Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Eu falho ainda muitas vezes como mãe, como namorada/esposa, como mulher, como irmã e como amiga, como ser humano. Não consigo sempre acertar nas coisas que digo. Não sou uma mulher bonita, mas quando me vejo no espelho tenho orgulho de quem sou hoje, de quem me tornei, e isso tem bastado! Eu cozinho horrores, trabalho feito um cavalo, não me meto na vida de ninguém, faço o meu melhor nos meus relacionamentos, de família, de amizades com o outro no geral. Não carrego nenhuma mágoa, nenhum sentimento ruim, mas carrego cicatrizes no corpo e na alma porque tenho uma história, uma vida!
Algumas pessoas me amam, algumas apenas gostam de mim, as outras... ah, as outras não me interessam. Fiz coisas boas, fiz coisas ruins.
Não pretendo ser alguém que não sou.
Não me desculpo por ser eu, sou muito feliz assim!
...E a vida também é assim, sensível como as flores, pretende se renovar a cada dia, mas pode também, assim como as flores, perecer a qualquer momento... Então regue, cuide, ame! Para que valha a pena cada segundo.
Crepúsculo de Outono
O crepúsculo cai, manso como uma bênção.
Dir-se-á que o rio chora a prisão de seu leito...
As grandes mãos da sombra evangélicas pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.
O outono amarelece e despoja os lariços.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar.
Os pinheiros porém viçam, e serão breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a alvura unânime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.
Um sino plange. A sua voz ritma o murmúrio
Do rio, e isso parece a voz da solidão.
E essa voz enche o vale... o horizonte purpúreo...
Consoladora como um divino perdão.
O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas há, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente extática semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.
A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperança e uma tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.
Troque uma fantasia pela realidade, e pode se sentir como Alice no País das Maravilhas. O mundo pode não piscar e brilhar, mas o chão será sólido sob seus pés, e seus olhos estarão abertos para todas as aventuras que esperam por você aqui mesmo, no mundo real.
Amigos são anjos que não só nos ensinam a voar como também nos mostram a hora de pousar na realidade.
As vezes, o medo é um aviso. É como se alguém pussesse a mão no seu ombro e dissesse: NÃO DE MAIS UM PASSO.
Só mesmo um personagem como este [Dom Quixote] e uma história como esta, para nos exporem à nossa própria e invencível contradição: queremos a sensatez que nos protege, mas não resistimos à loucura que arrebata. E, por isso, inventamos a arte, que nos permite experimentar a loucura sem correr o risco de irmos parar num hospício.
Senti saudade, vontade de voltar. Fazer a coisa certa: aqui é o meu lugar. Mas sabe como é difícil encontrar a palavra certa, a hora certa de voltar. A porta aberta, a hora certa de chegar. Eu que não fumo, queria um cigarro. Eu que não amo você, envelheci dez anos ou mais nesse último mês. Eu que não bebo pedi um conhaque, pra enfrentar o inverno que entra pela porta que você deixou aberta ao sair.
Quem Eu Sou?
Querem saber como vivo?
Lhes direi...
Vivo do vento que me mantém lúcida e acordada para que eu não adormeça na caminhada.
Vivo do mar que me limpa do cansaço da luta e me recompõe para que eu continue.
Vivo das cores que me ensinam os remédios e os alimentos para que eu sobreviva forte para trabalhar.
Vivo da riqueza do meu melhor esforço, meu amor.
Planto-o por onde passo, não perco nem mesmo a terra de um vaso quebrado, pois ali a semente germina.
E sou feliz assim.
Sou simples, pois preciso de pouco.
Sou calma, pois aprendi a esperar.
Tudo vem.
E o campo arado e adubado produz coisas melhores, que valem a pena ser
preservadas.
Falo pouco, pois optei por grandes ocupações, como um trabalho escolhido de ouvir e por isso não me sobra tempo para as palavras.
Penso muito, mas corretamente.
Desejo só o necessário, ocupo pouco espaço e por isso não sofro por possuir. Sou feliz, sou abençoada, sou reconfortada e apreciada.
Querem saber quem sou eu, já que sabem como vivo?
Eu Sou...
" A Paz "
O saber deve ser como um rio, cujas águas doces, grossas, copiosas, transbordem do indivíduo, e se espraiem, estancando a sede dos outros. Sem um fim social, o saber será a maior das futilidades.
Você pensou que se divertia, sabia como me dominar. Mas era eu que sabia fingir. Era eu que te fazia sonhar.
