Nao Tente Adivinhar o que
Não é o tamanho do silêncio que define o tamanho da serenidade; é a harmonia sussurrante que se ouve internamente entre ambos.
Espelho de Culpa
Ele sorri diante do espelho,
não pra se ver, mas pra se vangloriar.
Se algo quebra, ele aponta o dedo:
"Foi você quem fez tudo desmoronar."
Finge afeto com palavras doces,
mas por trás, só quer dominar.
Cada lágrima que ela verte
é motivo pra ele se justificar.
"Você que é sensível demais",
ele diz, com voz de professor.
Mas é ele quem joga com a mente,
quem planta o caos e finge amor.
Torce a verdade até ela ceder,
inventa um drama pra se proteger.
E se ela grita, ele se cala,
fazendo o mundo nela não crer.
Ela carrega culpas que não são suas,
vestida de desculpas que ele costurou.
Mas um dia, o espelho dele trinca
e ela, enfim, se libertou.
Te Vi, Mas Não Te Vi
Hoje eu te vi...
mas desviei os olhos, fingi que não.
O coração tropeçou no peito,
mas meus passos seguiram em vão.
Senti algo — talvez lembrança,
talvez um eco, talvez saudade.
Mas disfarcei com tanta pressa
que quase acreditei na falsidade.
Fingi que era nada, que não mexeu,
que teu perfume não me envolveu.
Mas havia um nó preso na garganta,
um silêncio gritando que ainda me encanta.
Te vi com o mundo, e fiquei comigo,
vesti o orgulho como abrigo.
Mas por dentro...
era só o caos calado de quem ainda sente.
Eu Me Reencontrei
Aquela versão do passado…
já não mora mais em mim.
Ficou nas esquinas dos erros,
nas sombras do que já teve fim.
Hoje, sou outra.
Sou mais leve, mas também mais forte.
Caminhei entre quedas e silêncios,
e escolhi a rota mais torta — a que me levou à sorte.
Aprendi.
Com cada tropeço, com cada “não”.
Desfiz as armaduras, limpei o chão,
e deixei florescer o coração.
E no meio de tudo isso,
reencontrei alguém que tinha sumido:
a criança que eu fui,
com olhos curiosos e sorriso colorido.
Hoje sou ela, de novo —
mas com a coragem de quem já caiu.
Com a sabedoria de quem perdeu e achou,
e a alma limpa de quem se abriu.
Aquela minha versão do passado?
Agradeço por ela ter existido.
Mas ela se foi.
E no lugar, ficou alguém inteiro, e vivido.
Amar Você em Segredo
Amo você no silêncio mais fundo,
onde o mundo não pode escutar.
Nos gestos pequenos, nas pausas do dia,
nos olhos que não ousam falar.
Guardei teu nome em cada verso calado,
em cartas que nunca enviei.
E o peito, coitado, tão apertado,
abraça um amor que não revelei.
Vejo você rindo com outros caminhos,
e finjo que não dói saber.
Mas todo sorriso teu, mesmo alheio,
faz meu coração se desfazer.
É cruel amar assim, em segredo,
ser sombra do próprio querer.
Mas prefiro a dor de te ter no peito
a te perder sem nunca te ter.
Outra Cor
Fale de mim ao mundo,
conte as histórias de quem eu fui,
mas saiba — aquela já não sou eu.
Rotular é fácil quando não se enxerga além,
quando o passado mal contado vira máscara
para encobrir o que mudou em mim.
Me olhe de novo,
com olhos limpos da lembrança antiga:
minha cor favorita já não é a mesma,
meus sonhos agora são outros,
minha alma, antes partida, se refez.
Eu vejo — ah, como vejo —
os risos escondidos, o deboche nos cantos,
as verdades distorcidas que contam sobre mim.
Mas não me importa:
não são suas palavras que me prendem,
não são seus olhares que me definem.
Se ao menos viessem perto,
veriam as mentiras desmoronar,
sentiriam no silêncio a minha força,
e no meu sorriso, a dor transformada.
Porque eu não morri no fim que você lembra.
Eu renasci, inteira, mais viva, mais minha.
E se falar do que fui alivia teu peito,
continue — o tempo saberá devolver.
A vida é o próprio karma,
e eu sigo em frente, leve.
É preciso escrever livros explicando por que algumas ideias não dão certo, evitando que outras pessoas cometam os mesmos erros no futuro e causem as mesmas más consequências.
