Nao Mereco tanto Amor

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Pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Não há calamidade maior do que o descontentamento.

A justiça não existe onde não há liberdade.

Os grandes pensamentos não necessitam apenas de asas, mas também de algum veículo para aterrisar.

Quem não tem um objetivo quase nunca sente prazer nas suas ações.

O acaso é o grande mestre de todas as coisas. A necessidade só vem depois, não tem a mesma pureza.

Não há ninguém sem defeitos: o melhor é o que menos tem.

Diz-se que o egoísmo não sabe amar, mas também não sabe deixar-se amar.

Não se pode apertar mãos com os punhos fechados.

Na verdade, a imaginação não passa de um modo da memória, emancipado da ordem do tempo e do espaço.

Ó quanto é bela, mas não tem cérebro!

Não há nada que se possa fazer com pressa e prudência em simultâneo.

Não penses que a sabedoria é feita do que se acumulou. Porque ela é feita apenas do que resta depois do que se deitou fora.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, 1992

Há uma espécie de reciprocidade entre a necessidade e o objecto que a satisfará. Não penso em beber; mas este copo ao meu alcance dá-me sede. Tenho sede e imagino o copo de água delicioso.

As coisas, por si sós, não são interessantes, mas tornam-se interessantes apenas se nos interessamos por elas.

O artista deve gostar da vida e mostrar-nos que ela é bonita. Se não fosse ele, duvidaríamos disso.

Os dias prósperos não vêm por acaso. São granjeados, como as searas, com muita fadiga e com muitos intervalos de desalento.

Camilo Castelo Branco
BRANCO, C., Obras - Volume 31, Parceria A.M. Pereira., 1965

É, sem dúvida, próprio do homem enganar-se na escolha das companhias, mas também o é não dar facilmente o braço a torcer.

Faço dizer aos outros aquilo que não posso dizer tão bem, quer por debilidade da minha linguagem, quer por fraqueza dos meus sentidos.

Não me digas que este problema é difícil; se não fosse difícil não seria um problema.