Ninguem Perde Ninguem
Não conheço ninguém que durma menos que um poeta, pois, às três da manhã, estamos ainda acordados, admirando a lua.
A verdadeira pureza do amor não busca ser dona do caminho de ninguém, mas celebra, em silêncio, cada passo de quem se ama em direção à paz.
Chegada ao Mundo
Na chegada ao mundo, um sopro de luz,
um caminho aberto que ninguém traduz.
Aprendendo a cada dia, sigo a caminhar,
o que nos livros jamais eu poderia encontrar.
Sem paredes para me agarrar,
descubro no vento o segredo de voar.
No botão de uma rosa, tão frágil, tão forte,
aprendi que o amor é quem guia a sorte.
Ali encontrei a vida em sua canção,
a fé que floresce no coração,
a força que ergue quando tudo desaba,
o poder que brota quando a alma se cala.
Sou aprendiz da terra, do céu, do mar,
na escola do tempo, venho me formar.
E cada dia é milagre, é eterno saber,
que a vida é um livro que só se escreve ao viver.
Seja cientista de si.
Ser cientista de si é abrir gavetas onde ninguém jamais olhou, é encontrar restos de ecos antigos e etiquetá-los com rigor e reverência. Cada memória se torna um organismo estranho, cada emoção, um vírus que infecta sem aviso. Não se trata de curar, mas de observar: estudar as mutações do próprio desejo, as derivações do medo, as metamorfoses do amor que insiste em nascer nos lugares errados.
O corpo é um microscópio que às vezes faz truques com a mente — é um campo de ensaio onde hipóteses explosivas dançam e se desintegram em segundos. Ser cientista de si é aceitar que não há controle, apenas registro. Registrar a instabilidade, o colapso, a beleza que surge do caos interno. É perceber que algumas experiências não se replicam, algumas falhas são únicas, algumas feridas ensinam mais que qualquer vitória.
E no centro desse laboratório, no silêncio que não cabe em palavras, surge a maior descoberta: que o sujeito estudado é também quem observa, e que cada experiência de si é um prisma que reflete infinitos mundos. Ser cientista de si é um gesto de coragem quase selvagem — olhar para dentro e perceber que o experimento nunca termina, e que cada segundo é irrepetível, insubstituível, imprescindível.
Existe um luto que quase ninguém nomeia: o de deixar de ser quem aprendemos a ser para abrir espaço para quem já estamos nos tornando.
Opinião impopular:
Não gostar de trabalhar só é mal visto se você for pobre. Ninguém implica com rico vagabundo
Alma Incendiada
É carregar dentro do peito um fogo que ninguém vê,
mas que transforma tudo aquilo que a alma toca.
É arder no silêncio, sem saber o porquê,
enquanto a noite, lenta e fria, à minha porta bate e evoca.
Alma incendiada é aquela que, mesmo em meio às cinzas, conserva dentro de si uma chama que se recusa a morrer.
É guardar sob as cinzas aquilo que não se diz,
um pranto adormecido, uma saudade infeliz;
é ter no peito um incêndio e, nos olhos, solidão,
é esconder entre sorrisos os abismos do coração.
É caminhar entre ruínas, sem saber onde chegar,
com os sonhos em silêncio, mas ainda a respirar;
é trazer na própria alma as marcas do que passou,
e amar aquilo que a vida, um dia, quase apagou.
Há almas que são feitas de tempestade e de brasa,
que carregam o inverno mesmo estando em casa;
e quanto mais a vida lhes ensina a sofrer,
mais fundo se incendeiam na vontade de viver.
Pois há fogos que não queimam — apenas fazem recordar
tudo aquilo que perdemos, tudo aquilo que quisemos amar.
E há chamas tão antigas, tão difíceis de extinguir,
que fazem da própria dor uma razão para existir.
Alma incendiada é silêncio que não cessa, é ferida que se fecha, mas jamais se confessa; é morrer um pouco em cada despedida,
e ainda assim guardar uma chama pela vida.
Porque talvez viver seja exatamente isto:
ser cinza e ser fogo, ser lágrima e ser riso;
carregar dentro do peito o que ninguém pode ver
e, mesmo quando tudo acaba, ainda escolher renascer.
Naquela Noite Estrelada.
Em uma noite estrelada,
sem ninguém para nos observar,
somente eu e ela,
e um sentimento difícil de explicar.
Era descoberta, era encanto,
era medo de se deixar sentir,
algo que parecia errado,
mas impossível de impedir.
Dois corações tão confusos,
sem saber onde chegar,
ligados por um fio invisível
que insistia em nos aproximar.
Chamam de conexão,
coisa de alma, talvez destino,
um encontro improvável
escrito em algum caminho.
Vieram doces madrugadas,
longas horas sem perceber,
pois quando estamos juntas,
até o tempo parece esquecer.
Parece parar por um instante,
só para nos contemplar,
como se quisesse entender
por que duas almas decidiram se encontrar.
Éramos distantes,
cada uma em seu próprio lugar,
mas talvez, desde sempre,
vivêssemos no mesmo olhar.
Dois mundos, duas histórias,
dois corações em contramão,
que descobriram, sem saber,
a mesma direção.
E naquela noite estrelada,
quando o silêncio veio nos envolver,
o universo pareceu sussurrar:
há encontros que nascem
muito antes de acontecer.
TALVEZ O VENTO JÁ SOUBESSE
Dizem que o dente-de-leão
guarda desejos que ninguém consegue dizer,
e quando o vento espalha suas sementes pelo chão,
leva consigo aquilo que se deseja viver.
Eu nunca fui de acreditar em sinais,
nem em destinos desenhados no céu;
sempre achei que encontros eram apenas acasos,
até você atravessar o caminho meu.
Você chegou sem aviso ou previsão,
sem promessa, sem hora, sem direção,
e, ainda assim, alguma estranha sensação
fez morada silenciosa no meu coração.
Foi só um olhar — talvez coincidência.
Foi só um sorriso — talvez distração.
Mas certas coisas desafiam a ciência
quando encontram a exata frequência do coração.
Porque existe alguma coisa em você
que eu não consigo simplesmente ignorar;
quanto mais tento não perceber,
mais meu pensamento encontra um jeito de voltar.
E talvez seja isso que me assusta:
não parece apenas vontade de querer.
Existe uma certeza quieta e justa
de que há algo entre nós para acontecer.
Talvez você não tenha percebido,
talvez ainda duvide do que pode ser;
mas há encontros que chegam despercebidos
e mudam tudo antes mesmo de a gente entender.
Eu poderia chamar de acaso,
culpar a lua, o tempo ou o luar;
mas seria covardia esconder o que sinto
atrás de palavras que tentam disfarçar.
Porque, se existe uma pergunta
que insiste em voltar para mim,
não é mais “será que pode dar certo?”,
é “por que não tentar até o fim?”
Não quero prometer um conto perfeito,
nem dizer que não haverá medo ou contramão;
quero apenas mostrar que, se houver um jeito,
eu escolho tentar com o coração.
Se você me der uma chance,
uma brecha pequena, um instante sequer,
eu não prometo saber o que o futuro alcança,
mas prometo descobrir com você o que ele quer.
Porque eu não preciso de certezas absolutas
para acreditar no que sinto por você;
algumas verdades nascem justamente das dúvidas,
e a minha já começou a florescer.
É estranho...
Eu não sei quando começou,
nem em que momento deixou de ser acaso;
só sei que, quando o teu olhar me encontrou,
alguma coisa mudou de lugar dentro do meu espaço.
E se isso for loucura,
que o vento carregue minha razão;
mas se for verdade, que nenhuma dúvida
seja maior que aquilo que diz o coração.
Então, quando encontrar um dente-de-leão
e suas sementes dançarem sem direção,
não pense que é somente o vento em vão —
talvez seja o universo testando uma intenção.
Porque eu já sei qual seria meu pedido
se pudesse escolher uma única coisa para acontecer:
que você me dê uma chance,
não a promessa de ficar,
apenas a coragem de tentar.
Tentar sem saber onde vamos chegar,
mas sabendo que existe algo para descobrir;
tentar sem medo de se entregar ao acaso,
mas com vontade suficiente para insistir.
E talvez, depois de algumas tentativas,
de alguns medos vencidos e noites sem fim,
a gente descubra que certas histórias bonitas
não começam com certeza —
começam com um simples “sim”.
Eu não sei se o destino escreveu teu nome,
nem se o vento já sabia onde te levar;
mas sei que, entre tantos caminhos possíveis,
você foi justamente quem veio me encontrar.
E hoje já não parece apenas desejo,
nem sonho que a manhã pode desfazer.
Há uma certeza escondida em cada ensejo:
eu sinto que é você.
Talvez você seja a pessoa certa,
não porque tudo será fácil ou perfeito,
mas porque, mesmo diante da incerteza,
meu coração ainda escolhe o teu jeito.
E se você também sentir, nem que seja um pouco,
se houver em você a mesma vontade de tentar,
talvez não seja preciso entender tudo agora —
talvez só seja preciso começar.
Deixar o medo para depois.
Deixar o destino respirar.
Dar uma chance para nós duas
e descobrir o que pode se revelar.
Porque talvez o amor não seja uma certeza
que chega pronta para a gente compreender;
talvez seja uma semente delicada
que só floresce quando alguém decide não correr.
Então eu deixo meu desejo voar,
como as sementes que o vento conduz.
Não para pedir que você venha me amar,
mas para pedir que descubra se existe luz.
E, se alguma delas pousar no teu caminho,
talvez você finalmente possa entender:
não era só o vento me trazendo até você.
Talvez fosse você
a pessoa certa
que o meu coração já sabia reconhecer.
E se você me der uma chance,
se permitir que a história comece a acontecer,
eu não prometo que o caminho será perfeito —
mas prometo que vale a pena tentar.
Porque, entre todos os desejos que o vento poderia levar,
existe apenas um que eu escolheria guardar:
você.
E talvez essa seja a única certeza
que eu não precise mais questionar.
Honre os sonhos que você carregava quando ninguém dizia que era impossível. Continue caminhando, mesmo devagar. Continue tentando, mesmo cansado.
Porque, no fundo, existe uma criança olhando para o adulto que você se tornou, torcendo para que ele tenha a coragem de viver a vida que um dia prometeu construir.
"Ninguém precisa saber da tempestade para que ela exista; às vezes o pior temporal é o que acontece dentro de casa."
