Nao Vim para Satisfazer suas Expectativas
“Não herdamos apenas nomes e lugares. Herdamos lembranças de pessoas que nunca chegamos a conhecer.”
“Uma alcateia não é formada apenas pelos que caminham juntos hoje, mas também pelos rastros daqueles que ensinaram o caminho.”
“Há lugares dos quais precisamos sair não porque deixamos de amar, mas porque ficar começou a nos destruir.”
“O vento não pergunta se estamos preparados; ele apenas revela quando já não pertencemos ao lugar onde estamos.”
“Talvez o vento não esteja chamando para algum lugar, mas tentando devolver ao mundo aquilo que nunca deveria ter criado raízes.”
“Algumas partidas não começam quando damos o primeiro passo, mas quando o lugar onde ficamos deixa de saber nosso nome.”
Ter um lápis não faz de alguém um ilustrador.
Ter uma câmera não faz de alguém um fotógrafo.
Ter um violão não faz de alguém um compositor.
E ter acesso a uma IA não faz de alguém um artista.
Você pode entregar a mesma ferramenta para cem pessoas e receber cem resultados completamente diferentes.
Porque existe algo que nenhuma ferramenta resolve sozinha: repertório, intenção, sensibilidade, escolhas e visão artística.
Talvez a discussão não devesse ser
“Artista de verdade usa IA?” Mas sim
“O que esse artista consegue dizer através das ferramentas que escolheu usar?”
Ferramentas mudam, Já a necessidade humana de criar nunca.
A vida não é um morango; a minha está mais para batata hahaha.
Que seja uma batata-doce.
E vamos que vamos.
Força 💪 foco 👁️ e muita Fé 🙏
☕ 🍠
A Educação Corporativa precisa usar mais o antigo sistema de gildas. No sistema de guildas, não havia sala de aula tradicional e nem apostila. O aprendizado ocorria de forma orgânica, no fluxo do trabalho. O aprendiz de ferreiro não precisava assistir a uma palestra de 45 minutos sobre a teoria termodinâmica do calor; ele era convidado a entrar na forja, sentia o calor em suas mãos, observava o mestre moldar o metal, recebia orientação imediata e ajustava a postura do martelo em tempo real. A taxa de transferência do aprendizado para o mundo real era incrivelmente alta, porque o aprendizado era o próprio mundo real.
A caridade ajuda com o peso de nossa consciência e nosso ego, mas não nos concede o perdão de nossos pecados, fazer caridade por crer na salvação ou perdão, seria como afirmar que um assassino será perdoado ao praticar o dízimo ou doar uma cesta básica a um necessitado. Contradizendo o proprio mandamento.
- Não matarás. ( Êxodo 20: 1–17)
Voltei a lugares que não me cabiam mais
Por não compreender que não deveria ter nunca os abandonado.
Percorri grande parte do caminho de minha vida por atalhos curtos
Que me levaram a tantos lugares errados,
Por achar que seguir o caminho mais longo e seguro
Era muito fácil e monótono.
Deixei de visitar pessoas por não querer companhia
Até descobrir que ficar sozinho por escolha
Nunca será solidão de verdade.
Aprendi, aos poucos, que o tempo não bloqueia nenhuma porta — apenas muda a chave.
E que às vezes sou eu quem precisa crescer
E parar de tentar forçar as fechaduras.
Entrei em conversas que evitava por medo de me expor,
Através de minhas verdades,
E vi que a honestidade, mesmo desconfortável,
Afasta de nós aqueles que não sabem lidar
Com suas próprias mentiras.
Recordei de pequenos rituais que haviam ficado no meu passado:
Escrever sem temas específicos,
Caminhar sem destino,
Ouvir músicas antigas.
Esses gestos me levaram a reencontrar
Um eu esquecido pela correria do meu presente.
Hoje percebo que perder-se teve uma função:
Ensinar-me a valorizar o tempo —
Nos segundos que voam ou nas horas que demoram.
E que voltar não é regressar ao mesmo lugar —
É trazer experiências e companhias novas,
E preencher de cores e beleza
Tudo o que antes foi apenas uma simples paisagem.
Onde está o seu brilho?
Onde está o seu brilho?
Há tempos já não lhe vejo sorrindo,
Você está sempre aflito, preso entre pesadelos e medos.
Dois bandidos: essa tal da depressão e seu cúmplice, a ansiedade.
Levam seus sonhos e trazem várias tempestades.
Não descansamos um segundo,
Perdemos nossa identidade, sujeitamos-nos ao submundo.
Invisível, em nossos pensamentos, tristeza e abandono de si mesmo.
Não sei mais quem você é, já não lhe reconheço.
Onde está o seu brilho?
Mas ainda ouço, lá no fundo,
Um sussurro pedindo socorro,
Pedindo perdão por sentir demais, sem explicação —
Indício de que ainda existe um coração,
Que anseia o dia em que o sol traga o verão,
A um lugar frio, adormecido, sem cor.
A alma se esconde, cansada da dor,
Sem dormir, com medo de outro amanhecer.
O corpo é abrigo de um grito contido,
Eco perdido, jamais esquecido.
Um alguém que clama, refém da esperança,
E mesmo que a noite pareça infinita,
Há sempre um sopro que ainda acredita
Que um dia a dor se cansará de ficar.
Sussurros e desejos, a alma no escuro,
Absorve medos, abraça o impuro.
No silêncio das esquinas, eu ainda te vejo,
Entre lágrimas e pensamentos em vão,
A mente trava, mas luta o coração,
Que insiste em crer na salvação.
Pois entre um pedido de socorro,
Habita o amor — e o perdão.
— Luís Takatsu
A Matemática dos Fins
Não sei ao certo quando comecei a não gostar dos fins de ano. Talvez tenha sido no dia em que percebi que o nome já carrega uma despedida embutida: fim.
Ou talvez tenha sido quando o tempo passou a correr mais rápido do que eu.
Cada pessoa lê o próprio calendário de um jeito. Há quem veja dezembro como festa, luz e promessa. Eu vejo como uma espécie de espelho — daqueles que não mentem, mesmo quando a gente gostaria que mentissem um pouquinho.
Aos 41, faço as contas da vida. E, mesmo com conquistas que um dia imaginei inalcançáveis, ainda me visita essa sensação de que está faltando algo. Não é falta de teto, de trabalho ou de sonhos… é outra falta. Uma lacuna que nenhuma realização profissional consegue preencher.
Casa própria, por exemplo. Para muita gente, é o fim do jogo, a prova de que deu tudo certo. Para mim, é só um quebra-cabeça incompleto, como se eu tivesse montado todas as bordas, mas o centro — a parte mais bonita — ainda estivesse espalhado por aí, perdido em algum canto do tempo.
E aí chega dezembro, com seu peso e seu brilho, lembrando que mais um ano passou. Não sei explicar direito, mas enquanto o mundo comemora o que vem, eu penso no que vai.
Na matemática que inventei pra mim mesmo, o ano que chega não soma — ele diminui.
Faço contas que talvez ninguém devesse fazer. Tiro fatalidades, subtraio doenças, divido esperança por realidade. Se eu tiver sorte, digo para mim mesmo, talvez eu tenha mais uns vinte anos vivendo bem, com saúde, com lucidez. E então eu me pego imaginando algo que aperta o peito de um jeito difícil de dizer em voz alta.
Se minha filha viesse ao mundo no próximo ano, quando eu tivesse sessenta, ela teria dezenove.
Dezenove.
E eu talvez não estivesse aqui para ver a formatura dela, para ouvir o primeiro “pai, deu certo”, para fingir que não chorei quando ela desse o primeiro passo fora de casa.
É uma conta simples… mas que me destrói como se fosse impossível.
Talvez seja isso que eu não gosto nos fins de ano: eles me obrigam a olhar para dentro, para esse vazio que não se preenche com compras, viagens ou promessas. O vazio de quem sabe que o tempo não volta, e que cada desejo adiado custa mais do que parece.
Ainda assim, aqui estou, atravessando mais um dezembro.
E, no fundo, torcendo para que a vida me surpreenda — quem sabe com peças novas para esse quebra-cabeça, quem sabe com alguém que transforme essa matemática dura numa conta que finalmente faça sentido.
Chega um momento em que a distância já não dói, ela esclarece. Olhamos para trás e entendemos que nem tudo o que não aconteceu foi perda. Houve planos interrompidos, conversas que não avançaram e histórias que não seguiram adiante não por falta de amor, mas por falta de sentido. Com o tempo, aprendemos algo difícil de aceitar: algumas relações não acabam para nos ferir, acabam para nos preservar. E quando a maturidade finalmente chega, conseguimos chamar de livramento aquilo que um dia chamamos de destino.
O que há de errado com o tempo?
Talvez o erro seja o intento
de não aprendermos, enquanto vivemos,
a contá-lo no convívio, no movimento.
Enquanto ele ecoa, convivemos, às vezes,
sós entre nós mesmos.
E não percebemos que o tempo pode afastar
ou atrair sentimentos.
Bons ou ruins, eles vão e vêm
sem que percebamos.
Ele nos leva por caminhos
e cria atalhos inteiros.
Ele vai passando como quem escorre
entre nossos dedos,
sem aviso às vezes rápido,
às vezes lento, mas sempre indeciso.
Vivemos tudo o que nos permitimos:
com a família, sozinhos ou entre amigos.
Ele corre quando queremos presença,
nos arrasta quando a dor pede licença.
Ele voa quando estamos atrasados,
e para, sem que percebamos,
no sorriso de quem somos apaixonados.
Vinte e quatro horas nos são dadas,
todos os dias, sempre depositadas.
Caem em nossa conta sem permissão,
sem pedido, sem merecimento ou explicação.
Prometemos a nós mesmos
não deixar o tempo passar em vão.
Quando crianças, o tempo era mágico,
e não tentávamos controlá-lo com um celular nas mãos.
Estávamos ocupados colecionando momentos,
dádivas nos dadas pelo próprio tempo,
para que, quando estivermos perdidos,
possamos lembrar… e voltar ilesos.
Há dias em que queremos doar,
nem que seja um fragmento do que nos resta guardar,
quando percebemos que o outro já não terá
o tempo que a vida prometeu entregar.
Então entendemos o inevitável:
o tempo, sim, ele é temporário.
Nascemos, crescemos e morremos
um roteiro que segue fiel itinerário.
Mas como se espera? pergunta o coração.
O tempo do último olhar, da despedida em vão?
Ou o tempo que passa sem quem amamos,
tentando ser inteiros… quando já nos faltamos?
