Não Preciso de Namorado para se Feliz
Que tentem ofuscar a visão
do Hemisfério Celestial Sul
com nuvens pesadas -
não preciso nada que não
seja as noites estreladas
iluminadas pelos teus
olhos lindos e cansados.
Com o melhor de ti que
está sendo preparado -
para o coração derretido
com o teu amor melado;
e retribuir com o que há
de tangencial apaixonado,
para amplexos refundados
fazerem de nós namorados.
Na corda harpejante do Sul
do coração o desejo manter
de colher na tua companhia,
quando o tempo certo vier -
de celebrar feijoas maduras,
com a paz agradável viver,
na sua hora e doce jeito
determinado para tomar-me
por tua absoluta mulher.
Com os meus pensamentos
eternos de noiva em fuga,
não preciso de televisão
quando abro determinado
a janela do delicado coração
e do meu quarto para que
a brisa do Rio Itajaí-Açu
amavelmente e me refresque.
Fixa no rebanho de nuvens
gentilmente se abrindo
para que venham as estrelas
para me pôr sorrindo,
e fazer companhia aqui
nesta cidade silenciosa cercada
pelo Médio Vale do Itajaí.
Assim terna me encontro
como o eco das vozes
não ouvidas pelo poder
nesta América Austral,
O silêncio forte e gutural
e de pacto rompido pela poesia,
Que te põe nos andares
do heroísmo implacável,
do amor realmente inevitável
e impulso inescapável
feito para toda a sua vida,
alcançando ser notícia
de ser a mulher por ti elegida.
Não tem nada a ver com clichê,
não existe ninguém como você,
e não preciso sequer reiterar.
Tens a capacidade de capturar
o voo dos meus sentidos
que, como falcões-peregrinos,
te aceitam como o mais
distinto de todos os ninhos,
e não reagem mais
a outros novos destinos.
Seja no sobrevoo ou fincada
nas terras das três Américas,
levo o código de reconhecimento
inabalável, com o fogo eterno
no coração e no pensamento.
Tal qual a dança das alvoradas
na Baía de Babitonga,
reconheço sem conta
que existe gente que conversa
a vida toda e não alcança
o que uma única mensagem tua
é capaz de comigo fazer:
Tu tens potencial completo
para inteiramente me render,
e tu às minhas mãos pertencer.
Mesmo quando se afasta
por qualquer motivo em silêncio,
não me aflito porque dentro
o porvir está sendo construído.
Não preciso de permissão
para tomar conta da sua
consciência íntima toda.
Por ter a senha e a chave,
entro a qualquer hora,
com calma, porque moro
no coração e no pensamento,
certa de que já me esperava.
E não me desculparei nunca
por te desejar inteiro:
tornei-me o adorável tormento.
O mundo lá fora implora
por sua atenção.
Com tato de senhora
do que a sua mente quer,
mostro lado a lado
tudo o que você sempre
sonhou e nunca vivenciou;
porque, sem volta,
nos sagramos atlânticos.
No abandono luxurioso
a dois, em banho dourado
pelo preguiçoso sol de junho
cortando o guanandi,
sem perder o embalo
alucinatório com os rubis
íntimos totalmente pulsantes,
trocamos os lábios coralíneos
bailantes, vivos e famintos,
por plânctons místicos.
Somos a continuidade
do romantismo proibido.
Não preciso de passaporte,
porque para você, anjo meu,
jamais serei estrangeira,
O amor é a bandeira,
e para ele não há receita.
Mas há um interminável
banquete sobre a mesa,
e não é apenas um poema.
O Combate ao Machismo se torna muito mais árduo quando é preciso combatê-lo também em Mulheres.
Há constatações que incomodam porque encostam numa verdade pouco elegante.
Esta é uma delas.
Durante muito tempo, acostumamos a tratar o machismo como um problema exclusivamente masculino, como se ele fosse apenas uma coleção de atitudes praticadas por homens contra mulheres.
Mas o machismo é muito mais perverso, muito mais antigo e muito mais profundo do que isso.
Ele não mora apenas em indivíduos, mora em estruturas, em costumes, em frases herdadas, em medos ensinados e em papéis distribuídos antes mesmo que alguém aprenda a escolher.
Por isso, não deveria causar espanto que muitas mulheres também reproduzam lógicas machistas.
O sistema que oprime não pede autorização moral para se perpetuar; ele apenas se infiltra.
Ele ensina meninas a competir entre si pela validação masculina, a desconfiar da liberdade de outras mulheres, a julgar com mais severidade aquela que rompe padrões, a naturalizar a sobrecarga, o silêncio, a culpa e a submissão como se fossem virtudes.
O machismo, quando bem-sucedido, faz a própria vítima acreditar que está defendendo a ordem, a decência, a família ou o “certo”, quando na verdade está ajudando a manter de pé a mesma engrenagem que a diminui.
E é justamente aí que o combate se torna mais complexo.
Porque enfrentar o machismo em homens costuma parecer, ao menos à primeira vista, um confronto mais visível: há um agressor identificável, um privilégio mais explícito, uma postura mais fácil de nomear.
Já quando ele aparece no discurso, no comportamento ou no julgamento de mulheres, tudo ganha zonas mais cinzentas.
Surge a tentação de relativizar, de poupar, de fingir que não é a mesma lógica em ação.
Mas é.
Com outra voz, às vezes com outro tom, mas é.
Isso exige uma maturidade rara: compreender que pertencer a um grupo oprimido não imuniza ninguém contra a reprodução dos desvalores do opressor.
Sofrer uma estrutura não impede que se participe dela.
Aliás, muitas vezes é justamente a necessidade de sobreviver dentro dela que faz com que se internalizem seus códigos.
Não por maldade pura, nem sempre por convicção consciente, mas por adaptação.
Há mulheres que aprenderam a condenar outras mulheres porque foram ensinadas a acreditar que este era o preço da respeitabilidade.
Há mulheres que policiam corpos, roupas, desejos e ambições femininas porque foram treinadas para ver perigo em toda liberdade que elas mesmas não puderam viver.
Isso, porém, não deve levar à caricatura fácil nem ao cinismo barato de dizer que “as mulheres são as piores inimigas das próprias mulheres”.
Essa frase, embora sedutora para quem quer simplificar tudo, presta um enorme favor ao próprio machismo.
Ela desloca o centro do problema e transforma uma engrenagem estrutural em disputa pessoal.
O foco não deve ser acusar mulheres como origem do machismo, mas reconhecer que a dominação é tão eficiente que consegue recrutar até mesmo aquelas que prejudica.
O verdadeiro enfrentamento, então, cobra muito mais do que indignação: cobra discernimento.
É preciso denunciar sem desumanizar, corrigir sem humilhar, conscientizar sem transformar toda divergência em guerra palavrosa.
Porque nem toda reprodução de machismo nasce da perversidade; muitas nascem da herança.
E heranças culturais não se desmontam apenas com raiva, mas com lucidez, firmeza e trabalho paciente de revisão.
Combater o Machismo nas Mulheres é, no fundo, uma das provas mais duras de que essa luta nunca foi apenas contra homens.
Ela é contra uma mentalidade civilizatória que organizou afetos, poderes e expectativas por séculos.
E talvez a parte mais dolorosa dessa batalha seja admitir que o inimigo, muitas vezes, não aparece com a face clássica do dominador, mas com a familiaridade de quem aprendeu errado e, sem perceber, passou a propagar o erro adiante.
Desfazer isso dá mais trabalho porque obriga a luta a sair do conforto das caricaturas.
Obriga a reconhecer que a mudança real não acontece apenas quando se enfrenta quem oprime de cima, mas também ao interromper a reprodução cotidiana da opressão entre iguais.
E isso é muito mais difícil, muito mais delicado e muito mais demorado.
Mas também é muito mais honesto.
Porque nenhuma transformação profunda acontece de verdade enquanto se combate o machismo apenas onde ele é mais barulhento, e não também onde ele é mais íntimo.
No meio polarizado, é preciso ponderar que ambos os extremos são capazes de comportamentos ardilosos
em prol das agendas.
Talvez o maior engano do nosso tempo seja acreditar que a distorção da realidade pertença apenas ao lado oposto.
Como se a manipulação fosse sempre uma ferramenta do “outro”, nunca nossa.
No entanto, quando a convicção se transforma em identidade, a verdade deixa de ser um compromisso e passa a ser um recurso — moldável, conveniente e estratégico.
Nos extremos, o objetivo raramente é compreender; é vencer.
E, para vencer, vale simplificar o complexo, omitir o inconveniente, amplificar o medo e, sobretudo, reforçar certezas.
Não se debate para construir pontes, mas para erguer muros mais altos.
Cada argumento vira munição, cada dúvida é tratada como fraqueza, cada concessão como traição.
O problema não está apenas na existência de opiniões divergentes — isso é saudável —, mas na disposição de distorcer a realidade para sustentá-las.
Quando a narrativa importa mais do que os fatos, qualquer meio parece justificável.
E é aí que o ardil se instala: na edição seletiva da verdade, na escolha calculada do que mostrar e do que esconder.
No fim, o que se perde não é apenas o diálogo, mas a própria capacidade de reconhecer quando estamos sendo conduzidos — ou quando somos nós que estamos conduzindo os outros por caminhos tortuosos.
Porque admitir isso exige um exercício muito raro: desconfiar não só do que vem de fora, mas também do que pode nascer ou florescer em nós.
Talvez o verdadeiro equilíbrio não esteja em escolher um lado, mas em preservar a honestidade intelectual mesmo quando ela contraria até as nossas próprias convicções.
Afinal, em um cenário onde todos querem convencer, a integridade de pensar por conta própria se torna, paradoxalmente, um ato de profunda resistência.
Hoje eu preciso de uma bebida que não tenha história, que não tenha safra e que não me lembre de nenhum brinde que a gente deixou de fazer.
.. Ok,
vou fazer o que posso, vou segurar as pontas, vou fingir alegria quando preciso for e enquanto for necessário, vou levar na brincadeira, vou brincar com meus problemas, vou fingir que eles nem existem. Me sinto bem embora o mundo lá fora me dê motivos pra chorar e me sentir reprimida. Ah, vai me desculpando aí, mas não nasci pra sofrer..
Não preciso de palavras bonitas e grandes para dizer o que quero, até porque as vezes não há palavras existentes que possam dizer o que quero. As vezes as palavras que queremos ouvir não são bem palavras, as vezes o silêncio fala mais alto. As vezes pequenas frases sem muita complexidade nos mudam completamente. As vezes as palavras nos dizem tantas verdades de maneira tão rápida que não conseguimos acompanhar. As vezes temos medo de ouvir algo diferente do que estamos dispostos a aceitar. As vezes. E quantas vezes algumas palavras se repetiram na sua mente de forma devastadora? De uma maneira pela qual nem todo o dicionário é capaz de explicar a junção de todas essas palavras na sua mente, ou o significado delas realmente. Como algo não tão “palpável”, como as palavras, tem um peso tão grande? Não sei como chegar a uma conclusão certa de algumas dessas perguntas, mas sei que as respostas se encontram nas próprias palavras, mas qual delas, eu ainda irei descobrir.
“-Amor […] Mô […] Bê […] Gustavo acorda! –Ela fala balançando o ombro dele.
-Que é Ju?
-Preciso de você.
-Ta, eu também preciso de você, de preferência dormindo agora. –Ela ri.
-Não babaca, é sério.
-Ju vai dormir.
-Vou depois que você me ajudar. –Ele fica quieto, tinha pegado no sono outra vez. –Anda Gustavo, levanta!
Ele levanta e a segue até a cozinha.
-Fala o que você quer?
-Abre pra mim, não consegui.
Ela pega um pote de geleia e põe em cima da mesa.
-Ju você só pode estar brincando comigo. Mano tu quer geleia essa hora? Cara são 2:30 da manhã!
Ela ri. - 3:00 amor, 3:00 da manhã.
-Noite tu quis dizer.
Ele abre o pote, pega uma colher e entrega pra ela. Sai andando pra voltar pro quarto.
-Obrigada Super Gustavo, mas aonde tu vai?
-Dormi Ju. –Ele ri.
-Claro que não. Senta ai temos que conversar.
-DR agora?
-DF.
-DF?
-É discutindo o futuro.
Ele riu, sabia que não adiantaria discordar. Pegou uma colher e sentou-se do lado dela.
-Fala.
-Posso dizer como quero que seja o nosso quarto? –Ele fez que sim com a cabeça. –Amor, quero que seja branco, por que eu gosto de branco. Quero uma cama bem grande para que nos dias de chuva nossa princesa e nosso príncipe durmam com a gente. –Ela para, como se estivesse imaginando eles correndo pra cima da cama. Comeu um pouco de geleia. –Quero um espelho grande na parede e logo abaixo do espelho quero aquelas mesas que parece balcão. –Ele ri.
-Que você não sabe o nome.
-É não sei. Amor quero aqueles armários que tomam a parede toda, com espelho nas portas. –Ela fica pensativa. –Amor você acha que tem espelhos demais?
-Não. Acho que esta perfeito.
-Que bom que esta gostando. Olha, quero também aqueles negocinhos na parede, aqueles lá, enfim que parecem estante na parede. É pra por as nossas fotos e as dos nossos pequenos. Quero uma poltrona perto da janela para nos dias de insônia sentar para ler algo. Tem que ter uma televisão, não quero ter que levantar pra ver novela na sala. E por ultimo, quero um daqueles tapetes fofinhos, tem que ser preto por que o quarto é branco ai acho que vai ficar legal.
-Vai ser lindo amor, de verdade.
-Mas esta faltando algo.
-O que?
-Você.
-Eu vou estar sempre lá, querendo ver jogo enquanto você quer ver novela.
Ela ri. –Agora esta perfeito.
Ele a beija na testa, guarda a geleia e os dois vão para o quarto. Ele já estava quase dormindo outra vez quando ela o cutuca de leve.
-Amor, tenho que perguntar uma coisa.
-Fala.
-E nos dias que eu sentir fome no meio da noite?
-Ai eu levanto e viro o Super Gustavo outra vez.”
— Pra sempre meu super herói mô
Teatro
Foi preciso conhecer um defunto,
Para ver que algo está errado.
Foi preciso pensar muito, ou deixar de pensar,
Para perceber que estou morto.
Foi preciso te encarar,
Para conhecer a beleza destes olhos castanhos.
Foi preciso coragem,
Para pegar sua mão.
Foi preciso sofrer de novo,
Para lembrar o calor humano.
Foi preciso prestar atenção,
Para sentir o sangue correr entre seus dedos.
Foi preciso ser humilde,
Para escrever aqui minhas desculpas.
Se te deixei confusa, perdoa-me.
Preciso que aguentem comigo os meus maus momentos; porque sorrir comigo,quando eu estou bem,é fácil pra qualquer pessoa.
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