Não Tenha Medo de Mim

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A solidão é a sala onde o mundo tira a máscara e me obriga a descobrir se existe alguém em mim além da voz que os outros ouviram.

Há uma parte de mim que só se organiza quando dobra os joelhos por dentro.

Cada queda vira aprendizado pra mim
Cada manhã me afasta do mesmo destino ruim
Hoje eu não tenho nada além da minha visão
Mas amanhã eu posso mudar gerações

Cada queda vira aprendizado pra mim
Cada ferida me lembra de onde eu vim
Hoje eu não tenho nada além da minha visão
Mas amanhã talvez meu nome vire inspiração

### Os Eus que Habitam em Mim


Na minha cabeça
habitam vários eus.


Personas,
personagens,
multifacetados.


Alegres.
Melancólicos.
Aventureiros.
Domesticados.
Prisioneiros.
Hostis.


Alguns aceitam viver
sob a égide do algoz.


Outros,
arraigados de destemor,
lutam bravamente para escapar.


Num esforço visceral,
rompem as correntes
e buscam a liberdade.


Liberdade.


Sonho almejado
por aqueles que se deixaram
escravizar pelas escolhas passadas.


No eu dominante,
a responsabilidade pesa
como uma balança assimétrica:


de um lado,
os deveres;


do outro,
os próprios sonhos.


E os sonhos
quase sempre pesam menos.


A vida é uma balança cruel.


Castiga com intensidade
as agruras da adolescência,
as escolhas impensadas,
os caminhos que tomamos
sem saber onde terminariam.


Mas como tomar as rédeas
e voltar no tempo?


Como fazer escolhas diferentes
que resultem em outros finais?


Como continuar a viver,
mergulhada nesse turbilhão
de sentimentos,


de eus,


de razões,


de porquês,


de motivos
para continuar a existir?

Decidindo não ser mais degrau a ninguém,
Decidindo não mim Importa mais, já vi, presenciei que não sou mais importante aliás nunca fui.

Se um dia deixares de sentir por mim aquilo que sentias, não precisas inventar histórias nem faltar-me ao respeito só para me tornares culpado. Diz apenas a verdade. Vai doer, certamente. Mas não deixes a mentira ser a última coisa que me recordarei de ti!

Minha linda, você é a perfeição para mim.
​Eu amo cada traço seu — o mau feitio, a frieza, a falta de jeito com a casa e o dinheiro. Para os outros são falhas, mas para mim, são os detalhes que provam:
​Eu amo a totalidade do seu caos e da sua intensidade.
​Você é a mulher mais linda que eu já conheci, e eu te amo apesar de tudo e por causa de tudo que você é.

Não quero discípulos. Quero pessoas capazes de pensar sem depender de mim. A liberdade não nasce quando alguém adota minhas ideias; nasce quando alguém aprende a questionar as próprias. Não pense como eu penso. Pense no porquê você pensa como pensa. É aí que começa o discernimento.

“Se não penso o meu pensar, meu pensar pensa por mim; e, quando isso acontece, quem vive não sou eu, é a minha mente que mente.”

Vamos repensar?

Albert Camus:

“No meio do inverno, descobri que havia dentro de mim um verão invencível.”

Carlos Eduardo Balcarse:

“O homem que encontra sua força interior deixa de depender das estações externas da vida. Existem pessoas cercadas de abundância vivendo em uma eterna tempestade, enquanto outras atravessam desertos carregando dentro de si uma fonte. O verdadeiro clima da existência não está fora; está na consciência.”

“Penso antes de pensar o que penso.”
Nem todo pensamento que surge em mim merece tornar-se aquilo que penso.

Nem tudo o que penso foi pensado por mim.
Há pensamentos que surgem, pensamentos que herdamos, pensamentos que repetimos e pensamentos que escolhemos sustentar.

Pensar não é apenas produzir pensamentos.
Pensar é também pensar sobre aquilo que pensamos.

Por isso, penso antes de pensar o que penso.
Não para impedir o pensamento, mas para impedir que todo pensamento se transforme automaticamente em verdade, palavra ou ação.

O pensamento acontece. O discernimento pergunta se ele merece continuar acontecendo em nós.

Carlos Eduardo Balcarse

06/09/2026

“Nem todo pensamento que passa pela minha mente precisa passar a fazer parte de mim.”

“Não sou responsável por todo pensamento que surge em mim, mas sou responsável pelo pensamento ao qual concedo autoridade sobre minhas escolhas.”

“Se penso, resisto; se discirno, escolho; se escolho, existo como autor de mim.”

COMO SABER SE ESTOU REALMENTE PENSANDO POR MIM MESMO?

Pensar por si mesmo parece uma tarefa simples até percebermos que grande parte daquilo que chamamos de pensamento próprio chegou até nós antes mesmo de decidirmos pensar.

Aprendemos palavras que não inventamos, valores que não escolhemos, explicações que recebemos prontas e interpretações que repetimos tantas vezes que deixaram de parecer interpretações. Tornaram-se evidências.

Talvez uma das maiores ilusões da autonomia seja acreditar que um pensamento é nosso simplesmente porque acontece dentro da nossa cabeça.

Pensar por si mesmo não significa pensar sozinho. Ninguém constrói conhecimento partindo do zero. Somos atravessados por professores, livros, famílias, culturas, religiões, ideologias, experiências, algoritmos e autoridades. A questão não é eliminar essas influências. A questão é decidir quanto peso cada influência merece.

É nesse ponto que pensamento crítico e discernimento se aproximam, mas não são exatamente a mesma operação.

Questionar uma ideia é importante. Encontrar argumentos contrários também. Mas existe uma pergunta anterior e frequentemente esquecida: por que estou atribuindo a esta informação o peso que estou atribuindo?

Uma fonte pode ser confiável e ainda assim não ser decisiva para determinado problema. Uma emoção pode ser legítima e ainda assim não constituir evidência. Uma autoridade pode dominar um campo e estar falando fora dele. Uma experiência pessoal pode ser verdadeira e continuar insuficiente para uma generalização.

Pensar melhor, portanto, não depende apenas de possuir mais informações. Depende de aprender a avaliar a função que cada informação deve exercer naquilo que decidimos acreditar ou fazer.

Chamo essa operação de discernimento.

Em meus trabalhos sobre METADISCERN, Pedagogia do Discernimento e Alfabetização do Discernimento Consciente, tenho investigado justamente essa passagem: não apenas pensar sobre o pensamento, mas examinar o que estamos autorizando a participar de nossas decisões e com qual peso.

Autonomia não é ausência de influência.

Autonomia é influência examinada.

Talvez pensar por si mesmo comece quando descobrimos que nem todo pensamento que acontece em nós precisa receber nossa autorização para continuar pensando por nós.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

COMO NÃO DEIXAR UMA EMOÇÃO DECIDIR POR MIM?

Não precisamos expulsar uma emoção para impedir que ela governe uma decisão.

Podemos sentir medo e avançar.

Sentir raiva e não agredir.

Sentir desejo e não obedecer.

Sentir ansiedade e não transformar antecipação em realidade.

Isso acontece porque presença não é autoridade.

Algo pode estar intensamente presente em nossa consciência sem precisar possuir a mesma intensidade de poder sobre nosso comportamento.

Talvez a pergunta não seja:

“Como faço para parar de sentir isso?”

Talvez seja:

“Quanto poder sobre aquilo que farei estou concedendo ao que estou sentindo?”

Regular uma emoção não é necessariamente silenciá-la.

Às vezes é apenas retirar dela o direito de decidir sozinha.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

éramos tudo. E nada.
pra mim nos éramos furacão,
sensação, emoção e coração.
pra você não fomos mais do que conhecidos, ou desconhecidos que sabem o nome do outro. Mas então porque? por que você ainda perambula pelas ruas do meu coração? por que ainda lembro de cada detalhe do pedacinho da sua alma que eu consegui conhecer?
fazem anos desde a ultima vez que te vi, e mesmo assim seus olhos continuam gravados na minha pele como uma carícia morna de som de fim de tarde.


você ainda pensa em mim? lembra do que nem chegamos a ser? por que eu lembro, de tudo, e isso machuca, esse "se" me tortura.

Que passe o vento
sobre mim...
Peço apenas que não leve
minha alegria embora.