Ninguem se Encontra por Acaso
Oração da Vocação que Clama
Senhor Deus,
Tu vês o que ninguém vê.
Há um vazio dentro de mim que não é falta de pessoas,
não é falta de trabalho,
não é falta de sonhos.
É algo mais profundo.
É a sensação de que existe uma vocação que ainda não está sendo cumprida.
Eu não sei explicar.
Se me perguntarem, eu não saberei responder.
Mas Tu sabes.
Porque isso é coisa da alma —
e da alma só Tu entendes.
Se esse chamado vem de Ti, confirma-o no meu coração.
Se esse desejo de servir e anunciar é Teu, fortalece-me.
Arranca de mim o medo que paralisa
e dá-me coragem para obedecer.
Ninguém precisa pensar como você para merecer respeito...
Exigir pensamento único é confessar fragilidade intelectual.
A natureza é nossa casa, não nosso brinquedo...
Pois ninguém nasceu para ser ferido:
nem o homem,
nem o animal,
nem a própria vida.
Mesmo que uma criança ou adolescente cometa um crime bárbaro. Ninguém pode defini-los como psicopatas, pois ainda não possuem a personalidade formada por completo. O termo correto é transtorno de conduta, que pode se estender ou não na vida adulta.
A vida é um amontoado de despedidas, onde ninguém sabe qual é a derradeira.
A vida, em essência, é uma sucessão de chegadas e partidas.
Um amontoado de despedidas silenciosas que se acumulam, quase sempre sem aviso.
Nunca sabemos qual abraço será o último, qual conversa não se repetirá, nem qual olhar se prenderá eternamente na memória.
Talvez seja justamente essa incerteza que valorize o instante — a consciência de que ele é frágil, transitório, irrepetível.
Por isso, a vida nos convida a viver cada encontro com reverência, cada presença com gratidão e cada despedida com a delicadeza de quem entende que até a separação faz parte do milagre de existir.
No fim, não é a derradeira despedida que mais importa, mas sim a intensidade dos encontros que a antecedem.
Sem naufragar no abismo das próprias misérias, ninguém conseguiria comemorar o infortúnio de alguém.
Mas, se parar para pensar, essa comemoração revela mais sobre o vazio de quem celebra do que sobre o destino de quem caiu.
É como se a dor alheia funcionasse como anestesia momentânea para a própria carência.
No entanto, a alegria construída sobre a queda do outro é sempre frágil: dura pouco, envenena devagar e nunca preenche.
A verdadeira libertação não está em aplaudir a ruína do outro, mas em resistir ao impulso de medir a própria vida pela infelicidade alheia.
Quase todo mundo lendo — quase ninguém interpretando. Seria um começo admirável, se o fim não negasse os meios.
Talvez acreditar que mais ninguém esteja Ferido — seja só outra forma medonha de Ferir.
Porque a dor, quando não ouvida, vira eco.
E quando presumimos que o mundo está inteiro, deixamos de perceber os cacos que alguém tenta segurar com as próprias mãos.
A verdade é que ninguém sai ileso da travessia — enquanto uns sangram por dentro, outros tentam esconder os cortes com sorrisos.
Estamos quase todos lutando com dores, dificuldades e problemas…
Ainda que diferentes.
Mas ignorar o sofrimento alheio é como esbarrar em uma ferida aberta fingindo ser só o vento.
Empatia não é diagnóstico — é presença.
É a coragem de admitir que talvez o outro também esteja lutando uma guerra que não machuca e apavora somente você.
E que às vezes, só de reconhecer a batalha, já deixamos de ser um potencial inimigo sem perceber.
Se não soubermos enxergar a dor do outro, a nossa também ficará sem testemunha.
E nada fere ainda mais do que sofrer sozinho num mundo que insiste em parecer inteiro.
A vulnerabilidade compartilhada e o reconhecimento mútuo do sofrimento são, talvez, os caminhos mais curtos para nos sentirmos menos frágeis em um mundo tão quebrado.
Em meio a tantas dores, dificuldades e problemas, quem presume não tê-los — ou imagina que o resto do mundo segue ileso — acaba sendo, sem perceber, a parte mais perigosa deles.
Os pregadores de hoje não têm vocabulário algum. Ninguém menciona adultério, fornicação ou apostasia. Mudamos nosso vocabulário. Adultério é ter um caso, fornicar é apenas ser sexualmente ativo e ninguém mais se desvia apenas por causa da comunhão.
Pastor e Avivalista Metodista
A moda agora é dizer:
"respeite minhas escolhas."
Concordo.
Mas ninguém me convence de que gostar de alguém seja simplesmente abrir a porta e assistir a pessoa caminhar para o incêndio enquanto desejamos "boa sorte".
Isso não é respeito.
É covardia vestida de liberdade.
Quando você gosta de alguém — pouco importa se é amigo, amante, irmão ou aquele sujeito que apareceu na sua vida sem pedir licença — existe uma dívida que nasce no mesmo instante. Não dessas que o juiz cobra. Essas são fáceis. Você assina um papel, paga uma multa, faz um acordo.
Estou falando daquela dívida que aparece às três da manhã.
Aquela em que o travesseiro pesa mais do que um caixão.
Você avisa uma vez.
Depois avisa outra.
Mas, se a desgraça insistir em seguir adiante, talvez o gesto mais honesto não seja ficar na calçada dizendo "eu te avisei".
Talvez seja caminhar junto.
Se possível, um passo à frente.
Não para impedir a queda.
Ninguém salva adulto de si mesmo.
Mas para que, quando a queda vier, exista uma mão entre o asfalto e o rosto.
Porque amor não é entregar o endereço da farmácia.
É aparecer com o remédio.
É passar a madrugada acordado quando a febre não baixa.
É dividir a culpa quando tudo dá errado, mesmo sabendo que ela nunca foi inteiramente sua.
Hoje confundem afeto com legenda de fotografia.
Compromisso virou reação de emoji.
Cumplicidade virou confirmação de leitura.
E "eu gosto de você" passou a significar algo tão descartável quanto o guardanapo usado depois da sobremesa.
Declarar afeto custa o movimento da língua.
Participar da vida do outro custa tempo.
Sono.
Dinheiro.
Paciência.
Às vezes, orgulho.
E quase sempre um pedaço da própria paz.
Por isso existe tanta gente apaixonada e tão pouca gente comprometida.
Os rótulos também ficaram engraçados.
"Estamos ficando."
Ficando o quê?
Mais velhos?
Mais vazios?
Mais especialistas em chamar ausência de liberdade?
Porque, no fim da noite, quando a conta chega, ainda acho que certas responsabilidades não deveriam precisar de assembleia para existir.
Pode me chamar de antigo.
Ainda sou do tempo em que o sujeito puxava a cadeira, pagava o jantar sem transformar isso em discurso político e acompanhava a mulher até a porta para ter certeza de que ela entrou em segurança.
Não era machismo.
Era presença.
Hoje confundem presença com controle.
Confundem abandono com maturidade.
Confundem omissão com respeito.
E depois perguntam por que o mundo parece tão frio.
Não é o planeta que esfriou.
Foram as pessoas.
Elas aprenderam a dizer "conte comigo" sem jamais aparecer.
Aprenderam a escrever "te amo" com os polegares e desaparecer quando a ambulância liga a sirene.
No fim, o universo continua fazendo sua contabilidade silenciosa.
Não usa tribunal.
Não usa testemunhas.
Não precisa de advogado.
Só coloca você, um quarto escuro, um travesseiro e uma memória.
Ali acontece o único julgamento que realmente importa.
Porque existem absolvições que vêm no Diário Oficial.
E existem condenações que dormem ao seu lado para o resto da vida.
Em algum momento
Normalmente aquele, em que ninguém vê
A semente rompe em broto
E germina
Vem a luz do Sol, um alento
Presente em não sei o quê
A força oculta, o broto em folha
A vida segue o seu rumo
Regada de esperança e alegria
Alternando dia e madrugada
Vem tudo, tudo que se vê
E o oculto também
Do Céu, do chão, de mais além
Você não acredita e nem duvida
Não dispensa a devida atenção
Mas em algum momento
Normalmente naquele em que ninguém olha
Alegria perde a força, esperança se vai
Cai a folha, nada muda
Prossegue
Não precisa licença ou ajuda
Caem a chuva e as lágrimas, cai o pano
E tudo se renova, de acordo com os Planos
Mas ninguém percebe
É uma eterna procura
Olhando pra todos os lados
Sem prestar muita atenção
Na sequência que se alterna
A semente rompe em broto
E termina
A altercação diminuta
Pois a vida não é disputa
É só vida
Fala e grita em silêncio
Pode ser que seja
Do jeito que penso ou não
Pouca diferença há no final
Afinal
Não se escuta a voz da vida.
Edson Ricardo Paiva
