Nao quero Viver na Ilusao
I don’t care
I don't care
se você não se importa,
se sai e bate a porta,
se grita, se ignora...
se choro e você vai embora.
I don't care...
se chove ou faz sol,
se é noite ou se é dia,
se é segunda ou sexta-feira,
se há dor ou alegria.
I don't care...
todo dia é dia
de viver o dia,
de passar pelos medos,
revelar... ou esconder segredos...
superar desafios...
todo dia I don't care...
a vida está por um fio.
A Voz que Restou
Aprendi a não temer
as palavras que o mundo lança sobre mim;
há feridas que o tempo leva
antes mesmo que encontrem morada.
Mas você sempre foi diferente.
Há algo em sua voz
que atravessa minhas defesas
sem sequer pedir passagem.
Talvez porque amar seja isso:
entregar a alguém
a única parte de nós
que ainda pode ser ferida.
E você feriu.
Não pela distância,
nem pelo silêncio que ficou,
mas por aquelas palavras
que continuam em mim
muito depois de terem deixado seus lábios.
Eu poderia esquecer
quase tudo o que o mundo me disse,
mas não consigo esquecer
aquilo que ouvi de você:
que já não havia em seu coração
senão desprezo por mim.
Silêncios que pesam no peito
Transformar sentimentos em palavras,
coisa mais difícil não há.
Há silêncios que pesam no peito,
há verdades que ninguém quer escutar.
O ódio que você sente
é capaz de lhe engasgar;
fica preso na garganta,
feito espinho a machucar.
Você diz que não se importa,
sai depressa, bate a porta,
grita, ignora, finge não ver —
mas por dentro começa a chover.
E se eu choro, você vai embora,
como se a dor tivesse hora,
como se lágrimas fossem fraqueza,
como se amar não trouxesse tristeza.
Mas cada palavra calada
é uma ferida disfarçada;
cada distância, um pedido,
cada adeus, um grito contido.
Talvez um dia você entenda
que o coração também se arrebenta,
e que ninguém parte ileso
quando transforma amor em desprezo.
Então, se ainda houver coragem,
retorne antes da tempestade;
fale, mesmo que doa,
antes que o silêncio nos destrua.
Talvez eu não tivesse
Talvez o céu possa explicar
o silêncio que nasceu em mim,
quando as estrelas se apagaram
sem dizer se voltariam.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas, frias e mortas;
elas já foram rios abertos,
tocando o mundo com esperança,
acendendo manhãs em portas esquecidas.
Eu não tinha esse olhar perdido,
vagando entre sombras e distâncias,
procurando no rosto da noite
a luz que um dia me chamou.
Talvez o céu saiba onde escondi
as palavras que não consegui dizer,
os abraços interrompidos,
a coragem deixada à beira do medo.
Se houver uma estrela para mim,
que ela desça devagar,
como uma lágrima luminosa,
e repouse sobre meu peito.
Talvez então minhas mãos se lembrem
do calor de outras mãos,
e meus olhos, cansados de perder,
aprendam novamente a esperar.
Porque mesmo no fundo do silêncio,
há um coração, quase invisível,
batendo baixinho –
como quem ainda pede para viver.
Era uma vez...
Era uma vez....
ou não era não?
Um coração apaixonado
e outro completamente alienado...
Um coração cativado
e outro completamente desinteressado.
Um coração magoado
e outro completamente blindado.
Um coração partido
e outro batendo... tum-tum... tum-tum...
completamente sem sentido.
Era uma vez...
não, não era não.
