Nove Noites de Bernardo Carvalho
O tempo nada mais é que a melhor opção para que tudo se resolva, tendo sempre como conclusão o que um dia lhe será gratificante, mesmo que hoje não seja.
As escolhas nem sempre nos levam ao bem-estar próprio, diferente do amor, que cedo ou tarde, sempre alcança sua magnificência interna.
Compreender que a gramática é um instrumento e não uma lei. Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela, ‘Aquela rapariga parece um rapaz’. Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela ‘Aquela rapariga é um rapaz’. Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas mais animado do afecto pela concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, ‘Aquele rapaz’. Eu direi ‘Aquela rapaz’, violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de gênero, como de número, entre a voz substantiva e a adjetiva. E terei dito bem; terei falado em absoluto, fotograficamente, fora da chateza, da norma e da quotidianidade. Não terei falado: terei dito.”
"As vezes tudo que é difícil, de tão difícil perde a graça! O segredo é tornar o difícil em possível, só assim o difícil vai ficar perfeito!
Eu as vezes acho que conheço as pessoas, mas SEMPRE me surpreendo. É a vida, sou jovem de mais pra entender isso, por isso tô nem ai, eu quero é ser FELIZ, e quem não quiser ver minha felicidade feche os olhos e tape os ouvidos ou simplesmente SUICIDE-SE porque não vou deixar de ser feliz por dó de ninguém não.
Cada pessoa tem suas virtudes e seus defeitos, e por mais que outra pessoa se aproxime nunca vai substituir aquela que se foi.
Carne, osso e memórias
Diluiu em pecados
O que um dia foi santo
Sacrificado o eterno em prol do agora
Mundano e estreito
Externo e profano
Corpo exposto
Alma fraca
Lágrimas e silêncios
Novos prantos
Gritos de sinceridade
Uma história mal contada
Difícil de decifrar
Um passado de fugas
Um presente omisso
Você não se reconhece
Nem que apodreça em frente ao espelho
Admire suas falhas
Bem de perto, profundamente
Você ainda consegue se questionar sem se sentir vazio?
Anos luz separam você de você mesmo
E não há nada além disso
Carne, osso e memórias
Perda
As lâminas da paixão
Fatiaram o meu coração
Que sangra e pára
Não bate, não vibra, não late
Assumirei os suspiros
Os erros e os acertos
Assumirei meus rumos
Os corretos e os falsos
As mudanças em minha mão
Ela leu, mentiu e descumpriu a missão
As promessas desse verão
Foram todas abandonadas no porão
Vítima sem súplicas e sem deslizes
Primários sentimentos e algumas cicatrizes
Uma vez ferido, sempre em fuga
Uma vez pecador, sempre culpa
Mais temido do que desejado
Mais esquecido do que lembrado
Naquele dia em que te conheci
Olhei para os lados e nunca mais te vi
Bernardo Almeida
A chuva e o absurdo
E eu que sou tão pobre, fraco e envergonhado
Sou aquele que tem medo do espelho
Mas nunca admite
E eu que sou tão baixo e retrógrado
Tão louco, difuso e passional
Se fosses minha, saberia...
Eu sou o absurdo mais inconcebível da humanidade
Sou cinzas e tristezas
Sou frustrações e decepções
Sou noites em claro
Sou a ferida que não cura
Sou aquele que ama calado
Sou a décima xícara de café
E eu que sou tão parvo
Que choro escondido e peço segredo
Que sofro as decepções da humanidade
Ainda que tente firme esquivar-me
E eu que sou tão medonho
Em meio a este sonho insólito e enfadonho
Que durmo de luzes acesas
Não quero ser a sombra de ninguém
Mas como viverei daqui adiante?
A sobrevivência guarda para mim o fracasso?
Não quero saber o que me reservam os dias
Por meio tempo sou a vida que nunca quis
Sou o ano mais longo
A aventura menos fantástica
O livro mais chato
A solidão e o infortúnio de um canto de parede
Sujo e mal iluminado
E eu que me encontro neste dia de chuva
Cubro meu corpo nu
Enquanto escuto calmo a chuva cair
Bernardo Almeida
Amor perdido
O amor não fez sentido
Nesse mundo mesquinho e sem graça
Talvez porque seja ele a presa e não o predador
Não vale um latão
O amor está fora de moda
Quase ninguém o veste mais
O amor não é incentivado
E quem ama vive a ser crucificado
Quem ama é taxado de besta, otário
Sofredor, masoquista, palhaço
Muito mais fácil é não envolver-se
Usar maquiagens para disfarçar-se
O amor que falta no mundo
Sobra em mim, sobrecarga
Mas o que isso importa
Se não encontro outros corações para reparti-lo?
O amor está velho, impotente
Está cansado e carente
O amor sente falta dos encontros
Do descompromisso nunca omisso e dos sonhos a dois
O amor sente falta do romantismo
O amor sente falta da paixão
O amor sente falta da saudade
O amor sente falta da falta que ele faz
O amor anda sozinho e chuta latas
Frequenta diariamente os becos escuros e as ruas sem saída
Esconde a sua esperança no bolso
E transita sem chamar atenção
O amor embriaga-se para esquecer a rejeição
O amor não chora para mostrar que ainda é forte
O amor está rouco e evita expressar-se
O amor está louco, a ponto de suicidar-se
Bernardo Almeida
Cuspe
Cuspo sim
Sete vezes no prato em que comi
Importa-me apenas o alimento
Da próxima vez, comerei de mão
E não dar-te-ei o prazer de humilhar-me
A sua caridade foi desmascarada
Subitamente, um olhar malicioso se forma
Sobrancelhas capciosas
Usastes da minha fraqueza para se fortalecer
Mas em seu nutriente egoísta
Encontrarás o veneno que te espera
E sentirás a dor, mesmo que inconsciente
Como uma peste sem cura
Esta é a minha praga
Por sete gerações
E não verás a luz
Mesmo que enxergue
E sentirás a cruz
Não terás alegrias
Mesmo que insistas em sorrir
E não encontrarás a felicidade
Não terás conhecimento
Mesmo que tenhas informação
Serás um eterno ignorante
Não se sentirás acompanhado
Mesmo que cercado de centenas de pessoas
Serás a solidão e o esquecimento
Desejo-te agora boa sorte
E cuspo mais sete vezes no prato em que comi
Para que mantenha o mesmo nojo
E não volte a repetir este maldito erro
Perdedor
Eu perdi
E perco quase sempre
Por opção
Mas o fracasso traz um gosto
Ao qual me familiarizo facilmente
A perda é ridícula perto da lição
Do erro faço novas escolhas
E das escolhas, encontro novas opções
Toda correção exige tempo
Não tenho pressa
A persistência é o aprendizado
O aperfeiçoamento é constante
Sem desanimar
Vejo o quanto tudo é fútil
Sutilmente apressado e finito, solitário
Bernardo Almeida
