Nosso Amor como o Canto dos Passaros
No canto seco e quente do asfalto vi brotar uma flor delicada e colorida, eis a força e o milagre da vida.
CULTO À PREGUIÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Vida boa de olhar deste meu canto;
deste mundo ao alcance dos meus pés;
desses braços de chão arborizado
e das tiras de manto entre a folhagem...
Vida fácil de alguém que se acomoda
com a simples riqueza de um quintal,
muita sombra, o cachorro do vizinho
e a moda longínqua de viola...
Mundo bom de sentir numa saudade
que não é de ninguém ou tempo algum,
só invade a magia de sonhar...
Corajosa viagem da preguiça
que se doa e veleja tempo afora
ou enguiça e se perde por prazer...
POÇO ESCURO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Dou notícias do mundo ao teu canto sombrio;
lá nas ruas há sonhos novinhos em folha;
muita gente sorri, também chora, tem brio,
sabe quando precisa escapulir da bolha...
Tua triste visão fatalista e caolha
é do caos; do dilúvio; da treva; o vazio;
desconheces a pinga e condenas a rolha,
falas tanto em amor e teu conceito é frio...
Trago muitos recados da vida lá fora;
tem um povo que segue, desenvolve, aflora,
cai do galho no tempo de ficar maduro...
Vê a barra do céu que te nina com farsa,
pelas lendas do inferno, do fogo e da sarça
e da luz que te prende nesse poço escuro...
SER GENTE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fui buscar um sorriso em qualquer canto;
procurar um semblante reluzente;
conhecer gente leve, resolvida
com seu pouco; seu algo; seu entorno...
Adentrar Ambientes onde o luxo
vem das flores, da sombra, do arvoredo,
das pessoas sem medo de não ter
o que só se terá por já ter tanto...
Diz ao mundo que fui pro fim do mundo
que no fundo está mais pro seu começo,
mas entendo que tenho de voltar...
Vou catar uns tostões de bom humor,
amor próprio, versão da humanidade
que não acha sentido em nossos dias...
PERSONALISMO E SOCIEDADE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Estava quieto em meu canto, e de repente alguém liga para mim. Uma entidade cultural estaria com inscrições abertas para quem desejasse concorrer ao prêmio de maior empreendedor cultural do ano, na região em que moro. Para tanto, bastaria reunir os meus trabalhos de um ano inteiro, com especificação de local, data, contexto e natureza de cada evento, ação, participação etc. Não era um concurso literário, musical, científico nem qualquer outro que premiaria o melhor trabalho, especificamente, nem o melhor projeto em qualquer área. Também não se tratava de uma escolha feita pelos organizadores, para decidir quem era o melhor profissional de fosse lá o que fosse.
Pelo que vi, não houve uma busca ou pesquisa de campo; nenhuma incursão no mundo cultural; nenhuma entrevista com terceiros, para colher opiniões, evidências de méritos e provas de atuação, sem o conhecimento dos apontados ou escolhidos. No fim das contas, não se tratava de uma homenagem natural; um reconhecimento de fora para dentro. Nada era fruto de observação criteriosa, especializada e com fundamentos relevantes. Ou seja: ninguém se deu a qualquer trabalho que não fosse o de receber calhamaços com relatórios de quem se julgasse por si mesmo, a personalidade, para que uma bancada lesse tudo aquilo e decidisse pelo maior acúmulo de dados. O currículo mais numeroso. O autoelogio mais convincente. A melhor e mais gritante apologia de si mesmo.
A que ponto a sociedade leva um ser humano: pedir para ser homenageado. Concorrer a um elogio. Dedicar dias e noites à busca de um reconhecimento que já é natural; já existe à sua volta, porque alcança pessoas; enriquece a cidade; a região; o mundo. Não precisa de placas, troféus, comendas, porque a satisfação do fazer ou a enorme alegria do ser já se configura uma recompensa. Se todos nós precisamos de algum reconhecimento pelo que somos ou fazemos, ele só é válido, verdadeiro, sincero e natural quando vem do outro; não quando sai de nós, em forma de pedido, reivindicação e disputa, para voltar como coroação de um mérito mendigado. Cavado a duras penas, com artifícios e discursos (orais ou escritos) que visam provar o quanto somos melhores do que os demais.
Gosto de saber que o que faço encanta e conscientiza. Fico feliz com o reconhecimento, até a homenagem de alguém, uma entidade ou grupo, e coleciono momentos especiais em que fui agraciado espontânea e sinceramente. Mas nunca pedi essas homenagens. A nenhuma concorri. Jamais me debrucei sobre discursos ou apologias a mim mesmo, visando objetos símbolos de superioridade sobre quem faz o mesmo. Concursos e festivais? É claro que sim. Entregar uma obra específica, um projeto e até um trabalho para ser avaliado e ter como resultado a premiação simbólica ou financeira me afirma como escritor e fazedor cultural. Mas não me peçam para pedir um elogio; uma homenagem; um endeusamento.
REMÉDIO AMARGO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Pode ser o momento de abraçar meu canto
e calar estes gritos que dou em silêncio;
depredar um encanto sem razão de ser
para minhas visões adequadas ao sonho...
É preciso assumir o possível desgaste
dos instantes que agora se tornam rotina,
redimir a retina, encarar as caretas
do vazio em que venho despejar afeto...
Já enxergo a distância como bom remédio
mesmo amargo e difícil de me convencer
do efeito esperado; não colateral...
Tomaria por ti, contra minha vontade,
contra minha verdade que ainda não sei
onde fere; retrai; descompõe; desconforta...
POEMA CAIÇARA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Aprecio a poesia que me chama
lá no canto; na sombra; no silêncio;
dá um doce, depois me desafia,
me provoca e me faz querer o resto...
Busco aquele poema que seduz
como a droga no dia inicial;
só aos poucos envolve, me vicia
e me diz onde a cruz está cravada...
Escraviza e dá carta de alforria,
faz pecar e dispõe a conversão
lá no fim do sermão fragmentado...
Só existe poesia no poema
que não salta, não corre, não esmurra,
mas que rema e nos leva de canoa...
BÚFALO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ter apenas meu canto; meus canteiros;
uma rede, o repouso, tempo justo;
ver janeiros, agostos e dezembros
numa ida sem pressa nem conflito...
Minha idade se vai como rebanhos
que apreciam seus brejos e pastagens,
tomam banhos de chuva e manguezais
e não temem, pois não sabem temer...
Alcancei meu instinto primitivo,
quero apenas os dias que já vejo,
porque vivo de chão; de céu; de ar...
Mas ninguém tangerá sequer um passo
do que faço e do que perco da vida;
não sou boi de fazenda e matadouro...
Sorrir todo mundo pode ver. Chorar... Ah! Chorar não. Se chora no canto, escondido, distante. Poucos terão pena de ti. O amigo presente. Este logo vai contar para outro que vai confidenciar para o outro e todo mundo vai saber e nada fazer. Terão pena de ti. Alguns. E, outros aplaudirão, ignorarão. Por isso, se quiseres rir faça-o abertamente. Mais simpático o bom humor. Divertido. Mas, se for pra chorar. Chora num canto qualquer. Chora pra Deus. Oração. Que o alento vem depressa. Porquê da dor de alma só os anjos poderão confortar.
O mundo em silêncio diante da natureza
Enquanto não ouvirmos o canto da natureza, viveremos numa era de ferro sem alma."
Trecho do eBook Calendário Sagrado: A Jornada dos 12 Portais, disponível em Archive.org..
A Floresta do Silêncio
Em um canto remoto do mundo, longe das luzes da civilização, havia uma floresta antiga conhecida como a Floresta do Silêncio. Diziam que qualquer pessoa que adentrasse suas profundezas com o coração tranquilo seria capaz de desvendar os segredos da existência.
Leonete, uma mulher medrosa e desconfiada, decidiu aventurar-se na Floresta do Silêncio. Cansada de viver de teorias, ela buscava a verdade e acreditava na magia. Sentia uma necessidade constante de entender o que fazia tudo funcionar e como ela se encaixava no grande esquema das coisas. Com uma mochila nas costas e a mente aberta, ela se embrenhou entre as árvores altas e ancestrais.
Os primeiros dias na floresta foram desafiadores. O silêncio era avassalador, quase ensurdecedor. No entanto, aos poucos, Leonete começou a perceber as sutilezas da natureza ao seu redor: o som suave do vento nas folhas, o murmúrio dos riachos e o canto distante dos pássaros. Ela começou a sentir uma conexão profunda com tudo ao seu redor.
Uma noite, enquanto observava as estrelas, Leonete teve uma epifania. Ela percebeu que não havia distinção entre ela e o resto do universo; tudo fazia parte de um único evento cósmico, uma dança eterna de energias e formas. Compreendeu que o universo não tinha um propósito específico, mas que era belo e perfeito em sua simples existência.
Com o tempo, Leonete aprendeu a viver cada momento plenamente, sem tentar traduzir ou complicar o que acontecia ao seu redor. Ela entendeu que as coisas são como são e que o segredo da felicidade está em aceitar a simplicidade da vida. Assim, ela voltou para a civilização com um coração em paz, carregando consigo a sabedoria da Floresta do Silêncio.
Ela compreendeu que a verdadeira sabedoria é render-se à vida e deixar-se fluir com ela. Viver de maneira plena e autêntica significava acolher cada experiência sem resistência, permitindo que a vida seguisse seu curso natural. Leonete encontrou paz ao perceber que, ao se entregar ao fluxo da vida, ela era capaz de se conectar mais profundamente com o mundo ao seu redor e, assim, descobrir o significado verdadeiro da existência.
Você procurou, no meu canto fiquei.
Você insistiu, acabei cedendo.
Você me conquistou, eu gostei.
Você conseguiu, me entreguei.
Você deixou a toa, continuei a me iludir.
Você se afastou, a espera estive.
Você não se importou, eu acreditava.
Você foi embora, desisti.
Você tentará mais uma vez, talvez, não sei.
Mas eu saberei o que fazer.
Cada canto tem um pouco de você.
Cada lugar remete ao seu olhar.
Em cada pedaço de espaço busco a sua presença.
Em alguns momentos no meu canto me pego refletindo,
Tristonho a respeito de tudo estar se repetindo,
E eu parado sem saber o que fazer.
Às vezes me pergunto se é recíproco,
Mas os dias passam e vejo o irrecíproco,
E assim fico sem saber o que fazer.
E o tempo vai passando rápido,
E no meu canto vou ficando calado,
Suportando até onde aguento,
Pedindo forças e conhecimento.
Ainda me pergunto se vou encontrar,
Alguém para poder lutar,
Para juntos saborear,
O que a vida de melhor pode nos proporcionar.
Mas gostaria que fosse recíproco...
Estabelecer um canto de meditação para recompor a paz, a mente começa a planejar a sua harmonia com Deus, de quem receberá o conforto espiritual para seu coração trabalhar seguro.
Se Jesus é o Cara, já não preciso de qualquer ídolo, porque Ele conta comigo e eu canto para Ele a qualquer hora.
Toda mulher passa pelo encanto de um homem, mas nunca deve permanecer sozinha em um canto isolada com ele por muito tempo.
