Nao tenho o Direito de Magoar Ninguem

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TODO TIRANO TEM UMA PALAVRA BONITA PARA CHAMAR SUAS CORRENTES


“Chamam de liberdade o direito de escolher. Eu já vi o que os homens fazem quando podem escolher. Se preciso retirar deles uma parte da liberdade para impedir que destruam tudo outra vez, então que me odeiem. Prefiro carregar o ódio de um mundo vivo a receber o perdão de suas ruínas.”


— Malak-Asur, personagem de Ender: Genesis Protocol


Obra: Ender: Genesis Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc

O Direito protege a dignidade porque nenhuma pessoa deveria precisar provar seu valor para merecer proteção.

O algoritmo pode reconhecer padrões em milhões de pessoas; somente o Direito pode insistir que nenhuma delas seja reduzida ao padrão que a descreve.

O Direito do futuro terá de defender uma verdade antiga: nenhuma tecnologia será suficientemente humana se não souber respeitar a solidão humana.

Uma lei injusta pode vestir a toga da legalidade, mas nunca adquire a dignidade do Direito.

O direito à intimidade será cada vez menos o direito de esconder segredos e cada vez mais o direito de conservar partes de si que nenhuma máquina deveria conhecer.

Quando a lei se ajoelha diante do poder, o Direito continua escrito, mas deixa de existir.

A ética e a moral são escudos do cidadão íntegro, garantindo que o direito de crescer venha do esforço justo.

Unir a justiça divina à justiça dos homens é o caminho para garantir que o direito de vencer pertença a todos, sem privilégios ou preconceitos.

Que nenhum poder nos limite além dos limites da lei, que nenhum direito nos defina sem a dignidade, que nenhuma autoridade nos sujeite sem a justiça; que a liberdade seja a substância do Direito, porque onde a liberdade desaparece, a própria ideia de Direito perde seu sentido.

Eu pensei muito se deveria escrever isso.


Talvez eu nem tenha o direito de esperar que você queira ouvir alguma coisa de mim depois da forma como agi, mas existe algo que eu gostaria de te dizer, independentemente de qualquer coisa que aconteça daqui para frente.


Eu sinto muito.


Sinto muito pela maneira como te tratei naquele momento em que você decidiu se abrir comigo. Você estava sendo vulnerável, confiando em mim para mostrar uma parte sua, e, em vez de te acolher, eu fui frio, grosseiro e arrogante.


Quando você precisava de alguém que simplesmente estivesse ali para te ouvir, eu respondi como se aquilo fosse um problema que você tivesse colocado nas minhas mãos para eu resolver. Hoje eu consigo perceber o quanto isso foi injusto com você.


Eu disse que aquilo era um problema que apenas você poderia resolver. Talvez exista alguma verdade nisso, porque ninguém pode viver a vida de outra pessoa ou resolver seus problemas por ela. Mas eu usei uma verdade como uma forma de me afastar de você naquele momento.


Eu confundi não ser responsável pelos seus problemas com não precisar ser responsável pela maneira como eu te tratava enquanto você falava deles.


E eu estava errado.


Você não estava necessariamente me pedindo uma solução. Talvez só estivesse procurando um pouco de compreensão, um lugar seguro para falar, alguém que dissesse: "Eu estou aqui. Pode falar."


E eu não fui essa pessoa.


O que aconteceu antes explica algumas das minhas reações, mas não torna justo aquilo que fiz com você. Você não era aquela pessoa. Você não merecia receber de mim o peso de uma história que não era sua.


E talvez essa seja uma das coisas mais importantes que eu aprendi com tudo isso.


Eu percebi que posso me importar profundamente com alguém sem carregar os problemas dessa pessoa. Posso ouvir sem tentar consertar. Posso acolher sem assumir responsabilidades que não são minhas. Posso estabelecer limites sem precisar ser frio.


E, principalmente, posso escolher ser gentil mesmo quando alguma coisa dentro de mim está com medo de se machucar novamente.


Eu queria ter entendido isso naquele momento. Queria ter respondido diferente. Queria ter olhado para você e percebido que, naquele instante, você não precisava de uma resposta perfeita.


Você precisava apenas ser ouvida.


E eu sinto muito por não ter percebido.


Também quero te dizer uma coisa sobre você.


Nós nos conhecemos pouco, e justamente por isso eu não quero fingir que conheço toda a sua história ou colocar sobre você sentimentos e expectativas que talvez não correspondam à realidade. Mas o pouco que conheci foi suficiente para perceber que havia algo muito especial em você.


A maneira como você se abriu comigo, a sua sensibilidade e a confiança que teve para mostrar uma parte vulnerável de si foram coisas que ficaram comigo.


Talvez seja por isso que tudo tenha me atingido tanto depois.


Eu fiquei pensando no que poderia ter acontecido se eu tivesse sido diferente naquele momento. Pensei em como seria continuar te conhecendo, descobrir suas pequenas manias, suas histórias, as coisas que te fazem rir, os seus sonhos, os seus medos.


Minha cabeça chegou até a imaginar futuros que nunca existiram.


Mas eu também percebi que não quero transformar uma possibilidade em uma certeza que nunca tivemos.


Você foi alguém que eu tive a oportunidade de conhecer, e talvez essa oportunidade tenha terminado ali.Talvez não, eu não sei.


E, pela primeira vez, acho que consigo aceitar que não cabe a mim decidir isso.


Se algum dia você quiser me perdoar, eu vou ficar feliz. Se algum dia quiser conversar comigo novamente, eu vou receber isso com carinho.


Estou escrevendo porque você merecia um pedido de desculpas que eu não fui capaz de te dar naquele momento.


E porque eu precisava reconhecer, para mim mesmo, que eu errei.


Eu não sei se algum dia você vai conhecer uma versão diferente de mim.


Mas eu espero que, independentemente de você estar ou não na minha vida, eu consiga me tornar essa pessoa.


Uma pessoa que sabe ouvir.


Que sabe acolher.


Que sabe colocar limites sem machucar.


Que não foge da vulnerabilidade.


Que não transforma medo em arrogância.


E que, quando perceber que machucou alguém, tenha coragem suficiente para admitir.


Eu gostaria muito que as circunstâncias tivessem sido diferentes entre nós.


Mas, se essa for a única coisa que ficou dessa história, espero que pelo menos tenha servido para me ensinar algo que eu precisava aprender.


Obrigado por ter confiado em mim naquele momento, mesmo que eu não tenha sabido honrar essa confiança.


E me desculpa por ter feito você se sentir menos acolhida justamente quando estava tentando se mostrar para mim.


E, se algum dia nossos caminhos se encontrarem novamente, espero poder te encontrar sendo uma versão melhor de mim.

O Direito é a memória institucional de que até o Estado pode estar errado.

Toda criança tem direito a uma vida digna e a uma formação cultural e social coerente com sua faixa etária.

O autoritarismo chama de desordem aquilo que o Direito chama de liberdade de resistência.

O Direito começa onde termina a vontade daquele que possui força suficiente para impor a sua.

Quando o Direito deixa de perguntar “é justo?” e passa a perguntar apenas “é conveniente?”, a barbárie encontra sua burocracia.

O escravo açoitado quando se torna capitão do mato se sente no direito de açoitar seus irmãos ...

⁠"O direito dita a regra do agora, mas é a filosofia que julga se o agora é justo."

A Fronteira da Ordem


O Direito, em sua essência, é a tentativa humana de engarrafar a moralidade. Ele cria diques, constrói muros e traça linhas no chão para que a convivência não transborde para o caos.


No entanto, a lei sem o questionamento filosófico é apenas força bruta institucionalizada.


A filosofia atua como a água que testa as rachaduras desses diques. Enquanto o jurista pergunta "isso é legal?", o filósofo exige saber "isso é certo?".


A verdadeira justiça não nasce no momento em que a regra é aplicada rigidamente, mas no espaço onde ela aceita ser desafiada pela sabedoria.

Negar o direito de falar de Cristo e rasgar os princípios divinos dentro das universidades é o retrato fiel de uma liderança cega pela maldade e inimiga da verdade.