Nao Vou Mentir

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Hoje o dia esteve diferente, não leve, mas com menos pesar.


Respirei sem pedir licença.
Andei sem fugir dos pensamentos.
Alguns vieram, outros cansaram de bater.
Aprendi que nem todo silêncio é vazio.
Às vezes é só descanso.
Não foi um dia bom.
Foi um dia possível.
E, honestamente, isso já é avanço.

Viver, nesta terra, não é euforia.
É insistência lúcida.
E isso basta.

“Não me perdi. Eu me encontrei onde você nunca teve coragem de ficar.”

A saudade veio sem pedir licença. Sentou. Ficou. Não explicou nada. Só ocupou espaço.

Acontece.
As pessoas mudam.
Os afetos se transformam.
Algumas promessas não sobrevivem ao tempo.
E mesmo assim, certas histórias não se apagam.
Só aprendem a existir de outro jeito.

Acontece.
E a vida não pede permissão.
Só segue.
Quem sente aprende a andar diferente.
Quem foge repete.

"O símbolo que não fecha"


O infinito não promete.
Ele insiste.
Não tem começo, não aceita fim,
só dobra o caminho pra continuar existindo.
É o amor que não coube no tempo,
a dor que aprendeu a respirar sozinha,
o retorno eterno de quem vai
mas nunca some de verdade.
Infinito é laço, não linha reta.
É cair e voltar diferente,
errar com memória,
seguir mesmo cansada.
Não é pra sempre.
É apesar de tudo.

“Ela apareceu sem aviso, dessas presenças que não fazem barulho, mas mudam o clima do lugar.”

Amor é quando dá medo e, mesmo assim, você fica.
Não porque precisa, não porque falta algo, mas porque escolhe.
O resto é apego com fantasia bonita.

Se achar mais e ser difícil não obriga ninguém a se diminuir para caber no seu mundo.
Só afasta oportunidades e expulsa pessoas boas do caminho.

Gostar da energia de alguém não obriga você a aceitar desconforto gratuito.
Interesse saudável aproxima, não cria pedágio emocional.

Quando alguém quer, a pessoa não cria obstáculo bobo, não desacredita, não faz você se sentir em débito permanente. Interesse real é simples. Pode até ser tímido, mas não é hostil.

Eu cansei das pessoas difíceis
não das profundas
das difíceis por ego, por pose, por medo mal disfarçado.
Cansei de provar quem sou
como se afeto fosse currículo
e presença precisasse de carimbo.
Hoje eu escolho o simples
não o raso.
O simples que fica
o simples que não some
o simples que não humilha para se sentir maior.
Se for para andar junto
que seja leve.
Se for para doer
que ao menos valha a verdade.
O resto
eu deixo para quem ainda confunde distância com valor.

Ela é brava, temperamental, sabe o que quer, não se diminui para caber no mundo de ninguém, em seu dia mais sublime, o estado alterado de consciência à revela, fêmea selvagem, das que encantam e assustam....

Ela anda como quem não pede licença
e fala como quem já decidiu não agradar.
Quando entra em silêncio, o ar muda.
Quando sorri, não é promessa, é aviso.
Não se explica.
Não se desculpa por ser intensa.
Carrega cicatrizes como medalhas discretas
e desejo como fogo que não pede permissão para existir.
Tem algo de antigo nela,
uma memória de mata fechada,
de lua cheia observando de longe,
de quem sabe fugir e sabe ficar,
mas só fica se for inteiro.
Encanta porque é viva.
Assusta porque não se dobra.
E quem chega perto
precisa entender uma coisa simples e dura:
ela não é para ser domada,
é para ser respeitada.
Se tentar menos que isso,
ela vira vento
e some sem olhar pra trás.

Moça do Wi-fi

Ela é bela, com um ar europeu e um mistério que não se explica.
Índia de longas madeixas, pele clara marcada pelo sol e pelo tempo.
Ama tatuagens porque entende o corpo como território de memória, não de enfeite.
Carrega nas costas o peso do mundo, não por escolha, mas porque alguém tinha que segurar.
E ainda assim caminha com a alegria de quem decidiu viver, mesmo atravessada por experiências que nunca pediu, nunca chamou, nunca mereceu.
Tem olhos que já viram demais e um silêncio que diz tudo.
Não é frágil, é cansada.
Não é distante, é profunda.
E segue, porque parar nunca foi uma opção oferecida a ela.

Fechar a carteira emocional


Não é o outro que me deve,
sou eu que insisto em pagar parcelas
de um contrato nunca assinado.


Chamo de amor,
mas é vício de apostar no cavalo errado,
mesmo sabendo que não vai cruzar a linha de chegada.


Um dia, o estalo:
o banco não é deles,
a moeda sempre foi minha.


Fecho a carteira.
Corto o crédito.
O débito evapora.


E descubro, enfim,
que liberdade não é conquistar amores distantes,
é escolher e não financiar ilusões.

A gente não escolhe o que sente, mas escolhe o que faz com isso quando chega outro momento.

Sou casa agora,
mas não serei teto para sempre.
Meu lugar me chama de longe,
e quando eu for,
levarei comigo
a certeza de que amei inteiro.

"Quem se acostuma a receber não aprende a respeitar."

"Quem só aparece quando precisa de dinheiro não sente tua falta. Sente tua utilidade."