Nao quero Viver na Ilusao
A minha desgraça
Não foi ter nascido,
Mas a este mundo
Ter vindo, ter vivido,
E vivendo, ter sentido
Mais do que gostaria sentir!
De fora para dentro,
o observador desperta.
E quando desperta,
não se contenta mais com a superfície das coisas.
Ele começa a investigar a memória da própria autoconstrução,
questiona a base dos seus valores,
o edifício do moralismo,
as projeções de objetivo, sucesso e pertencimento.
Então o desconforto jorra,
às vezes agressivo,
às vezes brutal,
porque toda consciência que amadurece
precisa encontrar a sombra antes de encontrar a paz.
E a sombra aparece com suas facetas amedrontadoras:
medos herdados, desejos negados, culpas mal nomeadas,
ambições disfarçadas de virtude,
feridas vestidas de personalidade.
A partir daí, nasce uma cegueira ao antigo e uma sede de perguntas para a vida.
O olhar fica frio, não por falta de alma,
mas por excesso de lucidez.
A realidade perde a maquiagem.
O véu de Maya cai.
E aquilo que antes parecia destino
começa a parecer condicionamento.
Mas o observador não tenta apenas ressignificar tudo.
Ele entende que algumas ruínas não pedem reforma,
pedem demolição consciente.
Então ele cria o novo.
Não um novo aprovado pelas vitrines do todo social,
não um novo domesticado pela moral dos outros,
não um novo feito para caber no aplauso alheio.
Mas um novo mais próximo do eu real,
um eu que não foge da sombra,
dialoga com ela.
Um eu que aprende a transformar desconforto em linguagem,
queda em arquitetura,
solidão em escuta,
e criatividade em afinação profunda da existência.
Porque talvez amadurecer seja isso:
deixar de decorar a cela
e começar a desenhar a chave.
“O silêncio não começa como paz;
começa como o lugar onde a alma
para de mentir para si.”
E talvez seja aí
que a reconstrução comece:
não no vazio calmo,
mas no caos lúcido
de quem finalmente aceita
morrer por dentro
para se construir de novo.
O toque das suas mãos e a densidade do seu abraço têm esse perigo doce de coisa que não pede licença. Sua voz beija minha malandragem de um jeito rude, sedutor, quase inevitável. Já não é prazer. É uma força suave me levando até você antes do pensamento chegar.
Descobri que o amor de verdade dói, mas não aprisiona. Não cria cárceres emocionais, não rompe limites saudáveis, nem sequestra a paz de quem ama.
Ele nasce de uma maturidade silenciosa, daquela que compreende que amar não é possuir, mas cuidar. É uma espécie de fé depositada em quem enxergamos de verdade, para além das aparências, reconhecendo tanto a luz quanto a sombra que habitam o outro.
E, justamente por vê-lo inteiro, escolhemos potencializá-lo.
Há pessoas que, simplesmente por existirem, mudam tudo. Trazem consigo algo que beira carinho, ninho, presença. Tornam-se cuidado, cumplicidade e abrigo, tanto naquilo que possuem quanto naquilo que lhes falta.
Porque o amor maduro não ama apesar das faltas; ama também através delas.
E talvez seja essa a sua forma mais bonita: quando duas incompletudes deixam de exigir perfeição uma da outra e passam, juntas, a construir paz.
O primeiro som que sucede o silêncio não deve ser um estrondo, mas uma pulsação. A verdadeira paz não exige a imobilidade de quem respira; ela apenas pede que o movimento não seja uma fuga, mas um ancorar contínuo. Ao atravessar as cortinas recém-abertas, o cenário que se revela não nos apressa. Ele exige presença. É na cadência minuciosa dos passos, no atrito suave da sola contra o cascalho da própria jornada, que a identidade deixa de ser uma ideia no espelho e passa a ser o chão que pisamos. O silêncio nos ensinou a olhar para o centro; agora, o ritmo nos ensinará a caminhar a partir dele.
[Verso 1]
Olhar-se no espelho deveria ser
o mais simples gesto de amor,
não o altar secreto do ego,
nem um julgamento sobre a cor,
sobre o corpo, o rosto ou a idade,
sobre tudo o que o tempo tocou.
O espelho não conhece a alma,
só devolve aquilo que encontrou.
Mas existe um rosto atrás do rosto,
uma história atrás do que restou,
uma criança pedindo cuidado
e um adulto dizendo: “Eu aqui estou”.
Quem usa Deus para evitar o encontro consigo mesmo não está vivendo a fé; está terceirizando a própria transformação. A oração pode abrir o céu, mas também precisa abrir os olhos.
Não abandone a parte de você que reconheceu uma possibilidade de existência. Mas também não a deixe presa no imaginário. Torne-se a ponte entre aquilo que pulsa dentro e aquilo que ainda precisa nascer no mundo.
Você não está apenas tentando recuperar autoestima, sonhos e sentido.
Está aprendendo a tornar-se um lugar seguro para a própria existência.
Não matarei minha força para parecer santo. Também não chamarei minha força de santa apenas porque é minha.”
Que não sejamos pessoas que atravessam décadas sem sair emocionalmente do mesmo lugar, transformando feridas em altares e culpando os outros pela coragem que nos faltou para confrontar a nós mesmos.
O amor não nos salva de nós mesmos, tampouco das armadilhas e dos campos emocionais que construímos ao negligenciar o amor-próprio, o autoconhecimento e a autoeducação.
O amor é espelho e luz: ilumina a estrutura que somos e revela como nos movemos dentro dela. Não chega para reconstruir sozinho aquilo que nos recusamos a compreender; apenas torna impossível continuar fingindo que não vemos.
Por isso, o amor não é a obra pronta. É a planta daquilo que estamos dispostos a construir na própria alma — antes de exigir do outro uma casa onde nós mesmos ainda não aprendemos a habitar.
Não se foge de uma discussão por lhe faltar conhecimento, pois o que julga ter, faltou nas de boas práticas de convivência.
O que faço hoje, não é para ter vitórias amanhã.
Mas sim conviver com derrotas ciente que tomei atitudes para compensá-las.
Sozinha,
calada,
em meu próprio abismo,
te vi.
Não precisou de toques,
não precisou de sentir.
Quem me dera,
quem me dera te tocar,
sentir seu cheiro entrar em meus pulmões,
sentir teu calor.
A solidão não abraça —
ela te despedaça até destruir.
Corrói a alma,
te cansa até não sobrar nada.
Mas ao te encontrar,
senti que a luz viria.
E agora?
Quem me dera,
quem me dera ouvir sua voz como música,
ver seu sorriso como uma pintura cara…
Se a solidão vencer,
procure sua luz.
Não se afogue na incerteza.
Todos temos nossa luz —
eu sou a sua?
pois você é o meu.
