Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
Leva-me para perto
Quando minhas forças se desfazem,
não me deixes cair no vazio.
Levanta-me com a delicadeza
de quem conhece cada parte quebrada de mim.
Segura minha mão
até que o medo desaprenda o caminho de volta.
Acolhe-me junto ao teu peito,
onde o mundo perde o ruído
e a alma finalmente descansa.
Leva-me para perto da tua luz.
Há tanta noite em mim
pedindo um único amanhecer.
Cuida de mim
como quem protege uma chama
que insiste em permanecer acesa,
mesmo quando o vento parece mais forte.
Reveste-me do teu amor,
da tua paz,
da segurança dos teus braços.
Porque é em Ti
que encontro abrigo,
é em Ti
que volto a respirar.
E, se eu me perder de mim,
leva-me de volta
ao único lugar
onde sempre estive verdadeiramente a salvo:
o teu coração.
Mística
Há coisas que não chegam... acontecem. Como a lua quando toca o mar sem jamais perguntar se pode. Há encontros que parecem acaso, mas carregam no silêncio a assinatura de algum mistério antigo. E há olhos que não apenas olham: reconhecem.
Talvez a alma saiba antes do corpo. Talvez o corpo apenas reconheça aquilo que a alma já sabia, antes mesmo que o coração compreendesse o sussurrar do destino.
Eu não temo o que não consigo explicar, mas paraliso o olhar diante do que não sei nomear. Há beleza demais no invisível para exigir do mistério uma certidão de existência, uma prova, todas as garantias.
Prefiro acreditar que algumas portas se abrem sozinhas, que certas presenças chegam na hora exata, como um soprar dos ventos, sem aviso, sem promessa, apenas porque era tempo de chegar. E que algumas histórias já foram escritas em algum lugar onde o tempo não alcança.
Maktub. Estava escrito. Ou talvez apenas esperando o instante certo para ser lido.
Porque há coisas que não se entendem. Sentem-se. Reconhecem-se.
E quando a alma sente, até o silêncio se torna oração e canção.
E talvez seja essa a mais bonita forma de mistério: não saber de onde veio, não saber para onde vai, mas sentir, no mais profundo de si, que aquilo que chegou já nos pertencia antes mesmo de chegar.
Não importa quanto tempo ficou para trás; o que importa é salvar o que ainda está por vir.
Há pessoas que passam a vida inteira lamentando os anos que perderam, como se o passado ainda pudesse ser reescrito. Mas o tempo não negocia com arrependimentos. Ele apenas segue.
O que ainda está em suas mãos não é o ontem, mas o hoje. E é justamente o hoje que molda o amanhã.
Talvez você tenha desperdiçado oportunidades, insistido em caminhos errados ou permanecido onde já não havia vida. Ainda assim, enquanto houver um novo amanhecer, haverá a possibilidade de uma nova escolha.
Não permita que os erros de ontem roubem também os dias que ainda não chegaram. O passado pode explicar quem você foi, mas não tem o direito de decidir quem você será.
No fim das contas, a maior perda não é o tempo que ficou para trás. É continuar perdendo o tempo que ainda resta.
Salve o que ainda está por vir. Às vezes, uma única decisão tomada no presente é capaz de redimir anos inteiros de espera.
Amores que Ficam
O amor, quando não tem futuro, quando não se transforma em dois caminhando como um só, quando não leva dois na mesma direção, acaba sendo apenas uma forma bonita de partir o coração.
E eu me recuso a partir o meu com amores de verão, de momentos, de ocasiões.
Não quero o que chega para aquecer a pele e depois desaparece com a estação.
Não quero presenças que só existem quando é conveniente, nem sentimentos que cabem apenas no intervalo entre uma vontade e outra.
Se for para amar, que seja inteiro.
Que tenha caminho, escolha, coragem e destino.
Porque o meu coração não procura um amor que aconteça.
Procura um amor que permaneça.
É difícil ser amargo quando se é doce.
A doçura não é um comportamento que se veste conforme as circunstâncias; é uma natureza. Quem é doce por essência pode endurecer a postura, mas raramente endurece o coração. Pode aprender a dizer "não", a partir, a proteger-se, mas sem perder aquilo que o define.
É difícil ser amargo quando a alma foi feita para espalhar leveza. Porque a essência sempre encontra um jeito de falar mais alto do que as feridas.
Há olhos que não sabem esconder.
Mesmo quando a boca silencia,
mesmo quando o corpo continua,
mesmo quando a vida parece seguir no lugar de sempre,
há coisas que transbordam pelo olhar.
E talvez seja por isso
que algumas pessoas nos chamem de fortes
sem perceber o quanto estamos cansados.
Não é que a dor esteja escondida.
Às vezes, ela está justamente ali,
cristalina,
diante de quem olha.
Mas nem todo olhar enxerga.
É preciso alguma coisa além dos olhos
para reconhecer a tristeza no brilho,
o cansaço no silêncio,
a solidão onde ninguém imagina haver vazio.
É preciso alma
para olhar outra alma.
Porque há pessoas que perguntam se estamos bem
e há aquelas que simplesmente percebem.
E, às vezes,
tudo o que uma alma cansada precisa
não é de alguém que diga
você é forte.
É de alguém que olhe demoradamente
e diga, sem precisar dizer:
eu vi.
Há um rio dentro de mim
que não aprende a ter margem,
carrega luas sem fim
e se alimenta de coragem.
Quando a noite me atravessa,
não sei se é dor ou passagem.
Guardo estrelas no silêncio,
como quem guarda oração,
há mistérios que florescem
sem pedir explicação.
E há verdades que só chegam
quando escutam o coração.
Já fui casa de tempestade,
já fui janela e clarão,
já fui barco sem destino,
procurando direção.
Mas descobri que até o caos
pode ensinar navegação.
Há quem procure respostas
como quem procura um chão;
eu aprendi que certas coisas
não cabem na explicação.
Às vezes, Deus escreve torto
para endireitar a visão.
Tenho cicatrizes antigas
que não pedem compaixão;
são mapas de outros tempos,
são vestígios de travessão.
Quem olha apenas a ferida
não conhece a reconstrução.
E quando penso que termino,
alguma coisa principia:
uma esperança pequenina
acendendo a noite fria.
Como a flor que rompe a pedra
sem anunciar que nascia.
Talvez eu seja esse enigma
que o tempo tenta entender:
um pouco de maré e terra,
um pouco de perder e ter.
E quanto mais me descubro,
mais aprendo a não me prender.
Se a vida é uma parábola,
não quero a moral no fim.
Prefiro seguir a estrada
que ainda não falou de mim.
Pois há caminhos que só existem
quando a gente diz: “enfim.”
Orações escritas
Deus, não me desampare.
O medo surgiu, e minha fragilidade já não cabe dentro do peito. Está exposta, diante de tudo e de todos. E tudo à minha volta parece ter sido afetado, atravessando-me, ferindo-me justamente onde eu já estava mais sensível.
Senhor, como, onde e quando eu vou conseguir mudar essa situação?
Eu não tenho todas as respostas.
Não sei por onde começar.
Só sei que preciso de Ti.
Cuida do meu filho, Senhor.
Faz por ele aquilo que, muitas vezes, eu não consigo fazer. Protege seus passos, guarda seu coração, livra-o daquilo que eu não posso enxergar e alcança-o onde meus braços não conseguem chegar.
Cuida da minha mãe.
Dá a ela tudo aquilo que, por minhas próprias forças, eu já não sou capaz de oferecer. Sê presença onde me falta presença, força onde me falta força, cuidado onde minhas mãos já não alcançam.
E cuida deste lar, Senhor.
Entra onde existe dor.
Toca o que está ferido.
Acalma o que está inquieto.
Restaura o que foi quebrado.
E traz a cura para tudo aquilo que nós não conseguimos curar sozinhos.
Eu entrego a Ti o que não consigo carregar.
Em nome de Jesus,
traz a cura para este lar,
a paz para este coração
e a força para continuar.
Amém.
Cartas aos Céus 19 de Agosto de 2026
Cartas não entregues
São palavras não ditas, sentimentos sufocados e confissões que morreram antes de encontrar voz.
São saudades que não compartilhamos, abraços que ficaram suspensos no desejo, pensamentos que nasceram para alguém e terminaram sozinhos.
Às vezes, foram escritas. No papel, à mão, com a letra trêmula de quem sentia demais.
Outras, digitadas às pressas, em alguma tela iluminada pela madrugada, antes de serem apagadas, como se apagar as palavras fosse também uma maneira de esconder o que se sentia.
Algumas repousam em folhas esquecidas. Outras, em rascunhos sem destino, em bloquinhos digitais, entre mensagens nunca enviadas e silêncios que ninguém soube interpretar.
Talvez sejam essas as cartas mais difíceis de escrever: as que não pedem resposta, não esperam retorno, não chegam a lugar algum.
Apenas guardam, em algum canto secreto de nós, aquilo que um dia quisemos dizer.
E talvez o tempo passe, as pessoas mudem, a vida siga seu curso...
Mas certas cartas permanecem.
Não porque ainda esperem ser entregues, mas porque algumas palavras, mesmo quando nunca chegam ao destinatário, precisam existir para que o coração se lembre de que um dia sentiu.
Senhor, fica.
Meu espírito está cansado, meu coração está apertado e minha alma já não sabe mais como pedir socorro.
Eu não tenho forças para atravessar tudo sozinha.
Por isso, fica.
Se eu não conseguir entender, fica.
Se eu não conseguir orar, fica.
Se minhas lágrimas forem a única coisa que eu conseguir Te oferecer, recebe-as.
Não me deixes atravessar esta noite sem sentir a Tua presença.
Consola o meu coração, sustenta o que em mim está desabando e sopra vida onde já não encontro forças.
Eu só Te peço: não saias de perto.
Porque, Senhor, eu posso até estar cansada de tudo, mas ainda preciso de Ti.
Sem destruição, não pode haver construção; sem bloqueio não pode haver fluxo; sem parada não pode haver movimento.
O amor tem nome, mas não é nada que a gente possa reconhecer só de olhar.
Que não nos falte esperanças
para o próximo mês,
porque Deus está no controle de todas
as coisas para o nosso bem.
Que os nossos desejos se coincidam,
ou se não, seja feita a vontade dele,
porque não existe ninguém que conheça
mais as nossas necessidades que ele.
Prepare-se, não espere pela sorte! Sorte é quando preparação encontra oportunidade! Esteja preparado(a) para sua!!
Que em meio ao caos, não percamos nossa essência, que não deixemos nada mudar o que somos ou pensamos, porque tudo o que conquistamos ou todos que nos amam de verdade, o fazem porque somos assim, esta pessoa complicada, mas verdadeira; melhor me odiar pela verdade do que me amar pela mentira.
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