a noite tudo se acaba...
Logo quando amanhece sinto tudo outra vez!
Quando estou perto de você criança dos olhos a terra para de girar, o tempo para no ar e começo a sonhar...
Sonhei que um dia estava sentado no jardim dos seus olhos querendo encontrar a melhor maneira de te amar. Coração puro, mente ingênua, felicidade em pessoa.
Ha! Que saudade da criança dos meus olhos. Que um dia tive ao meu lado e hoje partirá para a terra do nunca.
Mas sabe, tem uma hora que você enjoa desse jogo e desiste. E não se surpreenda se gostar de ser sozinha.
A vida é uma aventura com o início decidido por outros, um fim desejado por nós e tantos entreatos escolhidos aleatóriamente pelo acaso
