Nove Noites de Bernardo Carvalho
Eu amava e sofri, por não mais tê-la em meus braços, chorei. Muitas noites em lágrimas eu dormi, de muitos prantos enfim, acordei.
É nas noites escuras que se revela o sentido, aos homens que sofrem, um vislumbre atrevido. Em meio ao caos, encontram uma clareza intensa, um despertar que transcende, uma visão imensa. Em suas dores, descobrem a essência da existência, a fragilidade humana e sua plena resistência. Caminham entre as ruínas de sonhos desfeitos, e encontram, na ruína, a sabedoria de feitos, pois os homens que sofrem têm olhos mais atentos, percebem nuances ocultas, sutilezas em tormentos. Em seu desamparo, aprendem a contemplação, e se conectam ao universo, em profunda reflexão.
É na dor que se desvela a força interior, homens quebrados, mas com um brilho superior, seus corações dilacerados são oráculos, que recebem revelações que os outros não compreendem, uma luz que se acende nos abismos que ascende.
Vossas almas atormentadas, revelam-se como faróis na noite escura, pois somente aqueles que conhecem a aflição podem vislumbrar a essência da existência pura. Enquanto os outros se perdem em trivialidades, vocês desvendam os segredos do universo. Em cada lágrima derramada, uma epifania, uma compreensão que transcende o perverso.
Vossas dores são tesouros ocultos a desvelar, abraçai vossas feridas como guias preciosas, pois nelas reside a sabedoria a nos ensinar.
A dor, qual mestra cruel e implacável, desperta a mente adormecida pelo prazer, e revela, com amargura, a realidade crua, que muitas vezes preferimos não ver.
Não é a dor que traz lucidez, por si só, mas o caminhar árduo pela estrada espinhosa. É na luta contra o sofrimento infindável que o ser humano se revela em sua grandiosa prosa, foi assim que o ser humano a alcançou, a duras penas.
No âmago das trevas, onde a lucidez vagueia, surge o clarão da revelação, pesada âncora que nos rodeia. Não é o mais feliz dos homens aquele que a carrega, pois a luz que ilumina, sua alma sombria devasta.
Desvelam-se verdades cruas, impiedosas e frias, despindo a ilusão e a esperança que outrora as possuía. A consciência aguda consome, como um fogo voraz, e nas entranhas da existência, sinto-me um farrapo incapaz.
O despertar não é fértil, é infértil, e só o sofrimento é real.
A lucidez, dupla face de um destino traiçoeiro, revela-se como maldição, um fardo derradeiro, pois essa verdade crua não traz consolo algum, e o despertar da mente traz consigo o vácuo e o jejum. Emaranhado em questões sem respostas, em dúvidas sem fim, sinto-me esmagado pela clareza, na penumbra do jardim. Só tendo como companhia a angústia que me cativa, pois aquele que conhece demais, encontra-se amargurado, emaranhado em um labirinto onde não há escapado, e assim, proclamo novamente que não há vantagens, pois esse não é o mais feliz dos homens.
Que a poesia nos faça companhia
em lindos dias, ou em noites de solidão
que a beleza contida nos versos
nos façam rir com a alma
e viver numa alquimia de amor e felicidade
que a certeza de um mundo melhor esteja presente em nossas verdades e orações
que nossas mãos estejam sempre prontas para ajudar
que os sonhos não acabem ao amanhecer
mas sigam vivos em nossos desejos
que haja muito riso de criança e isso nos alegre
pois o incomodo causado por eles é sinal de intolerância e velhice
que tenhamos tempo para amar
e ele passe devagar
que haja mesmo perto do anoitecer de nossas vidas
esperança em algo maior
a vida eterna talvez
ou a eternidade de termos vivido a plenitude
aqui e agora,
com ou sem poesia...
"" Já fui cego em noites de luar
andei por aldeias de moribundos
até escravizar os pés
na areia desértica dos pensamentos
e fui além
já fui olheiro de estrelas
e nunca entendi suas sinas
os paraísos que vivem e brilham
feito mortalhas que irão sucumbir
e elas continuam lá
um ponto brilhoso anima e traz esperança
mas a engrenagem é lisa e pode quebrar
somente o necessidade e a preciosidade do dia
revelarão o cuidado e o medo
ontem fui forte na decisão
optei em querer
navegarei em ondas que modularão desafios
velas flutuando ao vento
nesse momento
é tudo ou nada
posso navegar
água parada não move moinho
aninho, até perceber que o sustento virá depois
depois que o guarda noturno deixar seu poema
no quadro escuro da noite, que ainda não chegou...""
"" Por onde vou, tudo é inicio
é estrada, construção
dias de aprendizado
noites de solidão
por onde vou
as estrelas cantam e dançam
o céu instiga o pensamento
e rompe a luz por um momento
lá é ali quando se quer ir
quando se quer partir
tudo é causa, ferida
quando se quer ficar
tudo é desejo, vida
por onde vou tudo é graça
tudo é amor...""
"" Os mares estão agitados
todos querem navegar
temos horizontes desafiadores
e noites estreladas para nos consolar
temos a audácia dos navegantes
o medo do coração dos amantes
temos a beleza para admirar
quando o céu quiser chorar
teremos o amanhã refeito
na oração que iremos soletrar
seremos vitórias dentre tantas glórias
das lutas que por amor tentaremos enfrentar...
Nas noites eu penso Só em você
Meu coração Não quer te perder
tua voz me guia No escuro da solidão
teu sorriso ilumina Cada parte do meu coração
Meus sonhos Incluem você
Te amo tanto
Não quero te esquecer
Nos meus sonhos Te vejo sorrir
Você é tudo
Que me faz existir
Lágrimas caem Quando não estás aqui
Mas quando você chega
Minha alma sorri
Meus sonhos Incluem você
Te amo tanto
Não quero te esquecer
"" Quando há um grito na alma
o pensamento vai além
as noites não serão as mesmas
verdades e perfumes se misturarão
em nós...
"" Por todas as vezes que tentei
por todos os sonhos que sonhei
pelas noites sem você
por minha solidão
lhe deixarei livre
talvez meu amor lhe aprisione
e não lhe deixe partir
como mostra em seu desejo
então vá e se faça feliz
e quando uma lembrança minha tentar lhe alcançar
siga, não olhe para trás
o mundo pode ser pequeno para quem ama
e nele você pode sem querer me reencontrar...
"" Eu sei que você pensa em mim
nas noites em que o sono não chega
nas lembranças que a mantém ardente
no querer
eu sei que morde os lábios de saudade
imagina nossos corpos quentes
e se contorce de prazer
eu sei que de vez em quando
suas mãos passeiam e se aninham,
a deixando louca
eu sei, não diga que não
sei também que quer brindar o beijo
afogar o desejo, curtir a tensão
sei que nessa hora,
me chama de bandido,
cafajeste, vagabundo, gostoso, de amor
e na cama imagina,
geme, grita, vira menina
enfim
eu sei que de vez em quando você goza
pensando em mim...
AS BRUXAS DA BANDA DE CÁ
NAS NOITES DE LUA MEIA
ENQUANTO NÃO HOUVER LUA CHEIA
Ó bruxas, que seguem cegamente o poeta
Porque o perseguis, inúteis madraças
Nas arremetidas das noites baças
Quando ele só quer paz de anacoreta?
Senhor meu das odes minhas, ó profeta
Livra-me destes vulcões de lava
Deste bruxedo que não se acaba
Neste peito cansado de correr sem meta!
Fugi de mim, loucas sombras feiticeiras
Do meu leito de desprezo e desamor
Deixai-me sentir o viver, ó coveiras!
Da minha vida já ida de sonhador
Neste tempo amargo em que as bandeiras
Ficaram sem mastro de adriça, nem amor!
(Carlos De Castro, em Maiorca, 07-06-2022)
MÃE CANTA PARA MIM
Canta:
As tuas ladainhas de embalar,
Nas noites de menino a arfar
À procura de um sono imenso
Com cheiro a fumo de incenso
Para quebrar o quebranto
No desencanto
Do mau-olhado
Rezado e talhado
Na cruz de Cristo
Ensebada
Por mãos de outros usada
Na renegação do malquisto
Que vem pela calada
Na inocência
Até à velhice da demência
Sem nunca parar o maldito
Do proscrito.
Mãe:
Vem.
Canta para mim.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 04-10-2022)
DORA DA MINHA DOR
Clamei por ti noites inteiras.
Eras a Dora
Da minha hora,
Que foi amar-te nas clareiras
Das selvas em que vivi.
E eu sempre a chamar por ti.
E a Dora que agora
Me desadora,
Esta perfumada e rica senhora
De berloques de jóias gamadas,
De mamas por gigas sustentadas,
Faz de conta que não existo
Na sua memória cruel!
Não adiantou eu dizer: Sou o Manel,
O que te aliviou o "vírgulo"!
Pelo visto e sem mais vírgula
É triste lembrar assim
Quem não se lembra de mim...
Ah, Dora, mulher fatal,
Que matas qualquer mortal
Como me mataste por fim!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-05-2023)
Aceite meu pedido
Em quantas noites mal dormidas ou luas cheias vistas cabe o meu amor por você?
Livrai-me desse fardo, nos de o prazer de vivermos juntos novamente, vamos esquecer as mágoas e os dias ruins que passamos juntos, o nosso mundo pode ser muito mais bonito, o meu coração clama por ti, já não aguento mais ouvir as mesmas músicas pensando em você, sinto o peso da sua distância, sofro a cada dia que vivo sem ouvir tua vós, sem poder sentir teu cheiro; lamento muito se te magoei, eu sempre quis ser o príncipe de cavalo branco que você sonhou ter um dia; por favor, segure as minhas mãos e olhe nos meus olhos; precisamos conversa...
Axolote
Finalmente a fogueira reascendeu para aquecer as noites frias do outono ,
Por um momento o abandono do afeto trouxe o descaso completo a um coração mergulhado em mágoas e no infortúnio da culpa,
Porém, no surto da carência do teu eu na minha vida o orgulho foi trancado numa caixa e foi jogado no mar,
No calor escaldante em busca do equilíbrio e do tesouro vermelho que havia perdido, ganhei forças durante a peregrinação,
Regenerei partes do meu corpo e membros a fim de poder recuperar a minha sanidade abraçando o meu verdadeiro eu,
Surrado pelo sol mas consolado pela lua, antes superei as tormentas do inverno, caminhei por entre as flores murchas da primavera e fiz sombras no verão, agora é outono novamente, "venci o simbólico Dragão".
Em resumo
Em resumo, todas as noites eu vejo você,
Me sinto abraçado e aquecido quando olho as estrelas e fica óbvio que o raro é inexplicável,
Definido pela totalidade das tuas verdades, eu aprendi a falar fluente a linguagem do amor.
Então, pequena Amélie, os teus ossos não são feitos de vidro. Podes levar algumas pancadas da vida. Se deixares escapar esta oportunidade, eventualmente o teu coração vai ficar tão seco e quebradiço como o meu esqueleto. Então, vai apanhá-lo!
