Nao Vim para Satisfazer suas Expectativas
Se a Partida dos que amamos não fosse tão Dolorosa, talvez quiséssemos fazer baderna no céu.
Talvez quiséssemos habitá-lo antes do Tempo de Deus — e sem ao menos nos dar ao trabalho de construí-lo.
Mas a dor existe — e não por crueldade.
Ela é o limite que nos ensina reverência.
É o peso que desacelera a alma para que ela atravesse o mistério com humildade, não com euforia inconsequente.
A Saudade, o Choro e o Silêncio que ficam nos que permanecem, são parte desse rito.
A morte não é um convite à festa, é um chamado ao recolhimento.
Se fosse fácil demais, talvez banalizássemos o Sagrado, transformando o eterno em continuação do ruído que fazemos por aqui.
A dor nos lembra que a passagem é muito séria, que algo imenso está acontecendo.
Ela organiza o caos interior, cala a pressa e quebra o orgulho.
Ensina que não se entra no céu como quem invade um lugar, mas como quem é recebido — desarmado, despido de excessos, sem baderna, sem aplausos.
Talvez seja por isso que dói tanto: para a Eternidade começar em profundo e reflexivo silêncio.
Os ouvidos
da minha alma
não estavam preparados para
recusar carinho.
Esbanjando melodia, você ajuda o vovô a quebrar as próprias regras!
Os que conhecem um pouquinho de mim, sabem ou deveriam saber que detesto Áudios e Ligações por WhatsApp.
Mas aí está um dos áudios que fizeram a minha alma se sentir tão Amada e Laureada que até retornou a ligação.
Porque quando o afeto chega cantando, até as estranhas manias se calam.
Minha resistência, tão orgulhosa e rendida, só puxou a cadeira para se sentar e sorrir.
Não era só um áudio — era um colo em forma de som.
Nem era só uma ligação — era um abraço que aprendeu a discar.
E assim, a alma, antes desconfiada, aprendeu que algumas exceções não quebram regras:
elas revelam sentimentos.
Quando tropecei na certeza de acreditar que só precisava de três mulheres para ser Feliz: uma para me chamar de Filho, uma de Amor e outra de Papai, Deus me presenteou com a que me chama de vovô.
E quando esse carinho todo nos chama pelo nome, a gente atende.
Quando o amor insiste, a gente retorna.
Vovô ama porque reconhece.
E reconhece porque sentiu.
Te amo, lady Laura!
Talvez não haja
livro mais bobo
do que o
“Livro Aberto”
da nossa própria vida.
Pois, não há imaturidade maior que colocar nossa história nas gôndolas das curiosidades.
Não por falta de páginas, mas por excesso de exposição.
Há histórias que não foram feitas para vitrines, mas para travesseiros.
Não pedem aplausos — pedem silêncio.
Não querem curtidas — querem maturidade.
Transformar a própria trajetória em material de exposição na gôndola de curiosidades é — no mínimo — confundir transparência com exibicionismo, sinceridade com carência e coragem com imaturidade.
Nem tudo o que vivemos precisa ser explicado.
Nem toda dor precisa de plateia.
Nem toda vitória precisa de testemunhas.
Há capítulos que só fazem sentido quando lidos absolutamente em segredo.
E há aprendizados que se perdem no instante em que viram espetáculos.
A vida não é um Livro Aberto.
É um manuscrito sagrado, com trechos que só o tempo, a consciência e Deus têm permissão de folhear.
Num mundo onde quase tudo se polariza, são os asseclas que têm o líder que merecem, não todo um povo.
Pois, onde quase tudo se polariza, tornou-se muito comum culpar povos inteiros pelos desvarios de alguns.
É um erro bastante confortável, porém recheado de injustiça.
Povos são plurais, contraditórios, cheios de silêncios e consciências que não gritam.
Quem grita costuma ser minoria — mas faz barulho suficiente para parecer maioria.
Os asseclas, esses sim, escolhem.
Escolhem seguir sem questionar, repetir sem compreender, defender sem ponderar.
Não são conduzidos apenas pela falta de opção, mas pela abdicação do senso crítico.
O líder que os representa não surge do nada: ele se molda à conveniência dos que preferem terceirizar o próprio juízo em troca de pertencimento.
Já o povo… o povo trabalha, sofre, discorda em silêncio, resiste como pode.
Nem sempre tem voz, nem sempre tem palco.
Generalizá-lo é repetir a injustiça que a polarização produz: reduzir a complexidade humana a rótulos fáceis.
Por isso, quando um líder se revela pequeno, autoritário ou ruidoso demais, não é todo um povo que ele traduz — são apenas os que o seguem de olhos fechados.
A Responsabilidade não é coletiva por conveniência; é individual por escolha.
E é essa distinção que impede que a crítica vire preconceito, e que a lucidez se perca nos ruídos dos extremos.
Muitos que afirmam que Homem não Chora, nunca se esconderam para chorar — num Corredor Hospitalar.
Talvez os “durões” nunca tenham precisado fugir para os corredores hospitalares, só para chorarem em silêncio…
Nunca tenham sentido o peso de uma notícia atravessando o peito, enquanto o mundo continua andando como se nada estivesse acontecendo.
O corredor de um hospital ensina lições que nenhum discurso pode alcançar.
Ali, onde os grandes também se esvaziam, se aliviam, o choro não é fraqueza — é sobrevivência.
É o lugar onde muitos homens escondem as lágrimas, não por vergonha, mas por amor: para poupar os seus, para sustentar quem precisa de força, mesmo quando a própria já está prestes a se esgotar.
“Homem não chora” — especialmente em público, dizem.
Mas chora na solidão, na madrugada, no banheiro trancado, no veículo, andando ou parado, no corredor frio onde esperança e medo disputam espaço.
Choram porque sentem.
Porque amam.
E, porque carregam responsabilidades que já não cabem nas palavras.
Talvez o verdadeiro sinal de maturidade emocional não seja conter as lágrimas, mas saber por que elas caem.
E, ainda assim, seguir em frente, de cabeça erguida, coração ferido, alma lavada e inteira…
Sempre cientes de que se esforçar para não chorar dói tanto quanto se esforçar para sorrir.
Talvez não haja sofrimento maior que o das almas carentes, que mal aprenderam a buscar curas para as dores físicas.
Porque a dor do corpo grita, aponta, incha, sangra — e, ainda assim, muitos só aprendem a silenciá-la com remédios apressados, sem jamais perguntar de onde ela veio.
Mas a dor da alma… essa só sussurra.
E, quando não é ouvida, encontra um megafone no corpo.
Há quem passe a vida peregrinando por consultórios, comprimidos e diagnósticos, enquanto a verdadeira ferida permanece intocada: a ausência de sentido, de afeto, de pertencimento.
Não por descuido, mas por desconhecimento.
Nunca lhes ensinaram que pode haver vazios que não se preenchem com anestesia, mas com presença.
Que há cansaços que não se resolvem com repouso, mas com reconciliação interior.
Almas carentes não são fracas — são famintas.
E fome não se cura com distração, mas com alimento verdadeiro.
O problema é que muito poucos foram orientados a reconhecer essa fome.
Ensinaram-nos a tratar sintomas, não a investigar silêncios; a conter lágrimas, não a compreender suas origens.
Talvez o maior sofrimento seja esse: carregar uma dor que não tem nome — e, por isso, não receber cuidado.
Buscar alívio onde só há paliativo, enquanto a raiz implora por atenção.
Curar o corpo é necessário.
Mas aprender a escutar a própria alma — isso é urgente.
Porque quando a alma é negligenciada, o corpo acaba pagando a conta de um abandono que nunca foi dele.
Se expor aos riscos vivendo é muito menos arriscado do que não se expor somente existindo.
Viver é aceitar os riscos como parte da caminhada.
É se expor ao erro, à queda, à dúvida e, ainda assim, seguir adiante.
Existir sem se arriscar pode até parecer seguro, mas cobra um preço silencioso: o da estagnação.
Quem apenas existe se protege das feridas, mas também se priva dos encontros, das descobertas e das transformações que só a vida em movimento oferece.
No fim, viver — com todos os seus riscos — é muito menos perigoso do que atravessar o tempo intacto, porém vazio, assistindo à própria vida passar sem nunca ter realmente vivido tudo que se tem para viver.
Não me preocupa um erro "gramaticau" se o raciocínio é inteligente. Um tempo verbal pode ser sempre corrigido, um idiota não.
O problema dos arrogantes é a "síndrome da abelha", querem ser rainhas, mas não passam de meros insetos.
O pior cego já não é aquele que não quer ver, mas aquele que acha que vê. Não querer ver é opcional, achar que vê é estupidez.
É deveras surreal, a sociedade insistir em condenar as mulheres que não querem ter filhos, mas tolerar descaradamente os homens que mesmo tendo, escolhem não serem pais.
Saibamos aproveitar o primeiro domingo do ano para não termos a insolência de culpar a primeira segunda-feira pelo cansaço das comemorações.
