Nosso Amor como o Canto dos Passaros

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Juarez, pronuncie como se começasse com “R”, ele sempre fez questão disso; amigo de infância que eu não via há tempos, apareceu repentinamente aqui em casa; Sempre foi um cara “cabeça”, um bom papo, só um pouco, “Maria- vai- com as outras” conversamos muito falamos do passado depois ele me segredou: Tadeu eu tô no pó”; fiquei pasmo, Juarez não era disso, era aquele tipo de cara: “mente sã corpo são...” “No pó Tadeu, tô no pó”, ratificou me entregando uma cédula de cem reais; “ sei que aqui consegue-se com facilidade; compra lá pra gente...” saí e voltei com um pacote, preparei algumas gramas pra ele, ele cheirou, aspirou ávido depois começou a pular, a falar a sorrir e gargalhar: cara eu tô legal! Eu tô legal Tadeu! Me levantou lá em cima: “você é o cara!” Prepara outra aí! Preparei ele aspirou, ficou mais entusiasmado ainda: “cara essa é da pura! Arde bem pouquinho nas narinas...” pulava e cantava: “everybody want you..” do fundo do baú... no final da tarde se despediu me agradecendo penhoradamente; devolvi seu dinheiro; ele reagiu surpreso:” faço questão de pagar Tadeu”. “Não precisa, é um presente pela nossa amizade”, respondi. Saiu cantando feliz: “Euclides, fala pra mãe...” não tive coragem de dizer que o que ele tinha consumido, era goma...

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SOBRE A PERFEIÇÃO

tinha a lua como testemunha,
flores que ornamentavam um jardim,
de tão nervosa, ruía as unhas
jurando-me amor sem fim

nos olhos, a profundidade de um oceano,
na alma trazia o paraíso,
dentes de madrepérolas no riso,
mas não sabia dizer eu te amo...

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BICHO FAMINTO
Já é tão tarde
E ainda assim,
A noite continua...
A lua ferve em mim
Como se fosse um sonrisal
Neste copo de mágoas...

Queria entender
O teu sorriso-monalisa,
Tão despido de vida...

Da Vince daria
Vinte mii tonalidades
A essa surrealidade,
Então eu veria a beleza
Onde só tem arte...
Já é tão tarde
E a noite não perdeu o seu cinza
E esta agonia bate
Com golpes de um ninja
Que se esconde nas sombras
Das noites e das desilusões
Devo seguir meus sentimentos
E meus instintos
Como um bicho faminto
Que a lua conduz...

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Escrever agora é um hábito
É como tomar café com pão pela manhã...
eu sou metódico, sistemático...
talvez umpouco enigmático...
mas o que fazer com tanta sensibilidade
o que fazer com tantas possibilidades
o que fazer com a cidade
na palma de minha mão
o que fazer com o deserto
no olhar da mulher
eu bebo o meu café
e como o meu pão...

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CONTA-GOTA
Beija-me como quem chupa manga
Manga dos meus desejos
Derrama sobejos na minha boca
Diz que a vida é conta-gota
De sentir e ressentir
Nessa sucessão de dias
Diz que isso é vida louca...

Inserida por tadeumemoria

LEVE NOÇÃO

Tenho a leve noção de como
Deus se sente quando escrevo um poema...
E se chove meteoros,
Eu os transformo em pétalas de açucena,
E se formam tsunamis,
Eu já velejei por vagas abismais,
Américo, descobrindo continentes,
Meus versos as vezes plácidos,
As vezes impertinentes ,
Minhas estrofes perversas,
Sádicas, de verbos ateus,
O que eu não sei de Deus?
Não saberia de mim mesmo,
Conheço o Pai, o Filho e o Santo Espírito,
Sou feito imagem sua e semelhança,
As vezes nasço criança em Belém,
As vezes me crucifico em Manaus,
As vezes pensamentos maus,
Me fazem Herodes e Judas,
Trucidam recém-nascidos,
Entregam seus amigos,
Condenam inocente, crucificam um santo...
Até que esta criação me dá a leve noção
De ser um pouquinho Deus...

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tenho o medo como escudo para todos os males...

Inserida por tadeumemoria

MAIS DE MIL ANOS
Quando ela se nivela ao horizonte,
Como se o seu corpo
fosse uma gangorra, sob as luzes solar
eu penso que as cores do crepúsculo,
são adornos divinos,
para momentos bem íntimos
quando ela se espreguiçou
como se o mundo dormisse mil séculos
meu latim perdeu o sentido
meus músculos dormentes
meus ósculos dementes
pediam seus cálidos lábios
usei de meios espúrios
fiz promessas lhe ofereci a penha
com o templo lá em cima
e todos os sacramentos,
seus cálices de ouro e pedras preciosas
transbordando de um amor sublime
então ela se inclinou
e tingiu tons de pink e lilases
nos travesseiros de nuvens
e nos balançamos por mais de mil anos...

Inserida por tadeumemoria

CIO

sabe como olhar,
como andar,
quando olhar,
caminha na minha frente
como se eu fosse santo,
fala comigo como se eu fosse o seu amo,
se abaixa como se eu fosse cego,
senta na minha frente
como se eu fosse de ferro,
eu também sei sonhar,
eu tenho um coração e um tênis,
não aguento mais maracujina,
pra essa febre só novalgina,
sorri pra mim como se eu fosse um beato,
me toca como se eu fosse Buda
esquece o decote,
o perfume que exala,
minh’alma se perdendo,
minha língua pedindo...
não percebe o desejo consumindo,
chega tão perto que eu farejo o cio...

Inserida por tadeumemoria

ENQUANTO HOUVER SONHOS
Ontem ela virou a esquina como se fosse dona do mundo, levou a lua e a estrelas com seu magnetismo, e eu fiquei ali com um copo e os meus fantasmas; éramos anjos do mesmo éden, ela seguiu com a luz e eu fiquei comigo mesmo e a noite; falavam de corrupção, insegurança, criminalidade; todas essas coisas que a gente vê diariamente na mídia, e particularmente eu tinha solução paratudo isso. para combater o tráfico e a fragilidade do sistema carcerário; estávamos todos ali diante de um jogo de dama e um dominó; de vez em quando uma o outra piada sobre as preferencias clubísticas de um ou de outro, sobre deslizes e infidelidades de alguma esposa e brincávamos com coisas seriíssimas, como se fossem banalidades; como se aquilo não abalasse nossas estruturas emocionais.
Tomei mais algumas doses e cantarolei alguns boleros, como se assim, ninguém percebesse como me abalou a sua altivez, a sua aura, sua indiferença. Ela passou como um cometa, como se fosse parte integrante do sistema planetário; como se sua presença fosse parte indispensável à harmonia etérea . fiquei ali doendo a minha insignificância, tolerando sorrisos fáceis e palavras levianas; um falatório gratuito sobre a essência corrupta e indolente do nosso povo; sem o idealismo nato por honra e dignidade; afinal era o que me restava; mudo fiquei com minha mágoa, jamais falaria dessa paixão, e então a vida continuaria insignificante... não, não; jamais a vida seria insignificante enquanto houvesse sonhos e paixões; mesmo aqueles estavam ali, ébrios e desesperados, amuados com suas crises e seus vícios; desesperançados, mas se houvesse sonhos e paixões... se houver sonho provavelmente há paixões. O sonho faz orvalhar em qualquer deserto; paixão e sonho frutifica em qualquer solo. Ontem ela virou a esquina como se fosse um sonho; orvalhou sobre a minha paixão... parecia indiferente, mas era só dissimulação, era um jogo; o jogo jogo que me trazia aquela ansiedade, o jogo irresistível e fascinante do amor.

Inserida por tadeumemoria

Quero uma paixão hipertensa
como um colchão de arames farpados...

Inserida por tadeumemoria

Seus olhos eram pobres como as árvores do outono

Inserida por tadeumemoria

Milputasiuma é capital de Hamilputápolis que tem Cornópolis e Piranhópolis como seus maiores municípios; Vagabundagenhense é um de seus bairros; no centro da capital muitos bares e bordeis onde se ouve músicas bregas num volume alto, mulheres com maquiagens carregadas, trajando saias muito curtas e decotes exagerados, ingerem bebidas alcoólicas com olhares perdidos na abstração de suas vidas miseráveis. nas praças elas fumam suas ansiedades e confidenciam seus descaminhos que lhes conduziram às drogas e a prostituição.

Vagabundagenhense tem como pilar o tráfico que alimenta a prostituição e recruta jovens adolescentes para a vida do crime; tudo decorre numa total normalidade e por conta de guerras entre facções, jovens são executados muitas vezes por estarem em lugares errados na hora errada; repito, tudo dentro da maior normalidade.

Mas tudo Isso é ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Inserida por tadeumemoria

⁠"Aprender é como semear uma ideia; com paciência, ela se torna algo grandioso.

Inserida por leitoramel

Estrela em meus bolsos como grão de areia em minhas mãos,eu posso estar sozinho mas por dentro estou seguro,quando não quero ficar parado monto no universo e voô para ilusão..."estrelas em meu bolso ,universo em minhas mãos"

Inserida por alexlexton

O sigilo do luto no coração é como uma hemorragia interna que ninguém percebe... Mas a dor que vem dela , esgota o seu proprietário e pode levar à destruição.

Inserida por alexlexton

Faço parte da sociedade de consumo sem sumo...

"As pessoas pra mim são como lagos, eu avalio-as pelas suas profundidades..."

"Há um deus crucificado para cada judas que morre enforcado."

Inserida por tadeumemoria

BEATLES FOREVER
I WANT TO HOLD YOUR HAND

Há uma doce lembrança de como tudo acontecia , e a ânsia que condimentava a existência, dando um sabor especial ao mais simplório dos sonhos, desejos e fantasias. O beijo no rosto, o toque na mão, um afago, um olhar mais constante com todas as palavras que não saberíamos falar; e a magia concentrava-se exatamente no que deixaríamos de dizer, porque tudo vinha `a tona muito facilmente. Não havia a necessidade de naufrágios; de submergir uma emoção, para não deixar transparecer um sentimento, por aquilo poder demonstrar uma nítida fragilidade, era gostoso poder mostrar esse lado humano, assim era fácil edificar uma paixão bem alicerçada, sem temores de síndromes.
I want to hold your hand parecia ingenuidade, porem, segurar a mão significava pactuar a alma; a irresponsabilidade que pudesse transparecer era mera ilusão. E desfrutávamos também da ilusão dos cabelos longos, calças bocas de sino e chinelos de dedo. A longa e tortuosa estrada,(the long and winding Road), era a cronologia que nos levaria a todas as épocas, transpirando poesia por todos os poros, com a lucidez de uma adolescência que não faleceria aos dezoito anos . Hoje falamos em saudade sem o flagrante de um sentimento de perda, falamos em lembrança sem as abstrações dolosas da nostalgia; porque as tolas canções de amor (silly Love songs), são como trilhas sonoras para o nosso dia a dia.
Paul tinha a virtuose com a guitarra, George alimentava essa virtuose e, Ringo na bateria ajudava a luzir. John era o pilar de tudo isso e tinha a ideologia da paz, e como ninguém consegue viver pra sempre num submarino amarelo,(yellow submarine) John assumiu sua postura., contrario aos ataques no Vietnan,
E toda postura ofensiva dos estados unidos ...
No começo help soava como uma brincadeira de alguém que pedia socorro para seus momentos de solidão; hoje help soa como a profecia da violência gratuita de Chapman que se avizinhava. Chapman provavelmente nunca entendeu( Lucy in the Sky with Diamonds), provavelmente nem (with a little help from my friends), com uma ajudinha dos amigos, aliás acho que ele nunca os teve. ( Imagine), Chapman não teve essa capacidade; de posse de um autografo e uma pistola tentou se livrar de todas as suas frustrações...
Hoje eu relembro um pacificador e seu sonho, (give peace a chance), suas crises existenciais que faziam fluir o sarcasmo de Paul, George e Ringo em (get back), mas não posso entender, como um pacificador é assassinado como se estivesse numa batalha
Ouço yesterday e sinto saudades. Relembro Cazuza e procuro; “ideologia, eu quero uma pra viver.”

Tadeu G Memoria.

Inserida por tadeumemoria

CLAREANA

Um dia toda a tristeza vai cair como a chuva,
E toda a dor chorada vai sumir no esgoto,
E a solidão chegará como alívio
Abrindo portas e vidraças
Clareando e esclarecendo que esse mundo é teu...

Esses medos, um dia serão só segredos de um passado remoto,
Teus olhos brilharão mais que Vênus...
Mais que a rua quando passas na manhã ensolarada de verão,
Então o desejo guardado em teus lábios,
Beijará por paixão e amor
E o que foi dor será esquecimento...
E o pardal vai virar beija-flor...

Inserida por tadeumemoria

⁠ O domingo termina silencioso, como se tudo fosse um segredo e a noite lenta e enigmática me conduz às emoções mais profundas, as mais remotas, as densidades de todo sentimento e ressentimentos; chega um momento que tudo começa a se esvaziar e um buraco negro parece que ocupa todo o nosso universo interior, mas tudo deve ter um sentido; 'tudo tem um sentido'' grita um astronauta perdido nestas profundezas. é só um domingo que passa; isso pra quem não tem sensibilidade, pra quem percebe a violência se avolumando, o caos denuncia um apocalipse onde a humanidade é algoz de si mesma. descasquei uma banana, escrevi alguma coisa, mas os diálogos são sempre reticentes; o que pensam de mim não devia me perturbar tanto, mas não bloqueio essa inconveniência, nem disfarço a perturbação. algum dia vais compreender toda essa introspecção que me faz sorrir sozinho e todo o efeito desse silencio de alguns palmos e poucos minutos de espera... ah, eu não devia sonhar tanto, mas é isso que me mantém vivo, apesar de aumentar-me os pecados. "as manhãs ensolaradas têm menos brilho que a tua presença" Cecília talvez tenha algum poema com frase semelhante, mas essa é a marca legítima de um poeta romântico e anônimo; as paixões, os sonhos, os ideais me encantam; então imagino o sol caindo lentamente no horizonte, dourando nuvens esparsas num outono qualquer, alguém confidencia: "eu te amo". Deve ter acontecido muitas vezes, e muitas vezes ainda acontecerão; mas a mais bela das confissões fica presa num silencio obtuso, impressa num olhar piegas e insistente; pode parecer paradoxal, mas num mundo de zumbis também existiam anjos; e, a partir das quatro da tarde todos que passam em direção à praia, vão à cracolândia; era o que se passava na minha cabeça, e desde então o número de pedintes aumentava consideravelmente. A senhora com a camisa do mais querido do Brasil foi chegando, falando com as pessoas coisas que eu não ouvia com exatidão, mas já imaginava, era mais uma entre os pedintes que apareciam naquele horário; não tinha aspectos assustadores, mas só o fato de pedir já assustava, principalmente naquele horário. Falei-lhe em espanhol na tentativa de não ser compreendido para me livrar daquela inconveniência; ela respondeu e continuou falando em espanhol; me disse que era professora de história, e geografia, mas que tinha se contaminado com as drogas e então vivia daquele jeito. Falei-lhe de Deus, da Bíblia, dos preceitos cristãos; mas aquilo só detonava o que eu pudesse ter de esperança na humanidade; se as girafas que eu via na Quinta da Boa vista tivessem um pouco de sensibilidade, provavelmente elas se enforcariam, mas onde encontrar cordas e árvores resistentes para suportar o peso de uma girafa; e os ele
fantes... os elefantes jogar-se-iam do cristo redentor. Jocasta na varanda do nono andar, certamente contemplaria os moinhos de vento em Amsterdam, nem sei se seu nome é Jocasta, assim a chamo, porque de Jó ela nada tem, e casta ela não é; e como alguém de um condomínio em Belford Roxo contemplaria as flores de Amsterdã, só alguém muito distante, Jocasta; isso se ela não estivesse pensando em... meu Deus, melhor nem conjecturar essa hipótese. O "Dia" se encarregou da manchete: "jovem de 19 anos voa pra morte".
A segunda-feira chega lenta, consigo um poema e ainda sonho. Vejo a professora de história na escola onde o meu netinho leciona; parece que nem tudo está perdido, nem tudo está perdido; mas temos muito o que se procurar, temos muito o que se procurar dentro do que temos noção do que se tem de fazer e do que ainda não temos noção do que se deve ser feito. mas entre os folhetins, entre uma e outra viagem espacial, entre novelas que vão e vem, e renovam amores e remexem as saudades, descobertas, epidemias, pandemias; aparece esse feeling que ainda não tem rótulo, mas nos deixa alados e sonhamos, sonhamos, sonhamos... até que chega a nave... percebo a libélula, um alien assustador... eu tenho medo.

Inserida por tadeumemoria