Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Uma mulher tem direito a não depilar as axilas? Com certeza. Assim como eu tenho direito a achar isso nojento.
Dizer que a discriminação é legítima na esfera social, compreender o exercício do preconceito como um "direito", e não como uma patologia social a ser combatida, é o resultado da tese equivocada de que a liberdade baseia-se na possibilidade de afirmação individual de interesses e escolhas.
Tempos fáceis como nunca antes vistos e pessoas tão fracas que as farmácias acabaram por se tornar as novas igrejas.
A coisa obscura e inexplicada é vista como mais importante do que a clara e explicada.
O imaginário é uma ficção coletiva vivida como uma realidade objetiva.
Querer é essencialmente sofrer, e como o viver é querer, toda a existência é essencialmente dor.
Depois de haver meditado longamente sobre a essência da música, recomendo o gozo dessa arte como a mais deliciosa de todas.
Os governos fazem leis, mas se elas são cumpridas, e como a polícia se comporta, depende do temperamento geral do país.
Implacáveis, os filósofos são “duros”, como os poetas, como todos aqueles que têm algo a dizer.
O vigor intelectual de um homem, como o de uma ciência, se mede pela dose de ceticismo, de dúvida que é capaz de digerir, de assimilar.
Pensem como é dura, rígida, inerte, fria como um metal, para o ouvido da criança, a primeira vez que a ouve, a palavra “hipotenusa”!
O craque costuma antever as jogadas, saber antes dos outros. Como ele sabe? Sabendo. Existe um saber que antecede o pensamento.
É preciso tempo para viver. Como toda obra de arte, a vida exige que se pense nela.
Como podem ser inesquecíveis tempos que aos poucos se vão perdendo na memória, soprados por novos e eternos minuanos? Lembrar é uma necessidade. No fundo, lembrar está aquém e além da razão.
O espetáculo se apresenta como uma enorme positividade, indiscutível e inacessível. Não diz nada além de “o que aparece é bom, o que é bom aparece”.
Subproduto da circulação das mercadorias, o turismo, circulação humana considerada como consumo, resume-se fundamentalmente no lazer de ir ver o que se tornou banal.
O segredo generalizado mantém-se por trás do espetáculo, como o complemento decisivo daquilo que mostra e, se formos ao fundo das coisas, como sua mais importante operação.
Aquilo de que o espetáculo deixa de falar durante três dias é como se não existisse. Ele fala então de outra coisa, e é isso que, a partir daí, afinal, existe. As consequências práticas, como se percebe, são imensas.
A grande maioria das pessoas não sabe como se distrair nem como descansar. Quando tem tempo, se entedia.
