Nao sou a Mulher Perfeita sou eu

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Era disso que eu tinha medo: do que não ficava para sempre.

O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo.

Clarice Lispector
Borelli, Olga. Clarice Lispector: esboço para um possível retrato. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
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Recebi no coração o golpe de misericórdia. Ah! Eu não o havia previsto.

Elas falavam pra mim, “Você até podia ser bonitinha se não fosse estranha”. E hoje em dia eu digo a elas, “Vocês até poderiam ser interessantes se não fossem normais".

Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas – mas eu também?! Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos. Sim.

Clarice Lispector
A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Eu não vou por os fundamentos da minha fé em pequenos deuses que podem ser destruídos em uma era atômica, mas em um Deus que tem sido nosso socorro desde as eras passadas, e nossa esperança para os anos que virão, e nosso abrigo no tempo da tempestade, e nosso eterno lar. Este é o Deus em quem eu estou colocando o fundamento da minha fé. Este é o Deus que eu rogo a vocês para adorarem nesta manhã.

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar

Desisto das palavras. Elas não explicam o que sinto, as pessoas não entendem. Eles querem que eu diga o que sinto, mas querem ouvir o que lhes convém.

Não precisei correr atrás da vodka. A caipirinha de vinho não me fez chorar. Eu nunca esperei nada das doses de tequilas. Ainda bem que a cerveja nunca me traiu e aquele whisky me correspondeu. E eu ainda preferi ficar bêbada de amor, dá pra entender?

‎E lá vem você me olhar apaixonado e, no segundo seguinte, frio. E me falar para eu não sofrer e para eu ir embora e para eu não esperar nada e para eu não desistir de você.

Não quero criar conflitos, então eu finjo que estou bem, mesmo quando não estou.

Quando pensava em parar, o telefone tocou. Então uma voz que eu não ouvia há muito tempo, tanto tempo que quase não a reconheci (mas como poderia esquecê-la?), uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, uma falta insuportável, e que queria voltar, pediu, para irmos às ilhas gregas como tínhamos combinado naquela noite. Se podia voltar, insistiu, para sermos felizes juntos. Eu disse que sim, claro que sim, muitas vezes que sim, e aquela voz repetiu e repetia que me queria desta vez ainda mais, de um jeito melhor e para sempre agora.

- Eu estou bem.
- Não, está mal.
- Eu nem disse nada… (?)
- É exatamente por isso, quando você está bem, nunca para de falar.

Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica Intelectual? Não.

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Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser – se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Minha vontade hoje é curtir a minha vida e mesmo que isso não inclua quem eu acho que deveria. Ter a oportunidade de ver quem se preocupa comigo, quem está comigo mesmo que seja em pensamento, refazer velhas amizades e passar a reescrever a minha história à minha maneira. Parar de sobreviver pela felicidade de outros ao invés da minha. Mesmo que pareça egoísta, eu hoje quero ser feliz.

Não enche

Me larga, não enche
Você não entende nada
E eu não vou te fazer entender...
Me encara, de frente
É que você nunca quis ver
Não vai querer, nem vai ver
Meu lado, meu jeito
O que eu herdei de minha gente
Eu nunca posso perder
Me larga, não enche
Me deixa viver, me deixa viver
Me deixa viver, me deixa viver...
Cuidado, oxente!
Está no meu querer
Poder fazer você desabar
Do salto, nem tente
Manter as coisas como estão
Porque não dá, não vai dá...
Quadrada! Demente!
A melodia do meu samba
Põe você no lugar
Me larga, não enche
Me deixa cantar, me deixa cantar
Me deixa cantar, me deixa cantar...
Eu vou
Clarificar
A minha voz
Gritando
Nada, mais de nós!
Mando meu bando anunciar
Vou me livrar de você...
Harpia! Aranha!
Sabedoria de rapina
E de enredar, de enredar
Perua! Piranha!
Minha energia é que
Mantém você suspensa no ar
Prá rua! Se manda!
Sai do meu sangue
Sanguessuga
Que só sabe sugar
Pirata! Malandra!
Me deixa gozar, me deixa gozar
Me deixa gozar, me deixa gozar...
Vagaba! Vampira!
O velho esquema desmorona
Desta vez prá valer
Tarada! Mesquinha!
Pensa que é a dona
E eu lhe pergunto
Quem lhe deu tanto axé?
À-toa! Vadia!
Começa uma outra história
Aqui na luz deste dia "D"
Na boa, na minha
Eu vou viver dez
Eu vou viver cem
Eu vou vou viver mil
Eu vou viver sem você...
Eu vou viver sem você
Na luz desse dia "D"
Eu vou viver sem você

Eu não gosto mais dele. Mas aí, eu faço questão de pensar nele e falar dele todos os dias. Só pra não perder o costume… Só pra ter em quem pensar… Depois te tantos anos fazendo isso, é quase rotina. E eu odeio sair da rotina.

Dias sim, dias não.
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão.
Da caridade de quem me detesta.

Eu tento fingir que não ligo, tento demonstrar desprezo, tento me enganar e dizer que não preciso de você. Mas eu só tento.