Nao Vou Mentir
Uma coisa que eu nunca poderei me arrepender no final da minha vida, é não ter dado oportunidade aos outros. Oportunidade de me surpreenderem, de me machucarem... Todos sempre tiveram seus momentos comigo. O que fizeram com a oportunidade que eu dei é onde mora o dilema.
Às vezes precisamos viajar. Não digo conhecer outros lugares, isso também é bom, refiro-me ao nosso território interno. É preciso mergulhar, descobrir cada lugar, o recôndito mais profundo. É que não devemos nos perder de vista, nossos olhos têm sempre que nos acompanhar, ver onde estamos e o que fazemos.
Dizer que teu sorriso é lindo
Não é meigo, é clichê
Legal seria se enquanto pra sempre
Sazonássemos em portento
Somos a metade que não se conclui. A fala muda. O discurso silencioso. O dito não dito. Somos então um enredo que pensa acabar o inacabado.
Comigo é assim: Eu não faço cerimônia. Se eu não gostei, eu falo mesmo! Pode chamar a minha atitude de egoísmo, mas no meu lugar, nem o mais famoso palhaço aguentaria. - Não quero ser piada, muito menos no meu pior dia.
Não seja vulgar,sua beleza vai além dos que os olhos vêem,além do que os outros podem imaginar,lembre-se: quando os olhos já vêem tudo que deviam imaginar, acaba perdendo a graça, bonito não é o que os outros vêem e sim o que você quer mostrar para que os outros pensem...como você é.
É esse gelo por dentro que eu não consigo entender. Você se doou tanto quando eu não pedia, e no momento em que pela primeira vez pedi, você negou, você fugiu. É esse seu bloqueio de aço eucouraçando o silêncio, eu não consigo entender.
Quero alguém para chamar de meu.
Não por posse, mas por escolha.
Alguém que eu reconheça como casa.
Quero sentir o cheiro do aconchego,
e nos seus braços não apenas estar
mas ser lar também.
Porque amar, para mim, não é passagem.
É permanência.
É ter onde repousar o medo
e onde a alma possa descansar.
Quero alguém que não seja estrela cadente
que passe riscando o céu e desapareça.
Quero constelação.
Presença que permanece,
luz que mesmo distante continua visível.
Quero alguém que, quando a noite vier,
seja o meu ponto fixo no escuro.
Não brilho que impressiona
mas brilho que orienta.
Porque eu não quero mais marolas.
Quero céu firme.
Quero estrela que fica.
Tem dias em que a gente é tempestade.
Não aquela que destrói por maldade,
mas a que carrega dentro de si o peso do céu inteiro.
Relâmpagos de pensamentos,
trovões de palavras não ditas,
chuvas que caem pelos olhos em silêncio.
Ser tempestade é não caber em calmarias rasas.
É sentir demais,
é transbordar.
Mas toda tempestade também limpa.
Arranca o que estava seco,
lava o que estava sufocado,
abre espaço para o que precisa florescer.
Se hoje você é tempestade,
não se envergonhe do barulho.
Às vezes, é preciso estremecer por dentro
para depois voltar a ser céu.
Reflexiva — porque penso antes de me entregar.
Profunda — porque não sei viver na superfície.
Contida e moderada — porque aprendi que nem todo sentir precisa ser alarde.
Mas intensa…
ah, intensa quando se trata de amar.
Não amo pela metade.
Não fico onde não posso florescer.
Não ofereço o que não sou.
Posso parecer calma por fora,
mas dentro de mim o amor é mar cheio
não faz barulho à toa,
mas quando decide tocar a margem, transforma.
Faz parte de mim essa dualidade:
a serenidade que observa
e o fogo que aquece.
E talvez seja isso que me define
não a intensidade isolada,
mas a consciência com que escolho onde depositá-la.
Hoje me perdi nas lembranças…
e, por um instante, não quis me encontrar.
Voltei a lugares que já não existem como antes,
revivi vozes que hoje só moram no silêncio,
toquei ausências que ainda sabem o meu nome.
Há memórias que abraçam.
Outras apertam.
Algumas ensinam.
E todas, de algum jeito, nos lembram de quem fomos.
Hoje eu me perdi…
mas talvez tenha sido só a alma visitando
as versões antigas de mim
para ter certeza
de que sobrevivi a todas elas.
Hoje me perdi nas lembranças.
Não foi distração.
Foi mergulho.
Mergulhei nas versões antigas de mim
na menina que acreditava demais,
na mulher que suportou em silêncio,
na que quase desistiu,
e na que decidiu ficar.
Algumas memórias ainda doem.
Outras me aquecem.
Mas todas me construíram.
Perder-me nelas não foi fraqueza.
Foi reconhecimento.
Porque toda vez que volto ao que fui,
entendo com mais clareza
a força de quem me tornei.
Se quiser, deixo um título à altura desse mergulho.
A única coisa que eu queria agora
era colocar a minha mente no modo não perturbe
e desativar os sentimentos,
só por um instante.
Silenciar esse barulho dentro do peito,
deixar o coração em repouso,
como quem fecha uma janela
para que a tempestade passe lá fora.
Não para deixar de sentir para sempre,
mas apenas para respirar um pouco
sem o peso de tudo que transborda.
Porque há momentos
em que a alma só precisa
de silêncio
para não se partir. 🌙
