Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
Não perco o meu tempo desejando mal a ninguém, meu tempo é tão curto e tão precioso nessa Terra, que nenhum mal, saíra de minha boca ou dos meus pensamentos.
... a alcançada
maturidade comprova que
o primordial da vida não é vencer -
porém,criar lastros de amorosidade e
autodomínio que nosjustifiquem
diante 'Daquele' que nos
concedeu achance de
viver!
Durante uma democracia podemos clamar por uma ditadura mas numa ditadura não podemos nem sonhar com uma democracia.
Todo digno cavaleiro rosa-cruz como bom pastor sabe que a maioria dos tesouros que persegue não serão encontrados isoladamente sem a acolhedora lua cheia, pois não são para hoje e muito menos para este mundo.
Morena linda, de cachinhos na cabeça,
entre passos e remelexo, não para de aticar.
Morena linda, com rostinho de menina,
faz biquinho de deboche, provocando com o olhar.
O sanfoneiro que tocava o xote pouco bom do trote se perdeu do norte,sem poder se encontrar.
E a gorda feia, tipo uma baleia com fogo nas ventas, repetia a todos que aquilo não era dançar.
" Quem ora com sinceridade não altera Deus, mas transforma-se à altura das leis divinas. E aquele que se transforma, ainda que cercado pelas mais densas sombras, já não caminha para o abismo, pois converteu a própria consciência em luz que o reconduz ao caminho da ascensão. "
"A verdade, quando buscada com disciplina e reverência aos fatos, não se impõe pelo ruído das opiniões, mas se consagra na serenidade invencível da evidência."
SERENIDADE DE SÓCRATES QUE ANTECEDE A COVARDIA DA CICUTA HUMANA.
"A morte de Sócrates não foi derrota. Foi consagração de uma existência autêntica. Ele não se acovardou diante dos deuses, nem dos homens, tampouco de si mesmo. Sua serenidade ao beber a cicuta rompeu as máscaras da moralidade hipócrita de Atenas, revelando uma filosofia viva, íntima, incorruptível.
Hoje, diante de tantas vozes, o Oráculo de Delfos continua sussurrando — como um espelho antigo que insiste em mostrar o que há por trás do semblante. Sócrates ainda nos interpela, com olhos serenos e voz firme: 'Antes de julgar o mundo, olha para dentro. Antes de calçar as sandálias de alguém faça a mesma caminhada. "
" O amor, quando não disciplinado, consome; quando educado, redime; e quando espiritualizado, ilumina o próprio destino humano com uma grandeza que ultrapassa a própria existência material. "
" A saudade é a visita que a alma faz ao passado, sem sair do presente; não dói porque acabou,mas vive porque foi eterno. "
" Muitas vezes o 'desejo de sumir' não é vontade de morrer, é o grito da alma querendo renascer em um lugar onde as aparências não sufoquem a essência."
ALLAN KARDEC. O APÓSTOLO DA VERDADE E DA TERNURA ESPIRITUAL.
Allan Kardec não pertence apenas à memória histórica do Espiritismo. Pertence à intimidade moral da humanidade. Sua presença atravessa os séculos como uma dessas consciências raras que ensinaram sem humilhar, corrigiram sem endurecer e sofreram sem abandonar a serenidade diante de Deus.
Durante muito tempo, muitos imaginaram Kardec como uma figura severa demais para o afeto, quase aprisionada numa racionalidade inflexível. Entretanto, aquilo que chegou até nós acerca de sua vida íntima revela precisamente o contrário. Revela um homem profundamente humano. Sensível. Delicado. Afetuoso. Um espírito que carregava responsabilidades imensas sem perder a capacidade de sentir as dores alheias.
Sua inteligência jamais destruiu sua ternura.
Kardec possuía a firmeza dos grandes educadores e, ao mesmo tempo, a brandura silenciosa daqueles que compreendem a fragilidade humana. Era rigoroso com princípios, porém misericordioso com pessoas. Corrigia ideias sem ferir consciências. Defendia a verdade sem transformar a doutrina numa arma de vaidade intelectual.
Talvez aí resida uma das maiores belezas de sua existência.
Ele não era um homem inacessível.
Era um homem fatigado que continuava trabalhando.
Era um espírito sobrecarregado que prosseguia servindo.
Era alguém que conhecia as angústias da alma e, ainda assim, permanecia fiel ao dever.
Sua célebre prece de aflição continua emocionando consciências porque nela não encontramos um missionário distante das dores humanas, mas um homem atravessando regiões difíceis do próprio espírito. Quando confessa sentir-se confuso, ansioso e interiormente perturbado, Kardec aproxima-se de todos aqueles que já enfrentaram noites silenciosas de exaustão emocional.
E mesmo cansado, não se revolta.
Mesmo abatido, não acusa.
Mesmo aflito, não abandona Deus.
Ele ora.
Pede discernimento.
Pede força moral.
Pede humildade para transformar sofrimento em aprendizado espiritual.
Há uma grandeza quase sublime nisso.
Num século marcado por disputas intelectuais e orgulho filosófico, Kardec escolheu a introspecção moral. Em vez de buscar culpados exteriores, investigava a própria consciência diante da Providência Divina. Sua espiritualidade não era teatralidade religiosa. Era disciplina interior. Era fé amadurecida pela razão e suavizada pela caridade.
E talvez seja impossível não sentir profunda comoção ao perceber que dentro daquele educador monumental ainda existia algo extremamente puro. Uma espécie de menino espiritual buscando repouso em Deus após o peso esmagador das responsabilidades humanas.
Seu coração não endureceu diante das lutas.
Sua alma não secou diante das perseguições.
Seu ideal não tombou diante do cansaço.
Kardec trabalhou incessantemente. Respondeu cartas. Consolou aflitos. Orientou grupos. Auxiliou necessitados. Administrou dificuldades materiais. Organizou obras gigantescas enquanto enfrentava desgaste físico e emocional quase contínuo. Havia noites de exaustão. Havia preocupações silenciosas. Havia saudades íntimas jamais verbalizadas inteiramente. Ainda assim, ele prosseguia.
Não porque fosse um homem sem dores.
Mas porque compreendia que a verdade exige perseverança.
Sua vida inteira parece ter sido um testemunho de renúncia serena. Uma existência consumida pelo dever moral, pela educação espiritual das consciências e pelo desejo sincero de aliviar o sofrimento humano.
Por isso sua lembrança permanece tão viva.
Não apenas como filósofo.
Não apenas como educador.
Mas como presença moral.
Como consciência amiga.
Como um desses raros espíritos que conseguem aproximar razão e compaixão sem destruir nenhuma delas.
Kardec venceu o cansaço sem abandonar a dignidade.
Venceu as dores sem perder a delicadeza.
Venceu as saudades sem permitir que a amargura lhe tomasse o espírito.
E talvez seja exatamente por isso que ainda hoje tantos corações sentem sua presença como um amparo silencioso atravessando gerações.
Sua grandeza não nasceu da ausência de fragilidade.
Nasceu da coragem de permanecer fiel à luz mesmo carregando o peso humano das próprias lágrimas.
Por: Marcelo Caetano Monteiro.
Fontes.
Projeto Allan Kardec da Universidade Federal de Juiz de Fora.
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" O amor de Jesus não se impõe pela força, mas convida pela mansidão, revelando que a verdadeira autoridade nasce do serviço e da renúncia. "
CLADISSA.
CAPÍTULO V
O VALOR QUE NÃO SE PESA EM TERRA.
A Úmbria do século XI permanecia sob as tensões que reverberavam desde Roma. A controvérsia das investiduras não era apenas querela entre trono e altar, mas reorganização profunda das hierarquias sociais. Desde o confronto entre Henrique IV e Gregório VII, a cristandade latina experimentava vigilância moral crescente e redefinição de vínculos entre laicato e clero.
Nesse contexto, o mosteiro onde Cladissa vivia não era simples refúgio espiritual. Era centro de irradiação simbólica. Sua biblioteca, ainda que modesta, preservava códices da Vulgata consolidada por Jerônimo, além de comentários patrísticos que sustentavam a ortodoxia local. O scriptorium tornara se espaço estratégico. Copiar textos era manter a unidade doutrinária em tempos de fragmentação política.
Foi precisamente nesse cenário que as investidas contra Cladissa adquiriram contornos mais nítidos. Não eram meros impulsos sentimentais. Eram movimentos inscritos na lógica feudal.
Primeiro fator. O capital simbólico. A alfabetização em latim, rara entre mulheres e mesmo entre muitos homens, conferia lhe estatuto singular. Ela não possuía terras, mas possuía letramento. Em uma sociedade onde contratos, cartas de concessão e registros eclesiásticos exigiam precisão textual, uma mente disciplinada era ativo valioso. Pequenos senhores locais, pressionados por tributos imperiais e obrigações eclesiásticas, necessitavam de organização. Uma esposa instruída elevava a casa não apenas socialmente, mas funcionalmente.
Segundo fator. A política de alianças. Após 1077, quando Canossa tornara se símbolo da tensão entre Império e Papado, cada vínculo com instituições religiosas ganhava peso estratégico. O mosteiro representava legitimidade espiritual. Aproximar se de Cladissa significava, ainda que indiretamente, aproximar se da autoridade moral do claustro. Em tempos de suspeita sobre simonia e corrupção clerical, a associação com uma figura reconhecida por disciplina e pureza tornava se capital político.
Terceiro fator. A projeção moral e estética. A espiritualidade medieval valorizava compostura, recato e austeridade. Cladissa incorporava esses atributos com naturalidade. Sua postura serena, o domínio do silêncio, a sobriedade no vestir, tudo isso correspondia ao ideal feminino cultivado pela ética monástica. A virtude, naquele século, era reputação tangível.
Quarto fator. A vulnerabilidade jurídica. Órfã e sem dote expressivo, ela carecia de proteção familiar robusta. No sistema feudal, tutela e casamento eram instrumentos de incorporação patrimonial. Mesmo sem bens materiais, a própria pessoa constituía valor. Integrar Cladissa a uma casa significava absorver seu potencial simbólico e sua ligação institucional.
Esses elementos convergiam silenciosamente. Enquanto ela copiava passagens do Evangelho segundo João, refletindo sobre o Verbo que se fez carne, outros avaliavam sua presença como possibilidade concreta de ascensão ou consolidação.
Certa tarde, o prior foi procurado por um representante de pequena linhagem rural que solicitava audiência. O argumento era prudente. Falava se em proteção, em estabilidade, em honra. O discurso revestia se de cortesia, mas a intenção era inequívoca.
O prior, homem atento às reformas em curso, compreendia a delicadeza da situação. O mosteiro não podia converter se em mercado matrimonial, sob pena de comprometer sua integridade. Ao mesmo tempo, não ignorava que a permanência de Cladissa ali exigia justificativa sólida diante de pressões externas.
Cladissa percebeu a mudança de atmosfera. O silêncio tornara se denso. Já não era apenas o silêncio da oração, mas o da expectativa.
Naquela noite, ao recolher se, compreendeu que sua pobreza material era apenas aparência. O século avaliava valores invisíveis. Educação, vínculo sagrado, reputação moral.
E foi então que amadureceu nela uma decisão interior. Se era vista como moeda, precisaria afirmar se como consciência. Se era objeto de cálculo, precisaria tornar se sujeito de escolha.
O século XI mediu quase tudo em terra, tributo e fidelidade. Contudo, no interior daquela jovem formada entre pergaminhos e pedras frias, começava a erguer se algo que não podia ser pesado em balanças feudais. Uma vontade lúcida, consciente de seu tempo, mas não submissa a ele.
O Chá da Primavera.
O chá da primavera não se serve apenas em xícaras, mas no ar que desperta. Há algo de delicadamente insensato na estação que floresce sem pedir licença, como se o mundo resolvesse espreguiçar-se depois de um longo cochilo filosófico.
Tudo parece convidar à mesa invisível onde as pétalas são guardanapos e o vento é o anfitrião distraído. As cores conversam entre si em tons que quase discutem, mas acabam rindo do próprio exagero. A primavera possui essa lógica curiosa, meio séria, meio travessa, em que o rigor do inverno se dissolve como açúcar em infusão morna.
Beber o chá da primavera é aceitar o improvável. É permitir que pensamentos antes rígidos se tornem vapor leve, que sobe, gira e desaparece sem explicação convincente. A estação ensina que até as ideias mais quadradas podem florescer se expostas à luz certa.
E assim, entre perfumes invisíveis e silêncios que germinam, compreende-se que a vida, quando decide florescer, não pede coerência absoluta. Ela apenas abre as janelas da alma e serve, com delicada ousadia, mais uma xícara de recomeço.
" O silêncio do nosso adeus não foi ausência de palavras. Foi excesso de consciência. Quando dois espíritos compreendem que o caminho já não é o mesmo, o ruído torna-se indigno. Falar seria profanar aquilo que já estava consumado no íntimo. "
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