Nao podem ser Explicadas mas Sentidas

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“Meu corpo reconhece o teu antes do toque, treme de fome, se oferece inteiro, implorando para ser tomado no ritmo lento da tua vontade.”

"Se achar", seduzir-se pela aspiração de ser celebridade e rico é rota segura para a corrupção do caráter, matriz de toda forma de corrupção.


(Luiz Felipe Pondé)

Se há na terra, e entre todas as nulidades, algo a ser adorado, se há algo de sagrado, puro, sublime, algo que deva sustentar esse imenso desejo pelo infinito e vago que chamamos de alma, esse algo é a arte.

Gustave Flaubert
Memoirs of a Madman (1838).

Por onde eu for
quero ser
pétalas de poesia...
✍©️@Miriam Da Costa

O destino ambicioso do Poeta


Ele nasce para Ser,
vive para Escrever,
morre para ser lido,
renasce sem nunca ver
e torna-se eterno sem nunca saber...


Ele nasce com o verbo latejando nas veias,
a alma em chamas de dizer o indizível,
vive entre o gozo e o abismo das palavras,
sangra no papel como quem se oferece ao tempo.
Morre quando a tinta seca,
mas o eco de sua febre permanece.
Renasce em cada olhar que o lê,
sem jamais saber que ainda pulsa
na carne do silêncio dos outros...


Ele vem ao mundo com um sopro de eternidade,
vive escrevendo para compreender
o próprio mistério.
Morre deixando rastros de si em cada verso,
renasce no coração de quem o lê,
e permanece, suave e invisível,
no murmúrio das páginas que o guardam...
✍©️@MiriamDaCosta

A irracionalidade existencial do ser humano ( considerado o único animal racional)
evidencia-se diante da racionalidade de sobrevivência dos demais animais...


A irracionalidade existencial do ser humano,
aquele que insiste em se autoproclamar
o único animal racional,
salta aos olhos quando comparada
à racionalidade instintiva de sobrevivência
que guia todos os outros animais.


Eles vivem com sabedoria.
Nós, frequentemente, apenas nos contradizemos...
✍©️@MiriamDaCosta

A proporcionalidade inversa do ser humano


Se alguém se sente
exageradamente ofendido
por uma fala...
é porque, lá dentro,
há algo profundamente enraizado
no teor do que foi dito.


Quanto maior a fragilidade
e a mediocridade
de quem se acredita potente...
maior a nudez de sua arrogância,
maior a evidência de sua prepotência.
✍©️@MiriamDaCosta

Pode ser que em um futuro próximo
(bem próximo!!!)...
as pessoas que depredam
a Mãe Natureza
venham a ser depredadas por ELA...


✍©️@MiriamDaCosta
@miriamdacostamiry

Da arte, da poesia e da música


Bálsamos para o ser,
virtudes em harmonia
a ungir a vida tão efêmera,
nos alicerces profundos do âmago.


Ou...
Bálsamos rasgando o ser,
virtudes em combustão harmônica
contra a aspereza do mundo.


Sustentam a vida,
breve, frágil e exposta,
quando tudo range e ameaça ruir,
fincadas no âmago
como estacas de salvação
no chão instável da existência.
✍©️@MiriamDaCosta

Ser ignorante
é uma condição humana,
ser menos ignorante
é possibilidade de todos,
mas... infelizmente,
é capacidade de poucos.
✍©️@MiriamDaCosta

Vocábulos sem idioma...


Em todo ser humano,
existem momentos
de visceral sonorização d'alma,
plenos de sentimento profundo,
que o idioma de nenhum vocábulo
jamais poderá traduzir e expressar...
✍©️ @MiriamDaCosta

Escrita e Sentido


Pode ser que alguém
lá fora, longe de ti,
precise adentrar-se na tua escritura
e emergir nas mensagens
que dela brotam,
como quem busca ar
no fundo de si
e encontra, nas tuas palavras,
um sopro de sentido
para continuar...
✍©️@MiriamDaCosta

Vivemos um tempo em que a privacidade deixou de ser um direito silencioso para tornar-se um território constantemente tensionado.


A entrada definitiva na era digital,
e-mails, redes sociais, smartphones,
inaugurou uma nova forma de exposição: voluntária, muitas vezes; inevitável, quase sempre.


Hoje, a vigilância já não se limita a câmeras fixas nas esquinas.
Ela veste óculos, repousa em relógios de pulso, habita acessórios discretos e tecidos inteligentes.


A tecnologia, que prometia praticidade e conexão, também carrega a possibilidade permanente de registro, captura e difusão da nossa imagem, às vezes sem consentimento, quase sempre sem controle real.


Ninguém está integralmente protegido.
Mesmo os mais prudentes deixam rastros. Dados circulam, imagens são armazenadas, algoritmos nos interpretam.


Somos observados não apenas por olhos humanos, mas por sistemas que analisam comportamentos, preferências e rotinas.
A exposição tornou-se condição quase estrutural da vida contemporânea.


Até que ponto é possível conviver com essa presença constante de “olhos invisíveis”?
Devemos responder com medo?
Ou com cautela consciente?


A linha entre prudência e paranoia é delicada. Blindar-se completamente significaria abdicar da vida social e das facilidades do mundo moderno.
Ignorar os riscos, por outro lado, é uma ingenuidade perigosa.


Alguns vislumbram no retorno a um estilo de vida mais simples, menos conectado, mais rural, menos dependente de dispositivos inteligentes, uma tentativa de reconquistar espaços de silêncio e resguardar a intimidade.


No entanto, mesmo o afastamento físico não garante invisibilidade total em uma sociedade interligada por redes e sistemas globais.
Talvez o desafio do nosso tempo não seja escapar completamente da vigilância, o que parece cada vez menos viável, mas aprender a conviver com ela de forma crítica, exigindo regulamentação ética, proteção jurídica efetiva e responsabilidade das empresas e do Estado.


A tecnologia não é, em si, inimiga; o problema reside na ausência de limites claros e no uso indiscriminado de seus recursos.


Viver neste século é, de certo modo, sobreviver às pressões e aos riscos que acompanham o progresso.
O avanço tecnológico amplia horizontes, mas também estreita zonas de intimidade.


Cabe à sociedade decidir se deseja apenas adaptar-se ou se pretende estabelecer fronteiras que preservem a dignidade humana.


A privacidade talvez nunca mais seja absoluta. Mas ainda pode, e deve, ser defendida como um valor essencial do indivíduo.
✍©️@MiriamDaCosta

Ser mulher,
ser homem,
ser hétero,
ser homossexual,
ser bissexual,
ser transgênero,
ser o que for...
todo dia nasce um novo termo
para tentar nomear
o que sempre foi
vida pulsando...


Não me interesso
pela intimidade do outro,
não me ocupo
com o rótulo que veste
ou com o nome que escolhe
para si.


Interesso-me pelo humano
antes da etiqueta,
antes da sigla,
antes da vitrine.


Interesso-me pelo caráter,
pelo respeito (por si mesmo
e pelo outro),
pela decência,
pela capacidade de não ferir
só porque se pode
ou se quer...


Mais humanidade,
mais silêncio
e mais discrição
(quando for preciso),
mais escuta
e mais civilidade.


Mais intimidade e sexualidade
sendo íntima, pessoal e reservada.


Seria pedir demais
que a convivência não fosse
um campo de guerra
entre identidades?!...


Sem deboche,
sem hipocrisia.
sem provocação performática
de lado a lado.


Existir
e deixar existir.


E isso, no fim,
é o mínimo ético
de qualquer sociedade
que se diga
humana, né?!


✍©️@MiriamDaCosta

Cavalgar
é ser verbo indomável
conjugado no tempo
sem tempos.
✍©️@MiriamDaCosta

A laicidade do Estado Brasileiro
deve ser defendida com unhas e dentes,
ou a nossa Constituição acabará desunhada e desdentada.
✍©️@MiriamDaCosta

Deve ser porque
talvez…


a vida seja,
simplesmente,
essa trajetória audaciosa
que me empurra para além das margens
que me desafia a romper o contorno
que me recusa o raso.


Talvez seja isso:
um chamado constante
para atravessar os limites
que eu mesma desenho
com receio e desejo.


Ir além
não como fuga,
mas como expansão.


Muito além
do que me ensinaram,
do que esperavam,
do que tentaram podar.


Porque há em mim
essa fome de horizonte,
essa sede de infinito,
essa inquietação
que não se aquieta
com migalhas de mundo.


E se a vida é travessia,
que seja ousada,
que seja vertigem,
que seja salto.


Porque ficar
nunca foi o meu verbo.
✍©️@MiriamDaCosta

O poeta é um ser múltiplo,
amorfo como a névoa
antes de ganhar forma no horizonte.


Vive em permanente desintegração,
como estrela antiga
que se desfaz em luz.


E, no entanto,
recompõe-se em silêncio
num outro organismo,


um corpo de palavras
que respira além da carne,
um corpo poético
que transcende
a breve matéria do seu criador.


✍©️@MiriamDaCosta

O ser humano
está tão animalizado,
que resgatar um mínimo
de humanização,
torna-se uma tarefa
imensa,
senão
uma utopia.
✍©️@MiriamDaCosta

Liberdade?
Cada ser humano possui
a liberdade de escolher
a própria prisão.
✍@MiriamDaCosta