No Silencio da Noite Sinto sua falta

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OS ABUTRES

Voluptuavam e voavam em rasantes de dia,
Como morcegos errantes na noite escura...
Pareciam falos sem testículos por companhia,
A poisarem no largo da minha freguesia,
Como aviões sem asas ou abreviatura.

Tinham enfiadas roupas de boa cagança.
Aquela tentação de pelo hábito conquistar
O que o monge não conseguiu na esperança
De querer despi-lo, para um bom defecar.

Purguem-se, dejetem rijo ou de soltura, vilanagem!
Ó abutres ceguinhos, cofres podres com dinheiro,
Prefiro uma tosca foto do demónio sem imagem,
Que sentir o execrável perfume do vosso cheiro!

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-07-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro


ELA

Café e tasca na aldeia.
Era sábado de cálido verão.
A noite teimava na ideia
De não querer o escuro
Como um muro
Que lhe tapasse a visão.

O poeta entrou e nada comunicou.

De pé, observou uma pintura naif
Escarrapachada
Na parede do café triste
E imaginou
E mais não disse
Mas sempre observando.

Eram só dois, para ele olhando.

Um ébrio, de pé e uma mulher sentada
Que dali a nada veio ter com ele, eu,
A perguntar se gostava da pintura
Da parede triste e abandonada.

Na conversa dela com o poeta,
Este correspondeu pela certa.

Falaram, cultivaram e quiçá divagaram...

No final, despediram-se,
Prometeram ficar amigos
Nestas coisas das redes sem trapézio,
As sociais redes de perigos
Que só vingam no mistério
De ser pessoa com mais artigos.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 07-08-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

NA NOITE

⁠Era noite escura,
Tudo invitava ao descanso,
Até o rugido do mar era manso,
Convidando ao remanso.

Nisto, o chiar de pneus no asfalto,
Como um grito alto
Na noite serena e pura
Toda silêncio de negrura.

Gritos e bebedeiras loucas na noite.
Músicas tolas debitadas às paletes,
Que mais pareciam um açoite
Nos ouvidos, como foguetes
Estourando nas retretes.

Era uma discoteca na estrada,
Urros de animais grotescos,
No rebentar de fluidos
Dos possuídos
De duas patas quixotescos.

E a noite ia avançando
A chorar pelo seu descanso,
Já em maré de balanço.

Lembrou-se então,
Com emoção,
Dos tempos
De outros tempos,
Que era a dona do serão.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-10-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

CORUJA NA NOITE

⁠Ave agoirenta que pela noite cantas
O teu chorar negro e triste, piedoso,
Ó coruja bruxa, és só tu que espantas
O meu sonhar tornado em teu gozo.
Nunca o presságio da morte
Seja o teu piar fúnebre de sorte;
E que eu viva sem ser soturno
Como esse teu gritar noturno.
Tens sibilas de assobiar
Medos e enredos de arrepiar,
Nos ares e arfares intranquilos
Das profundas dos pulmões,
Ó coruja dos meus sarilhos,
Castradora de emoções.
Não me queiras comer vivo
Que apenas sou um nativo
Das correntezas da noite,
Tela escura, meu açoite,
Chicote nas minhas costas,
Em carne viva às postas.
Não esperes amores de mim
Ó coruja malhada das torres,
Eu só queria no meu fim
Não ouvir o teu piar,
Esse tão sombrio cantar,
Ó ave das minhas dores.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-01-2024)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠LOGRO

Era de noite
Às três da tarde
Daquele dia
Numa manhã
Irmã,
Como eu, órfão
Da lua
Que anuncia
O sol na solidão
De uma vida vazia.
Havia, ai Deus, como havia
Logro naquele sol
Que quis passar pela lua,
Antes do dia amanhecer
No calor que arde
Como chicote açoite
Nas costas do entardecer
Das minhas costelas nuas
E das tuas,
Se estivesses comigo,
Te digo,
Naquela noite.
Só depois na modorra
De estancar o sangue
Exangue
Das feridas,
Minha alma saiu fora
E disse:
- Malditas, tais investidas!
Trôpego, então respondi:
- Vos arrenego, almas perdidas,
Do antes e do agora!

(Carlos De Castro, In Há Um Livro Triste Por Escrever, em 19-04-2024)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠DATAS NA CONJUGAÇÃO DO VERBO SER

Era a noite da revolução,
Era o vinte e quatro de um Abril
De lágrimas mil
Num Argoncilhe
Que era mansão
E coutada de gentes
Da delação;
Ainda agora os hão,
Nunca diferentes
E sempre pelo não.
Eram os dezoito de vida
Do rapazola que eu era então.
Era o ano que me dava
E depois me roubava daí por três,
A vida de minha mãe
Que Deus levou e tem
Sem mais porquês.
É hoje, neste mesmo dia
De um vinte e cinco de Abril,
Daqui a tão poucas horas,
Que meu padrinho de batismo
Desce à terra do campo santo,
Fria,
No seu gélido manto.
Lá se foi a alegria
Da festa do simbolismo
Daquela madrugada fria
E ainda hoje eu cismo
Ao defecar na privada,
E de encontro ao já pensado
Pelo meu povo castigado:
"Eles" sorvem tudo
E não deixam nada!...

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 24-04-2024)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠Medo nas águas

Beto, o barqueiro, acostumado às águas do Rio Tapajós. Numa noite quente de setembro, em aparente calmaria, termina seu dia. No bar, senta-se em uma cadeira desconfortável, bebe um refrigerante em uma garrafinha de 600ml. Ele gosta dessas, a garrafa de vidro, que parece de cerveja.
O dia tem agora a calmaria, e é bom porque desde cedo o que passou nessas águas foi medo. Parece que o valor que ganhou nem é tão considerável levando em conta os contratempos do dia.
Na primeira viagem, às 6 horas da manhã, depois de 45 quilômetros pelas águas e quase 2 horas de trajeto, o vento agitou muito as águas, e o barco sentiu dificuldade em desbravar. A cada onda levantada, o Beto manobrava o barco para não bater de frente com as águas agitadas. E nisto, o barco se enchia de água, e o medo entrava junto, de maneira que os 6 passageiros gritavam a cada vez que uma onda se levantava. Ao avistar uma margem, dois dos passageiros pediram para descer. Desistiram de ir até o final da viagem.
Na hora do almoço, enquanto Beto amarrava o barco, seu telefone caiu na água. Enquanto tentava resgatá-lo – sem sucesso –, os ponteiros do relógio não pararam. Foi tempo suficiente para que o único restaurante do pequeno distrito de Fordlândia fechasse, e ele ficasse sem almoço. Comeu uma coxinha fria, com gosto de celular molhado, estragado, e de prestações a vencer.
Agora, termina os afazeres com a sensação de calmaria para seu dia turbulento. Pensa na terça-feira e na família, que está sem notícias suas desde cedo. Na hora que iria dar notícias, o telefone caiu na água e não funcionou mais. E pelo visto não mais funcionará.
Sentados em volta de uma mesa, à frente, quatro rapazes esperam a partida de Beto. Planejam ir de Itaituba até o distrito em que Beto encerra seu dia, Fordlândia. Um lugar pequeno, com muitas casas de madeira, suspensas, uma praia bonita, e duas pousadas, sendo que nenhuma delas tem televisão no quarto. Algumas construções abandonadas, projetadas por americanos, do princípio do século passado.
Os rapazes comentam o medo que passaram durante o dia, já na hora do crepúsculo, nas estradas de terra, quando o pneu do carro estourou, e o motorista, inexperiente, perdeu o controle do automóvel. Por um momento, todos pensaram que morreriam, pois em meio à poeira, só viam um par de olhos brilhantes se aproximando do veículo. Quando conseguiu parar o carro num cantinho bem apertado, o caminhão passou em alta velocidade, levantando mais poeira e sumindo no meio dela.
Pelo visto, tanto os rapazes quanto o Beto precisam descansar.
Um amigo, seu Neves, faz a carga no barco enquanto Beto espera. O desânimo é muito grande. O seu plano era esperar ali, olhando status no seu whatsapp, no smartphone novo, rindo de alguns, criticando outros. Tinha feito isso no sábado e gostou muito.
Neves grita, "Betão, tudo ok aqui".
Beto acena para os rapazes, que o seguem. Caminham em direção ao barco.
Ao chegar na embarcação, Beto fica olhando, sem coragem de entrar. Um dos rapazes chega a entrar, senta-se no banquinho duro, mais à frente do barco.
Neves, com muita calma diz, "É bom que tem quatro passageiros. Cada um segura uma alça do caixão. Quando chegar lá, leva para a igreja. A família está à espera do corpo, estava desaparecido nessas águas há uma semana."

Inserida por EvertonArieiro

⁠O tempo é igual à todos. Não se deve descuidar, vigiai noite e dia dos pormenores, pois é na sutileza que mora a real diferença.

Inserida por rosa_brasil

⁠Naquela noite, a gente foi o ácido nítrico e o ácido sulfúrico E o nosso beijo foi explosivo.

Beijo Explosivo (série)
1ª temporada, episódio 1.
Inserida por pensador

A noite chegou trazendo beleza, carinho e mansidão...
Tudo que conforta o espírito e acalenta o coração.

Inserida por AnnaLRamos

Felicidade sem formas.
Marcel sena

Noite sombria sobre luar tão belo
Orvalho que cai e a terra umedece
A lua se esconde o sol aponta
Raios de luz aquecendo corpo.

Nada precisamos falar
Nem todos precisam notar
Sobre a lamina da agua reflete a beleza
Que na alma fora tocar.

No vento o som ecoa
O retumbar de um coração
Som inocente cheio de significado
Melodia na harpa de Orfeu orquestrada.

Caminhos estreitos feitos de terra
Barreiras sempre hão de vir
No embalo de um Deus onipresente
Sentimento abençoado sempre vai ser.

Felicidade se faz presente
Nesses simplificados corações
Podem as noites não ter estrelas
Mas somente sua luz ilumina o coração.

Inserida por senagel

⁠"Tem gente que prefere passar a vida reclamando da sensação do domingo à noite, a começar a viver de verdade."

(Do livro Dente-de-leão: a sustentável leveza de ser")

Inserida por ademiro_alves

Acabei de acordar estou pensando como fazer para lhe esquecer
a noite foi longa despertei agora
com entorpecimento na alma no corpo

minhas pernas tremem os olhos estão pesados aqui do meu lado esta a solidão companheira inseparável das madrugadas,

Madrugadas longas com dias curtos lembranças que dói cortando o peito fazendo de mim amante da tristeza,

não quero viver por mais tempo essa pesada falta de vocẽ, não quero mais ter lá em meus braços jurando amor falso me deixando na cama namorando a melancolia.

Inserida por MarcosGuedes

⁠O SALVADOR
Dia e noite estamos buscando a sobrevivência para se manter aqui pelo menos mais um dia, estamos indo ao médico para ter Boa Saúde, às vezes a caminho do trabalho muito perdem a vida, o que é justo e o que é justiça? Tristeza Homens e mulheres deixa filho, mãe, pai e amizades, deixa de fazer o bem para muitos por que o mal a interrompe dentro de um ônibus a caminho do trabalho, isso é isso é bisonho.

Inserida por MarcosGuedes

⁠Você tá mega-atrasada pra curtir uma aventura. Mesmo que seja só por uma noite.

Inserida por pensador

⁠"Na noite de Natal, tire aquela selfie super especial com as pessoas que você ama, e acima de tudo SORRIA..." (Cafaggion)

Você chegou e a noite se foi.
Então descobri que ao lado de uma pessoa iluminada é sempre dia.

Inserida por abraatiko

Móvel bipolar:
De dia, sofá.
De noite, cama.

Inserida por abraatiko

Se um finge de noite quando outro acorda de lua só para não contrariar, é amor.

Inserida por abraatiko

E na calada da noite a música crescer dentro dele,
feito uma flor que ele rega pelo ouvido.

Inserida por abraatiko