Nove Noites de Bernardo Carvalho
Não precisamos de muito, para sermos felizes, mas precisamos do amor, para sermos completos!
Nara Minervino
NÃO PRECISAMOS
Não precisamos de amantes.
Precisamos de instantes
Incríveis
Inesquecíveis
Insubstituíveis.
Não precisamos de calafrios.
Precisamos de arrepios
Quentes
Ardentes
Veementes.
Não precisamos de dores.
Precisamos de amores
Precisos
Concisos
Sem avisos.
Não precisamos ser carentes.
Precisamos ser ardentes
Cientes
Das chamas
De um beijo
Envolvente.
Não precisamos do contudo.
Precisamos de um casulo
E do abrigo
De um abraço
Que eternize
Um segundo.
Nara Minervino
EU EM TI
Estou aqui,
feito folha que solta
da árvore a que ela devota,
e, secando ao sol,
vai esperando ser ninho
de algum passarinho
que, padecendo do seu abandono,
lhe leva no bico,
que é o seu ombro.
Reparo sim.
Reparo que em ti acho muito de mim.
Reparo que tua boca deixa a minha louca,
E que tuas ideias me acendem e surpreendem.
Reparo que és poeta, que és astuto e que me testas.
Reparo que recrias minhas palavras e a elas dás mais asas
E enches todo o meu peito de alegria e de preceitos
De que só tu és assim e que poderias ser de mim.
Reparo em tanta coisa!
Em tanta coisa reparo!
Mas o que mais me deixa atenta
Nessa visão que me alenta
É que toda a minha atenção colocas em tuas mãos
Ao me fazer delirar com os versos que vêm a mim "respostar".
Nara Minervino
QUE SAUDADE DE VOCÊ!
Que saudade de você!
De sua atenção, dos seus cuidados, dos seus prévios afagos!
Que saudade de você!
Que contornava o tempo, que driblava os horários, que criava intinerários!
Que saudade de você!
Do homem que foi, do homem que soube, do homem que fez!
Que saudade de você!
Que não via problemas, que não via barreiras, que não pensava em dilemas!
Que saudade de você!
Sim! Muita saudade!
Do homem presente,
Do poeta irreverente,
Do amante exigente!
Por que me deixou?!
Por que se apagou?!
Por que adiou
O encontro engraçado,
O papo descolado
E o não ver o tempo esgotado?
Será que ainda volta?!
Será que ainda se importa?!
Ou será que encontrou outra porta?!
Dizem que tudo o que vai volta.
Volta?!
Fazer o quê?
Matéria morta.
Nara Minervino
É COVID-19
É Covid-19!
É gente que briga
É gente que morre
Gente que espera
Gente que explode.
É Covid-19!
É doença que atordoa
E prisão que apavora
É gente que ri à toa
E gente que pára e chora.
É Covid-19!
É gente com pouca fé
Que não vê a solução.
É gente que crê em DEUS
E vive com o terço na mão.
Seja de um jeito ou de outro
No mesmo barco estamos
Do vírus morremos de medo
E com ele todos brigamos,
Mas o que devemos, mesmo,
É crer que DEUS tem um plano!
Precisamos de oração
E crença na medicina.
O vírus chegou com tudo
Mas vão descobrir a vacina
Que combata e que devolva
Nossa fé, abalada e sofrida.
Do fundo do coração
Que possamos levar a DEUS,
Na voz de uma só oração,
Os desejos dos filhos seus.
"SENHOR, livrai-nos do mal
Desse vírus tão invisivel,
Que abala a vida normal
Dos teus filhos queridos.
Perdoa os nossos pecados
E as faltas que cometemos,
Estamos muito assustados
E ao Vosso amor nos rendemos".
Nara Minervino
NOSSO AMOR VERBALIZADO
Eu queria
Tu devias
A gente podia.
Nós vivíamos
Vós aceitaríeis
Eles contribuiriam.
Eu esperei
Tu demoraste
Ele programou.
Nós investimos
Vós apoiastes
Eles ajeitaram.
Eu acreditei
Tu insististes
Ele resistiu.
Nós vencemos
Vós sorristes
Eles aplaudiram.
Eu te ganhei
Tu me presenteaste
Ele se alegrou.
Nós nos casamos
Vós vos animastes
Eles se procriaram.
Nara Minervino
MINHA PESSOA INGRATA
Em rua deserta me encontro.
Solidão. Silêncio. Sofrimento.
Tudo em mim é tão muito!
Tudo em mim é intenso!
Nenhum som me ensurdece.
Nenhuma luz me encandeia.
Vazio. Ausência. Falta.
A cor de uma vida cheia,
Que outrora corria em minhas veias,
Agora se sente exausta.
Falta de ar me sufoca.
Peito em chamas me queima.
Passado já não tem mais volta.
Presente a mim trapaceia,
E a sina de quem já fui tantas
Agora é viver-me alheia!
Que fazer de mim, que não sei
Quem fui e quem já não serei?
Se tudo que me alegrava,
Já não faz sorrir quem amei:
Essa minha pessoa ingrata
Que fui e que não mais serei!
Nara Minervino
NARIOU'S VÍRUS
(Poema em homenagem a mim mesma, a partir da definição de uma amiga sobre mim)
Ela veio de repente e toda sorrateira,
Como ave de rapina que cumpre sua sina,
Foi adentrando, aos poucos, os sonhos secretos e loucos
De quem se dizia são e não caía em tentação.
Ela chegou, foi chegando, e loucuras despertando,
Revelando os sonhos vividos em desejos secretos contidos.
Quem era calado falou e aos poucos se revelou.
E houve quem, sendo tímido, se viu de novo menino.
Ela parece uma ave daquelas que voam razante.
Também parece uma ursa com a fome de um gigante.
Ela gosta do proibido e põe sua vida em perigo,
Porque está sempre feliz e gosta de ser aprendiz.
Ela não é um mistério e leva o amor a sério.
Ela é pura fantasia e vive todas com alegria.
Ela sabe que a vida é breve e que só o amor é leve,
Por isso é toda intensa e as suas paixões alimenta.
O seu nome eu não revelo, porque o segredo é o seu castelo,
Mas eu digo de verdade e com a mesma intensidade:
Ela é um alegre vírus que desperta muitos suspiros,
Mas não é um vírus qualquer. É o Nariou's vírus mulher!
Nara Minervino.
Sobre amores e prisões
Prisões limitam,
e eu não tenho limites,
nem para o amor
nem para o amar.
Contudo,
se estou cercada de bem querer,
não há por que eu me desejar
livre.
Nara Minervino
A VIDA
A vida é um sopro!
É um acordar e não dormir.
É um dormir e não acordar.
É um instante!
É um fragmento
De tempo, de sonhos, de planos!
A vida é um sopro
De vida e de morte!
É um pouco de morte, a cada vida!
É um pouco de vida, a cada morte!
É um pouco do muito que em nada existe,
E é um muito do pouco que persiste.
A vida é um sopro!
Foi ontem e é agora.
Não espera. Não perde a hora.
Assim como chega, também vai embora.
Não percamos o clarão da aurora.
Nara Minervino
EM TEUS BEIJOS
Quanto tempo desperdiçado!
Quanto amor não amado!
Você, com esse seu jeito,
De ver em mim só defeitos,
Esquece de que no amor
Não cabem mentiras nem dor.
Quanto tempo perdido!
Quantos sonhos incontidos!
Na solidão de nós dois
Deixamos para depois
O nosso amor tão ardente
Que sofre na falta presente.
Quanta tristeza sem fim!
Eu sem você. Você sem mim!
Cada um pro seu lado
Com o coração esmagado
Por esse orgulho tão besta
Que ao nosso amor só rejeita!
Quanta ampla bobagem!
Quanta imbecil inverdade!
Você diz que sou eu.
Eu digo que você não me deu
A chance de em teus beijos provar
Que eu saberia tão bem te amar!
Nara Minervino
SAUDADE
Saudade é coisa que doi,
Que maltrata o coração,
Atinge bem fundo o peito
Que se vê na contramão,
Nos faz ser tristes com a vida,
E desperta em nós solidão.
Saudade é um sentimento
Que não merece perdão,
Quando ela vem de repente,
Feito brisa ou furacão,
Ela abre em nós um buraco
E tira de nós qualquer chão.
Saudade é dor ardilosa
E sabe tão bem ferir,
Apunhá-la o peito que roga
Para de dentro dele sair,
Porque quando em nós se aloja
Só lágrimas nos faz engolir.
Saudade é muito invasiva,
É sorrateira e valente.
Ela não abre espaços,
Em nenhum canto da gente,
Pra que nós esqueçamos, de fato,
Que um dia estivemos contentes.
Saudade é nome de guerra
Que joga soldado por terra.
Saudade é luto sem causa,
Que entristece corpo e alma.
Ela transforma em pedaços
Emoções que sentimos bem alto.
Saudade é a morte da vida
Que um dia foi bem vivida.
É a falência de um prazer
Que não mais vai acontecer.
É a agonia da separação
De tudo que alegrava o coração.
Contudo, não sendo injusta,
É preciso também refletir,
Que, se a saudade machuca,
É ela quem nos faz descobrir
Que os corações, em loucuras,
Na vida souberam sorrir.
Que estejamos todos nós
Sempre muito preparados
Pra vivermos bem plenos a vida
Até sermos afogados
No prazer e na euforia
Dos sonhos realizados,
Para, quando chegar o dia
De partir o riso que nos invade,
O nosso peito se inunde
Da dor que se chama saudade.
Nara Minervino
LOUCURIDADE
Vivamos de fantasias, nesse mundo surreal
E abracemos a alegria de ser um ser anormal.
Todo dia, o dia todo, encontramo-nos com desenganos,
Mas que nenhum deles possa apagar nossos planos
De sermos felizes pra sempre, custe-nos o que custar,
Porque só passa bem pela vida, quem à vida sabe se dar.
Nara Minervino
DESABAFO
Tudo o que era rotina
Hoje é passatempo.
E o que era só hobby,
Hoje é todo o sustento.
O que a nós só cobrava,
Hoje está adormecido,
E esta nova jornada
Tem a todos afligido.
Tanta coisa mudou
Nessa tão nova vida,
Nova vida que supera
Quem achava que sabia
Da vida, dos resultados,
Dos problemas, das soluções.
E, agora, é por demais tarde:
Estão acordados os vulcões.
De chamas inquietantes
E labaredas intensas,
Incendeiam a nossa paz
E à liberdade afugentam.
As fortes chamas de fogo
Queimam os olhos meus,
Fazendo a mim aos irmãos
Corrermos em busca de DEUS.
Por que um vírus pequeno,
À visão não importante,
Transformou minha vida
E a de tantos habitantes
Dessa casa, tão enorme
Que se destrói em guerra;
Dessa casa tão sozinha
Que todos chamam de Terra?
Meu DEUS, eu Te suplico,
Em nome dos filhos Teus:
Nos livra de todo o mal
Que sobre a casa nasceu!
Dai ao sábio inventor
O saber descobrir a cura,
Para que Teus filhos possam
Dormir numa paz em fartura!
Nara Minervino
EU EM UM POUCO DE MIM
Todo dia,
Solidão
Reclusão.
Um infinito de mim
Dentro de um espaço
Que não cabe mais ninguém,
Todo dia,
Eu e meu eu.
Nós duas:
A mulher e a menina.
Uma dentro da outra,
Apagadas e nuas
De encantos,
De recantos
E de (en)fins.
Todo dia,
Eu em um pouco de mim!
Nara Minervino.
METAMORFOSES DA SOLIDÃO
Presa em mim.
Introspectiva
Perdida
Desiludida.
Dor interna
Afastamento
Solidão
Isolamento.
Choro insano.
Me perco
Desabafo
Entorpeço.
Lentamente
Enlouqueço.
Sim?!
É o fim?!
Da dor
Da ausência
Da falta?!
Que alegria
Euforia
Agonia!!!
Que lástima!
Me conheci
Redescobri
Sobrevivi.
E agora
Mundo afora
Espera
Por alguém
De outrora
Que chegou
E foi embora.
Já é hora!
Nara Minervino
Atitudes
O que é que Eu faço com minhas palavras diante de Ti?
Esqueço Você que é a musa que Me inspiras?
Rompo minha mente e fico mudo diante de Ti?
O que é que Eu faço com meu jeito,
que a saudade tortura dese jeito?
O que é que Eu faço com as lembranças que Tenho de VoCê?
Afasto-as de mim escravizando minhas esperanças?
O que é que Eu faço com meus olhos?
Cego-os roubando dessa Sua divina imagem?
O que é que Eu faço com meus olhos?
Distorço-os na falsidade,como se fosse uma imagem
enganosa ou simplismente uma miragem?
O que é que Eu faço com meus sonhos,se estou
tão só todas as noites?
O que é que Eu faço com meus sonhos?
Afasto-os com pragas e açoites?
Então me diz oque é que Eu faço
com minhas palavras?
$inceramente não $ei!!!!!!
A Meu modo de ver e entender as coisas,
é impossível dizer o momento exato em que
se estabelece uma Grande Amizade
ou um Grande Amor.
Para essas Conquistas leva-se Muito tempo,
como se encher um jarro de Vinho gota por gota,
há uma ultima gota que o faz transbordar;
da mesma forma,ao longo de uma série de
Gentilezas ,Compreençõs ou até mesmo um
Gesto de Afeto,existe finalmente uma que faz
Transbordar os Nossos Corações junto a Alma...
