Nao Mereco esse Amor
Que não nos faltem bons sentimentos. Que nos falte egoísmo. Que nos sobre paciência. Que sejamos capazes de enxergar algo de bom em cada momento ruim que nos acontecer. Que não nos falte esperança. Que novos amigos cheguem. Que antigos sejam reencontrados. Que cada caminho escolhido nos reserve boas surpresas. Que a cada sorriso que uma criança der nos faça ter um bom dia e enxergar uma nova esperança. Que cada um de nós saiba ouvir cada conselho dado por uma pessoa mais velha. Que não nos falte vontade de sorrir. Que sejamos leves. Que sejamos livres de preconceitos. Que nenhum de nós se esqueça da força que possui. Que não nos falte fé e amor.
Faço de mim
Casa de sentimentos bons
Onde a má fé não faz morada
E a maldade não se cria
Me cerco de boas intenções
E amigos de nobres corações
Eu não me poupo
Minha avó sempre disse que quem poupa, tem. Lembro das férias de verão lá na praia, o meu irmão economizava a mesada e eu comprava picolés para a família inteira. É por minha conta, minha conta. Duas semanas se passavam e eu estava pelada, sem um centavo, mas com a barriga cheia de picolés de chocolate.
Meu pai coloca água no shampoo, pois ele diz que todos são concentrados; a água dilui um pouco e parece que deixa o cabelo mais soltinho, não sei se é lenda. Nos próprios salões de beleza eles colocam um pouco do produto na sua cabeça e, ali mesmo, misturam com um pouco de água. Esfregam, esfregam e pronto, que lindo.
Animais em extinção. Água. Energia elétrica. Telefone. Reciclagem de lixo. Natureza. Amizades. Família. Amores. Precisamos cuidar, poupar, tomar conta. Um dia tudo acaba. Lá vem a vovó de novo com o seu quem poupa, tem.
Eu lavo o cabelo todos os dias, semana passada meu pai perguntou se eu comia shampoo. Não, não como. Lavo duas vezes, todos os dias e meu cabelo é médio. Médio, para quem não sabe, fica entre o curto e o comprido. Não é nem um, nem outro. É médio. Mas eu não misturo com água, deixo juntar uma espuma gigante, pois adoro espumas. Lavo até fazer aquele barulho de limpo. O barulho de limpo, para quem não sabe, é aquele som irreproduzível que a mão emite ao entrar em contato com o seu cabelo encharcado de água. Depois de passar o condicionador, lógico. Tem gente que consegue lavar a louça com pouquíssima água, eu não. Preciso de muita. E uso muito detergente, você sabe que preciso de espumas para viver. Sou a maior consumidora de água do planeta, tenho que diminuir, eu sei. Juro que vou me esforçar. Vou tentar ser econômica. Só não me peçam para economizar sentimentos.
Quem poupa, tem? Não sei me economizar. Eu não me poupo. Nunca soube fingir. Acho uma espécie de traição fechar os olhos para as vontades. Se você sente, sinta. Não maquine ou arquitete qualquer coisa mirabolante, apenas sinta. Não vou negar que já fugi, já sim. Inúmeras vezes. Eu teria que pedir dedos emprestados para conseguir contar. Nem acho o fugir ruim, às vezes se faz necessário. Não é errado, o sentimento vai dentro da sua roupa, o problema gruda nas suas costas, mas na fuga você se encontra. Ou então você larga o que já está usado e quase caindo aos pedaços lá no meio do caminho. É uma espécie alternativa de exorcismo. Sai daqui, sai daqui. Adeus, demônios. A fuga te liberta do diabo. Ou então faz com que você perca o medo de voltar. Porque nós sempre precisamos voltar para algum lugar. O que foge e o que volta. O que vai e o que retorna. É você. Um você diferente. Um você modificado.
Se tudo vem da infância, vou voltar lá para o início, no tempo em que eu era mão aberta com a mesada e distribuía picolés. Não é o dinheiro, é o gesto. Sempre gostei de fazer mimos e agrados. Quando eu quero, que fique claro. Com quem merece, que fique evidente. Continuo a mesma, hoje em dia não tenho mais atração por sorvetes, meu negócio é outro.
Prefiro esbanjar emoções. Mesmo que doa. Mesmo que, um dia, eu possa me arrepender. Meus arrependimentos duram pouco, alguma coisa me cutuca e diz olha, que bom que você fez. Que bom que você teve coragem. Que bom que você sente. Que bom que você tenta. Tentar é se arriscar. E tudo na vida tem metade de chance de dar certo. E a outra metade? De dar errado. Mas não é poupando que você saberá.
Quem é mão de vaca com os próprios sentimentos acaba por não viver. Não seja econômico. Mas use menos água para lavar a louça.
As coisas mais importantes não estão escritas num livro, é preciso aprendê-las vivenciando-as sozinho.
O homem não é importante pelo seu ego ou pela sua personalidade.
O homem é importante porque, como alma, ele é parte de Deus.
A maior recompensa pelo nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma.
Não importa quantas músicas de término você escreva, não importa quantas vezes você se machuque, você sempre irá se apaixonar de novo.
Coisas estranhas aconteceram aqui, não mais estranho seria se nos encontrássemos à meia-noite na árvore-forca.
(Katniss Everdeen em Jogos Vorazes)
Não importa onde você parou....
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível recomeçar.
Nota: Trecho do texto de Paulo Roberto Gaefke, muitas vezes atribuído (erroneamente) a Carlos Drummond de Andrade.
...MaisViva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor
E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou
Adoro aquele que não posso amar. Apaixonei-me sem querer, mas sigo com ele porque decidi aproveitar a beleza de momentos mágicos onde somos um só. Já não tenho receio que não dure, ou que não haja juras de amor eterno. Não quero falar de futuro. Vivo apenas ao som dos ponteiros do relógio, esperando por dias diferentes, com ele ou sozinha, não importa, desde que esteja feliz. De que adianta esperar por acções que talvez nunca aconteçam? Ou por situações que nunca cheguem? A culpa não chama por mim e a consciência é minha cúmplice na luta que travo com ele. Pergunto-me todos os dias porque continuo a desejar ardentemente aqueles beijos em que ele me barra o ar e me faz sentir especial. Detesto todas as despedidas, e tenho sempre medo que seja a última oportunidade para sentir aqueles abraços no meu contorno. Estremeço se pensar que vamos acabar por compreender a dimensão do desacerto que estamos a praticar connosco, e com terceiros. Permaneço inquieta, à espera de um indício dos meus escrúpulos, que parecem não viver no léxico do que vivo com ele. Todos os ensejos são especiais, únicos e incomparáveis. Não nos absorvemos por nada ou por alguém, nem esperamos nada um do outro. Realizamos a nossa peça normalmente, como se tudo fosse perfeito. Talvez seja, e a única imperfeição seja criada por nós. Agora, depois e após, sinto um temor exíguo, uma angustia que não esgota e estou a deprecar, com toda a energia, para que tudo corra bem. Para que ele volte seguro para mim, não para sempre, mas até o sentimento resistir. Não sou dele, mas também não pertenço a ninguém. Sou apenas quem sempre fui, na luta de uma paixão constante e verdadeira. Não posso pensar que o quero, que é a pessoa perfeita por quem sempre esperei. Seguirei apenas, o caminho que me esta desenhado, talvez ele queira caminhar a meu lado…
