Nao Tente Adivinhar o que
Há um aforismo que fala que quem dá conta de tudo não dá conta de si mesmo. O amor fica para depois. Dizemos que estamos sem tempo. Largamos os sonhos no fundo da gaveta. Até o cuidar de si é adiado.
Não entendo essa obsessão em registrar o momento. Já é ruim ser visto em público, imagina ficar preso no tempo.
Tem coisas neste mundo que eu também não entendo. Mas cheguei à conclusão de que é porque elas não têm lógica.
Todos nós temos um dom único. Quando o compartilhamos com os outros, não só iluminamos a vida deles, mas também a nossa.
Você deve ser amada por alguém que queira te amar, e não por alguém que você espera desesperadamente que te ame.
Que aquele que rouba livros ou não devolve livros emprestados tenha o livro em sua mão transformado numa serpente voraz. Que ele sofra um ataque apoplético que paralise todos os seus membros. Que, aos gritos e gemidos, implore por piedade, e seu tormento não seja mitigado até que entre em estado de putrefação. Que as traças corroam suas entranhas como o verme que nunca morre. E que no dia do juízo final seja condenado a arder para sempre no fogo do inferno.
A pior parte de estar doente é não saber que está. A vida que antes era colorida de repente passa a ter algo de errado, e o tempo que antes passava devagar, hoje corre a ponto de nem darmos conta mais e nos sentirmos indignos dele, pois nos tornamos improdutivos. A angústia se torna persistente, dia após dia, mas você não consegue explicar para os outros o que está acontecendo, então apenas se cala, você tenta achar meios de escape e até acha, por um momento você pensa que tá tudo bem, mas aquela sensação ilusória de felicidade logo se escorre pelo ralo, e você se encontra ali de novo, perdido. Os dias se tornaram monótonos e você, vazio. Essas sensações se tornam tão rotineiras que você se quer se lembra mais de como era sua vida antes disso. E então, esse se torna o novo normal. Desesperador, sufocante, opressor e deprimente, mas agora normal. E você se sente sem tempo, sem vida e sem direito de deixar isso transparecer e atrapalhar os outros... você se deteriora. Dia após dia. Noite após noite.
Não é a mesma coisa…
Olhar o por do sol sem sua presença
A beira do mar sentindo a boa e velha brisa
Eu só queria estar com você
Mesmo sabendo que isso nunca vai acontecer
Talvez tenha perdido nossa única oportunidade
Mas o que fazer? agora é tarde
Tivemos os melhores momentos bons e ruins
E lembro de todos eles mesmo assim
Querer poder ser e estar
Mesmo sabendo que isso esse dia nunca vai chegar
Essa sensação angustiante de querer quem já se foi
E pelos meus erros peço que me perdoe
E ainda assim no lapso de euforia
Uma memória boa se inicia
E o choro por sua vez
O acompanha no fim do dia
É quase como se eu pudesse viajar no tempo
Fecho os olhos e consigo estar lá
Quando ainda não era
Quando ainda não havia deixado de ser
Louco pensar no conceito de passado
No futuro que parece tão distante
E no presente que muitas vezes julgamos insignificante
A única coisa que não podemos mudar é o tempo
O ponteiro do relógio está regendo as leis do universo
E nós o contamos como fazemos com todo o resto
Quantificando sem entender
Sem perceber
O tempo está passando
E nada permanece o mesmo
A pele tende a se enrugar
Pessoas, ora ou outra, vão nos deixar
A comida vai esfriar
A bebida, esquentar
Vai restar no fim de tudo
Bem vagamente
A lembrança como resquício histórico
A saudade vai apertar no peito
Mas nada mais poderá ser feito
Não sei em que momento deixei de ser “eu” para então transformar em “nós”, meros mortais, passageiros em tudo. Nada nosso fica, nenhum toque ou sorriso, nem os olhos, que então se tornou estranho olhar para eles e ter a plena sensação de que me atravessaram diferente, talvez seja apenas um problema na minha cabeça, visto que se não tenho as suas respostas eu as crio.
Gostaria de poder te escolher, ainda que não soubesse de sua existência, você seria a minha maior criação para que enfim pudesse acalmar meu coração, te amar seria como um dilúvio iminente para a minha própria aniquilação.
O sentimento de querer algo que não se pode alcançar, a imensidão do vasto mundo, ainda que cheio de possibilidades nenhuma é aquela que você busca, a sensação de que não se é bem vindo, que não se deve, de estar sendo observado, a constante sensação de estar errado ainda que esteja correto, a simples sensação de ser indiferente. Os monstros nós perseguem e buscam abrigo em nossas mentes perturbadas, os desafios criados por nós mesmos que muitas das vezes são inexistentes fazem ficarmos na beira do precipício, bastando apenas um breve empurrão para que entremos nas mais profundas de nossas paranóias, despertando o monstro que habita nosso travesseiro e que faz questão de nos perturbar todas as noites.
