Nao tenho o Direito de Magoar Ninguem
“Preguiçoso é tão generoso que não quer deixar ninguém trabalhar, só para dividir com todos o luxo da miséria.”
Que você cultive cada vez mais paz para não precisar convencer ninguém.
Que você sinta um alívio tranquilo em não ter que provar nada a ninguém.
Que encontre serenidade mesmo quando não se sentir aceito.
Que você abrace uma calma sabedoria ao perceber que seu valor não depende dos outros.
Que você solte o peso das expectativas alheias— de ser "perfeito" ou "bonzinho".
Que você descanse em uma rebeldia pacífica contra a obrigação de agradar.
E que,no lugar disso, você transborde energia — muita, mas muita mesmo — para ser simplesmente quem você é.
É o que eu desejo.De todo o coração.
Coisa de Gente,
Vida de Solteiro.
Se achar mais e ser difícil não obriga ninguém a se diminuir para caber no seu mundo.
Só afasta oportunidades e expulsa pessoas boas do caminho.
Ela é brava, temperamental, sabe o que quer, não se diminui para caber no mundo de ninguém, em seu dia mais sublime, o estado alterado de consciência à revela, fêmea selvagem, das que encantam e assustam....
Ela anda como quem não pede licença
e fala como quem já decidiu não agradar.
Quando entra em silêncio, o ar muda.
Quando sorri, não é promessa, é aviso.
Não se explica.
Não se desculpa por ser intensa.
Carrega cicatrizes como medalhas discretas
e desejo como fogo que não pede permissão para existir.
Tem algo de antigo nela,
uma memória de mata fechada,
de lua cheia observando de longe,
de quem sabe fugir e sabe ficar,
mas só fica se for inteiro.
Encanta porque é viva.
Assusta porque não se dobra.
E quem chega perto
precisa entender uma coisa simples e dura:
ela não é para ser domada,
é para ser respeitada.
Se tentar menos que isso,
ela vira vento
e some sem olhar pra trás.
Eu Queria Não Ter Te Conhecido
Existe uma frase que quase ninguém tem coragem de dizer em voz alta:
"Eu queria nunca ter te conhecido."
Não porque todos os momentos foram ruins.
Pelo contrário.
Porque alguns foram tão bons que fizeram a despedida doer muito mais.
Ninguém entra em uma história imaginando que um dia desejará apagar o primeiro encontro, a primeira conversa ou o primeiro sorriso.
Mas há dores que nos fazem querer voltar no tempo.
Não para mudar quem somos.
Apenas para evitar a cicatriz.
O curioso é que o coração não esquece na mesma velocidade em que descobre a verdade.
Às vezes, a razão já foi embora há muito tempo.
Já entendeu tudo.
Já aceitou os fatos.
Mas o coração continua sentado no mesmo lugar, esperando alguém que nunca mais voltará do jeito que um dia existiu.
E então nasce o conflito mais silencioso de todos:
amar alguém que já não faz bem.
Não é fraqueza.
Não é loucura.
É apenas o tempo que os sentimentos levam para alcançar aquilo que a mente já compreendeu.
Talvez um dia a gente deixe de desejar não ter conhecido certas pessoas.
Talvez a gente apenas aprenda que algumas histórias não vieram para durar.
Vieram para ensinar.
E, por mais dolorosa que tenha sido a lição, nenhuma ferida merece nos convencer de que deixamos de ser dignos de um amor tranquilo, verdadeiro e recíproco.
Há encontros que não aproximam ninguém de si.
São apenas dois vazios reconhecendo o mesmo endereço.
Quando uma pessoa diz ser o reflexo da outra, talvez não esteja falando de amizade, mas daquilo que ambas deixaram crescer sem perceber. O espelho não cria o rosto; apenas devolve o que encontra diante dele.
E há reflexos que não mostram quem somos. Mostram apenas aquilo que, por tempo demais, permitimos ocupar o nosso lugar.
Lucci Santz
Begônia, hoje não tente convencer ninguém do seu valor.
Quem precisa ser convencido provavelmente não sabe cuidar de jardim. 🌺
Cidadão nada e ninguém
Demétrio Sena - Magé
Não é a favor nem contra seu velho pai, que sempre bateu em sua mãe, nem contra ou a favor de sua mãe, que apanha do seu pai. "Isso é da vida"; logo, ele é neutro. Jamais condenou a justiça, quando é injusta com os menos favorecidos, iguais a ele, mas também jamais condenou os menos favorecidos iguais a ele, por serem injustiçados; mesmo porque, até hoje não foi ele o injustiçado.
Da mesma forma não julga o patrão por explorar o trabalhador, como também não julga o trabalhador por ser explorado pelo patrão. Entende quem desmata e quem luta contra o desmatamento; elogia o policial honesto e o miliciano. Agrada os políticos de todos os lados, e nas eleições, vota em qualquer um, porque "todos são iguais". "Dança conforme a música" e não quer ficar mal com os bons nem com os maus.
Um malandro bobo que sempre se atrapalha e ajuda na vida boa dos piores malandros do poder. Para ele tudo bem que os poderosos trabalhem pela sua classe ou pelos eternos exploradores, porque "dá no mesmo", em sua opinião. Aliás, ele nem tem opinião formada; opina conforme a opinião mais "malandreada" ou escorregadia do momento, com quem converse.
"Não é esquerda nem direita". Nem frio nem quente. Bom nem mau. É de classe medíocre metida a média, que se julga rica. Beija uma mão aqui e come na outra acolá. É aquele típico cidadão chuchu, que absorve qualquer gosto, cheiro ou textura. Nas campanhas eleitorais, nunca declara de que lado está, porque um dos dois ganha, e... "como ele fica nessa?".
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Não espere o reconhecimento de ninguém, não vale a pena, apenas lute pelo o que vai te fazer feliz e te empurrar para vitória sobre si mesmo.
Decidindo não ser mais degrau a ninguém,
Decidindo não mim Importa mais, já vi, presenciei que não sou mais importante aliás nunca fui.
Quando você não impressionar mais ninguém, talvez descubra a rara liberdade de já não precisar provar quem é, porque aquilo que verdadeiramente somos não depende do olhar alheio para existir.
Em uma sociedade carente de liberdade não existe, para ninguém, a possibilidade de buscar interesse algum; nada é possível, exceto a destruição gradual e geral.
O CICLO QUE NINGUÉM VÊ
Há uma folha desenhada sobre a madeira velha deste balcão. Não está realmente aqui. Está apenas na minha cabeça, entre um copo de uísque barato, a fumaça de um cigarro que insiste em sobreviver e o silêncio que os bêbados confundem com paz.
A vida inteira cabe numa folha.
Ela nasce verde, arrogante, convencida de que o vento é liberdade. Dança porque acredita que escolheu dançar. Depois aprende que era apenas o galho decidindo por ela. Mais tarde, o tempo amarela suas certezas, rouba o brilho, seca suas vaidades e, por fim, a entrega ao chão, onde ninguém mais olha.
Engraçado... fazemos exatamente o mesmo.
Neste bar há homens falando sobre carros que nunca comprarão, mulheres sorrindo para pessoas que jamais amarão e jovens planejando futuros que venderão na primeira promoção de estabilidade. Todos parecem ocupados demais para perceber que estão envelhecendo enquanto discutem banalidades.
A correnteza não faz barulho.
Ela apenas leva.
Leva os sonhos, a curiosidade, a coragem de dizer "não". Leva aquele impulso infantil de observar uma chuva, ouvir um disco inteiro, sentir o cheiro da madeira molhada ou reparar como a fumaça desenha fantasmas sob a luz amarela do teto.
As pessoas chamam isso de amadurecer.
Eu chamo de desistir.
Não falo da resistência dos heróis estampados nos livros. Essa costuma render medalhas e discursos. Falo da resistência silenciosa, quase invisível: a de não acreditar em todas as mentiras que vendem como felicidade; a de não transformar a própria existência numa fila de boletos, relógios e domingos ansiosos; a de continuar enxergando beleza numa folha caída enquanto o resto do mundo só enxerga sujeira para ser varrida.
Porque morrer não começa quando o coração para.
Começa quando deixamos de notar os detalhes.
Quando o café perde o aroma, o abraço vira protocolo, o beijo vira rotina e a janela deixa de ser uma moldura para o mundo e passa a ser apenas vidro.
Olho para o fundo do copo. O gelo já desapareceu, como desaparecem tantas coisas sem pedir licença.
A folha da fotografia teve uma vida inteira. Nasceu, brilhou, alimentou a árvore, envelheceu e caiu. Nunca fingiu ser outra coisa.
Nós, ao contrário, passamos décadas fingindo viver.
E talvez seja essa a tragédia mais elegante da espécie humana: não a morte, mas a facilidade com que entregamos nossa vida à correnteza, chamando de destino aquilo que foi apenas falta de coragem para abrir os olhos.
No fim da noite, o garçom apaga as luzes. A fumaça desaparece. O balcão continua ali, velho como sempre.
E, em algum lugar, outra folha começa a nascer.
Tomara que ela aproveite melhor o vento do que nós.
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